ALCKMIN APROVEITA BRIGA DE SKAF PARA ATRAIR PMDB
Cláudio Humberto - O Globo
Candidato
à reeleição em SP, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) tem aproveitado a
queda de braço entre o adversário Paulo Skaf e o vice-presidente da
República, Michel Temer, para angariar apoio nas bases do PMDB.
Aconselhado pelo marqueteiro Duda Mendonça, que não vê a hora de dar
troco no arqui-inimigo João Santana, Skaf ignora os apelos de Temer e se
recusa a oferecer palanque para Dilma.
CABO ELEITORAL
O
deputado Gabriel Chalita (PMDB) – desafeto de Skaf em SP – tem
trabalhado, nos bastidores, junto a prefeitos a favor de Geraldo
Alckmin.
PURA PROVOCAÇÃO
Padrinho da candidatura, Temer
ficou irritado com peça na qual Skaf é questionado sobre apoiar Dilma e
responde: “Sabe de nada, inocente”.
JOGA NO LIXO
Para a
cúpula do PMDB, a estratégia individualista de Skaf diminui chances de
2º turno, já que Alexandre Padilha não cresce nas pesquisas.
TEM SEUS MOTIVOS
Não
é à toa que Skaf tenta se descolar da presidente Dilma: ela carrega 47%
de rejeição em SP, onde hoje perderia para Aécio num 2º turno.
MÃO DE FERRO
Os
presidenciáveis Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo
Campos (PSB) têm mais em comum do que se imagina. Assim como o
ex-presidente Lula não se cansa de reclamar que a sucessora não ouve
ninguém, senadores e deputados do PSDB descem a lenha na postura do
tucano Aécio Neves de decidir tudo sozinho. No PSB, o cenário não é
diferente: Eduardo Campos não escuta nem a turma de Pernambuco.
SÓ ATRAPALHA
O
PSB e PSDB reclamam que a centralização das decisões, além de não
envolver aliados na campanha, fragiliza chances de chegar ao Planalto.
DEU NA MESMA
Alvo
de queixas, Dilma abriu uma brecha e marcou reuniões com presidentes de
siglas aliadas, o que não mudou muito nas decisões.
BRIGA NA JUSTIÇA
O
PSDB entrou com nova ação no MP-DF contra Gilberto Carvalho por
utilizar cargo de ministro para fazer propaganda negativa de Aécio
Neves.
NA PINDAÍBA
Candidato ao governo do Rio, o senador
Lindbergh Farias (PT) sofre do mesmo mal do correligionário Alexandre
Padilha em SP: muito verbo e pouca verba. Os empresários negam doações
eleitorais com medo das denúncias que batem na porta do PT e da falta de
perspectiva de vitória.
VISTA GROSSA
Flagrado em áudios
revelando com toda naturalidade que recebe propina, deputado Rodrigo
Bethlem (RJ) avisou ao PMDB que desistirá da disputa à reeleição, mas
deverá continuar filiado ao partido, que faz vista grossa.
VICE AUSENTE
Diferentemente
de Michel Temer e Marina Silva, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) não
acompanhou ontem o presidenciável Aécio Neves na sabatina com
empresários na Confederação Nacional da Indústria (CNI).
PARA COMPENSAR
O
deputado Luiz Pitiman – candidato tucano ao governo do Distrito Federal
– fez questão de comparecer ontem na sabatina de Aécio Neves (MG), que
está empatado com a presidente Dilma nas pesquisas no DF.
GESTOS
Após
a sabatina na CNI, Eduardo Campos (PSB) ofereceu a cadeira principal
para coletiva de imprensa à vice Marina Silva: “Minha vez foi com
empresários, agora é a sua”, disse brincando, e assumiu o posto.
DESTEMPERADO
O
senador Roberto Requião (PMDB-PR), chamado por adversários de ‘Maria
Louca’, abandonou entrevista para rádio CBN de Cascavel ao ser
questionado sobre retirada de aditivo que previa duplicação da BR-277.
QUER ENGANAR QUEM?
Presidente
do PSDB-ES, César Colnago critica Eduardo Campos, que promete recuperar
o Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias, “quando a bancada
dele votou contra o fundo no Senado”.
COISA DE DOIDO
Candidato
ao Senado, João Paulo (PT-PE) virou alvo de chacota após entrevista
sobre maioridade penal na qual falou de valorização da vida, meditação
transcendental e terminou contando sobre amigo que tentou suicídio e
cujo dia mais feliz da vida foi quando conseguiu fazer cocô.
PENSANDO BEM...
... com o futebolzinho jogado nos estádios após a Copa, o Templo de Salomão terá a maior média de público do Brasil.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
ELIÂNICAS
Profecias e realidade
ELIANE CANTANHÊDE - FSP
BRASÍLIA - Ou a presidente Dilma Rousseff deu azar, ou houve uma conspiração. Enquanto ela dizia que a economia vai muito bem, obrigada, e fazia um apelo na CNI para que empresários não se deixem levar por "profecias pessimistas", novas notícias que minam esse discurso viravam manchetes nos jornais online.
Logo ontem, quando Dilma, Aécio Neves e Eduardo Campos faziam contorcionismos para impressionar bem o empresariado, veio a informação de que a recuperação econômica dos EUA está sendo mais forte do que previsto. A potência cresceu a uma taxa anual de 4% no segundo trimestre, o que pode levar o crescimento a 2% no ano. A expectativa para o Brasil é em torno de mísero 1%.
No discurso de Dilma, o Brasil amarga esse pibinho por causa das potências, das influências externas, da crise de 2008 e, afinal, gente, porque todo mundo está crescendo pouquinho mesmo. A novidade dos EUA mostra que não é bem assim. E isso, claro, embaralha os pretextos da presidente candidata para os resultados pífios da economia. É preciso arranjar outros pretextos rapidinho.
E foi justamente durante o discurso de Dilma na CNI que o Tesouro Nacional --veja bem, que é do governo, chefiado pela presidente-- deu uma outra má notícia, pior ainda para ela e para o empresariado: o saldo entre receitas e despesas do governo federal no primeiro semestre foi o pior dos últimos 14 anos. Ou seja, com crescimento tão raquítico, a arrecadação cai; com o ano eleitoral, a gastança pública sobe.
Daí que o governo promete, promete, mas não tem como cumprir o compromisso de poupar R$ 80,8 bilhões em 2014, simplesmente porque, na metade do ano, só conseguiu atingir 21% dessa meta. E não porque seja bonzinho, porque sacrifique índices para favorecer os pobres da nação, mas porque não está gerindo adequadamente a economia, nem os gastos.
O empresário sabe distinguir "profecia pessimista" de constatação.
ELIANE CANTANHÊDE - FSP
BRASÍLIA - Ou a presidente Dilma Rousseff deu azar, ou houve uma conspiração. Enquanto ela dizia que a economia vai muito bem, obrigada, e fazia um apelo na CNI para que empresários não se deixem levar por "profecias pessimistas", novas notícias que minam esse discurso viravam manchetes nos jornais online.
Logo ontem, quando Dilma, Aécio Neves e Eduardo Campos faziam contorcionismos para impressionar bem o empresariado, veio a informação de que a recuperação econômica dos EUA está sendo mais forte do que previsto. A potência cresceu a uma taxa anual de 4% no segundo trimestre, o que pode levar o crescimento a 2% no ano. A expectativa para o Brasil é em torno de mísero 1%.
No discurso de Dilma, o Brasil amarga esse pibinho por causa das potências, das influências externas, da crise de 2008 e, afinal, gente, porque todo mundo está crescendo pouquinho mesmo. A novidade dos EUA mostra que não é bem assim. E isso, claro, embaralha os pretextos da presidente candidata para os resultados pífios da economia. É preciso arranjar outros pretextos rapidinho.
E foi justamente durante o discurso de Dilma na CNI que o Tesouro Nacional --veja bem, que é do governo, chefiado pela presidente-- deu uma outra má notícia, pior ainda para ela e para o empresariado: o saldo entre receitas e despesas do governo federal no primeiro semestre foi o pior dos últimos 14 anos. Ou seja, com crescimento tão raquítico, a arrecadação cai; com o ano eleitoral, a gastança pública sobe.
