segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Boko Haram queima crianças vivas na Nigéria
VEJA
Boko HaramExtremistas do Boko Haram exibem suas armas na Nigéria(Jerome Delay/AP)
Um sobrevivente escondido em uma árvore afirmou neste domingo que viu extremistas do Boko Haram incendiarem cabanas e ouviu os gritos de crianças sendo queimadas até a morte na Nigéria. As crianças estão entre os 86 mortos no mais recente ataque do grupo. Dezenas de cadáveres e corpos carbonizados com marcas de balas foram jogados pelas ruas após o ataque neste sábado no vilarejo de Dalori e em dois campos próximos que abrigam 25.000 refugiados. O local fica há apenas cinco quilômetros de Maiduguri, maior cidade do nordeste da Nigéria e onde surgiu o Boko Haram.
O tiroteio, o incêndio e as explosões de três homens bomba continuaram por cerca de quatro horas na região, de acordo com o relato do sobrevivente Alamin Bakura. Ele afirmou que diversos membros da família foram mortos ou feridos. A violência continuou com três mulheres suicidas que explodiram bombas presas ao corpo perto de pessoas que tinham conseguido fugir para o vilarejo vizinho de Gamori, matando muitas pessoas, de acordo com um soldado no local que insistiu no anonimato porque não estava autorizado a falar com jornalistas.
Tropas chegaram a Falori por volta das 21h40 de sábado no horário local (por volta de 18h40 em Brasília), mas os autores do ataque estavam mais bem armados. Os extremistas do Boko Haram apenas se retiraram após a chegada de reforços com armas pesadas, disseram. Jornalistas visitaram o local hoje e ouviram sobreviventes que reclamam que houve demora para a chegada de ajuda. Eles dizem que temem outros ataques. Segundo o coordenador da Agência Nacional para Emergências, Mohammed Kanar, 86 corpos foram retirados neste domingo. Outras 62 pessoas estão sendo tratadas por queimaduras.
Land Rover Defender 4x4 deixa de ser fabricado após 68 anos

AFP
Último modelo do Land Rover Defender, 4x4 que deixa de ser fabricado após 68 anos
Último modelo do Land Rover Defender, 4x4 que deixa de ser fabricado após 68 anos
O último Land Rover Defender, o jipe 4x4 conhecido em todo o mundo que tem proprietários famosos como a rainha inglesa Elizabeth, saiu de produção nesta sexta-feira (29), 68 anos depois de começar a ser produzido.
Concebido originalmente para ser usado em fazendas e na agricultura, o jipe virou um ícone da indústria automobilística britânica e era popular entre celebridades como o músico Paul McCartney e o falecido ator Steve McQueen, tendo vendido 2 milhões de unidades desde 1948.
A montadora indiana Tata adquiriu as marcas britânicas Jaguar e Land Rover, ambas deficitárias, em 2008, e desde então modernizou e ampliou rapidamente a linha de luxo do Range Rover.
"Qualquer veículo convencional teria sido substituído muitas vezes durante o ciclo de vida do Defender", argumentou a porta-voz da Jaguar Land Rover.
"Agora temos a tecnologia, a engenharia pioneira e a excelência em design que precisamos para aprimorar o Defender".
São necessárias 56 horas para construir o carro, que é em grande parte feito à mão na fábrica da empresa em Solihull, no centro da Inglaterra, o que faz com que ele consuma mais tempo e fique mais caro do que muitos outros veículos com um grau maior de produção mecanizada.
Mas o automóvel offroad se tornou sinônimo da Grã-Bretanha graças a usuários como a monarca do país, que foi fotografada andando e acenando para o público na traseira do 4x4 ainda em 1957 em Hyde Park e durante uma visita a Melbourne em 1977.
A impossibilidade de adaptar o modelo aos novos parâmetros de segurança e de emissões de poluentes acabou com a produção do Defender, disponível em vários modelos.
"É a morte de um ícone", afirmou à BBC Simon Collins, do Clube Land Rover, uma associação de fãs da marca.

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by Joseph Kravis
Alaska Fjord Waterfall
Alaska Fjord Waterfall by Joseph Kravis

O patético fim de Lula
Houve, sim, um tempo em que Lula posava de vítima, e milhões de pessoas se compadeciam. Esse tempo acabou. A realidade é outra. Hoje, os pessimistas dizem: “Esse negócio do Lula não vai dar em nada outra vez, né?”. E os otimistas: “Acho que desta vez ele não escapa, né?”
Reinaldo Azevedo - VEJA
Onde quer que eu esteja, na rua ou à porta de um bar ou restaurante, quando saio pra fumar, as pessoas se aproximam e quase sempre fazem a mesma observação, em tom de desalento: “Esse negócio do Lula não vai dar em nada outra vez, né?”. Os mais otimistas arriscam: “Acho que desta vez ele não escapa, né?”. Nesse caso, não é necessário dizer o nome. Todo mundo sabe quem é “ele”.
Pois é… Ainda que Lula e seus advogados consigam encontrar uma explicação que possa ser abrigada pela lei para o imbróglio do tríplex no Guarujá, sobrou como a hipótese mais benigna para o “homem mais honesto do mundo” a versão de um político no qual ninguém mais confia.
E não deixa de ser irônico, já observei aqui, que o Lula que transitou e transita ainda em tão altas esferas tenha encontrado sua Waterloo num apartamento relativamente modesto, dada a fortuna que ele já amealhou. Só em palestras, como se sabe, faturou R$ 27 milhões.
A desconfiança dos brasileiros é justificada. Incrivelmente, Lula passou incólume pelo mensalão. Na sequência, veio o escândalo dos aloprados, com pessoas de sua inteira confiança metidas na lama. E nada! Agora, o petrolão. Delações premiadas o colocam no centro do escândalo envolvendo o grupo Schahin, o empréstimo de um dinheiro para o PT e um contrato bilionário para a operação de um navio-sonda da Petrobras. E nada de o Ministério Público pedir ao menos a abertura de inquérito.
No caso do apartamento, Lula só é formalmente investigado pelo Ministério Público Estadual. Na fase Triplo X da Lava Jato, a cobertura que seria sua está entre os alvos, mas, para todos os efeitos, não se está apurando nada sobre o petista. A esta altura, a situação é de tal sorte ridícula que pouco importa saber se Janot prevarica ou está sendo tático. A lei e as evidências não podem abrigar comportamentos ambíguos. Não há nenhuma razão inteligível para Lula não ser um alvo de investigação da Lava-Jato.
De todo modo, o fim!
Nem os adversários mais ferozes de Lula imaginavam que seu fim seria tão patético. Quando eu era menino, para citar o apóstolo Paulo, e trotskista, pensava como menino e via no sindicalista um contrarrevolucionário com um pé da demagogia.
No meu delírio infanto-juvenil, eu o enxergava como um elemento que atrasava a revolução. Quando deixei de ser menino, identifiquei no ex-sindicalista a peça de propaganda de um partido político com vocação totalitária, que instrumentalizava a imagem do operário para impor goela abaixo da sociedade um projeto de poder que não podia ser devidamente compreendido pelo povo.
Vejo a situação de Lula hoje, perseguido por imóveis mal explicados; flagrado em proximidade incômoda, para dizer pouco, com empreiteiras investigadas; a bater no peito e a brandir uma honestidade que, atendendo a suas tendências megalômanas, tem de ser a “maior do mundo”… Não deixa de ser melancólico.
Ou por outra: as duas leituras que tive de Lula, em tempos distintos, não deixavam de ser generosas, não é mesmo? Uma e outra, ainda que negativas para ele, emprestavam-lhe o papel de um agente político. Ainda que não fosse do agrado do garoto de extrema esquerda ou do adulto liberal, eu o inscrevia como personagem da história.
A justa indagação que hoje está nas ruas o coloca num lugar rebaixado, bem aquém da minha hostilidade generosa: as pessoas querem saber se Lula vai pagar por aquilo que consideram seus crimes de político comum, vulgar, que se organiza para se locupletar e se dar bem. É a Justiça que vai dar a palavra final a respeito. O que a gente pode dizer com certeza é que as narrativas a que o petista tem de recorrer para explicar o inexplicável já viraram motivo de chacota nacional.
