Superávit primário não ajuda muito
Asmussen mencionou uma decisão tomada em novembro passado pelo Grupo do Euro, formado pelos ministros da Fazenda da zona do euro. "Se o país conseguir alcançar um superávit orçamentário primário dentro de um ano e se continuar implementando o programa integralmente, mas, seu nível de endividamento ainda for muito alto, o Grupo Euro discutirá novas medidas de ajuda financeira", disse Asmussen. Ele acrescentou que os números do atual exercício orçamentário só estarão disponíveis a partir da primavera de 2014 (no hemisfério norte).O superávit primário refere-se ao orçamento antes do pagamento dos juros da dívida. Nos primeiros sete meses de 2013, Atenas tinha realmente conseguido obter um superávit primário. A Grécia também tem como objetivo manter o superávit orçamentário durante todo o ano. Se isso acontecer, Atenas terá cumprido uma exigência fundamental estabelecida por seus credores.
Mas se os pagamentos de juros forem levados em conta, o orçamento grego permanece afundado no vermelho. A dívida da Grécia continua crescendo, pois a economia do país ainda está encolhendo. O governo grego espera que a dívida avance para o patamar de 173% do Produto Interno Bruto (PIB) anual até o final de 2013 --nível quase tão alto quanto o registrado antes do primeiro corte da dívida do país. É por isso que especialistas duvidam da possibilidade da Grécia ser capaz de romper com esse círculo vicioso caso seus credores não concordem com uma redução adicional da dívida.
Uma sugestão apresentada pelo líder do grupo parlamentar dos conservadores de Merkel, Volker Kauder, provavelmente não funcionará. Kauder propôs ajudar a Grécia com verbas adicionais provenientes dos fundos estruturais da União Europeia (EU). Mas uma força-tarefa da UE já vem tentando encontrar projetos na Grécia que mereceriam a ajuda financeira estrutural do bloco --e, até o momento, não encontrou muitos.
Considerando-se esse cenário, Merkel está certa não descartar categoricamente um corte da dívida grega. Para que não restem dúvidas, ela disse à Focus que essa medida poderia provocar um "efeito dominó de incertezas que talvez acabasse com a disposição dos investidores privados para investir na zona euro, fazendo-a retornar à estaca zero".
E é verdade que apenas o falatório sobre um novo corte da dívida grega pode fazer com que os rendimentos dos títulos da Grécia e de outros países da zona do euro que estão em dificuldades subam novamente. Afinal de contas, os credores podem exigir ágio para compensar a possibilidade de eles não conseguirem receber todo o seu dinheiro de volta.
Uma saída: prazos mais longos
Mas ninguém está pedindo que se adote um corte generalizado da dívida da Grécia, redução que afetaria também os investidores do setor privado. Qualquer novo corte afetaria principalmente os credores que detêm títulos da dívida soberana do país, ou seja, os outros países-membros da zona do euro. Isso significaria que, pela primeira vez durante a crise do euro, o dinheiro dos contribuintes alemães estaria irremediavelmente perdido. Com a Alemanha no meio de uma campanha eleitoral, essa é uma questão altamente explosiva no momento.Um compromisso para salvar a reputação da Grécia poderia envolver o prolongamento da duração dos empréstimos concedidos ao país ou a redução dos pagamentos de juros ou até mesmo a eliminação total dos juros caso determinadas condições sejam respeitadas. Isso evitaria um corte formal da dívida e iria permitir que os credores da Grécia mantivessem a pressão sobre Atenas para que o país prossiga com suas reformas.
Stournaras, ministro da Fazenda da Grécia, levantou essa possibilidade em entrevista concedida ao diário de negócios alemão Handelsblatt. A mensagem seria a seguinte: O dinheiro emprestado à Grécia não está totalmente perdido. Os alemães só não vão recebê-lo de volta agora.
Tradutor: Cláudia Gonçalves
Nenhum comentário:
Postar um comentário