sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Vagos pensamentos, recordações doloridas

Só, assusto-me
Com a solidão que me foi imposta e que
Sou em grande parte responsável.
Pensei, então, que
Poderia drenar as
Minhas dores
Através dos versos,
Tolo!
Essa dor que sinto
Não pode ser vertida em palavras,
E foi tolice minha,
Imaginar que poderia encarcerá-la
Na jaula da poesia.
A memória, sua parceira na maldade,
Impede-me de fazê-lo.
Da minha menina,
Sorrio sozinho, toda vez
que lembro do sorriso dela;
Às vezes, me pego
Tentando captar o seu perfume
Habitante dos labirintos da minha memória;
Surpreendo-me,
esfregando as pontas dos dedos,
Tentando,
Ao menos resgatar, o pouco que fosse,
Daquela anatomia de felina
De corpo branco, magro e menina
Que deslizava pelos recôndítos espaços,
limitados
pelos nossos lençóis,
em completo desarranjo.
Enlouquecido, corro de um poema a outro
Sem saber se um dia,
ela irá voltar.

Pelo fruto se conhece a árvore

Muitos não entenderam o meu súbito interesse pela política da Taba.
A verdade é que tudo que é humano, me diz respeito.
Não quero que a Taba continue uma Taba e, se ninguém critica caciques & pajés, critico eu.
Noves fora, quero numerar aqui, uma série de argumentos para justificar o porquê da escolha desse HOMEM como meu candidato:
1) meu candidato É O ÚNICO vereador que NUNCA RECEBEU verba de gabinete (R$ 1,5 mil por mês).
2) meu candidato NUNCA FALTOU A UMA SESSÃO ORDINÁRIA.
3) meu candidato foi CONTRA O PAGAMENTO DE JETOM PELO COMPARECIMENTO dos vereadores às sessões extraordinárias.
4) meu candidato é o AUTOR DO PROJETO QUE ACABOU COM O VOTO SECRETO NA CÂMARA DOS VEREADORES.
Se continuasse a enumerar tudo aquilo que ele fez ou tentou fazer (mas foi impedido, por ser voto vencido), continuaria a escrever mais uma página inteira de feitos honrosos.
Creio que respondido está a questão, que deu margem a este texto.

Sermão aos peixes

Vem viver comigo, sê o meu amor
E os prazeres da paixão provaremos
De areias douradas e regatos de cristal
o rio correrá manso,murmurando, aquecido
Mais por teus olhos do que pelo sol;
os peixes enamorados suplicarão
a si próprios poder trair.
Quando nadares nua nesse banho de vida
Cada peixe que habita
esses regatos de águas translúcidas
Nadará, apaixonado, para ti,
Mais feliz por te apanhar, do que cair em teus braços.
Se, sendo vista assim, fores censurada,
por tua formosa nudez,
Pelo sol, ou pela Lua
com a tua beleza e alvura
a ambos eclipsarás;
E se eu puderes te contemplar nua,
Dispensarei as luzes,
Do sol e da lua,
tendo-te apenas a ti a me iluminar.
Que os traidores curiosos, com moscas de seda
Nada tenham a comemorar
Dos pobres peixes que se deixam fisgar.
Porque tu não precisas de tais artimanhas
Pois que tu própria és a tua própria isca,
E o peixe que não seja por ti apanhado,
Ah! é muito mais sensato do que eu.
Como me é dolorido pensar nisso,
Imobilizado ,
dentro do teu samburá!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Jeca's Land, também conhecida como Taba