A defesa de Lula já vai adaptando as versões às circunstâncias. Agora admite que a família visitou o tríplex acompanhado do presidente da OAS, Léo Pinheiro, convertido, então, em corretor de imóveis. Mas não mais do que isso. Também o sítio de Atibaia, reformado pela Odebrecht e pela OAS segundo os gostos do companheiro, não lhe pertence.
Marisa, no entanto, pagou com dinheiro do próprio bolso por um barco de alumínio para ser usado no lago da propriedade. Ora, convenham, o que é que tem? É muito comum a gente comprar equipamentos para propriedades alheias, certo? Por si, isso não prova nada. Prova apenas que Marisa é generosa.
O PT diz que vai se dedicar agora à defesa de Lula. Parece que a campanha eleitoral deste ano terá como alvo a tentativa de recompor a imagem daquele que segue sendo o poderoso chefão do partido, o mandatário inconteste, o senhor absoluto da legenda. Por incrível que pareça, ele só não conhece as falcatruas da organização. Quando se trata de explicar a bandalheira, ele se torna um estranho no petismo.
Houve, sim, um tempo em que Lula posava de vítima, e milhões de pessoas se compadeciam. Esse tempo acabou. A realidade é outra. Hoje, os pessimistas dizem: “Esse negócio do Lula não vai dar em nada outra vez, né?”. E os otimistas: “Acho que desta vez ele não escapa, né?”.
Notem que são avaliações distintas que, no entanto, têm um diagnóstico comum.
Lula está acabado.
O novo-rico ridículo com luxos de pequeno-burguês arrogante bancados pelo país que o farsante arruinou
Valentina de Botas - Blog do Augusto Nunes 
Atenção! Você, brasileiro médio, fica sem jeito por não entender o que é uma offshore? Encontra-se meio perdido quando a conversa trata de lobista, lobby e tal? A única coisa em que consegue pensar, no cotidiano de denúncias da roubalheira lulopetista, é que foi sempre assim? Disfarça que não compreende os nomes das fases da Lava Jato nem ela se chamar “a jato” durando quase dois anos? Tem patrimônio obtido com trabalho honesto e está em seu nome? Ora, seus problemas acabaram! Sim, agora, há um apartamento no rolo que o ajudará a entender que o jeca humilde é somente o álibi fajuto para que o jeca milionário leve uma vida de jeca milionário.
Mas, espere, não é só isso. Você também leva no lombo um sítio reformado e mantido pelos pagadores de propina! A humildade simulada foi útil e eficaz até ontem não só pelo fato de a grana vir de colossal roubalheira inédita, mas sobretudo porque nutria o mito de santidade protetor de um pecador miserável. Não é simples quem tem um tríplex, nem humilde quem se vale de um poder institucional para se favorecer pessoalmente porque isso é trapacear todos os brasileiros e se chama patrimonialismo; mais uma das doenças que sempre nos infelicitaram e que a súcia comandada pelo jeca agravou ou não triunfaria.
OK, o apartamento se chama tríplex, coisa não muito corriqueira para um brasileiro médio, mas continua sendo um apartamento com quarto, cozinha, sala e até um elevador privativo. Chique no último! Só que não: crime não é chique e é crime ocultar patrimônio, acusação que o Ministério Público faz ao jeca vitalizada pelas negativas vexaminosas de advogados e demais devotos. O fato de a OAS ter pagado tudo impõe a certeza: o tríplex de frente para aquele marzão besta tem vista para o petrolão.
Quem se escoraria numa figura dessas? Dilma Rousseff, o PT e a súcia inteira que buscou um projeto asqueroso pelo que foi bem paga. Também não é chique a arrogância da família em travar o elevador quando acompanhava as obras e a decoração, revoltando os outros moradores. Como presidente, a conduta seria outra demonstração da jequice no poder; sem ser presidente, ela demonstrou o poder da jequice. E aqui, a clareza solar do texto de J.R.Guzzo ilumina outro aspecto do retrocesso lá constatado: a crença mofada de uns poucos estarem acima de leis e regras a que nos submetemos na celebração do princípio que a todos iguala perante elas, e sem o qual a convivência civilizada se inviabiliza, também formata as relações cotidianas.
Esse mofo iguala gente autoritária de origem social diversa, convicta de que privilégios materiais ensejam os imateriais e que gentileza e respeito são obrigações de mão única; assim, considerar o direito alheio a destituiria da nobreza imaginária que, nobreza fosse, saberia mais conceder do que exigir. Para tristeza do jeca e dos devotos – nem elite, nem povo, mas apenas a escória – a Lava Jato desenha, para o tipo de brasileiro que Lula finge ser, o novo-rico ridículo com luxos de pequeno-burguês arrogante bancados pelo país que o farsante arruinou.
Marisa Letícia, a fábula
Mary Zaidan - Blog do Augusto Nunes
Protagonista de absurdos ─ dos canteiros em formato de estrela que mandou plantar nos jardins do Palácio da Alvorada e da Granja do Torto à requisição e obtenção de cidadania italiana para ela e a prole no segundo ano do primeiro mandato presidencial de seu marido ─, Marisa Letícia Lula da Silva volta à cena. E em grande estilo. Seria dela a opção de compra do tríplex frente ao mar no Guarujá, alvo de investigações do Ministério Público de São Paulo e da Lava Jato. O mesmo imóvel que já foi, era e nunca foi de Lula.
Idealizado pela Bancoop, cooperativa criada em 1996 pelos petistas ilustres Ricardo Berzoini, hoje ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, e João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, condenado a 15 anos e quatro meses pelo juiz Sérgio Moro, o tríplex apareceu na declaração do candidato Lula, em 2006, com um valor irrisório de R$ 47,6 mil. Referia-se a uma parcela do financiamento do Edifício Solaris, então na planta, em que outros petistas, incluindo Vaccari, tinham comprado apartamentos.
Até aí, o anormal era apenas o fato de a Bancoop lançar um empreendimento de alto luxo depois de já ter dado cano na praça, usurpando a poupança e os sonhos de mais de três mil cooperados. Algo que Lula, como sempre, alegará que não sabia.
A estapafúrdia história do tríplex não para aí.
Em 2010, a assessoria de Lula garantiu que o apartamento pertencia ao ex. Quatro anos depois, o Globo publicou reportagem sobre o Solaris apontando que o prédio tinha sido concluído enquanto os mutuários da Bancoop continuavam a chupar dedos. E que a unidade de Lula e sua mulher tinha recebido tratamento de alto luxo da OAS, empreiteira que assumiu o empreendimento: elevador interno, substituição de pisos e da piscina. Tudo supervisionado e aprovado por Marisa Letícia.
De repente, com as investigações esquentando, o frente ao mar do casal (ou de Lula, conforme declaração anterior) virou um negócio exclusivo de Marisa Letícia. Do qual, no papel de The good wife, ela desistiu.
Sabe-se hoje que as idas da ex-primeira-dama ao Solaris causavam frisson. Flores eram colocadas nas áreas comuns, todos ficavam sabendo quando ela chegava. Sabe-se ainda que o presidente da OAS, Leo Pinheiro, condenado pela Lava Jato a 15 anos de reclusão, esteve lá com ela em pelo menos uma das visitas.
E aqui vale a questão: o que faria o dono de uma das maiores empreiteiras do país acompanhar Marisa Letícia na vistoria de uma simples reforma de um apartamento se o imóvel não fosse do ex-primeiro-casal?
Mas há muitas outras perguntas sem respostas. Em um artigo didático, o jornalista Josias de Souza mostra a ausência absoluta de nexo nas explicações de Lula. Argumentos que não explicam, confundem.
Confundir. Talvez seja essa a ideia ou a única saída imaginada por Lula.
Sem conseguir dizer quanto pagou além dos R$ 47,6 mil declarados em 2006 ou apresentar recibos da desistência, com data e valores de reembolso exigidos, tudo que o Instituto Lula fala beira papo para engambelar otário. Nem mesmo a cota nominal para demonstrar que a opção de compra do apartamento foi mesmo de Marisa veio a público. São documentos simples, claros, objetivos. Mostrá-los livraria o Instituto Lula e o próprio ex de torturar os fatos.