Daí que o governo promete, promete, mas não tem como cumprir o compromisso de poupar R$ 80,8 bilhões em 2014, simplesmente porque, na metade do ano, só conseguiu atingir 21% dessa meta. E não porque seja bonzinho, porque sacrifique índices para favorecer os pobres da nação, mas porque não está gerindo adequadamente a economia, nem os gastos.
O empresário sabe distinguir "profecia pessimista" de constatação.
Dilma na sabatina da CNI: uma presidente pra lá de “Fugujima”
Reinaldo Azevedo - VEJA
Reinaldo Azevedo - VEJA
Na
sabatina de que participou na Confederação Nacional da Indústria, a
presidente Dilma Rousseff voltou a atacar o que chamou de “surtos de
pessimismo”, afirmando, para certo espanto geral, que uma das marcas de
sua gestão foi ter “resgatado a política industrial, superando
preconceito dos que, durante muito tempo, disseram que o Brasil não
precisava de política industrial”. Huuummm… Quais são exatamente as
medidas do governo Dilma que podem ser consideradas uma “política
industrial”? A rigor, com uma administração um pouquinho mais competente
das políticas monetária e cambial e com outras prioridades, nem seria
necessário ter uma “política industrial”.
A fala da
presidente Dilma indica que o governo perdeu a capacidade de enxergar o
que vem adiante. Administram-se dificuldades contingentes, com
incentivos aqui, desonerações ali… Não é, obviamente, política
industrial. Na verdade, não chega a ser nem política econômica.
A
presidente falou coisas que afrontam escandalosamente a verdade.
Referindo-se à crise de 2008, afirmou a nossa soberana: “Preparamos a
base para a retomada do crescimento. Não desorganizamos a economia, como
se fazia no passado. Não recorremos sistematicamente ao FMI”. Ah,
presidente! Esse tipo de conversa pode funcionar para outro público;
pode servir para a retórica palanqueira… Mas na CNI? O partido que votou
contra o Plano Real e recorreu ao STF contra a Lei de Responsabilidade
Fiscal vem dizer que “não desorganizamos a economia como no passado”? E
não custa lembrar: o país só recorreu ao FMI em 2002 por causa do risco
PT. O mercado levava o partido a sério e acreditava que ele iria fazer o
que prometia. Ou por outra: apostou que o PT fosse intelectualmente
honesto e praticasse o que pregava. Felizmente, os petistas não
acreditavam no seu próprio credo.
Num dado
momento de sua exposição, Dilma se atrapalhou toda: subtraiu 4 de 13 e
encontrou 7. Corrigiu-se em seguida e chegou a 9. Tentou falar do
furacão Katrina, mas se atrapalhou e se referiu “àquilo” — cujo nome não
se lembrava (era o tsunami) — que aconteceu, segundo ela, em Fugujima,
seja lá onde fique essa cidade. Ninguém entendeu nada. Mas, creiam, não
foi o momento mais confuso de sua exposição. Foi apenas o mais
engraçado.
Dilma
participava da sabatina no dia em que veio a público a informação de que
a economia americana cresceu acima da expectativa. No horizonte de
curto prazo, estão a elevação dos juros americanos e a possível fuga do
Brasil de investimentos de curto e de médio prazo. Nesta terça, o FMI
anteviu que essa é uma das precondições que podem jogar a economia
brasileira numa nova crise. Guido Mantega tentou desancar o FMI. Os
fatos pendem para o lado do Fundo. O que Dilma tem a dizer a respeito?
Na década
de 70, Caetano lançou a música “Qualquer Coisa”, em que se ouve: “Você
tá pra lá de Teerã”… Dilma está pra lá de “Fugujima”!!!
Reação autoritária
Classificar o informe do Santander de “interferência eleitoral” é completamente descabido
Gazeta do Povo - PR
Quando um cliente confia seu dinheiro a um banco, o mínimo que espera da instituição e de seus funcionários é um aconselhamento sincero sobre as perspectivas da economia e as melhores formas de fazer render os recursos depositados. Aos analistas do banco cabe interpretar os sinais vindos de diversas fontes e traçar cenários com base em possibilidades futuras. Foi o que o banco Santander fez na semana passada, quando enviou a clientes do segmento Select (com renda mensal acima de R$ 10 mil) um informe no qual dizia que “se a presidente [Dilma Rousseff] se estabilizar ou voltar a subir nas pesquisas [de intenção de voto para a Presidência], um cenário de reversão pode surgir. O câmbio voltaria a se desvalorizar, juros longos retomariam alta e o índice da Bovespa cairia, revertendo parte das altas recentes”. A reação a essa análise mostrou o quanto o país – ou pelo menos algumas de suas lideranças – ainda pode estar longe de um genuíno apreço pela liberdade de expressão.
O presidente do PT, Rui Falcão, deixou fluir a verve totalitária que lhe é característica e falou em “terrorismo eleitoral”. “Instituições bancárias ou financeiras não podem fazer manifestações que interfiram na decisão do voto”, afirmou. “Terrorismo econômico” foi a expressão usada pelo site Muda Mais, vinculado à campanha de Dilma Rousseff. A presidente, em sabatina a alguns veículos de comunicação, classificou o episódio como “inadmissível”. “Um país não deve aceitar uma interferência de qualquer instituição financeira de qualquer nível”, disse. O ex-presidente Lula, bem menos sutil, pediu a cabeça dos responsáveis. “Botín [Emílio Botín, presidente mundial do Santander], é o seguinte, querido: tenho consciência de que não foi você quem falou. Mas essa moça tua que falou não entende p... nenhuma de Brasil, e nada de governo Dilma. Manter uma mulher dessa em cargo de chefia, sinceramente… Pode mandar embora e dar o bônus dela pra mim que eu sei o que falo”, afirmou na segunda-feira, em evento da CUT. Na terça-feira, Botín confirmou uma demissão. Antes, o banco já tinha publicado uma nota em que, entre outras coisas, reforçava “sua convicção de que a economia brasileira seguirá sua bem-sucedida trajetória de desenvolvimento”.
Classificar o informe do Santander de “interferência eleitoral” é completamente descabido. Trata-se de uma análise habitual, enviada ao mesmo grupo restrito que recebia os demais informes, e que faz parte das obrigações do banco para com seus clientes. Aliás, o texto meramente dá conta do comportamento dos mercados – basta verificar como a bolsa sobe logo após a divulgação de cada pesquisa em que a vantagem de Dilma em relação aos adversários cai. A maneira como foi escrito o relatório pode até ser questionável (embora os clientes provavelmente estejam mais preocupados com a precisão das previsões que com seu linguajar), mas é fato que a perspectiva da manutenção de uma política econômica equivocada, que está levando o Brasil a um cenário de baixo crescimento e tolerância com a inflação, causa e deveria causar apreensão não só entre os mais ricos – afinal, são os pobres os que mais sofrem com estagnação econômica e preços em alta. Análises como a do Santander fazem parte do jogo democrático, algo difícil de entender para quem não admite opiniões divergentes.
E não deixa de ser irônico o fato de o governo que acusa bancos privados de “interferência eleitoral” usar os bancos estatais para fazer política, seja usando seus lucros para ajudar a fechar as contas (como apontou relatório recente do Tribunal de Contas da União), seja usando a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil para forçar reduções de juros. Além disso, o partido que acusa o Santander de “terrorismo eleitoral” não vê problemas em frases como “Se o Aécio ganhar a eleição ele vai acabar com a conquista que se consolidou com o presidente Lula, de valorização do salário mínimo”, dita pelo presidente da CUT no evento de segunda-feira.
Na Argentina, onde o governo manipula os números da inflação, economistas já foram processados por divulgar estatísticas independentes, e a Justiça chegou a pedir dados pessoais de jornalistas que escreveram matérias sobre a alta de preços. Na sabatina de segunda-feira, Dilma prometeu “uma medida bastante séria” em relação ao Santander, sem entrar em detalhes e ressaltando que antes conversaria com a diretoria do banco. Se suas ações futuras forem guiadas pelo voluntarismo que ela deixou transparecer na reação ao episódio, será preciso lembrá-la de que o Brasil é uma democracia cuja Constituição felizmente impede qualquer medida de caráter ditatorial.