No PRIMEIRO caderno do OESP de domingo passado, a Taba saiu em destaque, num mapa, página A27. A matéria reportava sobre cursos particulares no ensino superior. Na FSP, no mesmo domingo, no caderno MAIS!, estampado na primeira página, estava uma mátéria sobre a situação do cortador de cana e a canavicultura. Duas arapucas. Dar diploma superior a pés-rapados, não nos levará a nada, a maioria são iletrados, ignorantes com diploma. Nem a cana-de-açúcar com o seu trabalho escravo. O futuro do país não está na cana, soja, carne ou caju, como declarou o ignorante de plantão. Também não está em cursos como me referi acima, verdadeiros trombadinhas da educação! Está na educação e na formação de HOMENS e MULHERES, que tenham consciência da CIDADANIA, e queiram dar, ao menos, uma existência decente para seus filhos. Fora disso, é só olhar ao redor. A Taba virou um deserto de idéias e de HOMENS públicos,salvo RARAS exceções! O último que sair, apague a luz! É, voltei!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Oração II

Permito-me aborrecer-te, Senhor! Fazes comigo, bem sei, uma maldade! Importuno-te, novamente, com este assunto. Pai! Fazes-me sofrer! Não sei, realmente, o que queres de mim. O que Tu queres foge à minha compreensão! A minha menina linda, se declara, cálida, Apaixono-me por ela, Abandonei tudo! Coloquei-me totalmente em Vossas mãos.
Como ela desejou!
Permiti-me então, sonhá-la a minha menina, minha linda pantera. Mas depois, ela nem mais se dirige a mim! Deste-me um favo, Mas do mel só tenho recordações! Senhor! Sofro!
Ou dá-me este amor verdadeiro,
ou deixa-me partir, para junto de Vós.
O MUNDO sem ela, perdeu a graça.
Ao menos para mim.

Otto Maria Carpeaux

Está sendo reeditada no Brasil, um monumento da inteligência, da cultura, da boa educação, enfim, o que falta a um país que tem um presidente, que se orgulha de não ter estudado (mas também, não passa de um projeto inacabado de ser humano!), HISTÓRIA DA LITERATURA OCIDENTAL.
Eu mesmo não possuía tal obra. Adquiri. Está nas minhas mãos. Tem mais de 2.500 páginas.
Adoro Carpeaux. Deu cultura a esse país selvagem que é o Brasil. Li, quando garoto, em bibliotecas públicas. Essencial. Dele, leia também Ensaios Reunidos vol. 01. "As cinzas do purgatório" é uma lição intelectual que não se aprende nas escolas! Mas que carregamos conosco pelo resto das nossas vidas!

domingo, 24 de agosto de 2008

Enlouqueci ou nós estamos ficando mais estúpidos?

Depois da declaração do Paulo Maluf se comparando a JESUS, dizendo que ele quer salvar a cidade de São Paulo e não deixam, realmente, vivemos num mundo surreal. Um quadro de Salvador Dali depois de uma ressaca, talvez! Nem D. Quixote nos seus delírios mais loucos, poderia cometer tal insensatez. TODOS sabem quem é Paulo Maluf, de passado funesto ligado à denúncias de corrupcão, processos, contas no exterior. Tem os seus eleitores cativos. Mas quem viveu o seu período de governo, e tem o mínimo de discernimento, vomita. É uma heresia,a sua analogia.
Aqui em Jeca's Land, a coisa não é melhor! Votarei apenas em vereador, porque o meu candidato se mostrou íntegro e não se corrompeu como a maioria corrompida. Não o conheço, acompanho os seus trabalhos, mas conheço a educação que deu à sua filha, minha aluna, uma fonte de integridade e honestidade.
Nunca fruto sadio e íntegro teve origem numa árvore degenerada.
Um HOMEM assim, jamais se misturará à escumalha que grassa o nosso legislativo.
Eis os motivos para que eu compareça às próximas eleições.

