segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
O ANEL QUE TU ME DESTE
ELE REPRESENTA UM MUNDO
NÃO REPRESENTA APENAS O
ESPECTRO DE UMA PEQUENA CIDADE
MAS TODO UM UNIVERSO DE CONHECIMENTO
TUDO O QUE APRENDI, TALVEZ
RESIDE, AGORA, NO MEU DEDO ANULAR,
MUNDO PEQUENO!
CONTINUO TE ADORANDO!
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Este texto foi escrito inspirado na composição de Fauré chamada Pavane.
Pequena princesa, de pele morena, seios morenos com mamilos escuros, olhos sagazes, que não são pegos em exames. De corpo delgado, elegante, desfilas ante a todos os súditos, de ventre lisos e de mãos e pés esculpidos com maestria. Prometeu-me amizade. E eu ofereci à ela a minha vida. Estendeu-me a mão, e caminha solene pelos labirintos insondáveis que carregamos conosco. São caminhos diferente, mas que darão num só lugar. Aí, saberemos quem realmente somos.
Paulo Mello
Este texto foi inspirado na composição de Stravinsky chamada A Sagração da Primavera.
O vento longínquo
trouxe-me da sempre misteriosa Núbia,
uma princesa, esculpida no mais puro ébano.
Longilínea,
sorri-me com os seus dentes de marfim,
brancos a não mais poder.
E foi sorrindo que,
num rápido gesto de suas mãos de felina pantera,
que suas vestes foram ao chão.
Seus seios negros de mamilos escuros
cumpriu a função de seduzir-me,
suas coxas entrelaçaram as minhas
e nos fizemos uma só criatura.
Seus olhos negros, incisivos me capturaram.
Abandonei a minhsa sanidade e
resolvi amá-la com a intensidade de um lobo da estepe.
Ela levantou-se apontou o oriente,
sorriu e foi novamente levada pelo vento.
Sei que na Núbia serei um príncipe,mas,
espero que desse encontro,
resulte uma menina, tão bela quanto a mãe.
E cujo nome tu bens sabes qual é.
Paulo Mello
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Este texto foi escrito baseado numa composição de Rachmaninoff chamado Vocalise.
Em meio ao caos e desespero,
ainda lambendo as minhas feridas e,
temendo que se transformem em mais cicatrizes;
ainda não consigo suportar a idéia.
Mais parece uma morte lenta e dolorosa, a tua ausência.
Tu, que tens o mais belo sorriso,
a risada mais encantadora,
olhos negros castos,
longos negros cabelos (batiam na cintura, até!),
com um corpo branco e magro de bailarina abandona-me e,
me enlouqueces:
não sei se tu és a figura diáfana,
que ao tentar tocá-la,
o vento foi mais rápido e a desfez.
Ou então, realmente,
não passei de um traço,
rabiscado por alguém num momento de insensatez,
traço que agora desaparece
ante um breve movimento
das tuas belas mãos.
Sempre tuas belas mãos.
Paulo Mello
Este poema foi inspirado numa composição de Mussorgsky chamada The Old Castle:
Mansa e silenciosa,
ela atravessa o salão da antiga construção.
Seus pés brancos e delicados, descalços,
praticamente não tocam o chão.
Sua cintura delgada, quadris largos e seios generosos
são ressaltados pelas transparências de suas vestes.
Os seios apontam na direção inequívoca da volúpia,
mas tudo isso num tom de encanto,
de magia.
Os cabelos muito negros e muito curtos, deixam
exposta a bela nuca, alvíssima e acetinada ,
e os olhos negros não deixam dúvida quanto
às suas intenções.
Ao primeiro beijo molhado,
já me encontro aos seus pés.
Paulo Mello
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
DOR E SOLIDÃO.
"Te amo mais que a minha própria vida, não se esqueça disso. Depois da despedida, o sono não vem e as noites não têm fim."
e. e. cummings
"moça, já que seu passo
é mais frágil que tudo,
que vive, que tudo que respira
na terra e no mar
porque teu corpo é mais novo.
um sonho (hábil que imita e interiramente que figura
você mesma um sonho hábil e inteiramente em movimento
com dedos, em sonho com pequenos seios empinados
e com pés) me toca
através do dia escassa e timidamente:
enquanto, junto a mim a noite longa e sobre
mim, sempre sinto mover súbita e profundamente
você tão feliz de estar viva
vocâ arroubo íntimo de coxas quentes
grossas, perfeitamente que me rouba; ou como o mar
que sábio rouba hábil e interamente a terra ignorante."