Classificar o informe do Santander de “interferência eleitoral” é completamente descabido
Gazeta do Povo - PR
Quando um cliente confia seu dinheiro a um banco, o mínimo que espera da instituição e de seus funcionários é um aconselhamento sincero sobre as perspectivas da economia e as melhores formas de fazer render os recursos depositados. Aos analistas do banco cabe interpretar os sinais vindos de diversas fontes e traçar cenários com base em possibilidades futuras. Foi o que o banco Santander fez na semana passada, quando enviou a clientes do segmento Select (com renda mensal acima de R$ 10 mil) um informe no qual dizia que “se a presidente [Dilma Rousseff] se estabilizar ou voltar a subir nas pesquisas [de intenção de voto para a Presidência], um cenário de reversão pode surgir. O câmbio voltaria a se desvalorizar, juros longos retomariam alta e o índice da Bovespa cairia, revertendo parte das altas recentes”. A reação a essa análise mostrou o quanto o país – ou pelo menos algumas de suas lideranças – ainda pode estar longe de um genuíno apreço pela liberdade de expressão.
O presidente do PT, Rui Falcão, deixou fluir a verve totalitária que lhe é característica e falou em “terrorismo eleitoral”. “Instituições bancárias ou financeiras não podem fazer manifestações que interfiram na decisão do voto”, afirmou. “Terrorismo econômico” foi a expressão usada pelo site Muda Mais, vinculado à campanha de Dilma Rousseff. A presidente, em sabatina a alguns veículos de comunicação, classificou o episódio como “inadmissível”. “Um país não deve aceitar uma interferência de qualquer instituição financeira de qualquer nível”, disse. O ex-presidente Lula, bem menos sutil, pediu a cabeça dos responsáveis. “Botín [Emílio Botín, presidente mundial do Santander], é o seguinte, querido: tenho consciência de que não foi você quem falou. Mas essa moça tua que falou não entende p... nenhuma de Brasil, e nada de governo Dilma. Manter uma mulher dessa em cargo de chefia, sinceramente… Pode mandar embora e dar o bônus dela pra mim que eu sei o que falo”, afirmou na segunda-feira, em evento da CUT. Na terça-feira, Botín confirmou uma demissão. Antes, o banco já tinha publicado uma nota em que, entre outras coisas, reforçava “sua convicção de que a economia brasileira seguirá sua bem-sucedida trajetória de desenvolvimento”.
Classificar o informe do Santander de “interferência eleitoral” é completamente descabido. Trata-se de uma análise habitual, enviada ao mesmo grupo restrito que recebia os demais informes, e que faz parte das obrigações do banco para com seus clientes. Aliás, o texto meramente dá conta do comportamento dos mercados – basta verificar como a bolsa sobe logo após a divulgação de cada pesquisa em que a vantagem de Dilma em relação aos adversários cai. A maneira como foi escrito o relatório pode até ser questionável (embora os clientes provavelmente estejam mais preocupados com a precisão das previsões que com seu linguajar), mas é fato que a perspectiva da manutenção de uma política econômica equivocada, que está levando o Brasil a um cenário de baixo crescimento e tolerância com a inflação, causa e deveria causar apreensão não só entre os mais ricos – afinal, são os pobres os que mais sofrem com estagnação econômica e preços em alta. Análises como a do Santander fazem parte do jogo democrático, algo difícil de entender para quem não admite opiniões divergentes.
E não deixa de ser irônico o fato de o governo que acusa bancos privados de “interferência eleitoral” usar os bancos estatais para fazer política, seja usando seus lucros para ajudar a fechar as contas (como apontou relatório recente do Tribunal de Contas da União), seja usando a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil para forçar reduções de juros. Além disso, o partido que acusa o Santander de “terrorismo eleitoral” não vê problemas em frases como “Se o Aécio ganhar a eleição ele vai acabar com a conquista que se consolidou com o presidente Lula, de valorização do salário mínimo”, dita pelo presidente da CUT no evento de segunda-feira.
Na Argentina, onde o governo manipula os números da inflação, economistas já foram processados por divulgar estatísticas independentes, e a Justiça chegou a pedir dados pessoais de jornalistas que escreveram matérias sobre a alta de preços. Na sabatina de segunda-feira, Dilma prometeu “uma medida bastante séria” em relação ao Santander, sem entrar em detalhes e ressaltando que antes conversaria com a diretoria do banco. Se suas ações futuras forem guiadas pelo voluntarismo que ela deixou transparecer na reação ao episódio, será preciso lembrá-la de que o Brasil é uma democracia cuja Constituição felizmente impede qualquer medida de caráter ditatorial.
Sinal aceso pelo FMI
CORREIO BRAZILIENSE
Em outubro de 2013 - portanto, menos de um ano atrás -, relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a estabilidade financeira global apontava o Brasil como exemplo para outros países emergentes. Segundo o documento, a casa estava "em ordem", pronta para os desafios de uma economia mundial em transição. Até houve elogios à disposição do Banco Central brasileiro de elevar as taxas de juros. É fato que também não faltaram ressalvas. Uma delas, a necessidade de reforçar os mecanismos de resistência.
Nove meses depois, o FMI coloca o Brasil no saco de países emergentes mais vulneráveis a uma piora da economia global, com a África do Sul, a Argentina, a Índia, a Indonésia, a Rússia e a Turquia. O que teria mudado tanto nesse curto espaço de tempo? A instituição critica o baixo crescimento. Não há o que contestar. Afinal, a expansão do PIB este ano deve ficar abaixo de 1%. Outro problema persistente é a inflação, que deve chegar ao fim de 2014 em torno do teto da meta, fixado em 6,5%, sem contar a pressão contida dos preços administrados pelo governo, que em hora próxima terão de ser reajustados. PIB rateando e preços em ascensão bastam para definir a deterioração do quadro macroeconômico. Mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prefere desmerecer o relatório do FMI - segundo ele, produzido por escalações inferiores e recheado de velhos equívocos. Na reação, cita dados positivos, como a manutenção, pelo quarto ano consecutivo, dos investimentos estrangeiros diretos em patamar superior a US$ 60 bilhões em 12 meses. Acrescenta que o real valorizou-se 9,4% no primeiro semestre deste ano e que a Bolsa de Valores de São Paulo subiu 21,25% no mesmo período. Poderia, ainda, ter calçado as críticas ao fundo com números da oferta de emprego e da melhoria da renda no país, embora o ritmo desses avanços tenha perdido ímpeto.
Por fim, o ministro, numa apelação suprema, poderia questionar a coincidência de a instituição ter colocado no mesmo saco Brasil, África do Sul, Índia e Rússia, que, somados à China, formam o Brics, grupo que acaba de aprovar a criação de um fundo para reduzir a dependência dos emergentes em relação ao FMI. Não chegou a tanto. Mas melhor seria se admitisse outros graves poréns da economia brasileira, como as baixas taxas de investimento e de poupança interna, a infraestrutura incipiente, os gastos públicos exacerbados, as reformas (sobretudo, a tributária) sempre adiadas e por aí afora. Melhor, ainda, se respondesse com equilíbrio fiscal capaz de tornar inquebrantável a confiança no país.
Sem o devido eco, o sinal aceso pelo FMI corre o risco de ser, ao contrário, um fator a mais de desestabilização, usado apenas contra o país, instrumento de manipulação para especuladores internacionais. Ainda mais em cenário de acirrada disputa política, com a presidente da República empenhada em reeleger-se. Portanto, é bom pôr de lado o discurso eleitoreiro e cuidar de arrumar a casa. Afinal, se tudo estivesse realmente bem, com crescimento econômico e social sustentáveis, seria dispensável qualquer tentativa de desacreditar o fundo, e Dilma Rousseff dificilmente teria a reeleição em risco.
CORREIO BRAZILIENSE
Em outubro de 2013 - portanto, menos de um ano atrás -, relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a estabilidade financeira global apontava o Brasil como exemplo para outros países emergentes. Segundo o documento, a casa estava "em ordem", pronta para os desafios de uma economia mundial em transição. Até houve elogios à disposição do Banco Central brasileiro de elevar as taxas de juros. É fato que também não faltaram ressalvas. Uma delas, a necessidade de reforçar os mecanismos de resistência.