Fragmentos de um Evangelho apócrifo

"3. Desventurado o pobre de espírito, porque sob a terra será o que agora é na terra.
5. Ditosos os que sabem que o sofrimento não é uma coroa de glória.
6. Não basta ser o último para alguma vez ser o primeiro.
11. Bem-aventurados os misericordiosos, porque sua felicidade está no exercício da misericórdia e não na esperança de um prêmio.
12. Bem-aventurados os de puro coração, porque vêem Deus.
13. Bem-aventurados os que padecem de perseguição por causa da justiça, porque lhes importa mais a justiça que seu destino humano.
19. Não odieis teu inimigo, porque, se o fazes, és de alguma seu escravo. Teu ódio nunca será melhor que a tua paz."
JORGE LUIS BORGES

sábado, 23 de agosto de 2008

Oração

Ah, Senhor!
Foste muito cruel quando colocaste a menina na palma de minha mão!
Senhor!
Percebeste o quão velho sou!
Tu bem sabes!
Penso, então, que a única possibilidade é acreditar que Tu testas o meu caráter.
Sou, então testado como Jó o foi.
Mas, Senhor, sou fraco!
Miseravelmente fraco!
Ardo em febre, não consigo dormir, não me concentro em nada!
Minha voz sumiu!
Dizem que estou a variar!
A minha menina é muito linda!
Linda a não mais poder!
Senhor!
Ela é delicada,
esguia,
pequena flor
de perfume suave,
mãos finas,
voz sussurrante,
ela é feliz, ajuda as pessoas, é amiga,
e sobretudo, inocente.
E me deseja!
Tu bem sabes que
deitei-me com ela!
E, depois, não desejo mais deitar-me com ninguém!
Mas,
Senhor!
Tu também sabes que ela inicia a vida!
E, eu combati em Vosso Nome, várias batalhas!
As cicatrizes são evidentes.
Trago-as comigo.
Ilumine-me, Senhor!
Eu vos peço!
Peço tão pouco, que creio, ao menos,
pouparás a minha menina amada
desse sofrimento.

O Sinistro do Meio Ambiente

Quando o atual sinistro do meio ambiente, Carlos Minc tomou posse, eu disse para os meus alunos: - Ele tem um passado mais sinistro ainda, como guerrilheiro, durante a ditadura militar.
Citei alguns livros que dariam maiores informações a quem se interessasse pelo assunto. Só.
Não vi ninguém da grande imprensa abordar o tema com a seriedade necessária.
Agora, quando ele começa a fazer acordos com proprietários, e acomodar interesses, surgem as primeiras críticas.
Seu passado como membro integrante do Comando de Libertação Nacional vem à tona:
31/03/1969 - assalto ao Banco Andrade Arnaud (roubo de Cr$ 45.000.000,00 e morte de Manoel da Silva Dutra, comerciante).
18/07/1969 - assalto à residência de Anna Benchimol Capriglione (roubo de US$ 2.864.000,00).
Entre 1970/71 - curso de guerrilha em Cuba
É, meu amigo, diga-me com tu andas que eu te direi quem és! Governinho sinistro, esse!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Fragmentos de um discurso amoroso

Quer que me comportes, domando a minha libido.
Então, recebo uma carta, envelope pardo, sem remetente. Abro, e para minha perplexidade, é uma foto tua, naquele vestido vermelho que eu te dei. Deus! Meu corpo, em chamas, vai ao encontro do teu. A minha alma já entregou os pontos, já se deu por vencida! Cansou de evitar o inevitável! Busco-te pelos aposentos da casa triste. De súbito, abro a tua porta sem bater. Estás ali, cálida, à espera. Tomo-te em meus braços, seguro-te com força, crava as tuas unhas, poderosas armas, em meu peito e diz-me sem forças ou convicção, que me odeia profundamente, esboça algo que não teve continuidade. Calei-te com o meu beijo, e a tua língua áspera logo escrava do desejo, procurou a minha. Assim, de forma simples, sem suspiros, promessas e ruídos, com roupas jazendo, quedas no chão, estávamos ali. A minha língua desceu sedenta, rodeou o teu pecoço cor de marfim e chegou a tua nuca, desesperada por estímulos, a tua pele arrepiou, rocei os meus dentes em teus mamilos entumescidos, após longo caminho, cheguei ao teu ventre liso e matei minha sede em teus povoados pequenos. Nos amamos, num furor que nos devorou, mas depois, mesmo exaustos, teu corpo suado, branco e magro arfava, teus seios rosados, da medida da palma de minha mão, ainda estavam tesos, apontavam para o ceu azul deste inverno sem nuvens. Ainda com as mãos entrelaçadas, tranqüilos, olhamos os nossos olhos brilhando de desejo, com pena dos amantes ainda não iniciados.
Paulo Mello

