Seth Kugel - NYT
Reprodução

Arturo, irmão da noiva de Henrique Alves, com sua mulher Larissa durante jogo no Maracanã

Arturo, irmão da noiva de Henrique Alves, com sua mulher Larissa durante jogo no Maracanã
Enquanto multidões que protestavam contra a corrupção do governo e contra os gastos excessivos nos estádios da Copa do Mundo entravam em choque com a polícia no lado de fora do estádio do Maracanã, no domingo no Rio de Janeiro, um importante deputado brasileiro estava dentro do estádio com sua noiva, parentes e amigos. Após assistir a vitória do Brasil sobre a Espanha na final da Copa das Confederações, o deputado disse pelo Twitter: "BRASIL, seleção nota 10! E a torcida tb, nota 10! O campeão voltou!!"
O deputado, Henrique Eduardo Alves, que é o presidente da Câmara dos Deputados, não foi o único a celebrar a vitória. Mas ele e sua comitiva provavelmente foram os únicos torcedores que voaram para assistir ao jogo em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) pago com dinheiro do contribuinte. Eles chegaram na noite de sexta-feira (28) vindos do Estado do Rio Grande do Norte, no Nordeste do Brasil, que ele representa, e partiram depois da partida.
Autoridades do governo brasileiro já foram pegas pagando por férias familiares com dinheiro público, mas o momento dessa escapada pareceu particularmente inconveniente, ocorrendo após semanas de protestos antigoverno que sacudiram o país. Taxando os políticos de corruptos, os manifestantes condenaram o mau uso de dinheiro público, particularmente em estádios da Copa do Mundo como o Maracanã. Isso deu um peso particular na imprensa local à viagem cara do presidente da Câmara.
Em uma declaração na quarta-feira (3), o gabinete de Alves notou que ele esteve no Rio de Janeiro para se encontrar com o prefeito, Eduardo Paes. (Um decreto presidencial de 2002 permite que autoridades do governo voem em aviões da FAB em caso de viagens oficiais.) Mas ele disse que não deveria ter levado ninguém consigo.
Ele devolverá aos cofres públicos os R$ 9.700 pelo seu "erro", disse Sandra C. Inácio, uma porta-voz de seu gabinete. Ela disse que esse é o valor aproximado que as pessoas que acompanharam o deputado teriam pago em um voo comercial do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro. Ela disse que ele estava acompanhado por seis pessoas, mas alguns relatos colocam o número em sete.
Revelações de autoridades do governo usando dinheiro público para pagar por viagens ou em gastos extravagantes em viagens oficiais são uma história antiga no Brasil. Mas no clima atual, em que a presidente Dilma Rousseff e políticos de todas as esferas lutam para encontrar uma forma de reagir ao ultraje nas ruas, o momento da viagem de Alves foi altamente inoportuno.
Em uma série de entrevistas no bairro de Pinheiros, em São Paulo, a maioria das pessoas ainda não tinha tomado conhecimento da controvérsia envolvendo Alves. Mas aquelas que sim citaram a desconexão entre os protestos recentes e o voo de Alves.
"Multidões estão nas ruas e eles estão voando para assistir uma partida de futebol?" disse Mauro César Garcia, um vendedor de 52 anos em São Paulo. "Ele devia estar preocupado com a nação. Ele deveria dar o exemplo para as pessoas."
Online, o sentimento era semelhante. "Só um cínico, um maluco ou um completo desavisado poderia ignorar tudo o que aconteceu no país nas últimas semanas para fazer isso", escreveu Kiko Nogueira, no site de notícias alternativo "Diário do Centro do Mundo". "É como se ele dissesse: 'Vocês são uns otários por achar que algo mudaria'."
Tradutor: George El Khouri Andolfato
O deputado, Henrique Eduardo Alves, que é o presidente da Câmara dos Deputados, não foi o único a celebrar a vitória. Mas ele e sua comitiva provavelmente foram os únicos torcedores que voaram para assistir ao jogo em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) pago com dinheiro do contribuinte. Eles chegaram na noite de sexta-feira (28) vindos do Estado do Rio Grande do Norte, no Nordeste do Brasil, que ele representa, e partiram depois da partida.
Autoridades do governo brasileiro já foram pegas pagando por férias familiares com dinheiro público, mas o momento dessa escapada pareceu particularmente inconveniente, ocorrendo após semanas de protestos antigoverno que sacudiram o país. Taxando os políticos de corruptos, os manifestantes condenaram o mau uso de dinheiro público, particularmente em estádios da Copa do Mundo como o Maracanã. Isso deu um peso particular na imprensa local à viagem cara do presidente da Câmara.
Em uma declaração na quarta-feira (3), o gabinete de Alves notou que ele esteve no Rio de Janeiro para se encontrar com o prefeito, Eduardo Paes. (Um decreto presidencial de 2002 permite que autoridades do governo voem em aviões da FAB em caso de viagens oficiais.) Mas ele disse que não deveria ter levado ninguém consigo.
Ele devolverá aos cofres públicos os R$ 9.700 pelo seu "erro", disse Sandra C. Inácio, uma porta-voz de seu gabinete. Ela disse que esse é o valor aproximado que as pessoas que acompanharam o deputado teriam pago em um voo comercial do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro. Ela disse que ele estava acompanhado por seis pessoas, mas alguns relatos colocam o número em sete.
Revelações de autoridades do governo usando dinheiro público para pagar por viagens ou em gastos extravagantes em viagens oficiais são uma história antiga no Brasil. Mas no clima atual, em que a presidente Dilma Rousseff e políticos de todas as esferas lutam para encontrar uma forma de reagir ao ultraje nas ruas, o momento da viagem de Alves foi altamente inoportuno.
Em uma série de entrevistas no bairro de Pinheiros, em São Paulo, a maioria das pessoas ainda não tinha tomado conhecimento da controvérsia envolvendo Alves. Mas aquelas que sim citaram a desconexão entre os protestos recentes e o voo de Alves.
"Multidões estão nas ruas e eles estão voando para assistir uma partida de futebol?" disse Mauro César Garcia, um vendedor de 52 anos em São Paulo. "Ele devia estar preocupado com a nação. Ele deveria dar o exemplo para as pessoas."
Online, o sentimento era semelhante. "Só um cínico, um maluco ou um completo desavisado poderia ignorar tudo o que aconteceu no país nas últimas semanas para fazer isso", escreveu Kiko Nogueira, no site de notícias alternativo "Diário do Centro do Mundo". "É como se ele dissesse: 'Vocês são uns otários por achar que algo mudaria'."
Tradutor: George El Khouri Andolfato
Nenhum comentário:
Postar um comentário