Nove meses depois, o FMI coloca o Brasil no saco de países emergentes mais vulneráveis a uma piora da economia global, com a África do Sul, a Argentina, a Índia, a Indonésia, a Rússia e a Turquia. O que teria mudado tanto nesse curto espaço de tempo? A instituição critica o baixo crescimento. Não há o que contestar. Afinal, a expansão do PIB este ano deve ficar abaixo de 1%. Outro problema persistente é a inflação, que deve chegar ao fim de 2014 em torno do teto da meta, fixado em 6,5%, sem contar a pressão contida dos preços administrados pelo governo, que em hora próxima terão de ser reajustados. PIB rateando e preços em ascensão bastam para definir a deterioração do quadro macroeconômico. Mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prefere desmerecer o relatório do FMI - segundo ele, produzido por escalações inferiores e recheado de velhos equívocos. Na reação, cita dados positivos, como a manutenção, pelo quarto ano consecutivo, dos investimentos estrangeiros diretos em patamar superior a US$ 60 bilhões em 12 meses. Acrescenta que o real valorizou-se 9,4% no primeiro semestre deste ano e que a Bolsa de Valores de São Paulo subiu 21,25% no mesmo período. Poderia, ainda, ter calçado as críticas ao fundo com números da oferta de emprego e da melhoria da renda no país, embora o ritmo desses avanços tenha perdido ímpeto.
Por fim, o ministro, numa apelação suprema, poderia questionar a coincidência de a instituição ter colocado no mesmo saco Brasil, África do Sul, Índia e Rússia, que, somados à China, formam o Brics, grupo que acaba de aprovar a criação de um fundo para reduzir a dependência dos emergentes em relação ao FMI. Não chegou a tanto. Mas melhor seria se admitisse outros graves poréns da economia brasileira, como as baixas taxas de investimento e de poupança interna, a infraestrutura incipiente, os gastos públicos exacerbados, as reformas (sobretudo, a tributária) sempre adiadas e por aí afora. Melhor, ainda, se respondesse com equilíbrio fiscal capaz de tornar inquebrantável a confiança no país.
Sem o devido eco, o sinal aceso pelo FMI corre o risco de ser, ao contrário, um fator a mais de desestabilização, usado apenas contra o país, instrumento de manipulação para especuladores internacionais. Ainda mais em cenário de acirrada disputa política, com a presidente da República empenhada em reeleger-se. Portanto, é bom pôr de lado o discurso eleitoreiro e cuidar de arrumar a casa. Afinal, se tudo estivesse realmente bem, com crescimento econômico e social sustentáveis, seria dispensável qualquer tentativa de desacreditar o fundo, e Dilma Rousseff dificilmente teria a reeleição em risco.
Economia vulnerável
Celso Ming - OESPO governo Dilma passou todos esses meses argumentando que a crise externa é quase a única responsável pelo baixíssimo desempenho da economia. Mas quando o Fundo Monetário Internacional (FMI) acentua a vulnerabilidade do Brasil à crise externa, o governo não gosta e desqualifica a conclusão.
Pois terça-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não gostou de que o Fundo Monetário Internacional observasse em relatório que "o Brasil é moderadamente frágil e corre o risco de se deteriorar rapidamente em um cenário de acentuada e prolongada queda no preço das commodities".
O que o FMI afirmou não é muito diferente do que a própria presidente Dilma disse no dia anterior. Ela rechaçou o argumento de que o baixo crescimento do PIB ao longo de seu mandato se deve a escolhas equivocadas de política econômica e o atribuiu, inteiramente, à crise externa. E mais, disse que o presidente Lula errou quando minimizou os efeitos internos da crise externa. Foi quando insistiu em que o efeito interno foi apenas "uma marolinha".
O Brasil é sim uma economia relativamente vulnerável. Tanto é vulnerável que está hoje mal na foto, atolada num avanço do PIB insignificante, inflação que vai chegando aos 7,0% ao ano, um rombo externo crescente e um câmbio relativamente achatado e estável apenas porque o Banco Central vem despejando US$ 80 bilhões em seis meses para sustentar a cotação do dólar.
Quando o FMI diz que o Brasil está mais vulnerável, não está dizendo coisa muito diferente do que tem sido dito também pelas agências de classificação de risco quando apontam para uma perda de qualidade dos títulos da dívida brasileira.
A discordância cabível diz respeito à razão dessa vulnerabilidade. E, aí sim, vemos que as opções de política econômica adotadas nos últimos anos é que minaram a capacidade de resistência da economia do Brasil à crise.
A fragilidade e a enorme perda de capacidade de competição da indústria brasileira são consequência do mesmo fenômeno. Assim, num cenário de forte queda dos preços das commodities que derrube as exportações e aumente o rombo nas contas externas, não é possível esperar que a indústria compense eventual enfraquecimento das receitas de moeda estrangeira obtidas com essas exportações de produtos primários.
Quando o governo não gosta de uma análise, parte logo para a desqualificação, como se feita por quem não entende, por um sub do sub. No caso do relatório do FMI, Mantega preferiu dizer que é conclusão de um trabalho não assumido pela direção do FMI.
Repete-se aqui o mesmo tratamento dado pelo governo à avaliação feita por um analista do Banco Santander que apenas avisou aos investidores de que uma melhora da presidente Dilma nas pesquisas de intenção de voto tenderia a produzir desvalorização dos ativos brasileiros, principalmente das ações.
O governo parece descobrir tardiamente que a desarrumação da economia é um tema que começa a ser usado eleitoralmente pela oposição. No entanto, em vez de blindar a economia brasileira com políticas consistentes ou de tomar decisões que revertam o baixo nível de confiança, o governo prefere negar a desarrumação e desqualificar quem as denuncia.
De costas para a realidade
O Estado de S.Paulo
O Brasil estaria bem melhor, com maior
crescimento, inflação menor, exportações bombando e contas públicas mais
sólidas, se o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconhecesse os
problemas e gastasse menos tempo negando fatos bem conhecidos por
qualquer pessoa razoavelmente informada. Ele se envolveu em mais uma
batalha desse tipo, nesta semana, em mais um esforço inútil para
contestar avaliações apresentadas em relatórios do Fundo Monetário
Internacional (FMI). No primeiro documento, sobre efeitos colaterais de
mudanças na política dos países mais importantes, o Brasil é incluído na
lista dos sete emergentes mais vulneráveis. Os outros são Rússia,
Turquia, Indonésia, Índia, Argentina e África do Sul. No segundo, a
situação das contas externas brasileiras é apresentada como
"moderadamente frágil", com risco de rápida piora, em caso de forte
desvalorização dos produtos básicos. Segundo o
ministro, o FMI repetiu, no primeiro estudo, um erro cometido há meses
por outras instituições, quando incluíram o Brasil na lista dos países
mais sujeitos a problemas, se as condições financeiras ficassem mais
apertadas. O Brasil, segundo ele, enfrentou muito bem as dificuldades já
ocasionadas pela mudança na política monetária americana. O câmbio,
disse o ministro, está estabilizado e o País continua sendo um dos
principais destinos do investimento estrangeiro direto.Mas
ele deixou de mencionar dois detalhe importantes. O real foi uma das
moedas mais afetadas pelas mudanças nos mercados cambiais, no ano
passado, e a instabilidade só foi contida graças a repetidas
intervenções do Banco Central (BC). Essas intervenções foram mantidas
neste ano, para impedir ou limitar o efeito inflacionário da depreciação
do câmbio. Além disso, o investimento estrangeiro direto continua
insuficiente - como já foi no ano anterior - para cobrir o déficit na
conta corrente do balanço de pagamentos. Caiu, portanto, a qualidade do
financiamento necessário ao fechamento das contas externas.
O esquecimento, ou negligência proposital, desses dois detalhes deixou na sombra um amplo conjunto de problemas. Nem o governo prevê para este ano um crescimento econômico superior a 1,8%, número apontado há poucas semanas pelo Ministério do Planejamento. No mercado, as projeções são inferiores a 1%. O FMI, em sua última revisão do panorama econômico mundial, baixou de 1,8% para 1,3% a estimativa de expansão do PIB brasileiro. Reduziu as projeções para outros países, também, mas os números previstos para o Brasil estão entre os piores, no cenário global, e desde o ano passado têm sido revistos para baixo.
O ministro da Fazenda está certo quanto a um ponto: o FMI tem errado em relação à economia brasileira. Mas tem errado por excesso de otimismo e por levar a sério, mais do que deveria, a política de Brasília.
