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sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Dilma, a Priscila do Deserto Moral
Reinaldo Azevedo - VEJA
(…)
Reinaldo Azevedo - VEJA
Leiam trecho da minha coluna na Folha desta sexta.
*
Em Kakânia, o país imaginário de Musil em “O Homem Sem Qualidades”, podia-se, às vezes, tomar um “gênio por um patife”, mas “nunca se tomava um patife por um gênio”. Dia desses, um dublê de colunista político e cortesão resolveu me ironizar porque afirmei que o país sai das urnas “dividido, rachado ao meio”. As esquerdas, que produziram vasta literatura sobre a indústria eleitoreira da miséria, agora pretendem negar as suas próprias constatações. O Nordeste servia como emblema dessa relação quando o quase extinto PFL dava as cartas na região. Hoje, apontar o óbvio seria sinal de preconceito e demofobia. Em Banânia, não apenas se tomam gênios como patifes, mas também patifes como gênios.
*
Em Kakânia, o país imaginário de Musil em “O Homem Sem Qualidades”, podia-se, às vezes, tomar um “gênio por um patife”, mas “nunca se tomava um patife por um gênio”. Dia desses, um dublê de colunista político e cortesão resolveu me ironizar porque afirmei que o país sai das urnas “dividido, rachado ao meio”. As esquerdas, que produziram vasta literatura sobre a indústria eleitoreira da miséria, agora pretendem negar as suas próprias constatações. O Nordeste servia como emblema dessa relação quando o quase extinto PFL dava as cartas na região. Hoje, apontar o óbvio seria sinal de preconceito e demofobia. Em Banânia, não apenas se tomam gênios como patifes, mas também patifes como gênios.
Vejam os
15 Estados em que Dilma venceu no segundo turno, o seu percentual de
votos (primeiro número) e o percentual de famílias atendidas pelo Bolsa
Família (segundo número). Os dados são do TSE (desprezei os algarismos
depois da vírgula) e do Ministério do Desenvolvimento Social (setembro
de 2014). Maranhão (78-58), Piauí (78-54), Ceará (76-47), Bahia (70-47),
Pernambuco (70-47), Rio Grande do Norte (69-40), Sergipe (67-49),
Paraíba (64-50), Amazonas (64-43), Alagoas (63-53), Amapá (61-33),
Tocantins (59-38), Pará (57-46), Rio de Janeiro (54-17) e Minas (52-21).
Agora
seguem os Estados em que Dilma perdeu, com os mesmos dados: Santa
Catarina (35-07), São Paulo (35-11), Acre (36-42), Distrito Federal
(38-12), Paraná (39-13), Goiás (42-19), Mato Grosso do Sul (43-21),
Rondônia (45-26), Mato Grosso (45-22), Rio Grande do Sul (46-13),
Espírito Santo (46-19) e Roraima (42-47).
É preciso
ser intelectualmente desonesto para não constatar que existe uma óbvia
relação entre o benefício e a fidelidade ao petismo, que é o coronelismo
da hora.(…)
TARSO GENRO: SUA AUSÊNCIA PREENCHE UMA LACUNA...
Minha cota de participação eleitoral está esgotada', afirma Tarso Genro
Derrotado na tentativa de se reeleger governador do RS, o petista ao jornal 'Zero Hora' que 'tem certeza' de que não será convidado para ser ministério
VEJA
Derrotado pelo azarão Ivo Sartori (PMDB) na corrida pelo comando do Rio Grande do Sul,
o governador gaúcho Tarso Genro (PT) não pretende voltar a disputar
cargo eletivo. E descarta ser convidado pela presidente reeleita Dilma
Rousseff (PT) para integrar um ministério. “Não tenho nenhuma pretensão
de ir para o governo federal e, obviamente, acho que também não há
nenhum interesse do governo federal em levar para o ministério um
governador que perdeu as eleições, tendo um manancial de quadros
extraordinários. Se fosse fundamental para o governo Dilma, claro que eu
iria. Mas isso não é verdade. Não sou necessário para o governo federal
marchar bem e fazer as reformas que tem que fazer”, afirmou o petista
em entrevista ao jornal gaúcho Zero Hora.
Ao jornal, Tarso avaliou que sua "cota de participação eleitoral está encerrada". O governador que tentava a reeleição recebeu meros 38% dos votos, ante 61% de Sartori. “Nunca persegui mandato, mas sempre enfrentei mandatos e eleições que foram necessários para dar curso a minha militância. Não está no meu imaginário nenhuma eleição, nem ao parlamento, nem no Executivo”.
