Ex-senadora, que até agora negava ter um Plano B, após o julgamento deixou em aberto a possibilidade de escolher outro partido
Marina Silva no plenário do TSE durante o julgamento, entre o advogado Torquato Jardim (à esquerda) e o deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ) - Givaldo Barbosa/ O Globo
O deputado Walter Feldman (sem partido-SP) afirmou ontem os aliados de Marinha já receberam sete propostas de legendas dispostas a receber a ex-senadora. Ao deixar o tribunal, Marina deixou em aberto a possibilidade de se filiar a outro partido, hipótese que até agora vinha rejeitando.
- Esse partido agora vai decidir qual é sua posição. O plano A já é vitorioso e amanhã eu vou dar uma (entrevista) coletiva dizendo qual é meu posicionamento em relação à pergunta que vocês estão fazendo, porque não discuti absolutamente nada de outros planos com ninguém - disse ela aos jornalistas, que insistiam em saber seu futuro político.
Em nota, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) lamentou a decisão do TSE, mas disse que é preciso "aceitar e respeitar a decisão da Justiça".
"Acompanhamos desde o início o esforço de Marina Silva para formação da Rede, e fomos solidários a ela, inclusive, quando a truculência do PT se fez mais presente na tentativa de impedi-la de alcançar seu objetivo no Congresso", disse Aécio.
O pré-candidato tucano à Presidência ainda defendeu que a ex-senadora continue presente no cenário político.
"Mantemos a posição que já externamos em outras oportunidades: a presença de Marina Silva engrandece o debate democrático de ideias. De nossa parte, o PSDB continuará trabalhando para apresentar um projeto alternativo ao que está aí, com a permanente preocupação com algo extremamente caro a ex- senadora e a todos nós brasileiros, assegurar ao Brasil um desenvolvimento sustentável".
O deputado Reguffe (PDT-DF) falou em tapetão:
_ Eleição deveria ser ganha na urna e não no tapetão ou no tribunal. Estou muito triste com o resultado. A política se tornou algo muito ruim. Marina está muito triste, emocionada. Foi feito um esforço muito grande para recolher essas assinaturas. A Justiça Eleitoral negou à Marina a chance de disputar a Presidência. Isso não me parece democrático, alguém com 20% de votos não disputar.
A ministra Laurita Vaz apontou em seu voto a falta do número mínimo necessário de assinaturas de apoiamento à criação da legenda.
A ministra Laurita Vaz apontou em seu voto a falta do número mínimo necessário de assinaturas de apoiamento à criação da legenda.
- O fator tempo mostrou-se decisivo. Importante anotar que o tempo impõe-se contra o partido. E não contra o Poder Judiciário – disse a ministra ao finalizar seu voto contrário.
Marina Silva assistiu ao início julgamento quase em silêncio. A única conversa foi no final do voto da relatora Laurita, quando ela sinalizava que votaria contra.
O único ministro a votar a favor, Gilmar Mendes foi duro, e criticou o trabalho da Justiça Eleitoral.
- Um modelo de casuísmo que nos enche de vergonha. Quem fala de legalidade tem que invocar o princípio da proporcionalidade – disse. Não se trata de dizer que vamos aceitar o partido com menor número. Trata-se de dizer que nessa caso houve uma situação de abuso que justifica o reconhecimento dessas assinaturas invalidadas sem motivação – disse Gilmar Mendes.
A última a votar, a ministra Cármen Lúcia rechaçou o argumento de Mendes. Ela afirmou que a justiça agiu em conformidade com as leis.
- Eu acredito no servidor da Justiça Eleitoral. Mesmo sem as melhores condições, os cartórios atuaram dando a resposta devida – afirmou a ministra, que destacou que o processo transcorreu dentro da ética e que honrou a justiça brasileira.
Antes mesmo do final do julgamento, o deputado Alfredo Sirkis lamentou a decisão, mas disse não ter se surpreendido. Segundo ele, agora cabe à Marina decidir se disputará a eleição de 2014 por outra legenda, para que cada um dos que apoiou o projeto também se posicione.
- Para mim não foi nenhuma surpresa. Eu já imaginava esse resultado. Há anos acompanho a forma cartorial como o tribunal atua, faz parte da nossa cultura. O passo seguinte é a Marina dizer se pretende disputar a eleição presidencial por outro partido. E cada um tomará sua decisão - afirmou Sirkis.
Antes dos ministros votarem, o procurador-geral Eleitoral, Eugênio Aragão, disse que a Rede tem todas as condições de conseguir as assinaturas necessárias para posteriormente criar a sigla, mas que agora ele se posicionou contrariamente. O MPE deu parecer pelo indeferimento do pedido, por entender que a legenda não atingiu o número mínimo de assinaturas (492 mil) para que fosse criado. Na terça-feira, o MPE enviou parecer ao TSE contra a concessão de registro ao partido. De acordo com Aragão, a legenda conseguiu validar 442.500 assinaturas.
O advogado da Rede, Torquatto Jardim, reforçou os argumentos que o partido foi prejudicado com falhas do trabalho dos cartórios.
- Apoiamentos não certificados foram obtidos sem qualquer indícios de fraude, com completa lisura - disse o advogado, denunciando a "incapacidade geral do Estado" para analisar as assinaturas. - Impressionante são as cerca de 95 mil assinaturas negadas sem fundamentação alguma.
Segundo Marina Silva, o partido coletou 868 mil assinaturas e validou 550 mil assinaturas, número superior ao mínimo solicitado pela Lei Eleitoral.
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