O Brasil, como outros emergentes, perdeu dinamismo nos últimos anos e isso se deve, segundo a análise do FMI, mais a fatores estruturais do que à conjuntura internacional. São problemas internos: infraestrutura deficiente, contas públicas em mau estado, inflação elevada e contas externas em deterioração.
O câmbio valorizado é parte do problema, admitem os analistas do FMI. Mas eles poderiam acrescentar: esse problema persistirá enquanto a inflação for muito alta e o BC, para atenuar a alta de preços, intervier no mercado para conter a depreciação do real.
Todos esses problemas têm sido extensamente discutidos por economistas brasileiros e estrangeiros. Mas o governo se recusa a enfrentá-los seriamente. As autoridades têm preferido maquiar as contas públicas e administrar os índices de inflação, contendo os preços de combustíveis, da eletricidade e do transporte público.
A situação "moderadamente frágil" das contas externas é um complemento previsível desse quadro. O País dispõe de reservas próximas de US$ 380 bilhões e isso proporciona alguma segurança. Mas a segurança efetiva e duradoura só poderia provir de um aumento da produtividade geral do País e da competitividade. Disso o governo tem cuidado muito mal.
O Estado de S.Paulo
O esquecimento, ou negligência proposital, desses dois detalhes deixou na sombra um amplo conjunto de problemas. Nem o governo prevê para este ano um crescimento econômico superior a 1,8%, número apontado há poucas semanas pelo Ministério do Planejamento. No mercado, as projeções são inferiores a 1%. O FMI, em sua última revisão do panorama econômico mundial, baixou de 1,8% para 1,3% a estimativa de expansão do PIB brasileiro. Reduziu as projeções para outros países, também, mas os números previstos para o Brasil estão entre os piores, no cenário global, e desde o ano passado têm sido revistos para baixo.
O ministro da Fazenda está certo quanto a um ponto: o FMI tem errado em relação à economia brasileira. Mas tem errado por excesso de otimismo e por levar a sério, mais do que deveria, a política de Brasília.
O Brasil, como outros emergentes, perdeu dinamismo nos últimos anos e isso se deve, segundo a análise do FMI, mais a fatores estruturais do que à conjuntura internacional. São problemas internos: infraestrutura deficiente, contas públicas em mau estado, inflação elevada e contas externas em deterioração.
O câmbio valorizado é parte do problema, admitem os analistas do FMI. Mas eles poderiam acrescentar: esse problema persistirá enquanto a inflação for muito alta e o BC, para atenuar a alta de preços, intervier no mercado para conter a depreciação do real.
Todos esses problemas têm sido extensamente discutidos por economistas brasileiros e estrangeiros. Mas o governo se recusa a enfrentá-los seriamente. As autoridades têm preferido maquiar as contas públicas e administrar os índices de inflação, contendo os preços de combustíveis, da eletricidade e do transporte público.
A situação "moderadamente frágil" das contas externas é um complemento previsível desse quadro. O País dispõe de reservas próximas de US$ 380 bilhões e isso proporciona alguma segurança. Mas a segurança efetiva e duradoura só poderia provir de um aumento da produtividade geral do País e da competitividade. Disso o governo tem cuidado muito mal.
A inútil irritação oficial com o mercado
Em vez de criticar banco, o FMI ou analistas, o governo deveria encarar a vida real e agir. Por exemplo, para o Brasil enfrentar o impacto da alta dos juros nos EUA
O Globo
O governo enfrenta, nos últimos dias, uma crise no relacionamento com os fatos econômicos. A primeira grande rusga ocorreu em torno de uma análise feita no Santander para clientes preferenciais. O banco entrou na mira da artilharia oficial e da campanha à reeleição da presidente, por citar algo já conhecido: a bolsa tem subido quando saem pesquisas negativas para o projeto da reeleição, e vice-versa.
Essas oscilações relacionadas a sondagens eleitorais são interpretadas como reação de investidores em ações de empresas estatais que pagam alto preço devido ao intervencionismo característico da administração Dilma. A Petrobras é o exemplo mais evidente, forçada a acumular perdas majestosas por subsidiar o preço interno de combustíveis, e com isso adiar pressões sobre a inflação. O investidor em ações faz uma dedução lógica: se Dilma não se reeleger, a empresa deixará de perder dinheiro, e ele, acionista, receberá mais dividendos.
Logo em seguida, na terça, veio o desgosto, expresso pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, com o Fundo Monetário Internacional. Agora, devido a um relatório em que se alinham pontos críticos da economia brasileira. Também aqui, nada de novo. São questões que há tempos estão no mapeamento dos problemas brasileiros feito por analistas independentes.
Os técnicos do Fundo não veem como o Brasil voltará a crescer a taxas razoáveis - a última estimativa do FMI para este ano é de 1,3%, e 0,9% na projeção de analistas do setor financeiro do país -se não executar reformas estruturais. A própria gerente-geral do Fundo, a francesa Christine Lagarde, listou tarefas a serem executadas em Brasília: combater a inflação, os desequilíbrios fiscais, os déficits externos. Tudo também por demais conhecido.
Em vez de se crispar e responder no reflexo, de forma agressiva, a qualquer crítica sobre a economia, o governo deveria entender as análises, reconhecer que há mesmo problemas e tratar de manejar com esta realidade.
Não adianta praguejar contra o mercado. Subsidiar preços, comprimir inflação com tarifas atrasadas, dar subsídios fiscais pesados ao setor elétrico, na verdade um "esqueleto" em construção nas contas públicas, etc. apenas adiam problemas. E os agravam. É óbvio.
O tempo não para, e o mundo, por exemplo, precisa se preparar para o momento em que os Estados Unidos acabarão de vez com a política monetária expansionista e voltarão a elevar os juros. No segundo trimestre, soube-se ontem, os EUA cresceram à taxa anualizada de 4% - algo como quatro vezes mais rápido que o Brasil.
Em vez de criticar analista de banco, o FMI e o mercado, o Planalto precisa encarar a vida real. E agir. A economia brasileira sofrerá um impacto maior ou menor dessa guinada americana a depender de atitudes que o governo assumir agora diante de evidentes vulnerabilidades.
Em vez de criticar banco, o FMI ou analistas, o governo deveria encarar a vida real e agir. Por exemplo, para o Brasil enfrentar o impacto da alta dos juros nos EUA
O Globo
O governo enfrenta, nos últimos dias, uma crise no relacionamento com os fatos econômicos. A primeira grande rusga ocorreu em torno de uma análise feita no Santander para clientes preferenciais. O banco entrou na mira da artilharia oficial e da campanha à reeleição da presidente, por citar algo já conhecido: a bolsa tem subido quando saem pesquisas negativas para o projeto da reeleição, e vice-versa.
Essas oscilações relacionadas a sondagens eleitorais são interpretadas como reação de investidores em ações de empresas estatais que pagam alto preço devido ao intervencionismo característico da administração Dilma. A Petrobras é o exemplo mais evidente, forçada a acumular perdas majestosas por subsidiar o preço interno de combustíveis, e com isso adiar pressões sobre a inflação. O investidor em ações faz uma dedução lógica: se Dilma não se reeleger, a empresa deixará de perder dinheiro, e ele, acionista, receberá mais dividendos.
Logo em seguida, na terça, veio o desgosto, expresso pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, com o Fundo Monetário Internacional. Agora, devido a um relatório em que se alinham pontos críticos da economia brasileira. Também aqui, nada de novo. São questões que há tempos estão no mapeamento dos problemas brasileiros feito por analistas independentes.
Os técnicos do Fundo não veem como o Brasil voltará a crescer a taxas razoáveis - a última estimativa do FMI para este ano é de 1,3%, e 0,9% na projeção de analistas do setor financeiro do país -se não executar reformas estruturais. A própria gerente-geral do Fundo, a francesa Christine Lagarde, listou tarefas a serem executadas em Brasília: combater a inflação, os desequilíbrios fiscais, os déficits externos. Tudo também por demais conhecido.
Em vez de se crispar e responder no reflexo, de forma agressiva, a qualquer crítica sobre a economia, o governo deveria entender as análises, reconhecer que há mesmo problemas e tratar de manejar com esta realidade.
Não adianta praguejar contra o mercado. Subsidiar preços, comprimir inflação com tarifas atrasadas, dar subsídios fiscais pesados ao setor elétrico, na verdade um "esqueleto" em construção nas contas públicas, etc. apenas adiam problemas. E os agravam. É óbvio.