O petista avaliou também a vitória acirrada de Dilma sobre o tucano Aécio Neves – a presidente conquistou o segundo mandato com apenas três pontos porcentuais de vantagem sobre o candidato do PSDB. Tarso afirmou que o PT precisa passar por uma reformulação para manter-se no poder e garantir condições de governabilidade. “Os fins só puderam ser obtidos por meios democráticos e absolutamente legítimos, que foram as eleições, nas condições que o sistema permite. O PT tem que se autorreformar profundamente. E para se autorreformar, tem de ajudar a reformar o país. E o bloqueio principal é, sem dúvida, esse sistema político perverso em que estão imersos todos os partidos”, afirmou ao jornal.
Derrotado na tentativa de se reeleger governador do RS, o petista ao jornal 'Zero Hora' que 'tem certeza' de que não será convidado para ser ministério
VEJA
O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro
(Cau Guebo/Futura Press/VEJA)
Ao jornal, Tarso avaliou que sua "cota de participação eleitoral está encerrada". O governador que tentava a reeleição recebeu meros 38% dos votos, ante 61% de Sartori. “Nunca persegui mandato, mas sempre enfrentei mandatos e eleições que foram necessários para dar curso a minha militância. Não está no meu imaginário nenhuma eleição, nem ao parlamento, nem no Executivo”.
O petista avaliou também a vitória acirrada de Dilma sobre o tucano Aécio Neves – a presidente conquistou o segundo mandato com apenas três pontos porcentuais de vantagem sobre o candidato do PSDB. Tarso afirmou que o PT precisa passar por uma reformulação para manter-se no poder e garantir condições de governabilidade. “Os fins só puderam ser obtidos por meios democráticos e absolutamente legítimos, que foram as eleições, nas condições que o sistema permite. O PT tem que se autorreformar profundamente. E para se autorreformar, tem de ajudar a reformar o país. E o bloqueio principal é, sem dúvida, esse sistema político perverso em que estão imersos todos os partidos”, afirmou ao jornal.
A falácia do unicórnio
Nosso problema é que temos que lutar contra unicórnios.
Unicórnios, é claro, são criaturas mitológicas que tem a forma de um cavalo com um chifre em espiral na cabeça. Eles se alimentam de arco-íris, contudo, podem permanecer sem se alimentar por anos, se necessário. Eles podem carregar grandes quantidades de carga. E sua flatulência tem aroma de morangos silvestres, o que torna agradável estar em uma carruagem com tração a unicórnios.
Por todas essas razões, os unicórnios são os animais de carga perfeitos, chave para o progresso da sociedade humana e distribuição da prosperidade.
Agora, você quer apontar uma falha no meu argumento, já que, na verdade, unicórnios não existem. Se eu estivesse falando sério, seria uma falha fatal no meu plano de usar unicórnios, não é?
Claro que não. A existência de unicórnios é facilmente provada. Feche os olhos. Imagine um unicórnio. Aquele que eu vejo é branco, com um chifre laranja. O unicórnio está cercado por arcos-íris (talvez seja a hora do almoço). Sua visão pode ser um pouco diferente, mas não há duvida de que quando eu digo “unicórnio”, a figura na sua mente corresponde bem ao que eu imagino. Então, os unicórnios existem e nós temos uma concepção semelhante sobre sua forma.
Problema: “o estado” é um unicórnio
Quando discuto sobre o estado com meus colegas na Duke University, em pouco tempo percebo que, para eles, quase sem exceção, o estado é um unicórnio. Venho da tradição da Escolha Pública, a qual tende a enfatizar os argumentos consequencialistas mais do que os direitos naturais, então, a distinção é particularmente importante para mim. Normalmente, meus amigos não gostam de políticos, pensam que a democracia é confusa e desagradável, e se opõem à brutalidade e aosexcessos coercivos das guerras externas, da guerra às drogas, e da espionagem da NSA.
Mas a solução deles é, sem exceção, expandir o poder do estado. Isso parece literalmente insano para mim – uma conclusão falsa de proporções tão monstruosas que tive problemas para levar a sério.
Então, percebi que eles querem um tipo de unicórnio, um estado que tenha prioridades, motivações, conhecimento e habilidades que imaginam para ele. Quando finalmente percebi que estávamos falando de coisas diferentes (pensando estar falando das mesmas coisas), eu me senti um pouco bobo. Já que, essencialmente, essa constatação – de que as pessoas que defendem a expansão do governo imaginam um estado diferente daquele possível no mundo real – tem sido parte central do argumento feito pelos liberais clássicos por, pelo menos, 300 anos.
Alguns exemplos ajudam a esclarecer a situação.
