quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O cenário do seguro-saúde para pequenas empresas
Robb Mandelbaum - NYT
Jacquelyn Martin/AP
Após discurso sobre o programa de Saúde,  o presidente dos EUA, Barack Obama, abraça mulheres que compareceram ao evento no Salão Leste da Casa Branca, em Washington
Após discurso sobre o programa de Saúde, o presidente dos EUA, Barack Obama, abraça mulheres que compareceram ao evento no Salão Leste da Casa Branca, em Washington
Há cinco anos, uma nova empresa chamada Liazon começou a oferecer às empresas uma nova forma de fornecer planos de saúde para seus funcionários. No Bright Choices da Liazon, um mercado online, uma empresa pode especificar quanto dinheiro deseja gastar em benefícios para cada funcionário, e os funcionários podem usar essa contribuição para adquirirem o plano de sua escolha.
A Liazon foi uma das primeiras empresas a estabelecer uma bolsa privada de seguro saúde, onde o benefício fornecido pelo empregador é uma contribuição definida em vez de um benefício definido (operadoras de bolsas privadas concorrentes incluem a Aon Hewitt e a Towers Watson). "Uma empresa pode estabelecer um orçamento e decidir quanto dinheiro deseja alocar para os benefícios", disse Alan Cohen, que fundou a Liazon juntamente com Ashok Subramanian e Tim Godzich. "Não tem nada a ver com o que alguma seguradora por acaso diz em um determindo ano."
Isso também tira os empregadores do trabalho de escolher os planos de saúde para sua força de trabalho. E, ele disse, a experiência da empresa com uma clientela de 2.500 empresas, que somam 45 mil funcionários, mostra que os trabalhadores "tomam decisões muito mais prudentes" sobre onde gastar seu dinheiro. "Nós vimos que 80% dos funcionários escolhem um plano diferente do que a empresa escolhe para eles", disse Cohen, "e 90% das pessoas escolhem algo menos caro".
Nesta semana, é claro, o cenário para os planos de saúde bancados por pequenas empresas está mudando, à medida que as bolsas de seguros criadas pela Lei de Atendimento de Saúde a Preço Acessível entram em operação. Cohen diz que espera que a nova lei seja positiva para a Liazon, principalmente porque mais pessoas se acostumarão com a ideia dos funcionários tomarem suas próprias decisões.
Nós conversamos com Cohen sobre o impacto da Lei de Atendimento de Saúde a Preço Acessível, também conhecida como "Obamacare", sobre as pequenas empresas em uma série de conversas iniciadas em junho e que foram editadas e condensadas.
NYT: De onde veio a ideia por trás da Liazon?
Alan Cohen:
Eu abri uma empresa em 1996 chamada Online Benefits, que foi uma das primeiras empresas de software baseadas na Internet e que ajudava as empresas a administrarem seus programas de benefícios. Nós tínhamos 5.500 empresas e 2 milhões de pessoas usando nosso software. Nós tínhamos uma quantidade tremenda de dados. Então eu percebi que as decisões que as empresas tomavam não eram as decisões que as pessoas tomariam se estivessem no controle do dinheiro. Ashok, meu cofundador, estava na McKinsey prestando consultoria para empresas de planos de saúde. A McKinsey determinou –e Ashok teve um papel importante nisso– que o fato das pessoas realmente não participarem no processo de compra contribuía para a inflação descontrolada no seguro-saúde e no atendimento de saúde.
NYT: Qual é a experiência para as empresas que trabalham com a Liazon?
Alan Cohen:
Primeiro, você precisa decidir quanto dinheiro deseja alocar para seus funcionários, e nós desenvolvemos ferramentas tecnológicas que ajudam as empresas a fazerem isso. É como uma análise de cenário –trabalhando com seu corretor de seguro, você decide qual é sua verba para os benefícios. Quanto à loja onde os funcionários compram os planos, nós negociamos opções com as principais operadoras para chegar a um menu de planos, e a empresa decide quais escolher. As mensalidades ainda são determinadas cliente a cliente, porque ainda são faturadas para a empresa. Logo, sua empresa ainda tem algum controle, mas nós tentamos limitar o número de opções e realmente dar às pessoas uma boa orientação.
