Reinaldo Azevedo - VEJA
O
ainda deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) vai, finalmente, para a
cadeia. O ministro Joaquim Barbosa recusou os embargos infringentes
contra duas das três condenações que pesam contra ele: corrupção passiva
e peculato. Por esses dois crimes, ele foi condenado por nove votos,
com apenas duas absolvições. O Regimento Interno do STF exige um mínimo
de quatro votos favoráveis para que a condenação seja reexaminada.
A pena
total de Cunha soma 9 anos e 4 meses, o que lhe renderia regime fechado,
assim distribuídos: 3 anos e 4 meses por peculato, 3 anos por corrupção
passiva e 3 anos por lavagem de dinheiro. Nesse terceiro caso, no
entanto, ele obteve cinco votos de absolvição: Ricardo Lewandowski, Rosa
Weber, Dias Toffoli, Cezar Peluso e Marco Aurélio. Nesse caso, então,
cabem os infringentes. Ele começará a cumprir os 6 anos e 4 meses
restantes em regime semiaberto.
Embora não
seja o mais poderoso, João Paulo se mostrou o mais agressivo e mais
arrogante dos mensaleiros condenados. Ninguém, como ele, vituperou tanto
contra o Supremo Tribunal Federal e contra o ministro Joaquim Barbosa, a
quem acusou, explicitamente, de conduzir o processo com viés político.
João Paulo
foi mais longe. Chegou a sugerir que Joaquim Barbosa era um ingrato.
Disse: “Ele Chegou [ao Supremo] porque era compromisso nosso, do PT e do
Lula, de reparar um pedaço da injustiça histórica com os negros”. Ou
por outra: o petista achava que o ministro deveria, num gesto de
gratidão, ter absolvido os petistas.
Quando
percebeu que a pressão era inútil, perdeu a compostura de vez. Numa
entrevista, mandou brasa: “Para mim não importa se ele [Barbosa] vai ser
ou não vai ser [candidato]. Mas ele não pode ficar, da cadeira de
presidente do Supremo, falando bobagem, sem dar direito ao réu de ir se
defender lá. (…) Eu estou pronto para qualquer dia ir lá no Supremo e
pedir para ele deixar eu falar lá da tribuna dele, para responder ao que
ele fala no microfone, não nos autos. Justiça tem dois pratos. A
balança do ministro Joaquim Barbosa tem um prato só, o da condenação.
Então, ele não é juiz. Ele é promotor.”
Na cadeia, João Paulo terá tempo de refletir um pouquinho.
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