Edmund Burke esclarece, perfeitamente, a falácia do unicórnio. O problema não são pessoas ruins, ou sistemas que precisam de reforma. Na próxima eleição, teremos um Salvador! A próxima reforma levará à Utopia! Não, não teremos nenhuma das duas coisas.
Mais recentemente, Ludwig von Mises e F. A. Hayek trataram o problema dos unicórnios de forma primorosa. Em Epistemological Problems of Economics, Mises disse:
Contudo, a compreensão de que “o estado” que imaginam é um unicórnio pode não ser instantânea. Então, para ajudá-los, eu proponho o que (sem modéstia alguma) chamo de “Teste Munger”.
Se alguém disser: “O estado deveria ser capaz de escolher subsídios e tributos para mudar os incentivos com os quais as pessoas se deparam na decisão de quais fontes de energia utilizar”, peça que removam “O estado” e substituam por “senadores de estados que dependem do carvão, petróleo, ou etanol de milho como fonte de receitas”. Ainda parece uma boa ideia?
E o que você acha dessa? “O estado deveria regulamentar as vendas de carros elétricos de alto desempenho”. Agora, substitua “O estado” pelo seguinte: “Políticos de Michigan e outros estados que produzem partes para motores de combustão interna deveriam ser responsáveis pela regulamentação da Tesla Motors”. Bom, talvez não…
Em minha experiência, gastamos muito tempo lutando contra nossos oponentes e seus unicórnios. Isto é, afirmamos que o estado/unicórnio é mau, e não pode ser domado de forma consistente com os valores da liberdade. A própria existência mental do unicórnio é o alvo de nossos argumentos.
O problema, obviamente, é que o unicórnio que eles imaginam é sábio, benevolente e onipotente. Dizer que suas imaginações estão erradas é inútil. Enquanto insistirmos que nossos oponentes estão errados sobre as propriedades do “estado” – que não existe na realidade, pelo menos não da forma que os estatistas imaginam – então, perderemos a atenção de muitas pessoas simpáticas que estão mais interessadas nas consequências.
Parafraseando Hayek, a curiosa tarefa do movimento da liberdade é persuadir os cidadãos que nossos oponentes são os idealistas, já que acreditam em unicórnios. Eles entendem muito pouco do estado que imaginam poder planejar.
(*) Michael Munger é um economista, cientista político, ex-candidato americano a governador da carolina do norte e ex-presidente do departamento de ciência política na Duke University , onde ele continua a ensinar a ciência política, a política pública e economia. Um escritor prolífico, ja publicou papers na “American Political Science Review”, “American Political Science Review”, “American Journal of Political Science”, e no “Journal of Politics”, além de ser autor do livro “Analyzing Policy: Choices, Conflicts, and Practices” que é agora um padrão de trabalho no campo da análise política.
Originalmente publicado, em português, pelo Portal do Libertarianismo. Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Ivanildo Terceiro. | Artigo Original em inglês
João Luiz Mauad - IL
Por: Michael Munger*Nosso problema é que temos que lutar contra unicórnios.
Unicórnios, é claro, são criaturas mitológicas que tem a forma de um cavalo com um chifre em espiral na cabeça. Eles se alimentam de arco-íris, contudo, podem permanecer sem se alimentar por anos, se necessário. Eles podem carregar grandes quantidades de carga. E sua flatulência tem aroma de morangos silvestres, o que torna agradável estar em uma carruagem com tração a unicórnios.
Por todas essas razões, os unicórnios são os animais de carga perfeitos, chave para o progresso da sociedade humana e distribuição da prosperidade.
Agora, você quer apontar uma falha no meu argumento, já que, na verdade, unicórnios não existem. Se eu estivesse falando sério, seria uma falha fatal no meu plano de usar unicórnios, não é?
Claro que não. A existência de unicórnios é facilmente provada. Feche os olhos. Imagine um unicórnio. Aquele que eu vejo é branco, com um chifre laranja. O unicórnio está cercado por arcos-íris (talvez seja a hora do almoço). Sua visão pode ser um pouco diferente, mas não há duvida de que quando eu digo “unicórnio”, a figura na sua mente corresponde bem ao que eu imagino. Então, os unicórnios existem e nós temos uma concepção semelhante sobre sua forma.
Problema: “o estado” é um unicórnio
Quando discuto sobre o estado com meus colegas na Duke University, em pouco tempo percebo que, para eles, quase sem exceção, o estado é um unicórnio. Venho da tradição da Escolha Pública, a qual tende a enfatizar os argumentos consequencialistas mais do que os direitos naturais, então, a distinção é particularmente importante para mim. Normalmente, meus amigos não gostam de políticos, pensam que a democracia é confusa e desagradável, e se opõem à brutalidade e aosexcessos coercivos das guerras externas, da guerra às drogas, e da espionagem da NSA.