Sem isso, resta a Lula, ao PT e aos militantes mais aguerridos atribuir tudo à perseguição histórica ao ex. Tudo – tríplex reformado pela OAS, sítio recauchutado pela Odebrecht, filho que recebe R$ 2,5 milhões por consultoria via Google, os “não sabia” do Mensalão, do escândalo da Petrobras e tantos outros – não passa de uma conspiração para “derreter Lula” e “destruir o PT”, como clama o presidente da sigla, Rui Falcão, no Facebook.
O conto do tríplex ainda vai longe. Mas de cara já se sabe: tem orelha de lobo, focinho de lobo, boca e dentes de lobo. Ninguém vai acreditar que é a vovozinha.
Dilma fez mal em não me ouvir há 11 meses. Que ouça agora e renuncie!
Em marco de 2015, propus que ela deixasse o PT, formasse um governo de coalizão e encaminhasse uma emenda parlamentarista. Só considerou a hipótese 9 meses depois, quando a vaca já tinha ido para o brejo
Reinaldo Azevedo - VEJA
Ai, ai…
Reportagem da Folha desta segunda informa que a presidente Dilma pensou em se licenciar no PT no fim do ano passado e propor a composição de um governo suprapartidário. Pois é… Já era tarde.
Eu tinha defendido esse ponto de vista aqui no blog num texto, atenção!, no dia 2 de março de 2015, muito antes. O link está aqui. O título era este: “Dilma tem de se livrar do PT, montar um gabinete de crise e impedir que o país mergulhe no caos. Não para preservar o seu mandato — isso se verá —, mas para impedir o pior”.
No texto, eu afirmava:
“O que proponho aqui não é um caminho para Dilma se livrar do impeachment — essa questão é, em primeiro lugar, jurídica e, em segundo, mas com igual peso, política —, mas para o país se livrar do caos. (…) Mas como é que se dá operacionalidade a um país que existe independentemente da cambada que o assalta? Uma recessão já estava contratada, pelas razões conhecidas, antes dessa desordem. O que estou dizendo é que é preciso achar um caminho, e ele existe, que leve a investigação às últimas consequências, que honre o devido processo legal, que meta na cadeia os culpados, mas que, de fato, não nos conduza ao abismo.
(…) a presidente tem de se dar conta do tamanho da crise, livrar-se da canga petista e evitar o pior. Não para preservar o seu mandato, mas para que os brasileiros sofram menos.”
Retomo
Apanhei de alguns bananas que não sabem fazer o “o” com o copo por ter feito essa proposta, que defendi também num vídeo gravado na Jovem Pan, no mesmo dia. Notem como as previsões dos economistas ainda eram otimistas, apesar de já trágicas (veja vídeo aqui).
http://jovempan.uol.com.br/videos/reinaldo-azevedo/prontofalei-dilma-deve-se-livrar-do-pt-e-impedir-que-pais-mergulhe-no-caos.html
E hoje?
E hoje? Será que essa saída é possível? Não mais! Agora é tarde. O destino infeliz de um país — e, portanto, de seu povo — pode, sim, ser função direta da hesitação ou da decisão errada de um governante.
Foi Dilma, e ninguém mais, que transformou o impeachment — ou, se quiserem ampliar as possibilidades: sua queda, sempre na forma da lei — na única saída razoável para o país. Não se trata de panaceia, e ninguém com um mínimo de responsabilidade e informação aposta que sobreviria o paraíso. Mas é certo que se romperia a paralisia.
Em março do ano passado, muito antes do agravamento da crise, Dilma poderia ter sacudido o statu quo, proposto um governo de coalizão, encaminhado uma emenda parlamentarista, o que serviria, adicionalmente, para deixar claro que o Executivo não se meteria nas investigações da Lava Jato. Em vez disso, ela se vê agora na contingência de ter ministros obrigados a se comportar como esbirros de Lula.
Lá nas bandas do Planalto, os doidos dizem que a situação está um pouco melhor porque o impeachment teria esfriado… Então, segundo o raciocínio que se faz aqui, tanto pior, porque a saída de Dilma é o único caminho para que se forme uma nova maioria que possa começar a tirar o país do buraco. Enquanto ela permanecer, o que permanece é o impasse.
Eu até brinquei à época que Dilma deveria me ouvir, já que não gosto do seu partido, não gosto do seu governo e não gosto do seu temperamento. Mais: não tinha e não tenho interesse nenhum a defender nem entre petistas nem entre seus adversários. Eu havia proposto que ela buscasse passar, para ser bíblico, pela porta estreita e, de quebra, encaminhasse uma proposta que ampliasse a democracia — como é o caso do parlamentarismo.
Agora a Inês já está enterrada. Se Dilma fica até o fim, como quer o olho gordo da magra Marina, o país vai indo espiral abaixo. O simples esfriamento circunstancial da tese do impeachment levou todos os agentes econômicos a rever para baixo suas expectativas.
Getúlio Vargas disse ter se matado por amor ao povo. Mentira, claro! Ele se matou porque era suicida. Ninguém cobraria essa enormidade de Dilma. Ainda há um caminho para ela minorar as agruras de milhões de brasileiros: a renúncia. Aliás, faço o pacote completo: ela encaminha uma emenda parlamentarista e promete renunciar tão logo seja aprovada. Só o PT e a extrema esquerda serão contrários.
E a gente se afasta do abismo.
Espero não estar certo de novo só daqui a… nove meses. Com o país no caos.
Lula trata os brasileiros como se fossem uns idiotas!
Em respeito à inteligência coletiva, recomenda-se a Lula que invente outra desculpa para a reforma do sítio de Atibaia
Ricardo Noblat - O Globo
Sem despesas pessoais, pelo menos, durante os 8 anos em que governou o país, e tendo recebido rios de dinheiros de empreiteiras para fazer palestras e, desconfia-se, lobby, nada mais natural do que Lula dispor de renda suficiente para comprar um tríplex com vista para o mar na praia do Guarujá, e reformar seu sítio em Atibaia, interior de São Paulo.
Homer Simpson (Foto: Arquivo Google) Mas não é disso que se trata. Trata-se do que existe de escandaloso, de imoral, de agressão à ética pública em se aceitar “agrados” de empreiteiras fornecedoras do governo.
Vejam que nem falo da suspeita de que as reformas do seu apartamento no Guarujá e do sítio em Atibaia serviram para que a OAS e a Odebrecht o remunerassem por fora.
Caberá ao Ministério Público e, mais tarde à Justiça, dizer se a suspeita tinha cabimento ou não.
Um homem público não pode aceitar regalos de quem quer que seja, muito menos de quem está sujeito aos efeitos de suas possíveis decisões.
É por isso que mesmo um presidente da República, ou principalmente ele, é proibido de receber presentes que excedam determinado valor.
A condição de ex-presidente ou de ex qualquer coisa que dependa do voto, não libera ninguém da obrigação de se comportar com sobriedade, bom senso, e respeito ao que manda a lei ou o consenso social.
Lula não é um ex-homem público. Continua sendo um homem público. E costuma apresentar-se como a “alma viva mais honesta” do país.
Ou, num surto de modéstia incontida, como uma das almas vivas mais honestas. De resto, como ele mesmo admite, ainda poderá ser candidato à presidência da República. Seria a sexta vez.
Só um idiota acreditará na história de que a OAS gastou mais de um milhão de reais para reformar um tríplex que poderia ou não vir a interessar a Lula.
Ela o reformou, sim, para atender às exigências do casal Lula da Silva, que só renunciou ao mimo porque a maracutaia acabou descoberta.
Quanto ao sítio, onde a Odebrecht gastou, pagando com dinheiro vivo, mais de R$ 500 mil: certamente Lula dirá que não lhe pertence. Que está registrado em nome de dois sócios de um dos seus filhos.
Isso significa que a Odebrecht gastou uma boa nota com um sítio de terceiros só porque o ex-presidente, de vez em quando, lá se hospeda.
