Reinaldo Azevedo -VEJA
Não existe “manifestante baleado” em São Paulo. Isso é mau uso da língua portuguesa e exercício porco do jornalismo.
Quem quis
se manifestar se manifestou, em praz e tranquilamente, protegido pela
polícia. Fabrício Proteus Chaves decidiu enfrentar os policiais e
atacá-los. Uma câmera de segurança o evidencia. Ele portava essas coisas
em sua mochila.
Chave de grifo.
Estiletes.
Bolinhas de gude.
Óculos de proteção.
Vinagre.
Uma substância sólida, com pavio, inflamável, claro — a polícia está avaliando se é também explosiva.
Estiletes.
Bolinhas de gude.
Óculos de proteção.
Vinagre.
Uma substância sólida, com pavio, inflamável, claro — a polícia está avaliando se é também explosiva.
É o kit.
Tentaram fazer blague, em junho, com a história do vinagre. É piada para
o riso dos idiotas. O vinagre serviria para minimizar os efeitos da
bomba de gás lacrimogêneo. Quem entra nessa já demonstra que está
disposto ao confronto — e o mesmo vale para os demais badulaques, não?
“Manifestante” é uma coisa; baderneiro é outra, distinta.
Para
afirmar que “manifestante foi baleado”, é preciso considerar que o tal
estava apenas “se manifestando” quando avançou contra um policial caído —
levando, então, dois tiros.
Sugestão ao Comando da PM
Leio no Estadão (em vermelho):
O defensor público Carlos Weis, coordenador de direitos humanos da Defensoria Pública de São Paulo, acompanha o caso de perto. Outro defensor estava no local por acaso e conversou com pessoas que filmaram o rapaz baleado. “Segundo os relatos, havia três policiais contra uma pessoa com arma branca. É evidente que havia outros meios menos letais de resolver a situação.
Leio no Estadão (em vermelho):
O defensor público Carlos Weis, coordenador de direitos humanos da Defensoria Pública de São Paulo, acompanha o caso de perto. Outro defensor estava no local por acaso e conversou com pessoas que filmaram o rapaz baleado. “Segundo os relatos, havia três policiais contra uma pessoa com arma branca. É evidente que havia outros meios menos letais de resolver a situação.
Ah, é?
Acho que o comando da PM deveria convidar o sr. Carlos Weis para dar um
curso aos policiais. Ele vai lá, fica na posição daquele que cai, e
alguém avança — mas vai ter de ser para valer — pra cima dele com uma
arma branca. E ele, então, mostra aos homens como se safar.
Em defesa
da sociedade ou de um país, a primeira obrigação de um policial ou de um
soldado é não morrer e não deixar que seu parceiro morra. Se o sr. Weis
não entende essa lógica, então ele não entende nada. Eu espero que
Fabrício fique bom e se recupere plenamente para a tranquilidade dos
seus familiares e para responder legalmente por aquilo que fez.

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