Mas a solução deles é, sem exceção, expandir o poder do estado. Isso parece literalmente insano para mim – uma conclusão falsa de proporções tão monstruosas que tive problemas para levar a sério.
Então, percebi que eles querem um tipo de unicórnio, um estado que tenha prioridades, motivações, conhecimento e habilidades que imaginam para ele. Quando finalmente percebi que estávamos falando de coisas diferentes (pensando estar falando das mesmas coisas), eu me senti um pouco bobo. Já que, essencialmente, essa constatação – de que as pessoas que defendem a expansão do governo imaginam um estado diferente daquele possível no mundo real – tem sido parte central do argumento feito pelos liberais clássicos por, pelo menos, 300 anos.
Alguns exemplos ajudam a esclarecer a situação.
Edmund Burke esclarece, perfeitamente, a falácia do unicórnio. O problema não são pessoas ruins, ou sistemas que precisam de reforma. Na próxima eleição, teremos um Salvador! A próxima reforma levará à Utopia! Não, não teremos nenhuma das duas coisas.
Em vão você me diz que o [governo] é bom, mas disso só me sobra o abuso. A coisa! a própria coisa é o abuso! Observe, meu senhor, imploro-lhe, esse grande erro sobre o qual todo o poder legislativo é fundado. Observou-se que os homens têm paixões ingovernáveis, o que tornou necessária a proteção contra a violência que puderem oferecer. Eles mesmos apontaram governadores por esta razão; mas uma dificuldade pior e mais perplexa surge: como se defender dos governantes?Na Riqueza das Nações, Adam Smith comenta:
É o sistema de governo – a situação na qual (as pessoas) são colocadas – que condeno; não o caráter daquelas que nela agiram. Elas agiram como a sua situação naturalmente indicava, e outras pessoas que protestaram contra elas provavelmente não teriam agido melhor.Nessa passagem, Smith estava falando dos funcionários da Companhia das Índias Orientais. No entanto, o insight é geral: o fracasso de um sistema organizacional frequentemente advém dos incentivos, da lógica da ação, ou das inconsistências inerentes àquele sistema. As pessoas que trabalham naquele sistema provavelmente agem da mesma maneira que outras pessoas agiriam se estivessem naquele sistema. Então, embora seja verdade que é possível imaginar um estado que funciona de forma diferente, não existem seres humanos reais que possam trabalhar naquele sistema e entregar o que os estatistas imaginam.
Mais recentemente, Ludwig von Mises e F. A. Hayek trataram o problema dos unicórnios de forma primorosa. Em Epistemological Problems of Economics, Mises disse:
Raramente alguém se interessa por problemas sociais sem ser levado a fazê-lo pelo desejo de ver reformas aprovadas. Em quase todos os casos, antes de começar a estudar a ciência, ele já decidiu quais reformas que deseja ver aprovadas. Somente alguns têm a força de aceitar o fato (conhecimento) de que essas reformas são impraticáveis, inferindo suas consequências lógicas. A maioria das pessoas tolera o sacrifício do intelecto mais facilmente do que o sacrifício dos que sonham acordado. Eles não conseguem suportar que suas utopias encalhem nas imutáveis necessidades humanas. Eles aspiram à outra realidade, diferente daquela do mundo real… Eles desejam ser livres de um universo cuja ordem não aprovam.Talvez a versão mais famosa e devastadora de “atacar o unicórnio” é a de Hayek, quando disse noArrogância Fatal, que “a curiosa tarefa da economia é demonstrar aos homens o quão pouco eles realmente sabem sobre aquilo que imaginam poder planejar.”
O Teste Munger
Nos debates, percebi que é útil descrever o problema como o “problema do unicórnio”, precisamente porque expõe um ponto fraco fatal no argumento em prol do Estatismo. Se você quer defender o uso de unicórnios como meios de transporte público, é importante que os unicórnios existam no mundo real, em vez de somente na imaginação. As pessoas imediatamente compreendem porque confiar em criaturas imaginárias pode gerar problemas graves no trânsito.Contudo, a compreensão de que “o estado” que imaginam é um unicórnio pode não ser instantânea. Então, para ajudá-los, eu proponho o que (sem modéstia alguma) chamo de “Teste Munger”.
- Vá em frente, diga o que você quer que o estado faça – quais as responsabilidades que você quer que ele tenha.
