quinta-feira, 30 de julho de 2015

Dólar mais caro veio para ficar, diz ministro do Desenvolvimento
Real foi divisa que mais perdeu força ante o dólar neste ano; exportações recuaram 15%
FÁBIO MONTEIRO - FSP
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, afirmou nesta quarta-feira (29) que o cenário de dólar mais caro "veio para ficar" e que o câmbio elevado ajudará a compensar outras dificuldades enfrentadas pelos exportadores brasileiros.
"Na nossa avaliação, teremos um câmbio amigável ao setor exportador, alinhado às necessidades do comércio exterior brasileiro", afirmou.
Preferindo não citar qual seria o patamar ideal do dólar para um equilíbrio entre importações e exportações, Monteiro disse que o atual momento tem criado condições melhores para empresas que desejam vender seus produtos no exterior, compensando desvantagens competitivas do Brasil, como custos logísticos e estrutura tributária.
O real se desvalorizou em 20,7% neste ano ante o dólar (foi a moeda emergente que mais perdeu força no período para a americana). Nesta quarta-feira (29), ela fechou com queda de 2,23% cotada a R$ 3,337.
As exportações brasileiras, no entanto, recuaram 14,7% no primeiro semestre na comparação com o mesmo período do ano passado. A queda se deve em grande parte ao recuo no preço de commodities como o minério de ferro.
Na terça (28), o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, classificou a atual disparada da moeda americana como uma turbulência passageira.
REBAIXAMENTO
Questionado sobre a mudança de perspectiva da nota de crédito do Brasil, que foi reavaliada na terça pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, Monteiro afirmou que os entendimentos entre o Congresso e o Executivo vão evitar a perda do grau de investimento.
"O Brasil tem dificuldades, mas tem um ambiente institucional muito maduro. Com essa aliança com o Congresso e a convergência de posições, vamos seguramente manter o grau de investimento, e isso é muito importante para o país", afirmou.
Dilma libera R$ 1 bilhão em emendas parlamentares
Presidente tenta acalmar deputados e senadores diante das crises política e econômica
VEJA
A presidente Dilma Rousseff participa de cerimônia de lançamento do Pronatec Jovem Aprendiz, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF)Presidente Dilma Rousseff liberou verba para acalmar deputados e senadores que estão tendo dificuldade em obter verbas orçamentárias(Evaristo Sá/AFP)
Às vésperas do fim do recesso parlamentar, o governo autorizou a liberação de cerca de 1 bilhão de reais referente a restos a pagar de emendas parlamentares de 2014 e anos anteriores. A primeira liberação de recursos a parlamentares neste ano é uma tentativa do governo de acalmar deputados e senadores em meio às crises política e econômica, que devem ser acentuadas neste segundo semestre.
Haverá prioridade aos pagamentos de emendas parlamentares para compra de máquinas e equipamentos, mas as verbas para gastos com obras também serão contempladas. "Não tem nenhum milagre. O que tem, pura e simplesmente, é que o governo está cumprindo a Lei Orçamentária. A nossa esperança é que a base do governo se solidifique mais", disse o ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil), que atua diretamente na articulação política do governo. "Queremos mostrar que, no embate político, temos que unir forças", afirmou.
Um líder partidário disse ao jornal O Estado de S. Paulo ter recebido telefonema do ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD), para comunicar a liberação de emendas.
Durante o recesso parlamentar, deputados demonstraram indignação com a dificuldade em obter as verbas do orçamento. Eles dizem estar sendo pressionados por prefeitos em suas bases eleitorais que, às vésperas das eleições, não têm recursos para executar as obras.
Em outra frente para atender à demanda nos Estados, a presidente Dilma Rousseff reúne nesta quinta-feira, em Brasília, os 27 governadores em busca de ajuda para evitar a aprovação de gastos extras previstos em projetos do Congresso, a chamada "pauta-bomba" de despesas para a União, Estados e municípios.
Dilma também tentará dar um tom menos pessimista sobre o futuro da economia, mesmo em meio à crise aguda. Os ministros da área econômica devem apresentar dados mostrando que a economia pode começar a reagir já no fim deste ano e, apesar das dificuldades, há uma luz no fim do túnel.