Quanta generosidade! Quanto cinismo!
Em respeito à inteligência coletiva, recomenda-se a Lula que invente outra desculpa para a reforma do sítio de Atibaia. A do tríplex não colou.
Offshore alvo da Lava Jato é investigada pela Justiça de Nevada
A empresa Mossack Fonseca tem relação com dois argentinos acusados de desviar milhões de dólares em contratos com empresas estatais durante os governos dos ex-presidentes Kirchner
VEJA
A presidente da Argentina Cristina KirchnerDe acordo com a Justiça de Nevada, a ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner foi conivente com o esquema de corrupção em contratos com empresas estatais, que teve a participação da empresa Mossack Fonseca, durante seu governo(Juan Mabromata/AFP)
Alvo da mais recente fase da Operação Lava Jato, a companhia panamenha Mossack Fonseca é investigada pela Justiça do Estado americano de Nevada por sua relação com dois argentinos acusados de desviar milhões de dólares em contratos com empresas estatais durante os governos dos ex-presidentes Néstor e Cristina Kirchner. O caso foi iniciado em 2013 pelo NML Capital, um dos fundos chamados de "abutres" pela ex-mandatária argentina. O grupo não participou da reestruturação da dívida argentina realizada depois da crise de 2001 e iniciou uma busca de ativos ao redor do mundo para receber seu crédito de 1,7 bilhão de dólares.
"O NML demonstrou suspeita razoável para acreditar que os Kirchner e [Lázaro] Báez estão ou estavam em posse de ativos da Argentina e que Báez controla entidades em Nevada que possuem informações relativas a esses ativos", disse o juiz Cam Ferenbach em decisão proferida no dia 16 de março de 2015. As "entidades de Nevada" a que ele se refere são 150 empresas de fachada abertas pelo braço da Mossack Fonseca em Nevada, a M.F. Corporate Services. Todas têm o mesmo endereço e teriam sido estabelecidas para receber recursos desviados por Báez e Cristobal López com a conivência dos Kirchner.
Báez e López são empresários que prosperaram graças a contratos com o Estado durante a gestão dos dois ex-presidentes. A NML sustenta que o dinheiro foi "lavado" pelas empresas de fachada abertas pela M.F. Corporate em Nevada e foi à Justiça para receber informações sobre os recursos.
O esquema é parecido ao que teria sido utilizado na Petrobras. Na semana passada, o juiz federal Sergio Moro expediu mandados de busca e apreensão nos endereços da Mossack Fonseca em São Paulo. "No curso das investigações, foi constatado que diversos agentes envolvidos no esquema criminoso que vitimou a Petrobras teriam utilizado os serviços da empresa Mossack Fonseca & Corporate Services para abertura de empresas offshores, posteriormente utilizadas para ocultar e dissimular o produto do crime de corrupção", escreveu o magistrado na decisão.
O juiz americano Ferenbach manifestou posição semelhante: "A Mossack Fonseca & Co. é conhecida por incorporar empresas de fachada e lavar dinheiro".
A nova etapa da Lavo Jato, Triplo X, também investiga a suspeita de utilização do Condomínio Solaris, no Guarujá, litoral paulista, para o pagamento de suborno. Um dos imóveis, o 163B, é de propriedade de uma offshore aberta pela Mossack Fonseca, a Murray Holdings. Ele fica na torre vizinha ao do tríplex 164A, que a Polícia Federal investiga se é de propriedade do ex-presidente Lula.
"Nem todos os clientes da Mossack Fonseca são criminosos, mas se você é um criminoso, essa é uma das primeiras empresas com a qual falará", disse o jornalista americano Ken Silverstein, que investigou a empresa durante oito meses em 2014. "Eles são uma das principais firmas do mundo especializadas em abrir empresas de fachada para ajudar pessoas a esconder dinheiro e seus clientes incluem notórios gangsters, criminosos e ditadores."
Entre os que usaram os serviços da Mossack Fonseca, foram identificadas pessoas ligadas ao dirigente sírio Bashar Assad, ao ex-ditador líbio Muammar Gaddafi e ao presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe. "Todo mundo conhece a Mossack Fonseca no mundo da lavagem de dinheiro", afirmou o jornalista.
Offshores abertas pela Mossack eram usadas por campanhas eleitorais
Guilherme Amado - O Globo
A busca e apreensão na Mossack Fonseca vai revelar diversos pagamentos de campanhas políticas por meio de offshores, para marqueteiros, advogados e consultores de todo o tipo.
Collor gastou R$ 16,4 milhões em quatro anos com despesas de consumo, diz PF
Informação consta em um laudo da Polícia Federal, finalizado em 14 de janeiro, segundo jornal
VEJA
Reviravolta: de inimigo visceral do PT nos anos 90, Fernando Collor converteu-se em um de seus mais fieis aliadosO senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL)(Cristiano Mariz/VEJA)
O senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) realizou, entre 2011 e 2014, 6.762 empréstimos com sua empresa, a TV Gazeta de Alagoas, que totalizaram 31,1 milhões de reais. Desse total, 16,4 milhões de reais foram usados para pagar despesas de consumo, como contas de energia elétrica, água, telefone, TV por assinatura, passagens aéreas, funcionários, entre outros, conforme mostrou o jornal O Estado de S. Paulo nesta segunda-feira.
Os valores constam em um laudo da Polícia Federal, que foi finalizado em 14 de janeiro, para a Operação Politeia, um desdobramento da Lava Jato que investiga o envolvimento de Collor com esquema de corrupção na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. A estatal foi "reservada", a partir de 2009, ao senador Fernando Collor (PTB-AL) pelo então presidente Lula "em troca de apoio político à base governista no Congresso Nacional", afirmou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em denúncia protocolada no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado Vander Loubet (PT-MS). Segundo Janot, foi criada na BR Distribuidora, ao menos entre 2010 e 2014, "uma organização criminosa preordenada principalmente ao desvio de recursos públicos em proveito particular, à corrupção de agentes públicos e à lavagem de dinheiro".
Em horas de voos, foram pagos 140.250 reais, outros 30.874 reais foram destinados a viagens de turismo internacional, e 1.782 reais foram usados para pagar contas de energia elétrica em Campos do Jordão. Os investigadores também encontraram registros de três despesas que estavam como "Foto campanha FC 2010" ano em que Collor disputou, sem sucesso, a eleição para o governo de Alagoas, mas os valores não estavam anotados.
Os gastos de Collor com consumo são muito superiores à renda que ele declarou em todo o período, de 700.000 reais. No laudo, os investigadores destacaram, de acordo com o jornal, que o fato de Collor ter usado parte do dinheiro da TV Gazeta com despesas pessoais é relevante porque os valores não poderão ser recuperados, ao contrário do que ocorre com bens que poderiam ser readquiridos por meio de venda.
"A TV Gazeta, além de conceder empréstimos a Collor sem observar sua capacidade de pagamento, não se preocupou com o fato de que ele despendeu pelo menos metade dos recursos recebidos em consumo - e o fez com o conhecimento da empresa, pois ela registrava isso na sua contabilidade", escreveu a perícia.
Depósitos - Documentos apreendidos na TV Gazeta e em outras duas empresas das quais Collor é sócio mostraram que a empresa recebeu 9,6 milhões de reais em dinheiro vivo. Outros repasses também foram feitos sem qualquer relação com a atividade de Collor. Do montante, 523.000 reais foram depositados pelo doleiro Alberto Youssef, um dos principais delatores da Lava Jato, e Rafael Ângulo, que distribuía propina a mando do doleiro. Entre outubro de 2012 e janeiro de 2014, os dois fizeram dezessete depósitos.
Dos 9,6 milhões de reais que a TV Gazeta recebeu, 5,6 milhões de reais foram para Collor ou para sua mulher, Caroline. Desse total, 3,3 milhões de reais foram contabilizados pelas três empresas como sendo para abater uma suposta dívida do casal. Os investigadores descobriram, no entanto, que isso era uma operação simulada. "Em alguns casos, os depósitos foram transferidos imediatamente [de volta] para Collor."