- Então, volte atrás e analise a sua frase. Onde você disse “O estado”, delete essa expressão e a substitua por “políticos que conheço, que participam de sistemas eleitorais onde eleitores e grupos de interesse que realmente existem”.
- Se você ainda acreditar na veracidade de sua frase, então teremos que conversar.
Se alguém disser: “O estado deveria ser capaz de escolher subsídios e tributos para mudar os incentivos com os quais as pessoas se deparam na decisão de quais fontes de energia utilizar”, peça que removam “O estado” e substituam por “senadores de estados que dependem do carvão, petróleo, ou etanol de milho como fonte de receitas”. Ainda parece uma boa ideia?
E o que você acha dessa? “O estado deveria regulamentar as vendas de carros elétricos de alto desempenho”. Agora, substitua “O estado” pelo seguinte: “Políticos de Michigan e outros estados que produzem partes para motores de combustão interna deveriam ser responsáveis pela regulamentação da Tesla Motors”. Bom, talvez não…
Em minha experiência, gastamos muito tempo lutando contra nossos oponentes e seus unicórnios. Isto é, afirmamos que o estado/unicórnio é mau, e não pode ser domado de forma consistente com os valores da liberdade. A própria existência mental do unicórnio é o alvo de nossos argumentos.
O problema, obviamente, é que o unicórnio que eles imaginam é sábio, benevolente e onipotente. Dizer que suas imaginações estão erradas é inútil. Enquanto insistirmos que nossos oponentes estão errados sobre as propriedades do “estado” – que não existe na realidade, pelo menos não da forma que os estatistas imaginam – então, perderemos a atenção de muitas pessoas simpáticas que estão mais interessadas nas consequências.
Parafraseando Hayek, a curiosa tarefa do movimento da liberdade é persuadir os cidadãos que nossos oponentes são os idealistas, já que acreditam em unicórnios. Eles entendem muito pouco do estado que imaginam poder planejar.
(*) Michael Munger é um economista, cientista político, ex-candidato americano a governador da carolina do norte e ex-presidente do departamento de ciência política na Duke University , onde ele continua a ensinar a ciência política, a política pública e economia. Um escritor prolífico, ja publicou papers na “American Political Science Review”, “American Political Science Review”, “American Journal of Political Science”, e no “Journal of Politics”, além de ser autor do livro “Analyzing Policy: Choices, Conflicts, and Practices” que é agora um padrão de trabalho no campo da análise política.
Originalmente publicado, em português, pelo Portal do Libertarianismo. Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Ivanildo Terceiro. | Artigo Original em inglês
UBS pessimista
Lauro Jardim - VEJA
Lauro Jardim - VEJA
O pessimismo toma conta das análises internacionais sobre o segundo governo Dilma Rousseff. Nesta semana, o banco suíço UBS enviou aos seus clientes um relatório com o título “Things will get worse” (As coisas vão piorar). O relatório, ressalte-se, foi produzido em Genebra e não pela turma do banco em São Paulo.
O relatório não recomenda investimentos no Brasil. Afirma que, mesmo com novos integrantes, a equipe econômica de Dilma não terá condições de colocar o Brasil no rumo certo.
Ainda bem, para o banco, que a opinião foi dada pós-eleição. Em julho, o Santander demitiu, depois de muita pressão, uma funcionária que escreveu um relatório para clientes relacionando a subida de Dilma nas pesquisas de intenção de voto à piora da economia brasileira.
O relatório não recomenda investimentos no Brasil. Afirma que, mesmo com novos integrantes, a equipe econômica de Dilma não terá condições de colocar o Brasil no rumo certo.
Ainda bem, para o banco, que a opinião foi dada pós-eleição. Em julho, o Santander demitiu, depois de muita pressão, uma funcionária que escreveu um relatório para clientes relacionando a subida de Dilma nas pesquisas de intenção de voto à piora da economia brasileira.
Fornecedoras da Petrobras repassaram R$ 206 mi a empresas de Youssef
Os valores correspondem ao período entre novembro de 2009 e dezembro de 2013, informa o jornal 'O Globo'
VEJA
O Ministério Público Federal (MP) identificou depósitos de 206,3 milhões de reais provenientes de fornecedores da Petrobras
nas contas correntes de três empresas de fachada do doleiro Alberto
Youssef, pivô do bilionário esquema de desvios investigado pela Operação
Lava Jato da Polícia Federal, informa o jornal O Globo nesta
sexta-feira. Os valores correspondem ao período entre novembro de 2009 e
dezembro de 2013 e constam em levantamento feito pelo órgão a partir de
quebras de sigilo bancário dessas empresas.
