SETE DESTINOS MUDADOS NUM NOVO PAÍS
Elio Gaspari - FSP
De técnico de futebol, vidente e sociólogo, todo mundo tem um pouco.
Aqui vai um teste para quem se julga capaz de estimar o futuro de oito
jovens cariocas.
Duas moram na Rocinha. O pai de uma das meninas é garagista, e a renda
da família fica em R$ 1.300. O pai da outra é porteiro. Uma terceira
mora com a mãe num quarto alugado de outra comunidade. Não têm ajuda do
pai e vivem com R$ 630 por mês. A quarta mora em Caxias, seu pai é
vendedor e leva para casa R$ 2.500.
O quinto garoto vive com a mãe, que é cozinheira ocasional. Outro jovem
mora num porão de loja, com pai desempregado e mãe diarista, levando
para casa R$ 1.100 mensais.
Do grupo, só uma jovem vive em apartamento próprio, em bairro de classe média.
A sabedoria convencional projetaria futuros de dificuldades e
catástrofes para quase todos. Afinal, o Brasil seria um país de
injustiças, com um sistema educacional elitista. Prova disso viu-se
entre 1996 e 1998, quando a PUC paulista organizou uma campanha
financeira junto a 120 mil ex-alunos (24 mil dos quais ex-bolsistas) e
arrecadou pouco mais que a postagem de 40 mil cartas.
As coisas mudam. Desde 2010, um dos maiores empresários do país, formado
em universidade pública, patrocina o curso e a manutenção básica de
estudantes estudantes pobres, aprovados no vestibular de engenharia uma
das melhores (e mais caras) universidades do país. Deu no seguinte:
sete tiveram bom desempenho. Seis estão a caminho da formatura como
engenheiros, e um vai se diplomar em sistemas de informação. Três
preparam-se para buscar intercâmbios no Canadá, Portugal ou na China.
Dois estudam alemão.
A universidade e o empresário monitoram as notas e as contas dos jovens.
Ele gratifica-se trocando mensagens e aconselhando a garotada. As
doações custam R$ 360 mil por ano, ou US$ 150 mil. Parece muito
dinheiro, mas, fazendo-se a conta, vê-se que o valor real está na alma
de quem dá. As anuidades dos cursos de engenharia nas grandes
universidades americanas estão cerca de US$ 50 mil. Cada bolsista
brasileiro custa US$ 19 mil anuais. Se um em cada dez endinheirados
nacionais que estudaram de graça seguisse o exemplo do empresário, o
Brasil seria outro, mais depressa.
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