domingo, 23 de fevereiro de 2014

SETE DESTINOS MUDADOS NUM NOVO PAÍS
Elio Gaspari - FSP 
De técnico de futebol, vidente e sociólogo, todo mundo tem um pouco. Aqui vai um teste para quem se julga capaz de estimar o futuro de oito jovens cariocas.
Duas moram na Rocinha. O pai de uma das meninas é garagista, e a renda da família fica em R$ 1.300. O pai da outra é porteiro. Uma terceira mora com a mãe num quarto alugado de outra comunidade. Não têm ajuda do pai e vivem com R$ 630 por mês. A quarta mora em Caxias, seu pai é vendedor e leva para casa R$ 2.500.
O quinto garoto vive com a mãe, que é cozinheira ocasional. Outro jovem mora num porão de loja, com pai desempregado e mãe diarista, levando para casa R$ 1.100 mensais.
Do grupo, só uma jovem vive em apartamento próprio, em bairro de classe média.
A sabedoria convencional projetaria futuros de dificuldades e catástrofes para quase todos. Afinal, o Brasil seria um país de injustiças, com um sistema educacional elitista. Prova disso viu-se entre 1996 e 1998, quando a PUC paulista organizou uma campanha financeira junto a 120 mil ex-alunos (24 mil dos quais ex-bolsistas) e arrecadou pouco mais que a postagem de 40 mil cartas.
As coisas mudam. Desde 2010, um dos maiores empresários do país, formado em universidade pública, patrocina o curso e a manutenção básica de estudantes estudantes pobres, aprovados no vestibular de engenharia uma das melhores (e mais caras) universidades do país. Deu no seguinte:
sete tiveram bom desempenho. Seis estão a caminho da formatura como engenheiros, e um vai se diplomar em sistemas de informação. Três preparam-se para buscar intercâmbios no Canadá, Portugal ou na China. Dois estudam alemão.
A universidade e o empresário monitoram as notas e as contas dos jovens. Ele gratifica-se trocando mensagens e aconselhando a garotada. As doações custam R$ 360 mil por ano, ou US$ 150 mil. Parece muito dinheiro, mas, fazendo-se a conta, vê-se que o valor real está na alma de quem dá. As anuidades dos cursos de engenharia nas grandes universidades americanas estão cerca de US$ 50 mil. Cada bolsista brasileiro custa US$ 19 mil anuais. Se um em cada dez endinheirados nacionais que estudaram de graça seguisse o exemplo do empresário, o Brasil seria outro, mais depressa.

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