NOVALIS - Lições

"Quem não é capaz de fazer um poema, também só o julgará negativamente. A genuína crítica requer a aptidão de produzir por si o mesmo produto a ser criticado. O gosto por si só julga apenas negativamente.
Todo poeta tem de ser um indivíduo vivente, Que inesgotável quantidade de materiais para combinações individuais não existe ao redor! Quem uma vez advinhou esse segredo - esse não necessita de mais nada, a não ser a decisão de renunciar à infinita multiplicidade e a seu mero gozo e de em alguma parte começar.
O gênio em geral é poético. Onde o gênio atuou - atuou poeticamente. O homem genuinamente moral è poeta."

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Promessa a uma menina-flor

Depois de postar dois monumentos da arte de amar, deixo aqui o humilde testemunho do meu amor por uma bela menina, cujo caminho um dia cruzou o meu, e, num átimo de segundo, os nossos olhos se encontraram e ela casta abaixou os seus, e enrubesceu (enrubesce fácil, até hoje, a minha menina). Ali estava a motivação da minha "Vita Nuova", que se renova com mais força, a cada instante de vida.
Uma flor selvagem, à espera de alguém que a veja, sinta o seu frescor de juventude e a admire como deve ser admirada. Uma pedra bruta à espera de um lapidador à altura do seu esplendor de diamante.
Uma menina, simples, de sorriso doce e meigo que estava então à espera, para consertar o meu coração em pedaços.
"Continuo te amando, incondicionalmente,
mesmo que digas o contrário,
teus olhos me desejam e tuas mãos brancas e delicadas,
tocam com os teus dedos finos e longos,
o meu corpo desejoso do teu.
Sinto ao me aproximar de ti, o cheiro do teu corpo
prenhe de sentimentos.
Mas o amor, como toda coisa gostosa e doída,
tem os seus percalços.
A distância, as águas inquietas do oceano da vida,
os náufragos que teimam
em se agarrar a nós sobreviventes.
E , piedosos, deixamo-nos agarrar e
nos debatemos para não ir ao fundo.
"Ah!, eu me agarrava a ela porque não tinha mais ninguém..."
Sim, nos dispomos a recolher os destroços de naufrágios alheios.
Claro, salvaremos esses náufragos que se agarraram a nós
numa época distante,
de distantes mares e lugares além do nosso conhecimento.
Mas como uma fruta, o nosso querer,
se tranforma a cada intante
de estio, em uma fruta madura.
Agora, é amor, puro, doce e desprovido de qualquer outra intenção.
Disposto a tão somente a amar.
Amor sensual, de toques, beijos, suspiros,suores e desejos.
Amor fraternal, de amigo, irmão, de preocupação um com o outro.
Esse amor se completará e, maduro, será no devido tempo, colhido por nós.
Numa conunhão de almas que se entrelaçaram há muito tempo.
Sua semente,
plantada no ventre liso e fértil, gerará novas árvores, sentimentos e frutos
e o ciclo se tornará eterno.
Como prometi hoje,
olhando nos teus doces olhos de menina-flor,
deixarei aqui, de cantar o nosso amor.
Salve os teus náufragos.
Quedo, estarei sempre próximo de ti,
ao primeiro sinal teu,
estenderei a minha mão e
te salvarei de se afogar no oceano do meu desejo."
Paulo Mello
PS.: escrevi este filhote de pensamento, hoje, no vazio que existe entre as aulas e períodos letivos.
Espero não te decepcionar tanto. Mas o sentimento falou mais alto.