Segundo o levantamento, a GDF Investimentos recebeu o maior valor: 96,3 milhões de reais. Em seguida, vem a MO Consultoria, com depósitos que somam 70,4 milhões de reais e, por último, a Empreiteira Rigidez, com 39,5 milhões de reais. Somente essa última firma repassou 21,5 milhões de reais ao grupo Labogen, composto por empresas que Youssef usava para enviar recursos ao exterior.
O executivo Júlio Camargo, da Toyo Setal, que assinou acordo de delação premiada após ter sido citado pelo doleiro, afirmou aos investigadores ter depositado 16,6 milhões de reais para três empresas – Auguri, Piemonte e Treviso. O dinheiro teria sido doado a campanhas políticas. Sete políticos foram beneficiados com a doação em 2010, cinco deles eram do PT. De acordo com o que Youssef disse à Justiça Federal, a Toyo Setal também fez depósitos no exterior. Nas eleições deste ano, o comitê do PR foi agraciado com 2 milhões de reais da Toyo Setal e três candidatos à Câmara pelo PT - Henrique Fontana Júnior (RS), Benedita da Silva (RJ) e Luiz Sérgio Nóbrega de Oliveira (RJ) - receberam 150.000 reais, informa a reportagem.
Os valores correspondem ao período entre novembro de 2009 e dezembro de 2013, informa o jornal 'O Globo'
VEJA
Crime perfeito: em depoimentos à Polícia Federal e ao
Ministério Público, o doleiro Alberto Youssef relatou que as “doações
legais” das empreiteiras foram a fórmula criada para esconder a propina
(BG PRESS/VEJA)
Segundo o levantamento, a GDF Investimentos recebeu o maior valor: 96,3 milhões de reais. Em seguida, vem a MO Consultoria, com depósitos que somam 70,4 milhões de reais e, por último, a Empreiteira Rigidez, com 39,5 milhões de reais. Somente essa última firma repassou 21,5 milhões de reais ao grupo Labogen, composto por empresas que Youssef usava para enviar recursos ao exterior.
O executivo Júlio Camargo, da Toyo Setal, que assinou acordo de delação premiada após ter sido citado pelo doleiro, afirmou aos investigadores ter depositado 16,6 milhões de reais para três empresas – Auguri, Piemonte e Treviso. O dinheiro teria sido doado a campanhas políticas. Sete políticos foram beneficiados com a doação em 2010, cinco deles eram do PT. De acordo com o que Youssef disse à Justiça Federal, a Toyo Setal também fez depósitos no exterior. Nas eleições deste ano, o comitê do PR foi agraciado com 2 milhões de reais da Toyo Setal e três candidatos à Câmara pelo PT - Henrique Fontana Júnior (RS), Benedita da Silva (RJ) e Luiz Sérgio Nóbrega de Oliveira (RJ) - receberam 150.000 reais, informa a reportagem.
Do virtual ao real
Merval Pereira - O Globo
Saindo do mundo criado pelo marqueteiro João Santana e caindo na
realidade que a propaganda oficial negou, a ponto de ter conseguido
fazer com que a avaliação do governo Dilma subisse durante a campanha, o
PT está se especializando em derrotar o PSDB por suas propostas
econômicas para, em seguida, colocá-las em prática já com o mandato
garantido.
Quem começou a tomar “medidas impopulares” foi o mesmo
governo que demonizou seu adversário tucano, aumentando os juros dois
dias depois de fechadas as urnas e autorizando aumentos da energia
elétrica como os de Roraima, de nada menos que 54%. E vêm mais aumentos
por aí, das tarifas de energia até a gasolina, tudo represado para não
atrapalhar a campanha eleitoral, segurando artificialmente a inflação.
As especulações sobre possíveis nomes para o ministério da Fazenda fazem os mercados se regozijarem. Na campanha eleitoral, o PT acusou Marina de ser “sustentada” por uma banqueira, em referência à educadora Neca Setubal, herdeira do banco Itaú, e fez um trabalho terrorista dizendo que a autonomia do Banco Central tiraria a comida dos pratos dos brasileiros e os livros escolares de nossas crianças. Mais adiante, cravou em Arminio Fraga a peja de aumentar juros e criar desemprego.
Agora, as especulações sobre a principal figura da economia brasileira giram em torno de banqueiros, como o presidente do Bradesco Luis Carlos Trabuco, ou Henrique Meirelles, e executivos de grandes empresas como Murilo Ferreira da Vale. Isso acontece desde 2002, quando Lula foi obrigado a escrever uma Carta ao Povo Brasileiro garantindo que não haveria ruptura do modelo de gestão econômica da época (tocado pelos tucanos) e prometeu a manutenção dos contratos firmados, com o objetivo de acalmar o mercado internacional e conter a alta do dólar durante a campanha, que mesmo depois disso chegou a R$ 4 em outubro, nas vésperas da eleição que Lula venceu.
