terça-feira, 2 de setembro de 2014

Marina [Lula da] Silva não sabia de nada
Felipe Moura Brasil - VEJA
I. Em entrevista ao Jornal da Globo, a candidata Marina Silva respondeu a Christiane Pelajo sobre a modificação de seu programa de governo em itens como o casamento gay: “Na verdade, Chris, o que aconteceu foi que houve um erro de processo. A equipe do programa de governo foi quem fez a correção. Eu nem interferi nesse processo.”
Só para ver se eu entendi bem (mentira, eu entendi): Marina Silva não sabia de nada em relação ao avião do PSB pago com caixa dois e envolvido em uma porção de crimes, como deu a entender no Jornal Nacional; nem sabia de nada em relação ao próprio programa de governo agora editado no que diz respeito ao casamento gay e à energia nuclear, como deu a entender no Jornal da Globo? E esta senhora incapaz de gerenciar a própria campanha – e de assumir a responsabilidade por ela – é a favorita para gerenciar o Brasil, sob a bandeira da “nova política”?
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II. Segue abaixo a ótima matéria da Veja.com sobre a entrevista da candidata que fala ‘marinês’ (mas age de acordo com o lulopetismo). Complemento em seguida.
Nem a favor nem contra: o ‘marinês’ no Jornal da Globo
Questionada sobre temas espinhosos para a sua campanha em entrevista na bancada do programa, candidata do PSB à Presidência deu respostas evasivas

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“A senhora é a favor ou contra o casamento gay?”
“Vai reajustar a gasolina?”
“As termelétricas salvaram o Brasil neste ano. Pretende desligá-las se for eleita?”
Marina Silva, candidata do PSB à Presidência da República, mais uma vez abusou do “marinês” na madrugada desta terça-feira – a entrevista foi gravada horas antes nos estúdios da TV Globo – e, falando em rodeios, sem assumir posições assertivas, esquivou-se de perguntas sobre temas espinhosos para sua campanha no Jornal da Globo. Marina abriu a série de entrevistas de 25 minutos com os presidenciáveis – Dilma foi a única que se recusou a participar.
Gays Logo de cara, os entrevistadores fizeram quatro perguntas para Marina sobre o recuo de sua campanha, que modificou um trecho do programa de governo favorável ao casamento entre homossexuais no final de semana, um dia depois do texto ter sido divulgado. Após o lançamento da cartilha de governo, Marina foi pressionada por pastores evangélicos. A saída foi alterar o documento e atribuir a mudança a um “erro de processo” – os coordenadores, segundo ela, incluíram a proposta “sem mediação”. Hoje, não foi diferente: “Foi incluído o documento enviado pelo movimento LGBT tal qual enviaram”. Em seguida, o entrevistador questionou a candidata se ela concordava com uma manchete dizendo: “Marina é a favor do casamento gay”. Ela não concordou nem discordou. O entrevistador insistiu. E com esta manchete: “Marina é contra o casamento gay”. Marina não concordou nem discordou. E terminou dizendo que era a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo, conforme a legislação do país reconhece. “O que a lei assegura é a união civil.”
Em seguida, questionada se consultava a Bíblia antes de tomar suas decisões, deu nova volta, afirmou que seus críticos tentam colar nela a pecha de fundamentalista, mas lançou frases direcionadas ao eleitorado evangélico, como “uma pessoa que crê” e “a Bíblia é uma fonte de inspiração”.
Marina ainda repisou posições que têm martelado no dia a dia da campanha, como a defesa do tripé econômico – câmbio flutuante, meta de inflação e responsabilidade fiscal – com independência total do Banco Central, críticas à atual condução econômica – “Há uma visão tacanha de se governar pensando nas eleições” – e seu compromisso em acabar com a reeleição, se for eleita.
Já nos minutos finais, os apresentadores do Jornal da Globo questionaram a ambientalista, que carrega a bandeira da energia limpa, se pretende desativar as termelétricas, que salvaram o país neste ano. A pergunta foi direta: sim ou não? Marina começou a resposta: “Falando desse jeito há uma simplificação…” E deixou escapar um breve sorriso. Era o “marinês” mais uma vez em ação.
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III. Retomo. Mesmo quando assume alguma posição sobre temas espinhosos, como a legalização das drogas e o aborto, que ela diz apenas “não defender”, é como se a suposta opinião de Marina não tivesse qualquer efeito prático, já que ela pede mais discussão e joga para a arquibancada decidir, como ficou claro no debate do SBT:
“Esse debate precisa ser feito com muito cuidado e responsabilidade. Não é uma discussão fácil. Envolve questões filosóficas, éticas, morais e espirituais. O problema é que há uma visão atrasada que, em vez de discutir no mérito, vai para o rótulo. Eu não satanizo ninguém que defende a legalização das drogas, como é o caso do presidente Fernando Henrique, do PSDB; e nem aqueles que estão defendendo o aborto. O que eu quero é fazer o debate para que a gente possa, através de um plebiscito, chegar a uma conclusão em relação a esse tema.”
Quer dizer: Marina [Lula da] Silva não sabe de nada de podre em sua campanha, nem nada de efetivo em seu programa de governo. O negócio é só detonar os adversários, sem se comprometer com coisa nenhuma para não perder o voto de ninguém.
Em suma: “nova política”, velho oportunismo.

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