Sara Hamdan - NYT
Sharif Maghraby opta por voar em companhias aéreas de baixo custo para
escapadas de fim de semana de Dubai, para visitar parentes e amigos,
principalmente no Egito. Companhias aéreas de baixo custo regionais,
como a Air Arabia e flydubai frequentemente atendem destinos que
companhias aéreas maiores não atendem, como o balneário egípcio de Sharm
el Sheik. E, é claro, seus voos têm preços muito mais acessíveis --o
que é crucial.
"Companhias aéreas de baixo custo são ideais para um passeio breve ou
voos curtos, como numa hora até o Kuait ou três de Dubai a Beirute",
disse Maghraby, um profissional de mídia que viaja em média uma vez por
mês. "As grandes companhias aéreas ganham em estadias e voos mais
longos, quando fatores como bagagem extra e assentos mais espaçosos
fazem a diferença; mas, de modo geral, é legal economizar dinheiro em um
voo para um feriado."
Quando a primeira companhia aérea de baixo custo do Oriente Médio, a Air Arabia, surgiu no cenário da aviação há exatamente dez anos, ela explorou a noção de que preço importaria muito para muitos viajantes na região. Ela seguia modelos bem-sucedidos que decolaram décadas antes nos Estados Unidos e na Europa, como a Southwest Airlines e a Ryanair. Em 2004, um ano após iniciar suas operações, a Air Arabia conseguiu entrar no azul e, quase dez anos depois, ainda exibe crescimento de dois dígitos e está listada na bolsa de valores de Dubai.
Para atender sua rede crescente de rotas, dez novos aviões Airbus A320 se juntarão à sua frota no ano que vem --e mais dez estão planejados para entrega em 2015, elevando o total para 55 aviões.
Passageiros de companhias aéreas regionais de baixo custo, como a Air Asia no Oriente ou a JetBlue no Ocidente, frequentemente exigem pagamento adicional por refeições, entretenimento a bordo e bagagem adicional. Adel Ali, presidente-executivo e fundador da Air Arabia, disse em uma entrevista que viagem aérea sem luxo beneficia o consumidor: ela permite aos viajantes decidir o que e quando comer, por exemplo, em vez de serem servidos em um momento determinado pela companhia aérea, com apenas uma ou duas opções de refeição, ele disse.
O mesmo argumento se aplica ao entretenimento, ele acrescentou: os passageiros frequentemente preferem trazer seus próprios aparelhos --iPads, Kindles ou aparelhos de DVD-- para fazerem o que gostam, quando querem.
Os consumidores colocam o preço acima de todos os outros fatores, disse Ali: "Desde que o custo total seja mais barato do que a passagem de outra companhia aérea, nossa pesquisa nos mostrou que os consumidores ficarão felizes".
"Nossa forma de dar opção às pessoas permite que elas estejam no controle das decisões e também faz com que se sintam viajando em um café, escolhendo o que comer ou assistir quando quiserem."
Ele deve estar fazendo algo certo, porque a demanda e a concorrência pelas viagens de baixo custo se intensificaram no Golfo, à medida que o setor de aviação da região amadurece. Desde que a Air Arabia entrou em operação, companhias aéreas de baixo custo bem-sucedidas, incluindo a Jazeera Airways do Kuait em 2004 e a Nas Air na Arábia Saudita em 2007, surgiram nos países vizinhos. Somadas, elas atualmente atendem milhões de viajantes por ano.
Enquanto a companhia aérea nacional Kuwait Airways perdeu US$ 1,6 bilhão desde 2008, a Jazeera aumentou sua lucratividade no ano passado. No mês passado, ela relatou um lucro líquido anual recorde de 14,1 milhões de dinares kuaitianos, ou quase US$ 50 milhões, um aumento de 23% em comparação ao ano anterior.
Alessandro Borgogna, vice-presidente e especialista em aviação da consultoria Booz & Co. Nos Emirados Árabes Unidos, disse que viagem aérea de baixo custo no Oriente Médio está crescendo de modo constante, em média 20% ao ano, nos últimos cinco anos. "No final, é um jogo de volumes para as companhias aéreas de baixo custo --quanto mais assentos você preenche, mais dinheiro você ganha", disse Borgogna. "A quantidade de pessoas na região com salários médios e baixos é imensa, o que permite um crescimento muito rápido para companhias aéreas de baixo custo, especialmente para destinos como a Arábia Saudita e a Índia."
Hibridização de estratégias e frotas também está ocorrendo, o que os analistas dizem que aponta para a sofisticação do mercado. A Jazeera, por exemplo, oferece ao passageiro levar espantosos 40 quilos de bagagem gratuitamente.
A companhia flydubai vai além com uma nova classe executiva, introduzida em setembro. O setor com 12 assentos em cada avião oferece refeições, entretenimento a bordo e assentos reclináveis feitos de couro italiano. A companhia aérea americana JetBlue introduziu um serviço semelhante neste ano.