Esse foi o “efeito Lula”, que levou a inflação a 12% ao ano naquela ocasião, fato que a candidata Dilma tentou negar. Em seguida, surpreendeu a todos colocando um banqueiro internacional, ex-presidente do Banco de Boston, no comando do Banco Central. Henrique Meirelles acabara de ser eleito deputado federal pelo PSDB, e abandonou o mandato para exercer com total autonomia a direção do BC pelos oito anos do governo Lula.
Até mesmo as privatizações, tão demonizadas por Lula na campanha de 2006, chegaram, com atraso de anos, ao programa econômico do PT, quando ficou claro que o Estado não tinha condições de, sozinho, fazer as obras de infra-estrutura de que o país necessita.
Pelo o que defendeu na campanha recém-terminada, Dilma não poderia ter elevado os juros, pois na sua lógica os adversários “plantam inflação para colher juros”. Uma das idéias-força da campanha de Dilma foi que a derrubada da inflação traria como conseqüência o aumento do desemprego, e agora, deixando a propaganda de lado, o Banco Central aumenta os juros para combater a inflação – que estava sob controle, lembram-se? -, com isso reduz a alta do dólar e cria um ambiente propício para os investidores. Sem o que os empregos começarão a minguar.
O ex-presidente Lula é político para querer dar sinais ao mercado mesmo dizendo que não os está dando. Ele é capaz de afirmar que nunca deu satisfações ao mercado, mesmo depois da Carta ao Povo Brasileiro. Certa vez, mais recentemente, disse que se arrependeu de tê-la assinado, mas pode muito bem mais adiante, se isso for conveniente a seu projeto político, vir a reafirmá-la.
Lula é capaz de fazer um discurso radical à esquerda enquanto seu ministro da Fazenda, Antonio Palocci, trazia a economia para o campo liberal. E usava a política externa para compensar a ala de esquerda radical que estava sendo derrotada no front interno. Já a presidente Dilma parece mais ideológica que seu mentor, e esses sinais podem ser apenas manobras para ganhar tempo enquanto monta um segundo governo dentro do que sempre pensou.
O problema é saber se as especulações correspondem ao que realmente a presidente Dilma está pensando para o seu segundo mandato, ou se não passam de desejos do mercado e de setores do PT mais pragmáticos. O fato é que ou ela se reinventa, ou teremos problemas pela frente.
As especulações sobre possíveis nomes para o ministério da Fazenda fazem os mercados se regozijarem. Na campanha eleitoral, o PT acusou Marina de ser “sustentada” por uma banqueira, em referência à educadora Neca Setubal, herdeira do banco Itaú, e fez um trabalho terrorista dizendo que a autonomia do Banco Central tiraria a comida dos pratos dos brasileiros e os livros escolares de nossas crianças. Mais adiante, cravou em Arminio Fraga a peja de aumentar juros e criar desemprego.
Agora, as especulações sobre a principal figura da economia brasileira giram em torno de banqueiros, como o presidente do Bradesco Luis Carlos Trabuco, ou Henrique Meirelles, e executivos de grandes empresas como Murilo Ferreira da Vale. Isso acontece desde 2002, quando Lula foi obrigado a escrever uma Carta ao Povo Brasileiro garantindo que não haveria ruptura do modelo de gestão econômica da época (tocado pelos tucanos) e prometeu a manutenção dos contratos firmados, com o objetivo de acalmar o mercado internacional e conter a alta do dólar durante a campanha, que mesmo depois disso chegou a R$ 4 em outubro, nas vésperas da eleição que Lula venceu.
Esse foi o “efeito Lula”, que levou a inflação a 12% ao ano naquela ocasião, fato que a candidata Dilma tentou negar. Em seguida, surpreendeu a todos colocando um banqueiro internacional, ex-presidente do Banco de Boston, no comando do Banco Central. Henrique Meirelles acabara de ser eleito deputado federal pelo PSDB, e abandonou o mandato para exercer com total autonomia a direção do BC pelos oito anos do governo Lula.
Até mesmo as privatizações, tão demonizadas por Lula na campanha de 2006, chegaram, com atraso de anos, ao programa econômico do PT, quando ficou claro que o Estado não tinha condições de, sozinho, fazer as obras de infra-estrutura de que o país necessita.
