Custo de ataques a Gaza excede em muito as estimativas, diz ONU
Rick Gladstone - NYTA ONU subestimou drasticamente a possível devastação de ataques por parte de Israel na faixa de Gaza neste ano. Até agora, 350 mil pessoas foram deslocadas em um conflito de seis semanas --sete vezes mais os 50 mil previstos em seu plano de contingência, disse a mais alta autoridade da Unicef dedicada ao enclave palestino nesta quarta-feira (20).
A autoridade, Pernille Ironside, também disse que, se as graves
restrições comerciais israelenses contra Gaza não forem relaxadas,
poderão ser necessários 18 anos para reconstruir as moradias destruídas,
segundo uma análise preliminar, promovendo a perspectiva de que os
jovens moradores de Gaza atingirão a idade adulta em privação, sentindo
raiva e desespero.
"Antes desse conflito, a situação em Gaza para as crianças era extraordinariamente dura", disse ela. "Havia uma grande crise de água e energia, desemprego em massa, 80% da população dependendo de algum tipo de ajuda. O futuro era bastante sombrio para um jovem em Gaza."
Ironside, 40, advogada canadense de direitos humanos e defensora das crianças, serviu em outras zonas de conflito, incluindo Iêmen e República Democrática do Congo. Ela deu uma entrevista durante uma breve visita à sede da Unicef na ONU, antes de retornar a Gaza na próxima semana. Como principal autoridade da Unicef em campo em Gaza, ela está morando lá há um ano, inclusive durante as batalhas entre militantes palestinos e o Exército israelense que começaram no dia 8 de julho.
Cerca de 2.000 palestinos foram mortos, na maioria civis, sendo mais de 450 crianças. Sessenta e quatro soldados e três civis foram mortos do lado israelense.
Uma de suas principais preocupações em Gaza é o dano psicológico de longo prazo infligido em crianças pequenas, algumas das quais passaram por outros dois ataques militares israelenses desde 2008. "Se você tem sete anos, você já passou por três guerras", disse Ironside.
Os conselheiros da Unicef dedicam grande parte de seus esforços em Gaza para oferecer assistência psicológica para as crianças que viram parentes mortos e casas destruídas.
"As pessoas subestimam o peso disso nos pequenos", disse ela. Os sintomas, segundo ela, são "sinais de introspecção, quando as crianças não falam, não querem brincar, não têm interesse em comer nem deixam os pais saírem da vista".
Ela disse que alguns dos trabalhos mais importantes da Unicef em Gaza, onde mais de metade da população tem menos de 18 anos, tem sido fornecer fontes estáveis de água potável para as escolas e as famílias mais pobres.
"Estamos basicamente enfrentando uma crise de água", disse ela, por meio da construção de 13 usinas de dessalinização, que tratam a água subterrânea, e outra usina que tira o sal da água do mar do Mediterrâneo. Algumas podem ter sido danificadas, "estamos no processo de verificação de cada uma dessas instalações", disse ela.
Como outros funcionários da ONU, incluindo o secretário-geral Ban Ki-moon, Ironside criticou fortemente as ações militares de Israel em Gaza, onde a ONU é a principal provedora de serviços básicos à população de 1,8 milhão de palestinos. E como outros funcionários da ONU, ela também tem enfrentado críticas de ativistas pró-Israel que acusaram a organização de minimizar ou ignorar abusos por parte do Hamas, o grupo militante dominante na faixa de Gaza, e seus ataques de foguetes contra Israel.
Ironside enfrentou críticas do lado israelense no mês passado por uma entrevista na PBS na qual afirmou que as crianças em Gaza estavam sofrendo o maior impacto do conflito. O Comitê de Precisão nas Reportagens do Oriente Médio nos Estados Unidos, um grupo de defesa pró-Israel, disse que ela havia ignorado a exploração das escolas da ONU como locais para armazenamento de foguetes. Ironside disse que tinha respondido ao que tinha sido perguntado, "nenhuma pergunta havia se focado no impacto do conflito sobre as crianças israelenses ou sobre as táticas militares do Hamas".
No segundo dia do conflito, Ironside disse, um ataque aéreo israelense no início da manhã perto de sua residência em Gaza quebrou as janelas do seu prédio, tornando-o inabitável, e ela já foi morar no escritório da Unicef, dormindo em um colchão.