LUNAR, ESTA BELEZA - W.H.AUDEN
"Lunar, esta beleza
è primeva, inteira,
Não tem nunhuma história. Se a beleza mais tarde
Exibe algum traço,
Foi porque teve amante,
Já não é como antes.
Nisto, qual em sonho,
Vige um outro tempo,
Perdido se o dia
De tudo se apropria.
O tempo são centímetros
E mudanças de alma
que o espectro assumbrou,
Perdeu e desejou.
Mas isto, por certo,
Não foi coisa de espectro,
Nem espectro, ela finda,
Sentiu-se a gosto, ainda,
Enquanto persista,
Nem se chega amor
A tal doçura e a dor
Tampouco lhe vem dar
seu infinito olhar"
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
AOS QUE SONHAM
"Não se pode sonhar impunimente
um grande sonho pelo mundo afora,
porque o veneno humano não demora
em corrompê-lo na íntima semente...
Olhando no alto a árvore excelente,
que os frutos de ouro esplêndidos enflora,
o sonhador não vê, e até ignora
a cilada rasteira da serpente.
Queres sonhar? Defende-te em segredo,
e lembra, a cada instante e a cada dia,
o que sempre acontece e aconteceu."
R. L.
O texto acima parece que fala de nós
e das pessoas sórdidas que
existem em Pekenápolis.
Cidade pequena, com povo
de moral menor ainda.
SONETO
"Vieste tarde, meu amor. Começa
em mim caindo a neve devagar...
Morre o sol; o outono vem depressa
e o inverno finalmente há de chegar.
E se hoje andamos juntos, na promessa
de caminharmos toda vida a par,
daqui a pouco o teu amor tem pressa
e o meu, daqui a pouco, há de cansar.
Dentro em breve, por trás das velhas portas,
dando um ao outro só palavras mortas
que rolam mudas sobre as nossas vidas,
ouviremos, nas noites desoladas,
tu, a canção das vozes desejadas,
eu, o chorar das vozes esquecidas."
N. C.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Enquanto o sono não vem.
depois do que aconteceu, ele não virá.Teu corpo branco e magro
teus seios pequenos e róseos, que ao toque da minha lingua áspera
se transformam
me fascinam as tuas mão, brancas, de finos dedos longos.
Eu queria tanto te dizer, mas enrubesce fácil, você, menina.
Galatéia, preciso de você.
Nua e fresca como as noites na minha Toscana!
És o sopro suave
da brisa que acolhe
os meus amados girassóis
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
HERMANN HESSE
Lobo da Estepe
Lobo da estepe, vou trotando, trotando.
O mundo cobre-se todo de neve.
De uma bétula, sai voando um corvo;
mas em nenhum lugar se vê uma lebre,
não se vê uma gazela.
Com as gazelas sou tão delicado,
Ah, se uma aparecesse!
Tomá-la nas garras, nos dentes:
não há coisa mais linda.
Aos mansos, mostro o meu bom coração:
em seus tenros pernis enterraria suavemente os dentes.
e o sangue claro eu iria sorvendo até mais não poder
para ficar depois a noite inteira uivando em solidão
Uma lebre já me contentaria:
mornas carnes de gosto doce à noite.
- Mas será que de mim se esconde tudo
que torna a vida um pouco mais bonita....
Em minha cauda o pêlo já branqueia
e eu já não tenho a vista tão certeira;
faz anos que morreu-me a companheira.