O tempo não para, e o mundo, por exemplo, precisa se preparar para o momento em que os Estados Unidos acabarão de vez com a política monetária expansionista e voltarão a elevar os juros. No segundo trimestre, soube-se ontem, os EUA cresceram à taxa anualizada de 4% - algo como quatro vezes mais rápido que o Brasil.
Em vez de criticar analista de banco, o FMI e o mercado, o Planalto precisa encarar a vida real. E agir. A economia brasileira sofrerá um impacto maior ou menor dessa guinada americana a depender de atitudes que o governo assumir agora diante de evidentes vulnerabilidades.
O presidente do Santander parece disposto a provar que é o único executivo do mundo capaz de dirigir de joelhos um grande banco
Augusto Nunes - VEJA
Augusto Nunes - VEJA
Faz
três dias que o presidente do Santander tenta falar por telefone com a
presidente da República. Faz três dias que Dilma Rousseff manda dizer
que está ocupada. Mas é improvável que Emilio Botín desista de ampliar o
notável acervo de humilhações acumulado desde sexta-feira, quando soube
da colérica reação dos donos do poder ao retrato sem retoques da
paisagem econômica brasileira distribuído pelo banco entre um grupo de
clientes.
Pelo que anda fazendo, Botín parece disposto a provar que é o único executivo do mundo capaz de dirigir um grande banco de joelhos. Primeiro, ajoelhou-se diante de Dilma com um pedido de desculpas que a destinatária, na sabatina da Folha, rebaixou a “protocolar”. Depois, ajoelhou-se diante de Lula para entregar-lhe a cabeça da profissional que coordenou com correção e competência o trabalho encomendado pela direção do Santander.
“Essa moça não entende porra nenhuma de Brasil e de governo Dilma”, berrara o palanque ambulante numa discurseira para os companheiros amestrados da CUT. A ofensa do grosseirão vocacional, que só sabe ser generoso na hora de pagar com dinheiro público a gastança das roses noronhas, precedeu a exigência repulsiva: o antigo dirigente sindical cobrou a demissão de uma bancária: “Manter uma mulher dessa num cargo de chefia, sinceramente… Pode mandar ela embora e dar o bônus dela para mim”.
A primeira ordem já foi cumprida. Falta acertar o tamanho do bônus. Feito isso, só faltará sujeitar-se às vontades do PT, que considera “terrorismo eleitoral” qualquer reparo à desastrosa política econômica do governo lulopetista. Se tornar definitiva a opção preferencial pela vassalagem, Botín terá de escolher entre dois becos sem saída.
O primeiro começa na interrupção dos diagnósticos que esmiuçam o quadro político-econômico e termina à beira do penhasco. O Santander pode perder uma imensidão de contas para os bancos que continuarão a valer-se de análises escritas ou relatórios verbais para contar aos clientes o que não é novidade sequer para os índios das tribos isoladas: a possível reeleição de Dilma é uma hipótese apavorante para quem costuma ver as coisas como as coisas são ─ e vê o que fez em três anos e meio o poste que Lula instalou no Planalto.
O segundo beco sem saída começa na fabricação de análises desenhadas para agradar ao governo, passa ao largo de pedidos de desculpas à oposição e acaba no buraco negro da credibilidade zero. Caso decida avançar por aí, Botín não demorará a presidir uma instituição com a imagem em frangalhos. Em compensação, não terá dificuldades para conseguir uma audiência de meia hora com a chefe de governo.
A temperatura do encontro ficará especialmente agradável se Botin presentear Dilma Rousseff com um par de sapatos para dormir. Talvez até consiga convencer a presidente a aplicar no Santander aqueles 152 mil que guarda debaixo do colchão.
Pelo que anda fazendo, Botín parece disposto a provar que é o único executivo do mundo capaz de dirigir um grande banco de joelhos. Primeiro, ajoelhou-se diante de Dilma com um pedido de desculpas que a destinatária, na sabatina da Folha, rebaixou a “protocolar”. Depois, ajoelhou-se diante de Lula para entregar-lhe a cabeça da profissional que coordenou com correção e competência o trabalho encomendado pela direção do Santander.
“Essa moça não entende porra nenhuma de Brasil e de governo Dilma”, berrara o palanque ambulante numa discurseira para os companheiros amestrados da CUT. A ofensa do grosseirão vocacional, que só sabe ser generoso na hora de pagar com dinheiro público a gastança das roses noronhas, precedeu a exigência repulsiva: o antigo dirigente sindical cobrou a demissão de uma bancária: “Manter uma mulher dessa num cargo de chefia, sinceramente… Pode mandar ela embora e dar o bônus dela para mim”.
A primeira ordem já foi cumprida. Falta acertar o tamanho do bônus. Feito isso, só faltará sujeitar-se às vontades do PT, que considera “terrorismo eleitoral” qualquer reparo à desastrosa política econômica do governo lulopetista. Se tornar definitiva a opção preferencial pela vassalagem, Botín terá de escolher entre dois becos sem saída.
O primeiro começa na interrupção dos diagnósticos que esmiuçam o quadro político-econômico e termina à beira do penhasco. O Santander pode perder uma imensidão de contas para os bancos que continuarão a valer-se de análises escritas ou relatórios verbais para contar aos clientes o que não é novidade sequer para os índios das tribos isoladas: a possível reeleição de Dilma é uma hipótese apavorante para quem costuma ver as coisas como as coisas são ─ e vê o que fez em três anos e meio o poste que Lula instalou no Planalto.
O segundo beco sem saída começa na fabricação de análises desenhadas para agradar ao governo, passa ao largo de pedidos de desculpas à oposição e acaba no buraco negro da credibilidade zero. Caso decida avançar por aí, Botín não demorará a presidir uma instituição com a imagem em frangalhos. Em compensação, não terá dificuldades para conseguir uma audiência de meia hora com a chefe de governo.
A temperatura do encontro ficará especialmente agradável se Botin presentear Dilma Rousseff com um par de sapatos para dormir. Talvez até consiga convencer a presidente a aplicar no Santander aqueles 152 mil que guarda debaixo do colchão.
"Botin, é o seguinte, querido. Eu
tenho consciência de que não foi você que falou, mas essa moça tua que
falou não entende porra nenhuma de Brasil e não entende nada de governo
Dilma. Manter uma mulher dessa em um cargo de chefia? Pode mandar
embora."
Ex-presidente Lula, ao reclamar do boletim enviado pelo Banco Santander aos seus clientes de alta renda sobre a relação das pesquisas eleitorais com a aprovação do governo Dilma.
Ex-presidente Lula, ao reclamar do boletim enviado pelo Banco Santander aos seus clientes de alta renda sobre a relação das pesquisas eleitorais com a aprovação do governo Dilma.
Néstor Kirchner e Chávez são declarados cidadãos ilustres do Mercosul
Documento foi elaborado durante Cúpula de Presidentes em Caracas
OESP
CARACAS – Néstor Kirchner e Hugo Chávez foram declarados na terça-feira 29 cidadãos ilustres do Mercosul na Cúpula de Presidentes realizada em Caracas, a primeira do bloco a ser realizada na Venezuela.
“Foram declarados como cidadãos ilustres do Mercosul o companheiro Néstor Kirchner e o companheiro Hugo Chávez Frias, que foram líderes deste processo de unificação da América do Sul”, afirmou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
O texto de reconhecimento a Kirchner, que morreu em 2010, destaca a “longa trajetória de compromisso com a política, ao colocá-la como o instrumento válido para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, a partir de profundos ideais e convicções”.
“É irrefutável sua contribuição à recuperação econômica da Argentina, à inclusão da mulher nos poderes públicos e sua luta para acabar com as leis que protegiam militares e civis envolvidos em crimes contra a humanidade durante a última ditadura militar”, diz o documento.
O texto também ressalta a disposição de Kirchner para fortalecer os mecanismos de integração na América do Sul e a vontade para reforçar o Mercosul e reconhece sua destreza política, “credenciais indiscutíveis para sua designação como secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul)”.
No caso de Chávez, que morreu no ano passado, a declaração de cidadão ilustre fala de seu “forte compromisso com a integração dos povos da América Latina e o Caribe, a profunda compreensão da realidade da região” e “sua inabalável vontade pela defesa e preservação dos princípios de soberania e autodeterminação dos povos”.