"A decisão de introduzir serviços de classe executiva em nossos voos é uma evolução de nossas opções aos passageiros, baseada no feedback dos clientes", disse Ghaith Al Ghaith, o presidente-executivo da flydubai, por e-mail. "Isso propicia mais opções aos passageiros e, ao desafiar as convenções das viagens aéreas, nós continuaremos influenciando mudanças no setor."
Analistas e alguns concorrentes dizem que isso pode indicar que a flydubai está tentando conquistar um mercado de viajantes de baixo custo que estão interessados em um upgrade.
"Eles estão explorando a sensibilidade ao preço e reconhecendo que alguns clientes das companhias de baixo custo estariam dispostos a pagar um adicional por serviços melhores --particularmente em voos mais longos-- mas ainda assim mais baratos do que voar em uma companhia aérea tradicional", disse Aage Duenhaupt, um porta-voz das operações da Lufthansa na Europa, Oriente Médio e África, com sede na Alemanha. Até mesmo a Lufthansa agora opera rotas mais curtas, dentro da Alemanha, por exemplo, por meio de sua subsidiária, a Germanwings.
O governo de Dubai fundou a flydubai em 2008. A companhia aérea conta atualmente com uma frota de 31 aviões e um terminal dedicado no Aeroporto Internacional de Dubai.
A companhia aérea não é afiliada à Emirates Airlines, apesar de ambas serem totalmente de propriedade de uma entidade do governo, a Investment Corp. of Dubai, e ambas operarem a partir do aeroporto de Dubai, cada uma em seu próprio terminal.
Mesmo assim, muitos viajantes optam por não voar em companhias aéreas de baixo custo se tiverem a opção. Amena Bakr, uma profissional de mídia em Dubai, disse que prefere pagar mais para pousar em terminais melhores, contar com assentos mais espaçosos, desfrutar de um travesseiro, uma refeição e entretenimento a bordo. Poder viajar com um peso maior de bagagem sem custo adicional também é um grande atrativo, ela disse.
Igualmente, Ramez Kawar, um empreendedor em Amã, voa pela Royal Jordanian ao Qatar uma vez por mês, e não por uma companhia aérea de baixo custo, porque ele gosta dos benefícios que acompanham o acúmulo de milhas com seu programa de fidelidade.
"Eu também prefiro a Royal Jordanian para férias no Líbano", disse Kawar. "Eu não gosto de limitações quando viajo."
A variedade de opções dá profundidade ao setor aéreo da região.
"Isso gera concorrência, o que é sempre bom para o consumidor, e por sua vez, para o setor", disse Ali, da Air Arabia. "Nós todos competimos e queremos o máximo possível de pessoas a bordo, o que estimula a viagem, fazendo com o mercado continue crescendo."
Tradutor: George El Khouri Andolfato
Quando a primeira companhia aérea de baixo custo do Oriente Médio, a Air Arabia, surgiu no cenário da aviação há exatamente dez anos, ela explorou a noção de que preço importaria muito para muitos viajantes na região. Ela seguia modelos bem-sucedidos que decolaram décadas antes nos Estados Unidos e na Europa, como a Southwest Airlines e a Ryanair. Em 2004, um ano após iniciar suas operações, a Air Arabia conseguiu entrar no azul e, quase dez anos depois, ainda exibe crescimento de dois dígitos e está listada na bolsa de valores de Dubai.
Para atender sua rede crescente de rotas, dez novos aviões Airbus A320 se juntarão à sua frota no ano que vem --e mais dez estão planejados para entrega em 2015, elevando o total para 55 aviões.
Passageiros de companhias aéreas regionais de baixo custo, como a Air Asia no Oriente ou a JetBlue no Ocidente, frequentemente exigem pagamento adicional por refeições, entretenimento a bordo e bagagem adicional. Adel Ali, presidente-executivo e fundador da Air Arabia, disse em uma entrevista que viagem aérea sem luxo beneficia o consumidor: ela permite aos viajantes decidir o que e quando comer, por exemplo, em vez de serem servidos em um momento determinado pela companhia aérea, com apenas uma ou duas opções de refeição, ele disse.
O mesmo argumento se aplica ao entretenimento, ele acrescentou: os passageiros frequentemente preferem trazer seus próprios aparelhos --iPads, Kindles ou aparelhos de DVD-- para fazerem o que gostam, quando querem.
Os consumidores colocam o preço acima de todos os outros fatores, disse Ali: "Desde que o custo total seja mais barato do que a passagem de outra companhia aérea, nossa pesquisa nos mostrou que os consumidores ficarão felizes".
"Nossa forma de dar opção às pessoas permite que elas estejam no controle das decisões e também faz com que se sintam viajando em um café, escolhendo o que comer ou assistir quando quiserem."
