Reinaldo Azevedo - VEJA
Renan
Calheiros (PMDB-AL), o José Sarney ressuscitado, acaba de se eleger
presidente do Senado pela… quarta vez! É, pode parecer impressionante,
mas é isso mesmo, o que dá conta da qualidade do Parlamento. Isso
significa que nem no gigantesco campo governista, nesse tempo, apareceu
alguém para contrastar com a sua força. A boa notícia é que, desta
feita, a votação foi mais apertada. O placar anuncia que o governo terá
dificuldades futuras no Senado. O político de Alagoas renovou o seu
mandato na presidência com 49 votos. Luiz Henrique (PMDB-SC), da chamada
ala ética do partido, ficou com 31, e houve uma anulação.
A base
governista conta com 10 partidos com representação no Senado (PMDB, PT,
PDT, PP, PR, PTB, PSD, PCdoB, PRB e PROS), o que soma 56 senadores. Os
seis partidos que não estão no governo (PSDB, PSB, DEM, PSOL, PV e SDD)
contam com 25. Assim, vê-se que há um número razoável de membros da base
que não votaram em Renan e preferiram Luiz Henrique, cuja candidatura,
por óbvio, foi abraçada pela oposição. Essa foi a menor votação das
quatro vencidas pelo alagoano (73 a 4 em 2005; 51 a 28 em 2007; 56 a 18
em 2013 e 49 a 31 em 2015).
Vamos lá.
Para que se aprove uma emenda constitucional, por exemplo, são
necessários três quintos dos votos em cada uma das Casas do Congresso,
em duas votações. Dados os 81 senadores, isso soma rigorosamente os 49
votos que Renan obteve. Não há margem. Mas isso não é tudo.
Renan é um
homem de muitos amigos e, não tenham dúvida, obteve votos também entre
senadores de oposição. Como a votação é secreta, ninguém ficará sabendo.
Nos escrutínios em aberto, tudo indica que a fidelidade irrestrita de
senadores ao governo é bem menor do que os 49 votos.
É claro
que acho positivo que os que se opõem a Renan e ao governo tenham se
articulado para fazer um candidato. A disputa sempre é salutar, mas
também tem um custo. Renan precisava de 41 votos para se eleger. Antes
do claro engajamento do Planalto na sua candidatura, a situação chegou a
ser considerada arriscada. Aí a máquina entrou pra valer, e o
presidente reeleito do Senado, vamos dizer, fica devendo esta ao
governo. Ou por outra: o Renan que venceu é mais fiel à Presidência da
República do que aquele que se candidatou a mais um biênio.
Não creio
que venha por aí um período de grande “reformismo”. É bem provável que a
crise não deixe. Ainda que o governo queira impor uma agenda, o
resultado da votação indica que não será nada fácil. E o mesmo se diga
da Câmara. Querem saber? É melhor que seja difícil mesmo. Esse governo é
ruim demais para se impor sem enfrentar resistência.
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