“(Ressaltamos) seu esforço para incorporar a República Bolivariana da Venezuela ao Mercosul, entendendo que constituiria a via mais adequada para a construção da União Sul-Americana”, que ocorreu em junho de 2012, diz o documento.
Chávez foi reconhecido ainda pela “coragem com a qual enfrentou todo tipo de ameaça formulada pelos grandes poderes econômicos nacionais e transnacionais”, pela “dignidade com a qual representou seu país perante os fóruns internacionais”, e sua “indubitável contribuição” ao dar visibilidade à região no mundo.
Documento foi elaborado durante Cúpula de Presidentes em Caracas
OESP
CARACAS – Néstor Kirchner e Hugo Chávez foram declarados na terça-feira 29 cidadãos ilustres do Mercosul na Cúpula de Presidentes realizada em Caracas, a primeira do bloco a ser realizada na Venezuela.
“Foram declarados como cidadãos ilustres do Mercosul o companheiro Néstor Kirchner e o companheiro Hugo Chávez Frias, que foram líderes deste processo de unificação da América do Sul”, afirmou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
O texto de reconhecimento a Kirchner, que morreu em 2010, destaca a “longa trajetória de compromisso com a política, ao colocá-la como o instrumento válido para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, a partir de profundos ideais e convicções”.
“É irrefutável sua contribuição à recuperação econômica da Argentina, à inclusão da mulher nos poderes públicos e sua luta para acabar com as leis que protegiam militares e civis envolvidos em crimes contra a humanidade durante a última ditadura militar”, diz o documento.
O texto também ressalta a disposição de Kirchner para fortalecer os mecanismos de integração na América do Sul e a vontade para reforçar o Mercosul e reconhece sua destreza política, “credenciais indiscutíveis para sua designação como secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul)”.
No caso de Chávez, que morreu no ano passado, a declaração de cidadão ilustre fala de seu “forte compromisso com a integração dos povos da América Latina e o Caribe, a profunda compreensão da realidade da região” e “sua inabalável vontade pela defesa e preservação dos princípios de soberania e autodeterminação dos povos”.
“(Ressaltamos) seu esforço para incorporar a República Bolivariana da Venezuela ao Mercosul, entendendo que constituiria a via mais adequada para a construção da União Sul-Americana”, que ocorreu em junho de 2012, diz o documento.
Chávez foi reconhecido ainda pela “coragem com a qual enfrentou todo tipo de ameaça formulada pelos grandes poderes econômicos nacionais e transnacionais”, pela “dignidade com a qual representou seu país perante os fóruns internacionais”, e sua “indubitável contribuição” ao dar visibilidade à região no mundo.
Argentina não chega a acordo com fundos e mediador fala em calote
Ministro da Economia diz
que situação é injusta e irresponsável, refuta a ideia de um default e
afirma que país vai tomar todas as medidas cabíveis para que essa
situação não se perpetue
O Estado de S. Paulo
O ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof,
anunciou na noite desta quarta-feira, durante coletiva de imprensa em
Nova York, que o país não chegou a um acordo com os chamados fundos
"abutres" - que não aceitaram a reestruturação da dívida do país.
Durante o pronunciamento, Kicillof refutou a ideia de um calote, já que essa situação não estaria prevista nos contratos. "A Argentina pagou, tem dinheiro e vai seguir pagando nos próximos vencimentos", disse o ministro. Recentemente, exemplificou ele, o país desembolsou US$ 650 milhões para o Clube de Paris (que reúne países desenvolvidos). Ele destacou ainda que a situação é inédita e insólita.
"Primeiro, não vamos firmar nenhum compromisso que comprometa o futuro da Argentina. Segundo, vamos defender o pagamento daqueles que aceitaram a reestruturação da dívida. Terceiro, vamos tomar todas as medidas e sanções dos direitos nacional e internacional para que essa situação inédita e insólita não se perpetue no tempo", afirmou.
O ministro também desqualificou a decisão da agência de classificação de risco S&P de rebaixar a nota de crédito do país para "default seletivo". "Quem crê nas agências de crédito hoje em dia? Quem acredita que elas sejam referências imparciais? Como (a agência) vai penalizar um país solvente?", questionou Kicillof .
Em nota divulgada nesta noite, o mediador Daniel Pollack alertou que o default prejudicará diretamente os cidadãos argentinos. "Independentemente de qualquer declaração em contrário, default não é uma condição meramente 'técnica', mas um evento real e doloroso que vai prejudicar pessoas reais; elas incluem todos os cidadãos argentinos comuns, os credores 'da troca' (que não receberão seus juros) e os recalcitrantes (que não receberão o pagamento dos julgamentos que eles obtiveram em tribunal)", diz o comunicado.
Pollack afirmou que continuará disponível para as partes, para ajudá-las a alcançar uma resolução. "Não se pode permitir que um default se torne uma condição permanente, ou a República da Argentina e os credores, tanto os da troca como os recalcitrantes, sofrerão danos cada vez mais penosos, e o cidadão comum da Argentina será a vítima real e derradeira", destaca a nota.
A crise. Em 1998, a Argentina entrou em recessão e tinha pela frente pagamentos devastadores da sua dívida internacional. Como desejava evitar o calote, organizou em 2001 uma “swap de dívida”, pedindo aos investidores para trocarem os títulos vencidos por outros de prazo mais longo.
A troca não solucionou os problemas. Em dezembro de 2001, a Argentina declarou que deixaria de pagar US$ 100 bilhões. O governo organizou outras duas trocas de títulos em 2005 e 2010, oferecendo aos credores novos títulos com valor muito menor do que os antigos.
Fundos 'abutres'. Alguns fundos de hedge, no entanto, se recusaram a participar das trocas em 2005 e 2010 e resistiram, à espera de um acordo melhor. Esses credores que resistiram moveram ação contra o país em tribunais dos EUA para forçar a Argentina a pagar de acordo com as condições acertadas quando os títulos foram vendidos, antes de 2001. O governo argentino chama esses investidores de “fundos abutres”.
O juiz do tribunal de Manhattan, Thomas Griesa, decidiu em 2010 que os credores que rejeitaram a oferta inicial da Argentina deviam receber o pagamento integral - US$ 1,33 bilhão. Com os juros, o valor chegaria a US$ 1,5 bilhão.
Griesa bloqueou um pagamento de US$ 539 milhões que a Argentina deveria realizar em 30 de junho deste ano para detentores de títulos da dívida reestruturada. Segundo o juiz, o país estaria violando suas ordens, salvo se pagasse também o que deve aos autores da ação. Um período de 30 dias para pagar a dívida reestruturada expirou nesta quarta-feira, 30 de julho.
Cláusula 'Rufo'. Uma cláusula nos acordos de reestruturação de dívida - chamada "Rufo", sigla de Rights upon future offers (Direitos sobre ofertas futuras) - proíbe o governo de oferecer voluntariamente aos demandantes um acordo melhor do que o oferecido aos investidores que firmaram o acordo de troca de títulos em 2005 e 2010. A cláusula expira em 31 de dezembro. Se a Argentina não cumprir esse acordo, os outros credores podem mover uma ação contra o país no valor de US$ 120 bilhões.
Do blog:
Como duas mulheres conseguiram destruir as duas maiores economias da A. do Sul?
Falsa citação de Drauzio Varella tem destaque em redes sociais na França
Samuel Laurent - Le Monde
Bruno Pedersoli/UOL
O médico brasileiro Drauzio Varella
Se você frequenta as redes sociais, é muito provável que tenha visto em algum momento, de uma forma ou de outra, uma imagem na qual o oncologista brasileiro Drauzillo Varella, apresentado como ganhador do Prêmio Nobel de Medicina, teria dito, em uma data indeterminada: "No mundo atual, está se investindo cinco vezes mais em remédios para virilidade masculina e em silicone para mulheres do que na cura do Mal de Alzheimer. Daqui a alguns anos, teremos velhas de seios grandes e velhos de pinto duro, mas que não se lembrarão para que servem".
As versões variam de forma sutil, dependendo da tradução. E a frase é citada abundantemente desde 2012. Da mesma forma, o "Nobel" do dr. Varella lhe é atribuído tanto em 2009, quanto em 2011 e 2012. Mas essas distorções poderiam ser atribuídas a erros de transcrição.