Agora vou eu trotando e sonhando com gazelas,
vou eu trotando e sonhando com lebres,
ouvindo o vento a zunir na noite de inverno;
engulo neve, a ver se a goela se acalma,
e vou seguindo com o diabo na alma.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
HERMANN HESSE
Um dia coração, descansarás:
um dia morrerás a derradeira morte,
e te encaminharás para o silêncio
daquele sono profundo e sem sonhos.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
SONHOS
Nas poucas vezes que fecho os meus olhos
e me permito sonhar,
é contigo que sonho:
vejo-te pequena gazela arisca e delicada,
que se entrega a mim e,
na nossa volúpia de amantes,
percorremos juntos grandes distâncias
campos de sonhos, pradarias sem fim
nadamos em mares de azul profundo
voamos juntos por entre nuvens altas,
desenhando com elas as formas do nosso desejo,
sonho-te minha Menina
e sonhando-te assim, branca e pura,
elevo-te com as minhas mãos e
atravessamos paisagens nevadas
ou planícies desérticas,
lugares distantes
numa eterna aventura.
Para mim, os sonhos são muito belos,
pois neles me encontro junto a ti.
Sonhos.
São o que me restaram,
são os encantos da minha vida,
que se restringem a esses pequenos intervalos
oníricos, onde passo todo momento
tentando não acordar
pois estou de mãos entrelaçadas contigo!
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
HERMANN HESSE
O AMANTE
"Agora está teu amigo na calma noite acordado,
ainda morno de ti, ainda envolto em teu aroma,
em teu olhar e em teu cabelo e no teu beijo.
De ti, amada, eleva-se o meu sonho
alto como do mar o monte e o precipício,
salpicado em ressaca e esvaído na espuma,
e é sol, bicho, raiz,
só por estar contigo,
por estar junto a ti.
Saturno e Lua gravitam longe, e eu não vejo:
só vejo a pálida flor do teu rosto,
e em silêncio me rio e embriagado choro,
nem alegria nem tristeza existem mais
só tu, só tu e eu, imersos
no imenso Todo, no profundo mar
e dentro nos perdemos,
e aí morremos e aí renascemos."
HERMANN HESSE
EM ALGUM LUGAR
"No deserto da vida eu erro e ardo
a gemer sob o peso do meu fardo,
mas em algum lugar quase esquecidos
sei de frescos jardins em sombra e em flor.
Em algum lugar, nos confins do sonho,
sei que um abrigo vela
onde a alma volta a ter pátria
e estão à espera o sono, a noite e as estrelas."
Mãos
Acostumei as minhas mãos
a brincarem com
os teus longos cabelos negros.
Agora que partiste,
elas se encontram perdidas,
mal acostumadas que foram.
Não conseguem mais
sequer fazer um pequeno poema.
Elas sentem falta de ti.
Mas, distante,
noutro lado do oceano
Não me escutas, nem poderias fazê-lo!
Solitárias, as minhas mãos
sentem falta dos
teus cabelos longos e negros.
E o meu coração sente
a falta do teu.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
FERNANDO PESSOA
"No entardecer da terra
O sopro do longo outono
Amareleceu o chão.
Um vago vento erra,
Como um sonho mau num sono,
Na lívida solidão.
Soergue as folhas, e pousa
As folhas, e volve, e revolve,
E esvai-se inda outra vez.
Mas a folha não repousa,
e o vento lívido volve
E expira na lividez.
Eu já não sou quem era;
O que sonhei, morri-o;
E até do que hoje sou
Amanhã direi, Quem dera
Volver a sê-lo!... Mais frio
O vento vago voltou!"
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Tristeza
Tristeza
Na biblioteca de Jorge Luís borges, paira agora, uma tristeza.
Ela, delicada e gentil, dança Pavane, de Fauré, ensaia passos, de uma dança imaginária, que ninguém vê.
Ele, solilóquio canta uma canção que ninguém escuta.
A poeira da eternidade recai sobre ambos. Encobre a amizade que agoniza, solitária e incompreendida, por aqueles que têm a cobiça e a inveja.
Lá fora, porém, há o perfume de uma pequena flor.
Dá sinais de uma saída, uma chance de vida para ambos.
Mas os filisteus não dão trégua. Ambos fraquejam. A luta é muito intensa.
Ele pede ao Nosso Senhor que ponha um fim nessa agonia.
E dá adeus a tudo isso.
A pequena flor com o seu perfume agoniza.
Domage.
Ela continua ensaiando a sua dança,
seus gestos lentos hipnotizam
espectadores imaginários.
Cego pela dor, pela saudade,
ele parte.
Para onde, ele não sabe, exatamente.
Mas agora,
isso não mais lhe importa.
Nada mais lhe importa.
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