Rapaz é baleado por PMs em protesto; Dilma convoca reunião de emergência
Presidente vai se reunir com os ministros José Eduardo
Cardozo (Justiça), Celso Amorim (Defesa) e Aldo Rebelo (Esportes) para
traçar estratégias para evitar que ações cresçam e cheguem ao ápice na
Copa
ARTUR
RODRIGUES, JOÃO DOMINGOS, LAURA MAIA DE CASTRO, MÔNICA REOLOM, RICARDO
DELLA COLETTA - OESP
Em um dos protestos mais violentos desde junho, a
Polícia Militar baleou neste sábado um manifestante, que foi internado
em estado crítico. A tensão gerada pela onda de manifestações pelo
Brasil, com atos de depredação e forte repressão por parte da polícia,
fez a presidente Dilma Rousseff (PT) tomar, neste domingo, a decisão de
se reunir com sua equipe para traçar estratégia para evitar que as ações
cresçam e atinjam o ápice durante a Copa do Mundo.
O tema será tratado com os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça),
Celso Amorim (Defesa) e Aldo Rebelo (Esportes). De acordo com informação
de auxiliares da presidente, ainda em Lisboa, onde desceu de surpresa e
pernoitou antes de seguir para Havana, Dilma foi informada de que os
protestos contra a Copa feitos no sábado foram violentos, com pessoas
feridas, depredações e ondas de vandalismo. A presidente, então,
convocou a reunião para a volta ao Brasil.
Cardozo está de férias. De acordo com sua assessoria, ele deve
retornar ao trabalho nesta terça-feira. E já encontrará uma série de
demandas envolvendo a segurança da Copa, maneiras de evitar que os
tumultos se espalhem pelo País e formas de conter a ação violenta contra
as manifestações por parte das polícias estaduais. O governo avalia que
a radicalização das ruas, em junho, teve como origem a forte repressão
feita pela Polícia Militar de São Paulo aos jovens que protestavam
contra o aumento da passagem de ônibus.
Tiros. No sábado, o manifestante Fabrício Proteus
Nunes Fonseca Mendonça, de 22 anos, foi baleado no tórax e na região
genital por policiais militares na Rua Sabará, em Higienópolis, região
central de São Paulo. De acordo com a PM, por volta das 22h30, dois
homens em atitude suspeita foram abordados na Rua da Consolação e um
deles correu.
Segundo a versão dada pela PM, os policiais pediram para revistar a
mochila de Fabrício, onde acharam um artefato explosivo. A corporação
afirma que o rapaz, então, tentou fugir. Quando era perseguido, segundo a
PM, sacou um estilete que estava no bolso da calça, voltando-se contra
os policiais, e acabou baleado. Ele passou por operação na Santa Casa. O
hospital diz que foi preciso remover um dos testículos da vítima por
causa dos ferimentos.
Testemunhas afirmam que o rapaz não reagiu. "Eram três policiais
descendo a rua correndo atrás do menino. Depois do terceiro tiro, o
rapaz saiu cambaleando e um policial deu um empurrão nele em cima da
árvore", disse um morador da região, que não quis se identificar.
A família do rapaz afirma que ainda tenta descobrir o que de fato
aconteceu. "Ele estava na manifestação, se dispersou. Não sei o que
aconteceu, ele ficou com medo e correu", disse o irmão da vítima,
Gabriel Chaves. Segundo a polícia, ele seria um adepto da tática black
bloc. O irmão de Fabrício diz que ele trabalha como estoquista e que, de
fato, frequenta protestos com regularidade. Na página dele do Facebook,
entre os perfis preferidos, está a Black Bloc SP.
Apuração. O defensor público Carlos Weis,
coordenador de direitos humanos da Defensoria Pública de São Paulo,
acompanha o caso de perto. Outro defensor estava no local por acaso e
conversou com pessoas que filmaram o rapaz baleado. "Segundo os relatos,
havia três policiais contra uma pessoa com arma branca. É evidente que
havia outros meios menos letais de resolver a situação."
Segundo os relatos, ele foi resgatado pela própria PM, contrariando
resolução do governo do Estado, que veta a prática. O porteiro de um
prédio chegou a pedir uma ambulância, que teria chegado minutos após os
policias levarem o rapaz ao hospital. O caso está sendo investigado a
pela Corregedoria da Polícia Militar e pela Polícia Civil.
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