Pelo o que defendeu na campanha recém-terminada, Dilma não poderia ter elevado os juros, pois na sua lógica os adversários “plantam inflação para colher juros”. Uma das idéias-força da campanha de Dilma foi que a derrubada da inflação traria como conseqüência o aumento do desemprego, e agora, deixando a propaganda de lado, o Banco Central aumenta os juros para combater a inflação – que estava sob controle, lembram-se? -, com isso reduz a alta do dólar e cria um ambiente propício para os investidores. Sem o que os empregos começarão a minguar.
O ex-presidente Lula é político para querer dar sinais ao mercado mesmo dizendo que não os está dando. Ele é capaz de afirmar que nunca deu satisfações ao mercado, mesmo depois da Carta ao Povo Brasileiro. Certa vez, mais recentemente, disse que se arrependeu de tê-la assinado, mas pode muito bem mais adiante, se isso for conveniente a seu projeto político, vir a reafirmá-la.
Lula é capaz de fazer um discurso radical à esquerda enquanto seu ministro da Fazenda, Antonio Palocci, trazia a economia para o campo liberal. E usava a política externa para compensar a ala de esquerda radical que estava sendo derrotada no front interno. Já a presidente Dilma parece mais ideológica que seu mentor, e esses sinais podem ser apenas manobras para ganhar tempo enquanto monta um segundo governo dentro do que sempre pensou.
O problema é saber se as especulações correspondem ao que realmente a presidente Dilma está pensando para o seu segundo mandato, ou se não passam de desejos do mercado e de setores do PT mais pragmáticos. O fato é que ou ela se reinventa, ou teremos problemas pela frente.
ELEIÇÕES FRAUDADAS? II
Mais uma denúncia grave sobre as urnas, que chega com RG, CPF, nome e sobrenome
Reinaldo Azevedo - VEJA
Reinaldo Azevedo - VEJA
Recebo da leitora T. M. a seguinte mensagem. Leiam. Volto em seguida.
Prezado Reinaldo Azevedo,
Prezado Reinaldo Azevedo,
eu voto no colégio Rio Branco, em frente e
o Sion. Quando chegou minha vez de votar, no primeiro turno, a mesária
me pergunta se eu já havia votado. Eu disse que não. Ela chamou o fiscal
e me conduziu para a coordenadora-geral porque lá constava que eu já
havia votado.
Sumiram com meu título eleitoral. No final, exigi 2a. via do meu título e certidão de quitação eleitoral, já que sou aposentada (ELA CITA O ÓRGÃO PÚBLICO PARA O QUAL TRABALHOU) e preciso da quitação, senão não recebo meus proventos.
Esperei por duas horas lá, até chegar minha segunda via e a quitação. E disse que eu só sairia de lá após ter votado.
Não sei como fizeram, mas o fiscal me conduziu à sala de votação e consegui votar. Tenho o comprovante da certidão de quitação eleitoral, datada do dia 05 outubro.
Esta é a prova.
É preciso sim, que o PSDB exija apuração das urnas.
Atenciosamente,
T.M
Sumiram com meu título eleitoral. No final, exigi 2a. via do meu título e certidão de quitação eleitoral, já que sou aposentada (ELA CITA O ÓRGÃO PÚBLICO PARA O QUAL TRABALHOU) e preciso da quitação, senão não recebo meus proventos.
Esperei por duas horas lá, até chegar minha segunda via e a quitação. E disse que eu só sairia de lá após ter votado.
Não sei como fizeram, mas o fiscal me conduziu à sala de votação e consegui votar. Tenho o comprovante da certidão de quitação eleitoral, datada do dia 05 outubro.
Esta é a prova.
É preciso sim, que o PSDB exija apuração das urnas.
Atenciosamente,
T.M
Voltei
T. M. manda nome, sobrenome, RG, CPF e órgão público do qual é aposentada. Eis aí um caso. Se ela estiver falando a verdade — e por que mentiria? —, a questão é grave. Se constava que ela já tinha votado, então o comando eletrônico do seu voto — o número que libera a urna — já tinha sido acionado. Como é que ele foi acionado uma segunda vez? O mesmo número, então, teria de permitir dois votos.
T. M. manda nome, sobrenome, RG, CPF e órgão público do qual é aposentada. Eis aí um caso. Se ela estiver falando a verdade — e por que mentiria? —, a questão é grave. Se constava que ela já tinha votado, então o comando eletrônico do seu voto — o número que libera a urna — já tinha sido acionado. Como é que ele foi acionado uma segunda vez? O mesmo número, então, teria de permitir dois votos.
É evidente
que isso tem de ser apurado. E com rigor. Os dados estão à disposição
do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que cuida do assunto no PSDB.
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