Quando os idealistas se perdem
Clóvis Rossi - FSP
Olho para a foto de José Dirceu, na capa desta Folha no sábado, 30, cercado de policiais, ralos cabelos brancos, um esgar no rosto que parece um sorriso, ao ser conduzido para prestar depoimento ao juiz Sergio Moro. É réu.
Volto quase meio século no tempo e vejo, num canto da memória, José Dirceu trepado a um poste da rua Maria Antônia, arengando à multidão de estudantes que protestava contra a ditadura. Era um subversivo idealista.
Olho para a foto do sítio de Atibaia, reformado por empreiteira para o conforto de Luiz Inácio Lula da Silva, frequentador confesso, talvez proprietário oculto. Um luxo só.
Volto outro tanto no tempo e a memória fotografa o estadinho da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, em que um Lula desalinhado e rude arengava à massa de operários em greve, um tanto por melhores salários, outro tanto contra a ditadura. Era um herói popular.
Fico pensando, no meu canto, em que momento o subversivo idealista se tornou um "profiteur" das amizades com poderosos e ricos a ponto de se tornar réu.
Fico tentando descobrir igualmente em que momento o herói popular dedicou-se a enriquecer a ponto de ter de prestar sucessivos depoimentos sobre imóveis em que empreiteiras puseram mais que um dedo para deixá-los ao gosto do novo rico. Um amigo jornalista me conta que frequentou o antigo sítio de Lula, Los Fubangos, às margens da Billings: "Era fuleiro, pior que o meu".
Sei que os hidrófobos do antipetismo e do antilulismo dirão que não houve um momento de transformação. Eles sempre teriam sido assim, interessados apenas em arrumar-se na vida.
Não concordo. Se fossem desde sempre "profiteurs", não teriam arriscado a vida, um no combate à ditadura, outro na luta sindical, sempre áspera e mais ainda em épocas autoritárias.
É verdade que Lula, mesmo antes de ser presidente, acomodou-se ao bem-bom ao aceitar morar de graça em casa de seu amigo, o advogado Roberto Teixeira.
Aí, sim, com alguma condescendência, poder-se-ia admitir que se tratava de um mimo de amigo que, talvez, não embutia a necessidade de retribuição futura.
Agora, não. Todo o mundo —e não só no Brasil– está cansado de saber que os negócios das empreiteiras com o poder público são turvos, para dizer o mínimo. Quase 100% dos escândalos que envolvem políticos mundo afora envolvem também empreiteiras de obras públicas.
No caso específico de Dirceu, tornar-se consultor de Carlos Slim, o bilionário mexicano, é desprezar o fato de que fazer fortuna no México (como em quase toda a América Latina) não é um esporte isento de irregularidades, para dizer o menos.
Não há, até agora, provas conclusivas contra Lula (ao contrário do caso de Dirceu, já condenado no mensalão e, agora, preso pelo petrolão). Mas essa é uma ressalva de caráter puramente jurídico.
Do ponto de vista do comportamento republicano, a promiscuidade comprovada com empreiteiras é um crime que ninguém deveria cometer, menos ainda um antigo herói popular. 
Queda livre
FSP
O ano de 2015 marcou a chegada da crise econômica ao mercado de trabalho, até então resistente ao declínio da atividade industrial, dos investimentos produtivos e do consumo das famílias.
Já não resta dúvida de que a trajetória favorável de geração de renda e emprego observada, quase sem interrupções, de 2004 a 2014 se inverteu –e que a mudança deve ser duradoura e profunda.
Os dados da pesquisa mensal de emprego do IBGE (relativos às regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife) mostram que o desemprego atingiu 6,9% em dezembro, crescimento de 2,6 pontos percentuais em relação ao mesmo mês de 2014.
A perda de vagas é particularmente acelerada entre os trabalhadores com carteira assinada, como demonstrou o fechamento nacional de 1,5 milhão de postos apurado pelo cadastro do Ministério do Trabalho no ano passado. Enquanto isso, cresce a busca por ocupações informais ou por conta própria, mais precárias.
O aumento da desocupação mostra-se ainda mais cruel quando se analisa sua distribuição por faixas etárias. Entre homens e mulheres de 18 e 24 anos, a taxa saltou de 10,5%, em dezembro de 2014, para 16,5% ao final do ano passado.
Tais números refletem as dificuldades de jovens obrigados a procurar vagas no mercado, devido à fragilização do restante da família.
Em consequência da rara combinação de queda da atividade econômica e alta da inflação, a renda dos trabalhadores teve queda real de 3,7%, a maior da série estatística iniciada em 2002 –e a interrupção de uma escalada que impulsionou a maior parte da ascensão social da década passada.
No levantamento de emprego mais novo e abrangente do IBGE, que compreende cerca de 3.500 municípios em todo o país, a taxa de desemprego chegou aos 9% no trimestre de agosto a outubro. No mesmo período de 2014, os desocupados eram de 6,6% dos trabalhadores em busca de vagas.
Nessa pesquisa mais ampla, que se tornará a estatística oficial do país, o desemprego deverá ultrapassar os dois dígitos nos próximos meses, segundo se projeta.
Na dinâmica econômica, o mercado de trabalho demora muito mais que os demais (de moedas, juros, bens, serviços) a se ajustar a mudanças de tendência. As empresas têm custos para contratar e demitir e ajustam em primeiro lugar as horas trabalhadas e turnos antes de dispensar funcionários.
Entretanto, uma vez iniciado o processo, custa revertê-lo. 
Procuradoria dos EUA quer enquadrar a Petrobras como autora das roubalheiras da Lava-Jato
Lauro Jardim - O Globo
Dado Galdieri

Se dependesse da procuradoria dos EUA, a Petrobras seria enquadrada como autora das roubalheiras investigadas pela Lava-Jato — o que colocaria a estatal em posição mais do que delicada sob os pontos de vista penal e financeiro.
Aqui no Brasil, a Procuradoria-Geral da República põe a Petrobras como vítima das traquinagens.
Os procuradores brasileiros até topam ceder as provas encontradas no Brasil sobre os malfeitos na estatal, mas só compartilhariam as delações e outras evidências após determinar que trechos podem ou não ser usados em processos americanos — exatamente o procedimento adotado pelos EUA em relação a provas encontradas sobre corrupção em empresas americanas.
A medida seria, no entendimento da PGR, uma forma de proteger a Petrobras.
Para vender caças, lobista prometeu investimento em berço político de Lula
Pedro Ladeira/Folhapress
BRASILIA, DF, BRASIL, 08-06-2015, 18h00: Maquete em tamanho natural do caça Saab Gripen NG é visto na esplanada dos ministérios. A réplica do caça Sueco que foi comprado pelo governo brasileiro ficará exposta ao público no gramado da Esplanada dos Ministérios de quarta à domingo (10 a 14/06), num evento organizado pela FAB. O Brasil comprou 36 caças num valor total de US$ 5,4 bilhões (R$ 13,9 bilhões) e a previsão de entrega dos aviões é a partir de 2019. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
Maquete do caça Saab Gripen em exposição no gramado da Esplanada dos Ministérios
A promessa consta da minuta de carta, datada de agosto de 2012, apreendida pela PF em poder de Marcondes e tendo Lula como suposto destinatário –o ex-presidente negou, em depoimento à PF, ter recebido a comunicação.
Alguns dos requisitos do governo brasileiro para a escolha da empresa fornecedora dos caças eram a transferência de tecnologia e investimentos em território brasileiro. Além dos suecos, disputaram a fase final do processo uma empresa norte-americana, a Boeing, e outra francesa, a Dassault.
A Saab de fato foi a escolhida pelo governo, em outubro de 2014, na gestão de Dilma Rousseff. O negócio é estimado em US$ 5,4 bilhões.
Em outro papel apreendido, há o registro de uma tentativa de reunião com o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT-SP), para tratar do "centro de desenvolvimento de tecnologia da Saab".
Na carta que teria Lula como destinatário, Marcondes diz esperar que o ex-presidente compartilhe "nosso entusiasmo com o projeto Gripen NG". Marcondes pede que Lula estipule uma data para "conversar pessoalmente, caso considere viável".
Também solicita ao ex-presidente que, como "não tem a mesma liberdade com a presidente Dilma Rousseff", que a carta seja encaminhada "a quem considerar melhor".
NOVA UNIDADE
Em outubro passado, a empresa formada da união da Saab com uma brasileira confirmou que deverá abrir em São Bernardo, ainda no primeiro semestre deste ano, uma unidade relacionada à produção dos caças, com expectativa de contratação de 1.300 funcionários.
No mesmo inquérito derivado da Zelotes, a PF apreendeu outra minuta de carta, na qual Marcondes afirma ter "ligação" com Lula, conforme revelou "O Estado de S. Paulo". A Folha teve acesso ao documento, que não é datado e seria dirigido ao ex-presidente da Scania na América Latina, Sven Antonsson. O papel expressa o esforço de Marcondes para manter negócios com a Scania.
"(...)Tenho convicção que eu posso ajudar muito a empresa e o setor, em função da minha ligação com o Presidente da República, vários ministros de Estados e as instituições ligadas à indústria", escreveu Marcondes. Não há confirmação de que a carta tenha sido recebida pelo executivo.
OUTRO LADO
Em nota neste domingo (31), a assessoria do Instituto Lula informou que o ex-presidente "já respondeu tais questões", em depoimento à PF, acerca da minuta de carta elaborada pelo lobista Mauro Marcondes. Segundo o instituto, "não há porque [por que] comentar notícias requentadas".
Em depoimento à PF no último dia 6, Lula disse que "nunca" recebeu a carta escrita por Marcondes.
Indagado pela PF no último dia 7 sobre a minuta da carta, o lobista Mauro Marcondes exerceu o direito de permanecer em silêncio. Em entrevista à Folha em 2014, o prefeito Luiz Marinho confirmou ter atuado em benefício da Saab para obter investimentos no município.
A Folha não conseguiu localizar a assessorias da Saab e da Scania neste domingo.
Para salvar Lula, PT quer tentar tirar credibilidade da Lava-Jato
Sigla alegará que ex-presidente sofre ‘massacre’; aliados admitem desgaste
Fernanda Krakovics, Sérgio Roxo e Simone Iglesias - O Globo
RIO, SÃO PAULO E BRASÍLIA - Com a Operação Lava-Jato cada vez mais próxima do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT investirá em um discurso de vitimização de sua maior liderança, alegando que ele é alvo de um “massacre”. Apesar da estratégia, pessoas próximas do líder petista reconhecem que o desgaste é real e que ele terá dificuldade para atuar como cabo eleitoral nas eleições municipais deste ano como fez em 2012.
Os petistas apostam na radicalização para mobilizar sua militância e pretendem partir para o enfrentamento, afirmando que há seletividade nas investigações e no vazamento de informações. O objetivo é não só tentar tirar a credibilidade da Lava-Jato, mas também desgastar políticos da oposição que já foram citados.
Pressão para 2018
Apesar do cenário, cresce no PT a pressão para que Lula seja candidato à Presidência da República em 2018, com o argumento de que ele terá que defender seu nome e seu legado.
— Agora só tem um caminho, que é o Lula ser candidato. Ele pode estar desgastado agora, mas não o subestimem — afirmou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).
Para um petista que frequenta o Instituto Lula, o estrago da imagem do ex-presidente está em curso, mas ainda é cedo para avaliar o impacto que as denúncias terão na disputa presidencial de 2018.
— Se depois de todo esse noticiário, não se confirmar nada, ele se recupera e se fortalece. Agora, se alguma coisa grave aparecer ou for interpretada assim, é outra história. Tem que dar tempo ao tempo. A vaca foi brejo? Não. Ele perdeu popularidade? Perdeu, sem dúvida.
Esse aliado considera “um milagre” Lula ainda aparecer em torno dos 20% das intenções de voto nas pesquisas presidenciais.
Para outro petista próximo ao ex-presidente, Lula enfrentou na semana passada o ataque mais “cerrado” até agora:
— Quando você acusa muito uma pessoa, gera uma desconfiança. Cria uma atmosfera. Num primeiro momento, é fatal. O prestígio dele vai ser afetado. Vamos ver as próximas pesquisas. Não está fácil a vida para ele.
Esse impacto na popularidade deve fazer com que Lula tenha uma postura mais reservada na eleição deste ano. O partido já decidiu, por exemplo, tirar o ex-presidente dos comerciais que serão exibidos no mês que vem. Há quatro anos, Lula tomou a frente de campanhas para prefeito da legenda e, principalmente, ajudou a eleger o estreante Fernando Haddad em São Paulo.
Por outro lado, petistas próximos a Lula afirmam que o crescimento das denúncias contra o ex-presidente levará ao acirramento de ânimos da militância.
— Ninguém vai para a rua muito animado para defender a Dilma. Com Lula é bem diferente — disse um amigo.
O deputado Paulo Pimenta (PT-SP) lista as investigações contra o ex-presidente e sua família, além dos vazamentos de informação, para dizer que há “seletividade” nesse processo e cobrar o mesmo tratamento para políticos da oposição.
— Isso cada vez mais reforça um sentimento de seletividade na nossa base social, que nunca viu a imprensa investigar o Fernando Henrique (Cardoso), o Aécio (Neves), o (José) Serra — afirmou Pimenta.
A base do PT está se mobilizando para defender o ex-presidente. O argumento é que a intenção das investigações seria acabar com a possibilidade dele voltar a concorrer.
— Querem é colocar algemas no Lula e uma coisa ele não tem: medo. É bom o pessoal tomar cuidado para não o transformar em mártir — disse um amigo do ex-presidente.
Um ex-ministro avalia que o alvo da Lava-Jato sempre foi Lula.
— Querem acabar com o nosso projeto — afirmou ele .
Lula visitou tríplex
SÃO PAULO O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem, em nota divulgada pelo Instituto Lula, que visitou o tríplex no edifício Solaris, na praia das Astúrias, no Guarujá, apesar de ter negado novamente ser dono do imóvel. Na nota, o petista disse que esteve no apartamento, junto com o então presidente da construtora OAS, Léo Pinheiro, condenado na Lava-Jato a 16 anos pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A visita ocorreu um ano após a OAS concluir a construção do edifício.
A nota diz que Lula esteve uma única vez no edifício, embora, em depoimento ao Ministério Público estadual, o zelador do prédio, José Afonso Pinheiro, tenha afirmado que o ex-presidente foi ao local duas vezes. Na ocasião da visita, segundo o instituto, Lula e sua mulher, Marisa, avaliaram que o imóvel “não se adequava às necessidades e características da família, nas condições em que se encontrava”.
A nota do petista dá a entender que, depois da visita de Lula e de Marisa, a OAS decidiu fazer uma reforma no tríplex para adequá-lo às necessidades da família. O Instituto Lula diz que a família desistiu do apartamento, em 26 de novembro de 2015, porque, “mesmo tendo sido realizadas reformas e modificações no imóvel (que naturalmente seriam incorporadas ao valor final da compra), as notícias infundadas, boatos e ilações romperam a privacidade necessária ao uso familiar do apartamento”.
Em depoimento ao MP, o engenheiro Armando Dagre, da Talento Construtora, contratada pela OAS para fazer as reformas, disse que a obra custou R$ 777 mil. A obra incluiu a instalação de um elevador privativo. A assessoria do ex-presidente reconhece que Marisa e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do casal, estiveram na unidade durante a reforma, sem especificar quantas vezes. “Em nenhum momento Lula ou seus familiares utilizaram o apartamento para qualquer finalidade.”
“Escândalo a partir de invencionices”
O Instituto Lula afirmou na nota que os adversários do petista e a imprensa “tentam criar um escândalo a partir de invencionices”. A nota tem o título de “Os documentos do Guarujá: desmontando a farsa”, e o Instituto Lula volta a dizer que Lula está processando jornalistas do GLOBO, embora não informe que o ex-presidente perdeu em primeira instância. O Ministério Público de São Paulo investiga ocultação de patrimônio por parte do ex-presidente com relação ao imóvel, e a força-tarefa da Operação Lava-Jato põe o tríplex numa lista de 11 apartamentos suspeitos de terem sido usados para lavar dinheiro de contratos da Petrobras.