Recuperação - Na reunião de coordenação política, na segunda-feira, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, apresentou a seus colegas da área política dados mostrando que há indícios de uma reação e uma recuperação real já no ano que vem. Na quarta-feira, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou, ao sair de uma reunião com empresários, que há sinais de boas notícias, como uma leve recuperação das exportações.
Dilma quer que os dois ministros façam a mesma apresentação aos governadores. A intenção é angariar apoio à medidas que estão sendo tomadas para tentar recuperar a economia e, indiretamente, à própria presidente, em uma tentativa de mostrar que há um projeto de governo e que Dilma é a garantia da solução para a crise econômica.
A presidente quer mostrar os caminhos que o governo está traçando para sair da crise, que há viabilidade política nas suas propostas e que todos podem se beneficiar deles, desde que mobilizem suas bancadas para aprovar projetos importantes na recuperação da economia e na repatriação de recursos.
O Planalto afirma que todos os governadores confirmaram presença na reunião desta quinta-feira, inclusive os de oposição - apenas no caso de Mato Grosso do Sul deve vir a vice, Rose Modesto (PSDB). Há, também um movimento, mesmo entre os tucanos, de ajudar o governo na tentativa de barrar novos gastos no Congresso para evitar um efeito cascata nos Estados - entre elas, a possibilidade de derrubada do veto ao reajuste do Poder Judiciário, que podia chegar a 78%.
Dilma deve pedir a cooperação dos governadores, por exemplo, para barrar o projeto que altera a correção do FGTS e o equipara à correção da poupança - uma das propostas do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) -, que está rompido com o governo.
CPI articula ida de Okamotto e convocação de Dirceu
Presidente do Instituto Lula deve depor antes das manifestações do dia 16 de agosto. Principal preocupação petista é Dirceu, cujos pedidos de habeas corpus vem sendo negados
VEJA
O CARA - Presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto funcionava como elo entre Marcos Valério e o PTPresidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto(Eduardo Knapp/Folhapress/VEJA)
A CPI da Petrobras vai centrar ainda mais sua artilharia no PT no segundo semestre. Já na primeira quinzena de agosto, os deputados devem marcar o depoimento do diretor-presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, cuja convocação foi aprovada no mês passado. Até o início de setembro, a comissão comandada pelo deputado Hugo Motta (PMDB-PB), aliado do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), quer aprovar também o requerimento de convocação e marcar o depoimento do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.
A pedido do PSDB, Okamotto - amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde os tempos do sindicalismo - deve depor antes das manifestações contra o governo da presidente Dilma Rousseff, marcadas para o próximo dia 16. Aliados de Cunha acreditam, porém, que Okamotto deve comparecer à CPI munido de autorização judicial para ficar calado. O requerimento de convocação de Okamotto foi aprovado em junho, durante uma tumultuada sessão da CPI, após a revelação de que o Instituto Lula recebeu doações de 3 milhões de reais entre 2011 e 2013 da Camargo Corrêa, uma das empreiteiras alvo da Operação Lava Jato.
O aliado de Lula foi convocado às vésperas do Congresso do PT, o que irritou o ex-presidente. Lula reclamou com dirigentes petistas e deputados da bancada e chegou a telefonar para o vice-presidente Michel Temer para se queixar do comportamento dos peemedebistas.
Já a convocação de Dirceu foi adiada no início deste mês em uma operação negociada com os petistas e o governo. O ex-ministro é investigado na Lava Jato por suspeita de receber propina de empreiteiras por meio de sua empresa, a JD Consultoria. Ele sustenta que recebeu por serviços efetivamente prestados. Para poupar ministros mais próximos a Dilma e livrar Dirceu da exposição, o PT e o Planalto decidiram sacrificar o titular da Justiça, José Eduardo Cardozo, que acabou convocado para explicar aos deputados a atuação da Polícia Federal (PF) na Operação Lava Jato.
Na ocasião, PMDB e PSDB queriam incluir na lista de convocações os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República). O Planalto rechaçava a convocação de Mercadante e Edinho porque isso simbolizaria a exposição direta da presidente Dilma Rousseff. Agora, os membros da comissão entendem que tão logo seja divulgado o conteúdo da delação premiada do empreiteiro da UTC, Ricardo Pessoa, a convocação de Mercadante será inevitável.
