Rodrigo Constantino - VEJA
Acordei hoje com o seguinte pensamento: pelas probabilidades, teremos duas mulheres no segundo turno. E a “marcha dos oprimidos” ainda acusa o Brasil de ser um país machista? É isso mesmo? Confirma, produção? Imagina se fôssemos uma nação feminista…
Uma delas ainda se diz negra. E se
tivéssemos Joaquim Barbosa concorrendo, era bem provável que fossem para
o segundo turno ele e Marina. As “minorias” estariam bem representadas,
não? Será que os homens brancos devem pleitear cotas políticas?
Digo isso em tom jocoso pois a vitimização das “minorias” já cansou. Li, ontem mesmo, que o coordenador do núcleo LGBT abandonou
a campanha de Marina Silva. Muitos usaram a informação para atacar o
fundamentalismo religioso de Marina. Já eu tive reflexão bastante
diferente.
Perguntei-me, espantado: núcleo LGBT? Por
que diabos uma campanha precisa de um núcleo voltado só para essa
categoria? Há um núcleo para heterossexuais? Peguei-me pensando que
gostaria de um candidato que não tivesse um núcleo desses, mas que colocasse todos os
brasileiros no mesmo patamar, pregando a igualdade perante as leis,
independentemente de inclinação sexual, gênero, credo ou “raça”. É
possível?
A filósofa russa Ayn Rand dizia que a
menor minoria de todas é o indivíduo, e que não pode alegar defender as
minorias quem ignora as liberdades individuais. Há muito tempo que os
movimentos das “minorias” não lutam mais por direitos iguais ou leis
isonômicas. O que desejam são privilégios, disseminar o ódio a quem
pensa diferente, demonstrar profunda intolerância em nome da
“tolerância”.
Em muitos casos estamos diante de um
“fascismo do bem”, de uma agenda intransigente que, em nome do combate
ao preconceito, trai enorme preconceito contra aqueles que ousam
divergir uma vírgula da cartilha politicamente correta. Basta pensar em
Jean Wyllys para ter ideia do que falo.
Enfim, duas mulheres com boas chances de
disputar o segundo turno sem homem algum para representar a “maioria”.
Até quando vão insistir na “cartada sexual” para vender a ideia de que
somos um país machista e pintar as mulheres como vítimas oprimidas? Até
quando teremos uma presidente que fará questão de usar o “presidenta” só
para enfatizar tal aspecto insignificante no que diz respeito à
capacidade de gestão?
Ao menos Marina, a que além de mulher
também é negra, não pretende manter o “presidenta”. Só isso já seria
motivo suficiente para a minha escolha, caso tenha mesmo que optar entre
uma das duas. Mas há outros vários motivos, entre os quais posso agora
incluir o coordenador do “núcleo LGBT” ter abandonado sua campanha. Quem
precisa disso para governar para os brasileiros em geral?
Em tempo: pouco me importa se são duas
mulheres, dois negros ou duas representantes da “comunidade LGBT”
disputando o cargo. O que realmente me incomoda é que sejam duas
esquerdistas. Se ao menos uma delas fosse a Margaret Thatcher…
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