PT enfrenta dificuldade para manter governo de 3 Estados
Popularidade mediana ou baixa é obstáculo em solo baiano, gaúcho e no DF
Tarso Genro, no RS, e candidato à sucessão de Jaques Wagner na BA tendem a ter adversários fortes
JOÃO PEDRO PITOMBO/DIÓGENES CAMPANHA - FSP
No ano em que terá como prioridade reeleger a presidente Dilma Rousseff,
o PT enfrenta dificuldades para manter o poder em três dos quatro
Estados que governa.
Os governadores de Rio Grande do Sul, Bahia e Distrito Federal têm pela
frente desafios como problemas de popularidade e rivais fortes. A
exceção é Tião Viana, aprovado por 70% no Acre.
A expectativa do PT é ter ao menos 11 candidatos a governador nas
eleições deste ano. Mas o foco principal do partido estará centrado na
tentativa de conquistar os três principais redutos tucanos --São Paulo,
Minas e Paraná.
Também por isso, a missão de governadores como Tarso Genro (RS) e Jaques
Wagner (BA) tende a ser ainda mais complicada. Com governos de
avaliação mediana, eles vivem cenários semelhantes de popularidade em
declínio e oposição em ascensão.
No berço político de Dilma, onde nunca um governador foi reeleito, a
falta de celeridade na entrega de obras estruturantes, além de greves em
setores-chave da administração, como professores, desgastaram o
petista.
Hoje, os principais adversários de Tarso estão na própria base aliada da
presidente. A senadora Ana Amélia (PP), por exemplo, lidera as
pesquisas de intenção de voto, enquanto PDT e PMDB ensaiam as
candidaturas de Vieira da Cunha e José Ivo Sartori, respectivamente.
O governador impôs como condição para tentar um novo mandato a garantia
de que Dilma suba exclusivamente em seu palanque. Mas o PT não trabalha
com a hipótese de Tarso ficar fora da disputa.
Na Bahia, Jaques Wagner encerra um ciclo de oito anos com altos índices
de violência, obras atrasadas e a economia impactada pela seca.
E vê o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), com popularidade em alta
para impulsionar o nome de seu grupo --o ex-governador Paulo Souto (DEM)
ou o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB).
O desafio do PT será renovar o discurso de 2012, quando o partido
defendeu que o candidato deveria ser do "time de Lula e Dilma", mas
acabou perdendo na capital. Para outubro, o mote será "continuidade com
inovação", com a provável candidatura do secretário Rui Costa.
Agnelo Queiroz (DF) tem situação ainda mais difícil. Eleito em 2010 sob
expectativa de renovação após a cassação do ex-governador José Roberto
Arruda (ex-DEM, hoje PR), ele tem o governo com a segunda pior avaliação
do país (9% de aprovação, de acordo com o Ibope).
"Não cumpriu compromissos nem conseguiu manter Brasília livre de
escândalos. É um governo cuja cara é um estádio de R$ 1 bilhão", diz o
senador Cristovam Buarque (PDT), sobre a reforma do Mané Garrincha,
arena da Copa.
Para o presidente do PT local, deputado Roberto Policarpo, o governo "se comunicou mal" com o eleitor.
Exceção, Tião Viana é o terceiro mais bem avaliado do país com uma
gestão pautada em programas de impacto social. Seu grupo político
comanda o Acre há 16 anos. A oposição promete dois palanques neste ano
para tentar forçar um segundo turno.
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