segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Com desemprego em alta, consumo na França promete ser fraco em 2013
Cécile Prudhomme - Le Monde
Thomas Sanson/AFP
27.jun.2012 - Loja de departamentos de Paris anuncia liquidação em sua vitrine
27.jun.2012 - Loja de departamentos de Paris anuncia liquidação em sua vitrine
Zero por cento. Um pouco mais. Ou um pouco menos. As previsões dos economistas quanto à evolução do consumo das famílias francesas este ano – um dos pilares do crescimento da economia nacional – não são muito animadoras. A exemplo do que aconteceu em 2012.
Apesar de uma estabilidade ao longo do mês de dezembro de 2012 (0%), o consumo de bens recuou 0,2% no ano, em relação a 2011, anunciou na quinta-feira (31) o Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos (Insee).
É verdade que as compras de bens só representam metade do consumo total das famílias (os serviços não estão inclusos). Mas esse dado diz algo sobre o comportamento dos franceses, que, com o aumento contínuo do desemprego e as preocupações com seus salários, se mostram cada vez mais cuidadosos quanto às suas despesas. A ponto de retomar comportamentos de "consumo de crise" que não se viam mais desde 2007.

"Efeito bola de neve"

Os seis primeiros meses de 2013 deverão ser difíceis. Isso porque não somente o mercado de trabalho vai se deteriorar, como, "além de tudo, existe um efeito bola de neve, como em 2008-2009, quando você tem ao seu redor pessoas que não estão bem, estão desempregadas, então mesmo que você não tenha problemas você se contém", diz Pascale Hébel, diretora do departamento de consumo do Centro de Pesquisa para o Estudo e a Observação das Condições de Vida (Crédoc).
No campo dos otimistas, o BNP Paribas prevê um avanço de 0,2% do consumo interno em 2013, acompanhado de uma retomada progressiva do moral dos cidadãos. "A perspectiva deve melhorar progressivamente com as medidas do governo para estimular o emprego e os esforços para manter a competitividade das empresas", acredita a economista Hélène Baudchon.
Fabrice Montagné, do Barclays, prevê um consumo em queda de 0,2%. "A redução do índice da poupança, que passaria de 16% para 15%, não será suficiente para estimular o consumo", ele acredita.
Jean-Christophe Caffet, do Natixis, é ainda menos otimista, com um recuo de 0,4% do consumo em 2013, sobretudo por causa do endurecimento do sistema tributário. Ele diz que sua previsão poderia ser ainda pior se a recuperação que tem se esboçado em outros lugares (EUA, países emergentes) gerar uma alta nos preços. Por enquanto, os economistas acreditam que a inflação deverá se manter por volta de 1,5%.
"A situação poderia ser pior, se a taxa de poupança voltasse a subir, o que não deverá acontecer, pois a população não tem muita margem de manobra: a rentabilidade do dinheiro não está boa", considera Hébel. O índice da caderneta de poupança deve passar de 2,25% para 1,75%, em 1o de fevereiro.
Redescobrindo o "feito em casa"
As famílias deverão continuar a escolher entre seus diferentes setores de gastos, sobretudo "deixando de lado roupas, investimentos grandes como automóveis", prevê Hébel, que diz ainda: "Os franceses compraram antes, com os incentivos para as compras de carros.
Ela também espera que as pessoas adquiram menos artigos para casa. "Estão comprando menos móveis, pois estão comprando menos imóveis, estão se mudando menos", ela diz.
A situação econômica da população deverá continuar a gerar comportamentos de consumo de crise, onde os franceses fazem os objetos durarem o máximo de tempo possível. "As pessoas estão recorrendo cada vez mais aos reparos", constata Pascale Hébel, "seja em matéria de eletrodomésticos, de sapatos ou de automóveis".
No campo da alimentação, "estamos revendo o fenômeno que houve em 2008-2009, quando as pessoas redescobriram os produtos caseiros, ou seja, fazer bolos em casa em vez de comprar doces", afirma Hébel. Da mesma maneira, os franceses estão voltando a congelar mais, como aconteceu em 2007-2008. Cozinham no fim de semana e congelam para o resto dos dias". 
Tradutor: Lana Lim

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