Lluís Bassets - El Pais
A esquerda copia a direita em economia. A direita, a esquerda em divisões e falta de lideranças. Ambas copiam a extrema-direita em seus gestos contra a Europa e contra a imigração. E aí está o resultado: a extrema-direita ganha eleições parciais e se situa pela primeira vez à frente das pesquisas, concretamente, para as eleições europeias. Isto ocorre na França, mas de forma menos escandalosa está acontecendo em toda parte.
A fórmula que funciona é a soma de três fatores: nacionalismo, rejeição do
estrangeiro, abominação do "establishment" político. Quem a encontrou na França
é a Frente Nacional, o partido tradicional da extrema-direita, mas em outros
países, quem declina esses temas, todos juntos ou de forma parcial, é uma
multidão de alternativas políticas, às vezes perfeitamente honrosas, que
prosperam em pesquisas e eleições, cavalgando na antipolítica e às custas dos
partidos e das ideologias tradicionais.
Não estamos diante de um movimento pendular, e sim em um mar de fundo que vem
de longe, tão longe quanto as ideias da Frente Nacional, que soube
transformá-las em respeitáveis e em alternativa verossímil. É assim que podemos
nos preparar para nos encontrarmos com um Parlamento Europeu no qual terão um
peso enorme os eurodeputados antieuropeus, xenófobos e chauvinistas, em um
momento especialmente delicado para a UE, quando estamos prestes a realizar a
união bancária e enfrentamos desafios como o da imigração, tão cruelmente
representado pela tragédia na costa de Lampedusa.
As eleições europeias não costumam mobilizar os eleitores, que as tomamos como se fossem um voto grátis, uma espécie de salva de advertência especialmente útil para castigar os que governam. É uma visão errônea, sobretudo depois do Tratado de Lisboa, que incrementou os poderes do Parlamento Europeu e lhe proporcionou melhores alavancas de ação e influência frente à Comissão e ao Conselho.
Dos eleitores europeus depende agora que no próximo mês de maio coloquemos uma força populista antieuropeia no coração representativo da UE. Além de trabalhar legislativamente contra a Europa, esses deputados representam exatamente os valores mais contrapostos à união dos europeus: as fronteiras, os confrontos entre nacionalismos e, sobretudo, a exclusão do estrangeiro. São o partido da anti-Europa.
Inclusive os mais puros, como os "grillini" do italiano Movimento Cinco
Estrelas, se encontram sob os efeitos magnéticos das ideias que vêm, às vezes
camufladas, das fontes envenenadas do extremismo. Seu chefe, o comediante Beppe
Grillo, é a favor de manter o crime de imigração ilegal imposto por Bossi e
Berlusconi e confessou em seu blog que escondeu suas ideias para poder pescar
votos de todos os lados.
As eleições europeias não costumam mobilizar os eleitores, que as tomamos como se fossem um voto grátis, uma espécie de salva de advertência especialmente útil para castigar os que governam. É uma visão errônea, sobretudo depois do Tratado de Lisboa, que incrementou os poderes do Parlamento Europeu e lhe proporcionou melhores alavancas de ação e influência frente à Comissão e ao Conselho.
Dos eleitores europeus depende agora que no próximo mês de maio coloquemos uma força populista antieuropeia no coração representativo da UE. Além de trabalhar legislativamente contra a Europa, esses deputados representam exatamente os valores mais contrapostos à união dos europeus: as fronteiras, os confrontos entre nacionalismos e, sobretudo, a exclusão do estrangeiro. São o partido da anti-Europa.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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