O carteiro e o poeta

Há muito tempo, existia uma criatura ranzinza, que se parecia comigo (então, devia ser feia como o diabo!) e tinha o meu nome. Num belo dia, viu um filme singelo, tocante, pungente, até. Nele, um trecho da vida de Pablo Neruda ("O Poeta do Amor") era contado. Misturando imaginação e poesia, o filme não saiu da memória da triste criatura. Como Deus, após deixá-lo anos na solidão do mais cruel dos desertos, se apiedou dele,deu-lhe uma nova chance! Rapidamente, como um raio inesperado num céu de estrelas, ele se transformou: despiu-se da tristeza, deu adeus a tudo o mais e passou a dedicar-se a uma única coisa: a amar! Sua memória fotográfica foi capaz de postar esse belo poema do poeta maior, que veio do Chile adoçar os nossos corações! "Desnuda és tão simples como uma das tuas mãos, lisa, terrestre, mínima, redonda, transparente, tens linhas de lua, caminhos de maçãs, desnuda és delgada como o trigo desnudo. Desnuda, és azul como a noite em Cuba, tens trepadeiras e estrelas nos cabelos. Desnuda és enorme e amarela como o verão numa igreja de ouropel." Hoje, ele fica ressabiado e pensa se o poeta conheceu um dia a sua amada...

Holderlin

Como a poesia é sábia! Gosto muito dela. Lamento o sumiço momentâneo dos textos de política e de filosofia, como hoje me foi raclamado. Mas, como posso dizer sobre isso, se meu coração grita, galopa, palpita, pula, sacode e canta apenas o nome dela!
Holderlin, poeta germânico (1770/1843), escreveu o belo poema abaixo, que eu, no entusiasmo da minha "Vita Nuova", deixo-lhe com um sorriso!
"Ainda em mim retorna a doce primavera, Ainda o alegre coração não envelhece, Ainda ao olho meu do amor o orvalho vela, Ainda a espera de prazer e dor me aquece. Ainda em mim confia com mais doce agrado O firmamento azul e o verde da planura, E me oferece a taça da alegria a diva, A sempre amiga e jovilíssima Natura. Confia, que esta vida vale as próprias penas, O tanto quanto Deus nos ilumine pobres, E pairem n'alma imagem de melhores cenas, E assim, com nosso olhar o olhar do amigo, ah, chore."

O "jeitinho" brasileiro

O jornal OESP, na edição de domingo passado, 17/08/2008, trouxe, no caderno Aliás, uma matéria interessante. O brasileiro (esse ser amorfo e movediço) condena duramente a corrupçãp pública, mas é tolerante quando ele próprio negocia o jeitinho. Essa matéria, me lembrou algo como o fundamento filosófico/político de uma nação. Se a maior parte do povo pensa dessa maneira, ele age de maneira igual. Sendo assim, NUNCA, vamos moralizar esse cortiço que atende pelo nome Brasil. Creedo! Se pensar assim, deixo amanhã mesmo de lecionar. Prefiro acreditar que foi erro de impressão na hora de fazer o jornal!

O cavaleiro, a menina e o amor

A delicada flor de madressilva veio de longe,com a sua delicadeza e perfume característico, se aconchegou e fez ninho em meus braços, atraiu as pequenas borboletas que pousam seus dedos finos e brancos, brinca com elas, como uma menina brincaria. Surpreso com tal aventura, soprei a poeira do tempo de meus olhos, arranquei as teias do passado que cobriam o meu coração que já não mais podia amar. Tinha desaprendido. Agora, a luz dos olhos dela reflete a vida nos meus. É luz da minha alma, que ilumina o meu caminho com a sua retidão e graça. Hoje, meu coração luzidio galopa seguindo o pulsar do seu coração de menina, e, vivemos no mesmo ritmo. Eu cavaleiro de muitas batalhas ela pequena flor virginal. Carrego-a comigo por todos os caminhos onde me é dado a combater. Nada mais pode nos vencer. Agora, somos invencíveis, como os deuses que um dia habitaram a mais alta das civilizações.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Amo uma menina

