sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Região de instalação de gás na Espanha tem série de terremotos
Sandrine Morel - Le Monde                                          
Segundo os geólogos, dificilmente seria uma coincidência. Desde o dia 8 de setembro, as cidades situadas ao norte do Golfo de Valência, na Espanha, registraram mais de 300 tremores leves, cuja intensidade foi crescendo. Na terça-feira (1º), um deles, de magnitude 4,2 na escala Richter, foi sentido pelos habitantes de três cidades --Vinaròs, Peñíscola e Benicarló--, provocando o acionamento de um plano de alerta sísmico na região.
Só que uma controversa instalação submarina de armazenamento de gás natural acaba de ser ativada em frente a essas cidades costeiras.
O projeto "Castor", fomentado pelo governo central e confiado à empresa espanhola Escal UGS, consiste em utilizar uma antiga jazida de petróleo submarina situada a 21 quilômetros da costa e a quase 1.800 metros de profundidade, explorada nos anos 1980, para armazenar uma quantidade de gás suficiente para abastecer a região de Valência durante três meses. Desde junho, o gás, comprimido, é transportado para lá por meio de um gasoduto até uma plataforma marítima. Em seguida ele é injetado no antigo poço, formado de uma camada de rocha porosa.
Intensidade surpreendente
"Qualquer injeção de gás ou de líquido no subsolo pode provocar pequenos tremores de terra", afirma José Luís Simón, professor de geologia na Universidade de Zaragoza. "O que surpreende é a intensidade deles. Para provocar um terremoto de 4,2 é preciso que uma falha de centenas de metros tenha se movido."
"Existem diversas falhas ativas na região", reconhece a paleosismóloga Eulalia Masana, professora na Universidade de Barcelona. "Ao provocar pequenos tremores, a injeção de gás pode ajudar a descarregar a tensão acumulada e permitir evitar grandes terremotos no futuro. Mas o procedimento também pode ativar falhas maiores, que podem gerar grandes tremores."
Suspensão indispensável
Para os ambientalistas contrários ao projeto por temerem uma possível maré negra --uma vez que a antiga jazida de petróleo não foi totalmente explorada--, esses terremotos confirmam a periculosidade das instalações. "Nada respondeu como a empresa esperava, e isso é muito preocupante", resume Enrique Luque, o representante local da associação Ecologistas en Acción, que teme um futuro derramamento de petróleo ou a formação de um tsunami.
Na quarta-feira, mais de dez terremotos foram registrados pelo Instituto Geológico da Catalunha, sendo que o maior deles atingiu uma magnitude de 4,1. Embora a atividade sísmica pareça estar se acalmando, nem por isso o problema foi solucionado: o governo, que pagou 1,2 bilhão de euros no projeto Castor, parou com as injeções de gás no dia 26 de setembro para analisar a situação. "Uma suspensão é indispensável enquanto é realizado um estudo preciso das falhas ativas", afirma Simon. "Temos uma ideia de como isso começou, mas não de como vai terminar."
Tradutor: UOL

Nenhum comentário: