segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Autoridades buscam em redes sociais pistas do assassino de turista na Turquia
Sebnem Arsu e J. David Goodman* - NYT                     
Ahmed Jadallah/Reuters
Pôr-do-sol atrás de minaretes de mesquita; paisagem era frequentemente fotografada pela turista Sarai Sierra, assassinada na Turquia
Pôr-do-sol atrás de minaretes de mesquita; paisagem era frequentemente fotografada pela turista Sarai Sierra, assassinada na Turquia
Era a primeira viagem dela para o exterior, mas de muitas formas Sarai Sierra era a personificação do turista jovem moderno – sozinha, mas constantemente conectada.
Ela partiu de Nova York para a Turquia no mês passado, acompanhada por uma horda digital de centenas, que seguiam suas postagens online, e por sua família, que falava regularmente com ela pelo Skype em seu iPad. Ela alugou online o quarto onde ficou hospedada – em uma área degradada de Istambul não conhecida por atrair visitantes casuais.
Ela desapareceu no dia em que partiria.
A busca febril por Sierra – pela polícia turca, por investigadores americanos e, posteriormente, por seu marido e seu irmão– terminou no fim de semana, com a descoberta de seu corpo às margens de uma movimentada estrada costeira do lado externo dos muros da cidade velha de Istambul, a aproximadamente 5,5 quilômetros de onde ela estava hospedada.
No domingo, as autoridades turcas interrogaram quase duas dúzias de pessoas ligadas à morte de Sierra, que tinha 33 anos e morava no bairro de Stapleton de Staten Island. Ninguém foi formalmente acusado.
O chefe de polícia de Istambul, Huseyin Capkin, disse aos repórteres que baseado no exame preliminar do corpo dela, é "certo que ela foi morta por um golpe na cabeça".
Centenas de policiais turcos estariam analisando os vídeos de vigilância no local e arredores de onde o corpo dela foi encontrado. Seus brincos, anel, relógio e bracelete foram encontrados em seu corpo. Mas a "Agência de Notícias Anatoliana", citando as autoridades turcas, disseram no domingo que seu iPhone e iPad não foram encontrados.
Os investigadores examinaram um cobertor encontrado próximo em busca de sinais de que possa ter sido usado para mover o corpo, que estava próximo de uma passarela de pedestres.
Uma testemunha disse à polícia na noite de sábado que viu uma mão de mulher enquanto um homem de meia-idade tentava puxar algo do banco traseiro de um carro branco, perto de onde o corpo de Sierra foi encontrado, relatou a Agência de Notícias Anatoliana.
Sierra se comunicou com pelo menos uma pessoa na Turquia antes de sua chegada e durante sua estadia, um homem identificado pela polícia turca apenas pelo seu primeiro nome, Taylan. Os dois se conheceram pela Internet e ambos usavam o site de compartilhamento de fotos Instagram. Sierra, segundo tanto as autoridades turcas quanto americanas, esteve em contato com ele no dia em que ela desapareceu.
"Eu vou estar em frente à Torre de Gálata daqui a pouco. Você irá?" teria escrito Sierra em um e-mail enviado em 21 de janeiro às 11 horas da manhã, referindo-se a uma popular atração turística no centro de Istambul. O texto da mensagem foi noticiado no jornal turco "Vatan".
A torre fica a uma breve caminhada do prédio no distrito de Tarlabasi onde Sierra alugou um quarto.
Sierra enviou outra mensagem às 11h33, dizendo: "Estou partindo, me ligue se quiser falar comigo".
Taylan respondeu às 12h45, escrevendo: "Eu vou para lá, espero que você tenha sinal wireless".
Ele foi interrogado pela polícia e liberado, segundo reportagens locais.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos e o Birô Federal de Investigação (FBI), que estão auxiliando as autoridades turcas na investigação, se recusaram a comentar no domingo.
O homem que disse ter alugado o quarto para Sierra, Yigit Yetmez, disse ao jornal "Milliyet" que não mais a viu desde o dia anterior ao seu desaparecimento. "Ela ficou sozinha no quarto e pagou adiantado por meio do site pelos 13 dias de estadia", ele disse, sem citar o site.
Não está claro como ela encontrou o quarto ou por que escolheu um em Tarlabasi, um bairro degradado que tem poucos endereços turísticos. Os momentos finais de Sierra continuam sendo um mistério doloroso para seus parentes e para aqueles que acompanhavam seus movimentos online. Enquanto viajava pela cidade, e aproveitando para visitar Amsterdã e Munique, ela atualizava seus amigos e novos seguidores online com fotos de pores do sol, estações de trem e silhuetas da cidade repletas de minaretes – qualquer coisa que chamasse sua atenção.
"Eu planejei a esmo e fico feliz por tê-lo feito", ela disse, comentando sobre uma das primeiras fotos de Istambul, postada em sua página do Instagram em 9 de janeiro. "Tem sido o máximo até agora."
A última foto dela apareceu em 20 de janeiro, de um rio sinuoso supostamente em algum lugar na Holanda.
Depois de sua morte, essa mesma coleção de fotos – fotos de turista bem feitas misturadas com uma ocasional vista de Nova York – se transformou em um pesaroso mural com centenas de mensagens.
"Ela vivia para seus filhos e marido", disse Vicki Vega, 57 anos, uma velha amiga da mãe de Sierra. "Ela era amorosa e carinhosa. Ela nunca tratou ninguém mal."
Mãe de dois meninos, com 9 e 11 anos de idade, Sierra trabalhava meio expediente no consultório de um quiroprático. O marido dela, Steven Sierra, disse que manteve contato com ela até seu desaparecimento.
Marty Tursi, o pastor executivo da igreja Centro Cristão Internacional em Staten Island, que Sierra frequentava desde pequena, disse no domingo que enquanto outras crianças corriam e brincavam, ela costumava falar com as pessoas carentes que procuravam a igreja em busca de comida.
"Ela era como uma fornalha", disse Tursi. "Por fora ela parecia serena e quieta. Mas por dentro ela tinha essa paixão ardente por sua família, fé e fotografia."
* em Nova York (EUA)
Tradutor: George El Khouri Andolfato

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