Ah! como é bom ser querido e ao mesmo tempo amar!
A janela do tempo retrocedeu e voltei à adolescência. Amo, puro, desprovido de pecados e aflições! E ela me ama também! Carrego-lhe, muito cuidadoso, na palma da minha mão. Ela é linda, muito delicada. Com seu corpo branco,seios rosados, ventre liso e delgado é a magnum opus da humanidade! Merece todo o meu amor e carinho. O sacrifício da minha vida, estou disposto. Inevitável pensar em Deus que me concedeu esse amor na vita nuova. Um Novo Recomeço. Sinto a felicidade roçar a minha pele. Tenho medo de despertar de um sonho, mas ela diz, com seu perfume, com a sua presença, o seu sorriso, que é real. Quase choro de alegria e satisfação!
Ela me ama! Ela me ama!
NADA poderia ser melhor! Amanhã será um belo dia!

sábado, 16 de agosto de 2008

FILOSOFIA - Nietzsche

"Instinto de rebanho. - Onde quer que deparemos com uma moral, encontramos uma avaliação e hierarquização dos impulsos e atos humanos. Tais avaliações e hierarquizações sempre constituem expressão das necessidades de uma comunidade, de um rebanho: aquilo que beneficia este em primeiro lugar - e em segundo e terceiro - é igualmente o critério máximo quanto ao valor de cada indivíduo. Com a moral o indivíduo é levado a ser função do rebanho e a se conferir valor apenas enquanto função. Dado que as condições para a preservação de uma comunidade eram muito diferentes daquelas de uma outra comunidade, houve morais bastante diferentes; e, tendo em vista futuras remodelações essenciais dos rebanhos e comunidades, pode-se profetizar que ainda aparecerão morais muito divergentes. Moralidade é o instinto de rebanho do indivíduo."
A Gaia Ciência - Capítulo III, aforismo nº 116

EM BRUXELAS ENCONTREI MINHA GALATÉIA

Sob o domínio de Morpheus, fui procurá-la em terras distantes. Atravessei tempestades oceânicas e terras estranhas, mas finalmente cheguei ao meu objetivo: a terra de valões e flamengos - a Bélgica. Marcamos um encontro no Manneken Pis (que os valões chamam de Petit Julien), uma estátua de bronze de um menino fazendo xixi. A noite estava começando, mas permanecia claro como se fosse dia. Quando ela chegou, com o seu perfume de menina e sorriso maroto de quem fez arte, trajava um jeans comum desbotado em algumas partes, com uma camisa esvoaçante, sensualmente decotada! Calçava tênis dourado, de lona, cano curto.
Seus cabelos bem cuidados realçavam a magreza e a brancura do seu corpo. Logo os seus olhos brilharam, indicando a direção a seguir. Fomos abraçados em meio a uma multidão, anônimos e felizes. Andamos pouco e chegamos a um lugar chamado Délirium Café, numa rua de nome curioso: Impasse de la Fidelité. Conversamos muito, sobre todos os assuntos, nossas mãos tocavam discretamente os nossos corpos, saciando a saudade que tinham de nossas impressões
físicas. Beijamo-nos, namoramos, dissemos um para outro pequenos segredos sem importância, juramos coisas impossíveis, mas a felicidade nos intoxicava. Depois de passadas algumas horas (perdi a noção do tempo), nos levantamos um tanto alegres demais e tomamos o rumo do próximo bar. Quis o destino que ele se chamasse A La Mort Subite, e o nome da rua lembrava o de um filósofo: Montagne aux Herbes Potagères. Lugar muito bonito, decorado com espelhos e colunas art-déco. Mais cervejas, misturadas a promessas de amor, de eternidade. De repente, justamente quando ela dizia o quanto me amava, Morpheus abandonou-me miseravelmente. Sentei-me na cama, bêbado com as cervejas do sonho e pensei: um bar não deveria se chamar assim.