NYT: A Liazon teve um rápido crescimento neste ano. Por quê?
Alan Cohen:
Claramente a reforma da saúde conscientizou as pessoas a respeito disso de uma forma que nunca conseguiríamos, com nossa verba de marketing minúscula. A principal objeção que enfrentamos ao longo dos anos era: "Eu não acho que meus funcionários serão capazes de fazer isso. Eu acho que eles ficarão confusos". À medida que nos aproximamos de 2014, essa declaração soa cada vez mais absurda.
NYT: Quão bem você acha que os empregadores entendem a lei?
Alan Cohen:
Geralmente, a maioria das empresas sabe apenas as linhas gerais. Assim que você entra nos detalhes, a falta de conhecimento é meio que chocante. Nós realizamos uma pesquisa de mercado a respeito. Nós criamos uma lista de 15 afirmações que perguntavam: "Quão familiarizado você está com este artigo da lei?" E entre esses 15 itens, nós tínhamos cinco que eram falsos. Um deles, eu me recordo, era: "Quão familiarizado você está com o artigo na lei de que os planos de saúde nas bolsas de seguro serão mais caros do que os planos de saúde fora da bolsa?" A lei na verdade dizia o oposto. As pessoas confirmavam as coisas falsas tanto quanto as coisas verdadeiras.
NYT: Os críticos da lei dizem que as empresas terão de oferecer planos de saúde mais caros do que agora. Você acha que isso é verdade?
Alan Cohen:
Eu não acho que é verdade.
NYT: Por que não?
Alan Cohen:
Essas pessoas estão apontando para duas coisas. Primeiro, elas estão apontando para benefícios essenciais, que agora devem fazer parte da cobertura de saúde. E eu garanto a você que alguns deles não fazem parte das apólices típicas atuais, mas estamos falando sobre coisas à margem. Nós estamos falando sobre terapia ocupacional e coisas assim. A segunda coisa que apontam é para o valor atuarial.
NYT: Esse é o percentual do custo médio do atendimento de saúde pago pelo plano.

Alan Cohen:
Agora uma empresa não pode oferecer um plano que tenha menos de 58% de valor atuarial. Bem, 99% dos planos existentes têm mais de 58% de valor atuarial.
NYT: Você acha que a nova lei é uma mudança tão radical quanto alguns temem?
Alan Cohen:
Uma mudança para os empregadores é que agora empresas com mais de 50 funcionários são obrigadas a oferecer plano de saúde, ou pagar uma multa –e não apenas oferecer um, mas oferecê-lo a todos os funcionários em período integral e equivalentes. Esse equivalente a período integral é uma coisa perigosa para muitas empresas. Um bom exemplo seria uma empresa de enfermagem que paga seus funcionários por dia. Se alguns desses enfermeiros por dia ultrapassar por mês 30 horas –boom, você terá de pagar por essa pessoa; logo, isso pesa para certos tipos de empresa, mas não para a maioria das empresas.
NYT: Muitas empresas com mais de 50 funcionários que antes não ofereciam plano de saúde –restaurantes, por exemplo– agora temem uma nova despesa imensa. Você tem algum conselho para elas?
Alan Cohen:
Sem dúvida as empresas com mais de 50 funcionários que não oferecem plano de saúde agora contam com uma nova despesa. Essa nova despesa virá na forma do seguro ou da multa. Eu acho que muitas empresas descobrirão que é melhor para elas e para seus funcionários não oferecer plano de saúde se tiverem funcionários de baixa remuneração. Se você oferecer o seguro mais simples e pagar o menor valor possível, você tira o direito a subsídio de cada um dos seus funcionários. E pode ser muito melhor não oferecer o plano e deixá-los receber seu subsídio.
NYT: Considerando sua visão de que os empregadores não devem tomar essas decisões por seus funcionários, não seria bom se as empresas deixassem seus funcionários procurarem as bolsas individuais?
Alan Cohen:
Eu acho que isso é válido com a exceção de dois problemas, impostos e subsídios. O dinheiro passa de isento de tributos para plenamente tributado, e o efeito é de, na prática, quase dobrar o custo do seguro para os funcionários. Se essa empresa para de oferecer plano de saúde, o que acontecerá é que o governo acabará pagando a parte da empresa.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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