Seu momento mais preocupante, lembra-se, foi durante uma noite de bombardeios israelenses particularmente pesados, quando ela e outros 200 funcionários da ONU lotaram o porão de seu prédio na Cidade de Gaza. "Foi muito estressante", disse ela.
Ainda assim, sua situação é privilegiada em comparação com a dos habitantes comuns de Gaza. "As pessoas realmente sentiram que não havia nenhum lugar seguro para onde ir", disse ela. "Eu diria que apavoradas e aterrorizadas."
Tradutor: Deborah Weinberg
"Antes desse conflito, a situação em Gaza para as crianças era extraordinariamente dura", disse ela. "Havia uma grande crise de água e energia, desemprego em massa, 80% da população dependendo de algum tipo de ajuda. O futuro era bastante sombrio para um jovem em Gaza."
Ironside, 40, advogada canadense de direitos humanos e defensora das crianças, serviu em outras zonas de conflito, incluindo Iêmen e República Democrática do Congo. Ela deu uma entrevista durante uma breve visita à sede da Unicef na ONU, antes de retornar a Gaza na próxima semana. Como principal autoridade da Unicef em campo em Gaza, ela está morando lá há um ano, inclusive durante as batalhas entre militantes palestinos e o Exército israelense que começaram no dia 8 de julho.
Cerca de 2.000 palestinos foram mortos, na maioria civis, sendo mais de 450 crianças. Sessenta e quatro soldados e três civis foram mortos do lado israelense.
Uma de suas principais preocupações em Gaza é o dano psicológico de longo prazo infligido em crianças pequenas, algumas das quais passaram por outros dois ataques militares israelenses desde 2008. "Se você tem sete anos, você já passou por três guerras", disse Ironside.
Os conselheiros da Unicef dedicam grande parte de seus esforços em Gaza para oferecer assistência psicológica para as crianças que viram parentes mortos e casas destruídas.
"As pessoas subestimam o peso disso nos pequenos", disse ela. Os sintomas, segundo ela, são "sinais de introspecção, quando as crianças não falam, não querem brincar, não têm interesse em comer nem deixam os pais saírem da vista".
Ela disse que alguns dos trabalhos mais importantes da Unicef em Gaza, onde mais de metade da população tem menos de 18 anos, tem sido fornecer fontes estáveis de água potável para as escolas e as famílias mais pobres.
"Estamos basicamente enfrentando uma crise de água", disse ela, por meio da construção de 13 usinas de dessalinização, que tratam a água subterrânea, e outra usina que tira o sal da água do mar do Mediterrâneo. Algumas podem ter sido danificadas, "estamos no processo de verificação de cada uma dessas instalações", disse ela.
Como outros funcionários da ONU, incluindo o secretário-geral Ban Ki-moon, Ironside criticou fortemente as ações militares de Israel em Gaza, onde a ONU é a principal provedora de serviços básicos à população de 1,8 milhão de palestinos. E como outros funcionários da ONU, ela também tem enfrentado críticas de ativistas pró-Israel que acusaram a organização de minimizar ou ignorar abusos por parte do Hamas, o grupo militante dominante na faixa de Gaza, e seus ataques de foguetes contra Israel.
Ironside enfrentou críticas do lado israelense no mês passado por uma entrevista na PBS na qual afirmou que as crianças em Gaza estavam sofrendo o maior impacto do conflito. O Comitê de Precisão nas Reportagens do Oriente Médio nos Estados Unidos, um grupo de defesa pró-Israel, disse que ela havia ignorado a exploração das escolas da ONU como locais para armazenamento de foguetes. Ironside disse que tinha respondido ao que tinha sido perguntado, "nenhuma pergunta havia se focado no impacto do conflito sobre as crianças israelenses ou sobre as táticas militares do Hamas".
No segundo dia do conflito, Ironside disse, um ataque aéreo israelense no início da manhã perto de sua residência em Gaza quebrou as janelas do seu prédio, tornando-o inabitável, e ela já foi morar no escritório da Unicef, dormindo em um colchão.
Seu momento mais preocupante, lembra-se, foi durante uma noite de bombardeios israelenses particularmente pesados, quando ela e outros 200 funcionários da ONU lotaram o porão de seu prédio na Cidade de Gaza. "Foi muito estressante", disse ela.
Ainda assim, sua situação é privilegiada em comparação com a dos habitantes comuns de Gaza. "As pessoas realmente sentiram que não havia nenhum lugar seguro para onde ir", disse ela. "Eu diria que apavoradas e aterrorizadas."
Tradutor: Deborah Weinberg
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