Na nota, Lula diz que, quando Marisa Letícia se associou à Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo), em 2005, escolheu um apartamento comum do prédio, e não o tríplex. No termo de adesão à Bancoop, divulgado junto com a nota, está escrito que o casal ficaria com a unidade 141 do edifício, um apartamento de três quartos. Essa unidade é padrão do prédio, com 82,5 metros quadrados, de acordo com o instituto (o trecho do documento enviado não dá detalhes do apartamento, limitando-se a dizer que o local tem três dormitórios).
O instituto acrescenta ainda que, até setembro de 2009, a família Lula investiu R$ 179.650,80 (R$ 286.479,32 em valores de hoje) no apartamento. Afirma também que, naquela época, a Bancoop passava por uma crise e transferiu empreendimentos para incorporadoras, entre elas a OAS. Quando a OAS assumiu o prédio do Guarujá, Marisa Letícia deixou de fazer os pagamentos mensais porque não recebeu mais boletos da Bancoop, e também não fez a adesão ao contrato com a nova incorporadora. Por isso, perdeu a reserva do 141.
Entre 2009 e 2014, pelo que diz a nota, a família de Lula não teria tentado receber de volta os R$ 179.650,80 que havia pago à Bancoop. Segundo o Instituto Lula, só em 2014, um ano depois de a obra ser concluída, o ex-presidente e a sua mulher visitaram, junto com Léo Pinheiro, uma unidade à venda no prédio. Essa unidade era o tríplex 164-A, de 215 metros quadrados.
Ainda na versão de Lula, a desistência do apartamento ocorreu em 26 de novembro de 2015, por causa das notícias sobre o imóvel. O documento de desistência assinado por Marisa e encaminhado pelo Instituto Lula tem a data de 2009, e os valores que o casal teria direito de receber de volta são os da época (sem correção pela inflação). Segundo o instituto, “como se trata de um formulário padrão, criado na ocasião em que os associados foram chamados a optar entre requerer a cota ou aderir ao contrato com a OAS (entre setembro e outubro de 2009), ao final do documento consta o ano de 2009”. O dinheiro ainda não começou a ser devolvido.
Lula também alega que não ocultou patrimônio, como acusa o promotor Cássio Conserino, um dos responsáveis pela investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, porque declarou, em seu Imposto de Renda, a “cota-parte” da Bancoop que possuía.
Lula perdeu em 1ª instância ação contra O GLOBO
Na nota divulgada ontem, o Instituto Lula volta a dizer que o ex-presidente está processando jornalistas do GLOBO por reportagem sobre o apartamento no Guarujá, mas não que perdeu a ação em 1ª instância. Ao julgar a ação improcedente, o juiz Mauro Nicolau Junior, da 48ª Vara Cível do Rio, expôs as contradições de Lula: “A conduta da assessoria de imprensa do autor se revela contraditória, ora afirmando ser o imóvel de propriedade do autor e de sua família, ora negando”.
O processo foi movido por Lula depois que o jornal mostrou, em 12 de agosto do ano passado, que um grupo empresarial recebera R$ 3,7 milhões da GFD — empresa usada para lavar dinheiro do doleiro Alberto Youssef — e repassou quase a mesma quantia para a construtora OAS, na finalização das obras do prédio no Guarujá. Lula sustentou que repórteres do GLOBO tiveram a intenção de atacar a sua honra ao publicar a reportagem.
Ao negar o pedido, em sentença de 14 de dezembro, o juiz entendeu que os jornalistas “não praticaram qualquer ato ilícito” e apenas exerceram o direito de liberdade de expressão. Por essa razão, julgou a ação improcedente e registrou que os fatos narrados pela reportagem são de interesse público. “É de notório conhecimento que o país vive momento histórico ímpar, iniciado pela ‘Operação Lava-Jato’, promovida por iniciativa de Polícia Federal e Ministério Público Federal, que busca deflagrar esquemas de corrupção em empresas públicas, e entre empreiteiras e agentes públicos. Qualquer fato que possa estar ligado a essa operação é de grande interesse público e merece ser noticiado”.
O magistrado também refutou alegação da defesa de Lula de que o apartamento não pertencia ao ex-presidente. Na ocasião, Lula disse que sua mulher, Marisa Letícia, possuía cota de participação da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) referente ao apartamento. Mas o juiz lembrou que, em 2010, a própria assessoria do Instituto Lula informou que o imóvel era do ex-presidente.
O juiz ressaltou que, se há investigações sobre o empreendimento, isso deve ser público. “Na hipótese de haver investigações criminais em curso sobre as obras do edifício em que o autor (Lula) seria proprietário de unidade, ou que sua esposa teria quotas conversíveis em unidade do edifício, tal fato não deve passar despercebido pela imprensa. Tem sim esta o direito, mais que isso, o dever, de noticiar tais fatos, desde que devidamente embasadas suas afirmações e apresentadas as versões dos envolvidos, o que é observado na matéria jornalística tratada neste processo.”
La Gourgue d'Asque, Hautes-Pyrénées, France by bireta
La Gourgue d'Asque, Hautes-Pyrénées, France by bireta
Ataque contra reduto xiita de Damasco azeda negociações em Genebra
Ana Fonseca Pereira - Público
Staffan de Mistura garantiu estar “optimista e determinado” em não desperdiçar a “ocasião histórica” de ter na mesma cidade representantes dos dois lados daquele que é o mais intricado e desestabilizador conflito da actualidade. Sob pressão dos aliados internacionais – alarmados com a expansão dos jihadistas e a crise dos refugiados –, o regime e oposição aceitaram enviar delegados à Suíça para o início de negociações que deveriam durar seis meses e terminar com um cessar-fogo e a constituição de um governo de transição. Mas no primeiro dia ficou sobretudo visível o fosso de hostilidade e desprezo que os separa e que transforma em miragem a concretização do plano internacional, validado por uma resolução da ONU.
E o atentado em Sayyidah Zaynab, cidade de 130 mil pessoas a Sul da capital, azedou ainda mais a já esperada troca de acusações. “Atingimos o mais importante bastião das milícias xiitas de Damasco”, reivindicou um grupo que difunde habitualmente propaganda do Estado Islâmico (EI), organização jihadista que, aproveitando o caos da guerra síria, se apoderou de um território que se estende até ao Norte do Iraque.
Ao final do dia, o balanço das explosões não era ainda definitivo. O Governo confirmou 45 mortos e mais de uma centena de feridos, adiantando que um carro armadilhado explodiu primeiro e, quando a população acorreu a socorrer as vítimas, dois suicidas detonarem os explosivos que traziam escondidos no corpo. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que recolhe informações de uma rede de activistas locais, fala em pelo menos 60 mortos, entre os quais 25 combatentes xiitas.
A localidade atacada deve o seu nome à mesquita que alberga o mausoléu de Sayyidah Zaynab, neta de Maomé e filha do imã Ali, considerado pelos xiismo como o legítimo sucessor do profeta. É o santuário xiita mais venerado da Síria, local a que milhares de peregrinos vindos de toda a região continuam a acorrer apesar da violência.
No início da guerra, há quase cinco anos, a cidade foi palco de intensos combates, mas o Exército sírio reconquistou a zona com o apoio das milícias xiitas, incluindo o Hezbollah libanês – foi para defender aquele mausoléu que muitos combatentes vindos do Irão, do Líbano ou do Afeganistão se voluntariaram, recorda a Reuters. Uma mobilização que garantiu a sobrevivência de Assad, membro da minoria alauita (um ramo do xiismo), num conflito que se foi tornando cada vez mais sectário – a oposição síria é maioritariamente sunita e milhares de estrangeiros combatem quer nas fileiras do Estado Islâmico quer dos grupos islamistas.
