quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Banco Central Europeu diz ter vários recursos para segurar a economia
Marie Charrel - Le Monde
Peter Parks/AFP
Presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, faz discurso durante conferência monetária internacional em Xangai (China). A instituição espera que a zona do euro apresente uma "recuperação gradual" da crise ainda este ano
Presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, faz discurso durante conferência monetária internacional em Xangai (China). A instituição espera que a zona do euro apresente uma "recuperação gradual" da crise ainda este ano
Será que o Banco Central Europeu voltará a agir para segurar a economia? As declarações concordantes – para não dizer insistentes – de seus membros nos últimos dias permitem ao menos prever que sim. Depois de Erkki Liikanen e Mario Draghi, diretor e presidente da instituição, foi Ewald Nowotny, também diretor, que disse no dia 24 de setembro: se for preciso, o BCE está disposto a estudar uma nova ajuda para os bancos, através de uma LTRO [operação de refinanciamento de longo prazo]. Difícil ser mais claro.
Para o instituto de Frankfurt, esse mecanismo de nome bárbaro consiste em conceder crédito a baixo custo aos bancos para ajudá-los a se financiarem. Mas, acima de tudo, é com a esperança de que eles emprestem esse dinheiro às pessoas físicas e às empresas, apoiando dessa forma a recuperação econômica. O BCE já o aplicou em dezembro de 2011 e em fevereiro de 2012, chegando a um total de 1 trilhão de euros. Se ele está pensando nisso novamente, é porque os efeitos das duas LTRO anteriores, que os bancos agora precisam pagar, passaram. E isso porque toda essa prodigalidade nem ajudou a economia. Pior, o crédito no setor privado dentro da zona do euro está em queda livre desde abril de 2012.
É por isso que muitos analistas estão apostando que um novo empréstimo desse gênero será anunciado até dezembro, ou até já no dia 2 de outubro, durante a reunião dos governadores em Paris. Mas, desta vez, a LTRO será mais bem direcionada.
O BCE poderia, por exemplo, reservar esses empréstimos aos estabelecimentos que oferecessem em troca e, como garantia, títulos de dívida para pequenas e médias empresas. "Ele já aceita isso, mas poderia ampliar mais o alcance", explica René Defossez, estrategista em renda fixa da Natixis. É o suficiente para levar os bancos que querem ter esse dinheiro fresco a se mostrarem mais conciliadores em relação às pequenas e médias empresas.
Mas a instituição tem outras armas para agir sobre a economia e, sobretudo, evitar que uma nova elevação das taxas de juros observada nos Estados Unidos contamine ainda mais o Velho Continente.
 
Demanda raquítica
Dessa forma ele poderia baixar sua principal taxa de juros de 0,5% para 0,25%. "Isso indicaria claramente aos mercados que ele não está prestes a retirar seu apoio da economia, ao contrário do Fed", comenta Frederik Ducrozet, economista no Crédit Agricole CIB. No entanto, ele duvida que Mario Draghi chegue a esse ponto, pois os alemães são muito reticentes à ideia.
O BCE poderia dessa forma levar sua taxa de depósito compulsório, atualmente próxima de zero, para território negativo. Para os bancos, isso significaria que colocar seus recursos nos "cofres" da instituição lhes custaria dinheiro! "Ainda nesse caso, o objetivo seria convencê-los a emprestar essas somas para a economia", explica Defossez. O problema é que mesmo que Frankfurt as aplicasse, essas ferramentas poderiam se revelar pouco eficazes para resolver os dois maiores problemas que a zona do euro ainda deve enfrentar.
A começar pelo raquitismo da demanda. Isso porque se o crédito continua a despencar, é também porque a população e as empresas ainda estão pessimistas demais para voltarem a consumir e a investir. Da mesma forma, o BCE continua impotente diante do problema de solvabilidade dos bancos, ainda flagrante nos países "periféricos". "As necessidades de capitais dos bancos espanhóis ainda chegam a cerca de 30 bilhões de euros", lembra Pierre-Olivier Beffy, economista da Exane BNP Paribas. É uma perspectiva inquietante, considerando que no início de 2014 novos "stress tests" devem ser feitos para avaliar a saúde dos bancos europeus.
Tradutor: UOL

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