Ele deve estar fazendo algo certo, porque a demanda e a concorrência pelas viagens de baixo custo se intensificaram no Golfo, à medida que o setor de aviação da região amadurece. Desde que a Air Arabia entrou em operação, companhias aéreas de baixo custo bem-sucedidas, incluindo a Jazeera Airways do Kuait em 2004 e a Nas Air na Arábia Saudita em 2007, surgiram nos países vizinhos. Somadas, elas atualmente atendem milhões de viajantes por ano.
Enquanto a companhia aérea nacional Kuwait Airways perdeu US$ 1,6 bilhão desde 2008, a Jazeera aumentou sua lucratividade no ano passado. No mês passado, ela relatou um lucro líquido anual recorde de 14,1 milhões de dinares kuaitianos, ou quase US$ 50 milhões, um aumento de 23% em comparação ao ano anterior.
Alessandro Borgogna, vice-presidente e especialista em aviação da consultoria Booz & Co. Nos Emirados Árabes Unidos, disse que viagem aérea de baixo custo no Oriente Médio está crescendo de modo constante, em média 20% ao ano, nos últimos cinco anos. "No final, é um jogo de volumes para as companhias aéreas de baixo custo --quanto mais assentos você preenche, mais dinheiro você ganha", disse Borgogna. "A quantidade de pessoas na região com salários médios e baixos é imensa, o que permite um crescimento muito rápido para companhias aéreas de baixo custo, especialmente para destinos como a Arábia Saudita e a Índia."
Hibridização de estratégias e frotas também está ocorrendo, o que os analistas dizem que aponta para a sofisticação do mercado. A Jazeera, por exemplo, oferece ao passageiro levar espantosos 40 quilos de bagagem gratuitamente.
A companhia flydubai vai além com uma nova classe executiva, introduzida em setembro. O setor com 12 assentos em cada avião oferece refeições, entretenimento a bordo e assentos reclináveis feitos de couro italiano. A companhia aérea americana JetBlue introduziu um serviço semelhante neste ano.
"A decisão de introduzir serviços de classe executiva em nossos voos é uma evolução de nossas opções aos passageiros, baseada no feedback dos clientes", disse Ghaith Al Ghaith, o presidente-executivo da flydubai, por e-mail. "Isso propicia mais opções aos passageiros e, ao desafiar as convenções das viagens aéreas, nós continuaremos influenciando mudanças no setor."
Analistas e alguns concorrentes dizem que isso pode indicar que a flydubai está tentando conquistar um mercado de viajantes de baixo custo que estão interessados em um upgrade.
"Eles estão explorando a sensibilidade ao preço e reconhecendo que alguns clientes das companhias de baixo custo estariam dispostos a pagar um adicional por serviços melhores --particularmente em voos mais longos-- mas ainda assim mais baratos do que voar em uma companhia aérea tradicional", disse Aage Duenhaupt, um porta-voz das operações da Lufthansa na Europa, Oriente Médio e África, com sede na Alemanha. Até mesmo a Lufthansa agora opera rotas mais curtas, dentro da Alemanha, por exemplo, por meio de sua subsidiária, a Germanwings.
O governo de Dubai fundou a flydubai em 2008. A companhia aérea conta atualmente com uma frota de 31 aviões e um terminal dedicado no Aeroporto Internacional de Dubai.
A companhia aérea não é afiliada à Emirates Airlines, apesar de ambas serem totalmente de propriedade de uma entidade do governo, a Investment Corp. of Dubai, e ambas operarem a partir do aeroporto de Dubai, cada uma em seu próprio terminal.
Mesmo assim, muitos viajantes optam por não voar em companhias aéreas de baixo custo se tiverem a opção. Amena Bakr, uma profissional de mídia em Dubai, disse que prefere pagar mais para pousar em terminais melhores, contar com assentos mais espaçosos, desfrutar de um travesseiro, uma refeição e entretenimento a bordo. Poder viajar com um peso maior de bagagem sem custo adicional também é um grande atrativo, ela disse.
Igualmente, Ramez Kawar, um empreendedor em Amã, voa pela Royal Jordanian ao Qatar uma vez por mês, e não por uma companhia aérea de baixo custo, porque ele gosta dos benefícios que acompanham o acúmulo de milhas com seu programa de fidelidade.
"Eu também prefiro a Royal Jordanian para férias no Líbano", disse Kawar. "Eu não gosto de limitações quando viajo."
A variedade de opções dá profundidade ao setor aéreo da região.
"Isso gera concorrência, o que é sempre bom para o consumidor, e por sua vez, para o setor", disse Ali, da Air Arabia. "Nós todos competimos e queremos o máximo possível de pessoas a bordo, o que estimula a viagem, fazendo com o mercado continue crescendo."
Tradutor: George El Khouri Andolfato
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