Dan Horch - NYT
A empresa de exploração e produção de petróleo está próxima de decretar falência
A OGX, empresa de exploração e produção de petróleo fundada pelo empresário brasileiro Eike Batista, está próxima de decretar falência depois de ter anunciado, na terça-feira (1º), que daria um calote de US$ 44,5 milhões em um pagamento de juros.Luana Helsinger, analista do setor de petróleo do Grupo Bursátil Mexicano, lotada no Rio de Janeiro, disse: "O próximo passo lógico seria a OGX solicitar sua recuperação judicial".
A OGX tem um período de carência de 30 dias para negociar com seus credores. Se a falência ocorrer, esse será o maior calote corporativo da história da América Latina.
Investidores estrangeiros detêm a maior parte dos títulos da OGX. A Pimco, a maior investidora nos bônus da empresa, é uma das principais detentoras da dívida da companhia.
Eike Batista fundou e lançou ações de seis empresas na Bolsa de Valores de São Paulo e, durante algum tempo, foi considerado um símbolo internacional do poderio econômico brasileiro. Ele gozava de benefícios generosos e era acompanhado de perto pela mídia.
Mas o patrimônio líquido de Batista, que já somou mais de US$ 30 bilhões, hoje é estimado em menos de US$ 1 bilhão --e pode estar diminuindo. Em outubro de 2012, o empresário assinou um contrato que autorizava a OGX a exigir que ele injetasse pessoalmente US$ 1 bilhão na empresa.
A OGX tentou exercer essa opção em 6 de setembro passado, mas Batista entrou na justiça para tentar evitar esse pagamento de US$ 1 bilhão, pois provavelmente ele não teria dinheiro para fazê-lo.
Segundo a legislação brasileira, se a OGX preparar um plano para evitar sua liquidação e um tribunal aprová-lo, a empresa teria 180 dias para prosseguir as negociações sem ter que fazer pagamentos adicionais para quitar suas dívidas.
Esse adiamento adicional seria crucial para a OGX, que tem um pagamento de US$ 110 milhões programado para vencer em dezembro.
Helsinger disse que os credores provavelmente estariam interessados em fazer um acordo com a OGX. Se petrolífera for obrigada a enfrentar a liquidação, uma venda relâmpago de seus ativos provavelmente proporcionaria apenas uma pequena fração dos US$ 3,6 bilhões que a empresa deve aos detentores de seus títulos.
Outra opção seria atrair um novo investidor para a empresa, como a Petronas, a petrolífera da Malásia, que é conhecida por estar interessada em um dos campos de petróleo em alto mar da OGX.
Sem dinheiro novo para desenvolver as reservas da OGX, até mesmo uma reestruturação sob supervisão judicial poderia acabar em liquidação, segundo um advogado especializado em falências do Rio de Janeiro. O advogado falou sob condição de anonimato, pois tem clientes envolvidos com a OGX.
Na terça-feira passada, a Standard & Poors rebaixou a classificação de crédito da OGX para D (de "default" ou calote), a partir da classificação anterior de CCC. "Acreditamos que isso indica um calote geral e que a empresa vai reestruturar a sua dívida", escreveu a S&P em nota. "Essa conclusão se baseia na geração de fluxo de caixa da OGX, que é praticamente nula, e em sua apertada posição de liquidez".
Sem dinheiro novo para desenvolver as reservas da OGX, até mesmo uma reestruturação sob supervisão judicial poderia acabar em liquidação, segundo um advogado especializado em falências do Rio de Janeiro. O advogado falou sob condição de anonimato, pois tem clientes envolvidos com a OGX.
Na terça-feira passada, a Standard & Poors rebaixou a classificação de crédito da OGX para D (de "default" ou calote), a partir da classificação anterior de CCC. "Acreditamos que isso indica um calote geral e que a empresa vai reestruturar a sua dívida", escreveu a S&P em nota. "Essa conclusão se baseia na geração de fluxo de caixa da OGX, que é praticamente nula, e em sua apertada posição de liquidez".
Quando a OGX lançou suas ações, em 2008, a empresa levantou US$ 4,1 bilhões e tornou-se a maior companhia de petróleo do setor privado do Brasil. Até o final de 2010, o preço dos papéis da empresa tinham mais do que triplicado de valor em relação ao seu preço de estreia na bolsa, enquanto a OGX anunciava descobertas de petróleo e os investidores estrangeiros tentavam abocanhar uma fatia desse bolo brasileiro.
Mas, em 2012, a OGX revelou que estava enfrentando dificuldades e atrasos no desenvolvimento de suas jazidas de petróleo. Vários poços que tinham sido anunciados triunfalmente se mostraram economicamente inviáveis.
No ano passado, o preço das ações da empresa começou a entrar em colapso e a queda acentuada se acelerou este ano. Os investidores que compraram ações da OGX pelo preço da oferta pública inicial atualmente teriam perdido mais de 97% de seu investimento inicial.
Problemas semelhantes prejudicaram as ações de outras cinco empresas de Batista. Ele já vendeu participações controladoras em duas delas, e a venda de seu controle em uma terceira companhia é esperada para breve. A quarta empresa já está vendendo seus ativos e a quinta, a empresa de construção naval OSX, também deve tentar obter recuperação judicial em breve.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Brasil abriu inquéritos para apurar se os diretores da OGX, incluindo Batista, violaram as regras de divulgação de informações relacionadas às operações da empresa e sobre as participações pessoais de propriedade dos gestores. Um grupo que representa pequenos investidores também anunciou que entrará com uma ação judicial.
Em 2012, a revista Time apontou Eike Batista, que um dia já representou todo o potencial econômico do Brasil, como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Atualmente passou a representar as dores de crescimento do país.
"A situação da OGX já causou problemas para a imagem do país", disse Guido Mantega, ministro da Fazenda do Brasil na segunda-feira passada. "Espero que eles interrompam essa sangria em breve".
Apesar de ser rico em recursos naturais, o Brasil ainda não converteu todo o seu potencial em dinheiro.
No ano passado, a economia brasileira cresceu apenas 0,9%, e na segunda-feira passada o Banco Central do Brasil reduziu sua previsão de crescimento para este ano para 2,5%, a partir dos 2,7% da estimativa anterior.
Em 2007, o Brasil descobriu reservas de petróleo em alto mar que poderiam tornar o país tão rico em petróleo quanto a Rússia ou o Kuwait. Mas o avanço no desenvolvimento dessas reservas tem sido lento. Após vários anos de independência energética, recentemente o Brasil se tornou importador líquido de produtos petrolíferos.
O país agora pretende atrair investimentos estrangeiros para seu setor de energia. O primeiro grande teste nessa área ocorrerá no próximo dia 21 de outubro, quando o Brasil leiloará os direitos de investimento em um bloco de exploração de petróleo localizado em alto mar e batizado de Libra. Esse bloco pode conter até 12 bilhões de barris em reservas e vai exigir um investimento mais de US$ 200 bilhões para ser desenvolvido.
Tradutor: Cláudia Gonçalves
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