Não há nada de surpreendente nesse sucesso, uma vez que a frase é até engraçada. Só que ela nunca foi dita por um Prêmio Nobel de Medicina. Nem pelo dr. Varella.
Não existe nenhum Drauzillo Varella, mas sim um Drauzio Varella, que de fato é oncologista e aparece com frequência na mídia brasileira, sendo conhecido por seus posicionamentos, sobretudo em favor do ateísmo e do ceticismo, e por popularizar a medicina, segundo sua página na Wikipédia.
Ele possui um site oficial, que traz sua extensa bibliografia. Mas – o primeiro erro – ele nunca ganhou o Prêmio Nobel de Medicina. Basta consultar a lista dos laureados para constatar.
Mas o mais importante é que o dr. Varella nunca disse essa frase. Bastante irritado, lamentando o sucesso dessa citação apócrifa, ele explicou em 2009 ao jornal "Folha de São Paulo", que fazia um artigo sobre as falsas citações de celebridades:
"Não faço ideia de quanto se investe na cura do Mal de Alzheimer, e eu nunca teria feito uma comparação dessas." E ainda ironiza: "Sou contra a prisão perpétua, mas sou a favor dela para quem escreve textos apócrifos na internet".
É possível encontrar registros de uma versão parecida dessa citação desde 2007 no site Answerbag, por exemplo. E até antes, em 2005, em uma seção do fórum IGN, que citava a mesma coisa. Ou mais longe ainda: já em 2004, um internauta anônimo, Tsu, fazia mais ou menos a mesma piada em um fórum de físicos.
O vestígio mais antigo que se pode encontrar dessa frase, em versão inglesa, remonta a 1999, em um site de motoqueiros britânicos de Devon.
Então a farsa é antiga e já foi desmontada. Na França, ela já havia sido revelada no blog "Bouilloire magique" em 2012, mas nem por isso deixou de ser espalhada. Provavelmente porque quando é atribuída a uma sumidade, ela adquire mais força. "Quando a lenda for mais interessante que a realidade, publique a lenda", disse o personagem de um repórter no filme de John Ford, "O homem que matou o facínora" (1962).
Espanha é segundo país que mais recicla plástico na União Europeia
María Alejandra Torres - El País
Garrafas de água e refrigerante, embalagens de comida ou detergente, sacolas, bandejas, tigelas... os plásticos vão com frequência cada vez maior da casa para o latão amarelo. As famílias espanholas reciclaram 56,6% das 656 mil toneladas postas no mercado em 2013, quantidade que transforma o país no segundo da UE que mais recicla material por habitante, segundo o relatório apresentado na terça-feira (29) pela Cicloplast.
María Alejandra Torres - El País
Garrafas de água e refrigerante, embalagens de comida ou detergente, sacolas, bandejas, tigelas... os plásticos vão com frequência cada vez maior da casa para o latão amarelo. As famílias espanholas reciclaram 56,6% das 656 mil toneladas postas no mercado em 2013, quantidade que transforma o país no segundo da UE que mais recicla material por habitante, segundo o relatório apresentado na terça-feira (29) pela Cicloplast.
Os espanhóis separaram 371.218 toneladas de
plásticos no ano passado, 3,7% a mais que no ano anterior e o triplo de
uma década atrás. Com esse volume é possível encher 28 estádios do
tamanho do Santiago Bernabéu, em Madri. Concretamente, cada cidadão
reciclou 7,7 quilos de material, número que fica acima da média europeia
- 7,1 quilos por habitante - e à frente de países como Reino Unido,
Itália, Bélgica e Finlândia. A Alemanha encabeça a lista, com 12 quilos
por habitante.
Apesar dos resultados, a Espanha "não pode dormir no ponto", explicou Teresa Martínez, diretora geral do Cicloplast. Apesar de o país "superar e duplicar" a meta de reciclagem estabelecida pela diretriz europeia em 2008, que se situa em 22,5%, Bruxelas já definiu uma nova meta para 2025: 60% de reciclagem de plásticos e zero resíduos recicláveis nos depósitos.
Separar os detritos não é suficiente, e Martínez reconhece que "só com a reciclagem" não se poderá alcançar o objetivo. É necessário que paralelamente se promovam estratégias como o uso mais frequente dos materiais no âmbito energético e se ofereçam produtos reciclados de alto valor agregado.
Como exemplo, Martínez falou sobre dois projetos nos quais a entidade trabalha. Um deles é o Prowaste, desenvolvido em nível europeu com a participação da empresa espanhola Solteco, para criar perfis de madeira plástica. A organização também promoveu - com a empresa Ferrovial e as universidades Politécnica da Catalunha e de Alcalá - uma iniciativa nacional para usar plásticos na fabricação de asfalto modificado.
No país, à diferença do que ocorre em outros, são recolhidos todos os tipos de recipientes plásticos, rígidos e flexíveis. São depositados nos 360.369 latões amarelos cujo conteúdo é depois separado nas 96 usinas de seleção. Aqui são divididos em quatro categorias: garrafas de água e refrescos; recipientes de detergente; sacolas e iogurtes; bandejas e tigelas.
O relatório da Cicloplast, organização dedicada à promoção da reciclagem e integrada por empresas do setor, indica que a maior parte do material se destina à fabricação de chapas e sacolas (27,8%), tubos (21,89%), peças industriais (18,17%), sacos de lixo (16,3%), produtos como cabides, calçados e mobiliário urbano (11,86%), garrafas e galões (2,24%), entre outros.
A Comissão Europeia também sugeriu reduzir o uso das sacolas plásticas em 80%, porque 8 milhões delas acabam no lixo todo ano. Para Martínez, mais que proibir, as medidas devem apontar a solução. "Mais que o material com que são fabricadas, o problema dessas sacolas é sua condição de uso único", explicou ao citar estudos da Cicloplast com a Universidade Pompeu Fabra. Uma das alternativas que a organização promove é o uso de sacolas reutilizáveis de polietileno. Uma coisa a menos no lixo.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Apesar dos resultados, a Espanha "não pode dormir no ponto", explicou Teresa Martínez, diretora geral do Cicloplast. Apesar de o país "superar e duplicar" a meta de reciclagem estabelecida pela diretriz europeia em 2008, que se situa em 22,5%, Bruxelas já definiu uma nova meta para 2025: 60% de reciclagem de plásticos e zero resíduos recicláveis nos depósitos.
Separar os detritos não é suficiente, e Martínez reconhece que "só com a reciclagem" não se poderá alcançar o objetivo. É necessário que paralelamente se promovam estratégias como o uso mais frequente dos materiais no âmbito energético e se ofereçam produtos reciclados de alto valor agregado.
Como exemplo, Martínez falou sobre dois projetos nos quais a entidade trabalha. Um deles é o Prowaste, desenvolvido em nível europeu com a participação da empresa espanhola Solteco, para criar perfis de madeira plástica. A organização também promoveu - com a empresa Ferrovial e as universidades Politécnica da Catalunha e de Alcalá - uma iniciativa nacional para usar plásticos na fabricação de asfalto modificado.
No país, à diferença do que ocorre em outros, são recolhidos todos os tipos de recipientes plásticos, rígidos e flexíveis. São depositados nos 360.369 latões amarelos cujo conteúdo é depois separado nas 96 usinas de seleção. Aqui são divididos em quatro categorias: garrafas de água e refrescos; recipientes de detergente; sacolas e iogurtes; bandejas e tigelas.
O relatório da Cicloplast, organização dedicada à promoção da reciclagem e integrada por empresas do setor, indica que a maior parte do material se destina à fabricação de chapas e sacolas (27,8%), tubos (21,89%), peças industriais (18,17%), sacos de lixo (16,3%), produtos como cabides, calçados e mobiliário urbano (11,86%), garrafas e galões (2,24%), entre outros.
A Comissão Europeia também sugeriu reduzir o uso das sacolas plásticas em 80%, porque 8 milhões delas acabam no lixo todo ano. Para Martínez, mais que proibir, as medidas devem apontar a solução. "Mais que o material com que são fabricadas, o problema dessas sacolas é sua condição de uso único", explicou ao citar estudos da Cicloplast com a Universidade Pompeu Fabra. Uma das alternativas que a organização promove é o uso de sacolas reutilizáveis de polietileno. Uma coisa a menos no lixo.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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