Patriota
cai. Evo e Dilma de nada sabiam. Será?
Ricardo Noblat - O Globo
Esquisito o episódio da chegada ao Brasil do senador boliviano refugiado há
mais de 440 dias em nossa embaixada em La Paz. E agora da demissão do ministro
Antônio Patriota, das Relações Exteriores.
A operação de retirada do senador da Bolívia foi arriscada se ela de fato
ocorreu à revelia do governo Evo Morales.
Foram 22 horas dentro do carro principal da embaixada até a chegada em
Corumbá. Fuzileiros navais garantiram a segurança do senador durante a
viagem.
Em Corumbá, a segurança coube à Polícia Federal, subordinada ao ministro da
Justiça.
É possível que fuzileiros e agentes da Polícia Federal tenham sido
mobilizados à revelia dos seus chefes - os ministros da Defesa e da Justiça?
É possível que a fuga do senador fosse apenas do conhecimento do encarregado
de negócios da embaixada do Brasil na Bolívia? O posto de embaixador está vago
por lá.
E a pergunta mais importante: que ministro teria coragem de se envolver numa
operação diplomaticamente tão delicada sem que a presidente Dilma fosse
informada? E desse seu aval?
Dilma nunca gostou de Patriota, nunca se deu bem com ele, sempre o tratou
mal, às vezes de forma humilhante.
Era preciso entregar alguma cabeça para acalmar o governo boliviano,
aparentemente irritado com o que aconteceu.
Se Evo Morales só ficou sabendo da fuga do senador depois de sua entrada no
Brasil, é grave. Deixa-o mal diante dos seus governados.
Se ele sabia da fuga e compactuou com ela, não poderá admitir. Pegaria
mal.
A demissão de Patriota desmanchará o mal estar sincero ou simulado que separa
a Bolívia do Brasil. Mas não porá um ponto final nessa história.
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