Este atentado “confirma o que Governo sírio tem dito uma e outra vez – existe uma ligação entre o terrorismo, aqueles que o patrocinam, e alguns dos grupos políticos que dizem lutar contra ele”, acusou Bashar al-Jaafari, embaixador da Síria na ONU e representante máximo de Damasco nas negociações, lançando a desconfiança sobre a delegação da oposição. “O povo sírio enfrenta terroristas. Australianos, uzebeques, tchetchenos que chegam de todo o mundo, entram nas nossas fronteiras e transformam-se em ‘oposição moderada’”, denunciou. Do Alto Comité de as Negociações (HCN), formado com o patrocínio da Arábia Saudita, foi excluído o EI e a Frente al-Nusra, braço da Al-Qaeda na Síria, mas fazem parte grupos salafistas e islamistas apoiados pelas monarquias árabes.
Mas mesmo sem as referências ao atentado, nada do que se ouviu em Genebra parece sustentar o optimismo proclamado por Mistura. Riad Hijab, coordenador do HNC, publicou um comunicado explicando que a oposição pode deixar a Suíça se não cessarem os ataques aéreos contra as localidades controladas pelos rebeldes e o regime não autorizar o envio de ajuda às localidades cercadas pelo Exército. Estas eram as duas condições que a oposição impôs para participar nas negociações e insiste que só voltou com a palavra atrás depois de ter recebido garantias da ONU e dos Estados Unidos de que a discussão da situação humanitária teria prioridade. “Não podemos começar a negociação [sobre a transição] política sem que haja progressos nestas áreas”, explicou Bassma Kodmani, delegada da oposição.
Tripla explosão perto de santuário xiita mata 45 na Síria
Fundamentalistas sunitas do Estado Islâmico assumiram a autoria dos ataques, que deixaram outras 110 pessoas feridas
VEJA
Destroços próximos ao santuário xiita de Sayeda Zeinab, ao sul de Damasco, na Síria,Destroços próximos ao santuário xiita de Sayeda Zeinab, ao sul de Damasco, na Síria, (LOUAI BESHARA/AFP)
Três explosões perto do santuário xiita de Sayeda Zeinab, ao sul de Damasco, na Síria, mataram pelo menos 60 pessoas e outras mais de 100 ficaram feridas neste domingo, segundo informações da agência oficial síria Sana. Fundamentalistas sunitas do Estado Islâmico assumiram a responsabilidade pelos ataques, de acordo com a Amaq, uma agência de notícias que apoia o grupo
A televisão estatal síria informou que as explosões teriam partido de um carro e dois homens-bomba que passavam pelo local. Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), o número de vítimas, que incluem muitos civis, já teria chegado a 47. O balanço ainda pode aumentar em razão do grande número de feridos em estado grave.
Uma fonte do Ministério do Interior disse que um grupo de militantes havia detonado um carro-bomba perto de uma garagem de transporte público na área do bairro Koua Sudan. Dois homens-bomba, então, detonaram seus explosivos perto de onde as pessoas estavam sendo resgatadas.
"Os corpos ainda estavam sendo retirados dos destroços", disse uma testemunha ao canal de notícias estatal Ekhbariya. O premiê sírio, Wael al-Halaki, afirmou que os ataques foram planejados por grupos terroristas que tentavam "levantar sua moral, após uma série de derrotas" para o exército. A Organização das Nações Unidas (ONU) disse que está se preparando para seis meses de negociações, primeiro buscando um cessar-fogo para, posteriormente, trabalhar em direção a uma solução política para a Síria.
A mesquita de Sayeda Zeinab abriga o mausoléu de uma das netas do profeta Maomé. Muitos peregrinos xiitas do Irã, Iraque, do Golfo e do Líbano visitam o local diariamente. Em fevereiro de 2015, a mesquita já havia sido alvo de um ataque suicida que matou quatro pessoas e feriu 13 em um posto de controle perto do santuário. No mesmo mês, uma explosão teve como alvo um ônibus de peregrinos xiitas libaneses que visitavam o local, matando pelo menos nove pessoas em um ataque reivindicado pela Frente Al-Nosra, o ramo sírio da Al-Qaeda.
Em dois anos desapareceram dez mil crianças à procura de asilo na Europa
Público
Menores podem ter sido capturados por redes de exploração sexual e trabalho forçado. Europol alerta para o crescimento de gangues europeus de tráfico de seres humanos

Criança em busca de asilo na Europa Reuters
Nos últimos dois anos despareceram pelo menos dez mil crianças que procuravam asilo na Europa sem família. É possível que muitas estejam agora nas mãos de redes europeias de tráfico de seres humanos, em crescimento desde o início da maior vaga de refugiados no continente desde a Segunda Guerra Mundial.
O alerta partiu da Europol. É a primeira vez que a polícia europeia tenta calcular o número de crianças em risco de entre as dezenas de milhares que chegaram nos últimos meses em busca de asilo. Segundo a Europol, ao longo do último ano e meio desenvolveram-se grandes e sofisticadas redes europeias de tráfico humano. Operam sobretudo em países como Alemanha ou Hungria – o primeiro é o destino mais popular para quem chega à Europa, e o segundo foi um dos principais pontos de passagem até meados do último ano. Nestes países já foram desmantelados vários gangues de exploração sexual e trabalho forçado de migrantes. Menores e adultos.
“Há prisões na Alemanha e Hungria em que a vasta maioria dos prisioneiros está lá por actividade criminosa relacionada com a crise dos migrantes”, alerta o director da Europol, Brian Donald, em entrevista ao semanário britânico The Observer – do grupo do diário The Guardian.
É difícil saber quantas crianças foram capturadas por redes como estas, ou até quantas estão ainda desaparecidas. O número redondo revelado este domingo representa os desaparecimentos confirmados por serviços de Estado: ou seja, de menores que se registaram num qualquer país como requerentes de asilo sem acompanhantes e que as autoridades não conseguem agora encontrar.
Algumas destas dez mil crianças podem ter seguido caminho ou encontrado os seus familiares, desaparecendo assim dos lugares onde foram registados. Mas é também possível haver mais do que dez mil menores desaparecidos na Europa. A Europol calcula que, só no último ano, 27% das chegadas tenham sido crianças – o que corresponde a 270 mil menores requerentes de asilo. Destas, a organização Save the Children diz que 26 mil chegaram sem família.
Nas palavras de Brian Donald : “Não é despropositado dizer que procuramos mais de dez mil crianças. Nem todas estarão a ser exploradas de forma criminosa. Não sabemos simplesmente onde é que elas estão, o que estão a fazer e com quem estão.”
“Quer se tenham registado ou não, estamos a falar de cerca de 270 mil crianças. Nem todas chegaram sozinhas, mas temos provas de que uma grande proporção possa realmente estar desacompanhada”, conclui.
Brian Donald é da opinião de que a estimativa de dez mil desaparecimentos é um cálculo conservador. A polícia europeia calcula que só de Itália tenham desaparecido já cinco mil crianças. E na Suécia, em Outubro, responsáveis da cidade de Trelleborg revelaram terem perdido o rasto a cerca de mil crianças que tinham dado entrada apenas um mês antes.
“Menores desacompanhados vindos de zonas de conflito são de longe a população mais vulnerável: [são] aqueles que chegam sem vigilância dos pais, enviados pela família para a Europa para assentarem e depois receberem a família, ou que então fugiram com outros familiares”, explica Mariyana Berket, da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).
À medida que a crise de refugiados progredia, a Europol começou a aperceber-se de um número crescente de redes de tráfico humano nas travessias pelo Mediterrâneo que eram já conhecidas há anos por funcionarem como gangues de exploração sexual e escravatura na Europa.
“Os [gangues] mais activos no tráfico humano estão agora a aparecer nos nossos ficheiros em casos de tráfico de migrantes”, explica Brian Donald. Segundo diz, há várias organizações humanitárias de apoio a requerentes de asilo nos Balcãs que pedem agora à Europol ajuda para compreenderem melhor as práticas de captura de menores para tráfico.
Brian Donald aconselha mais vigilância. “Estas crianças estão nas comunidades. Se são abusadas, é na própria comunidade. Não estão a ser levadas para o meio de florestas – embora suspeite que algumas o estejam a ser. São visíveis. Como população, devemos estar alerta.”