O principal temor dos petistas é com a convocação de Dirceu. Segundo fontes do PT, o ex-ministro estaria deprimido e com medo de ser preso novamente, uma vez que todos os pedidos de habeas corpus preventivo lhe foram negados pela Justiça Federal. Condenado no mensalão, Dirceu cumpre prisão domiciliar. Sua defesa já afirmou em petições à Justiça que ele "não aguenta mais" o "suplício".
Por enquanto, as atividades agendadas da comissão se resumem às oitivas de representantes da Samsung Heavy Industry no Brasil e da Mitsui, no próximo dia 5, além da acareação entre o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, no dia seguinte.
Tenho pena das nossas crianças
João Luiz Mauad - IL
De acordo com o Tesouro Nacional, a dívida total do governo federal está na casa dos R$ 2,56 trilhões (cerca de 45% do PIB), e o custo médio da mesma é de 14,31% ao ano.  Isso significa que o gasto anual do Tesouro, só com os juros da dívida, encontra-se perto dos R$ 372 bilhões anuais, ou aproximadamente 6,5% do PIB.  Trocando em miúdos, como a projeção do resultado primário recentemente divulgado, caso cumprido, será de apenas 0,15% do PIB, o déficit total do governo não será inferior a 6,3% do PIB (não estamos considerando aqui a dívida e os gastos dos outros entes da União).
Para quem não sabe, há muitos e muitos anos, pelo menos desde o Plano Real, o governo brasileiro não apresenta um superávit efetivo nas contas públicas, ou seja, o governo vem gastando mais do que arrecada por anos a fio.  O máximo que se tem conseguido é apresentar algum “superávit primário” (que não contabiliza as despesas financeiras), e, mesmo assim, muitas vezes ajudado pelas já famosas “pedaladas fiscais”.
O que pouca gente se dá conta é que, na verdade, os famigerados “superávits primários” não passam de uma ginástica contábil e, por que não dizer, semântica. Todos os anos, o governo gasta mais do que arrecada, mas publica um resultado “superavitário”, que alguns chamam de “economia para pagar juros”.  Só que essa economia nunca é suficiente, e o resultado é um déficit real, que precisa ser coberto com a emissão de novos títulos, ou seja, com mais dívida.
Qualquer um de nós, ao elaborar o orçamento doméstico, lista, no rol das despesas, todos os gastos da família. Isso inclui alimentação, moradia, educação, saúde, vestuário, lazer, etc. Todas as prestações referentes a compras a prazo ou dívidas bancárias, que embutem juros, fazem parte do nosso orçamento. Dessa forma, as prestações de um carro ou de uma TV novos significam a redução de outras despesas, como lazer, por exemplo, durante certo período.
Portanto, não importa o tipo de gasto, se ele é financeiro ou não, o certo é que as nossas contas precisam fechar.  Em resumo, nossas receitas devem ser, no mínimo, iguais às despesas, para que não precisemos lançar mão de nossas poupanças, não nos tornemos inadimplentes ou nossas dívidas não cresçam além de limites razoáveis. O mesmo raciocínio é válido para qualquer empresa, pois, do contrário, o resultado será a falência.
Infelizmente, no entanto, isso tudo vale somente para os simples mortais. Para o governo, não.  Os políticos e os burocratas, como bem sabemos, estão acima do bem e do mal. Quase sempre gastam muito mais do que arrecadam e financiam seus eternos déficits através da emissão de títulos ou de moeda. No primeiro caso, forçarão a sociedade a pagar, no futuro, impostos sempre mais altos e, no segundo, criarão inflação, cujos efeitos de longo prazo são devastadores.
Mecanismos de crédito, quando utilizados de forma coerente e inteligente, podem ser ferramentas fantásticas para o incremento dos negócios privados. Todos nós, sejamos empresários ou cidadãos comuns, estamos sempre querendo expandir um negócio ou mesmo adquirir bens e serviços para a família, como uma casa nova, um automóvel, um eletrodoméstico, etc. Muitas vezes, não temos condições de comprar tudo que desejamos ou de que precisamos sem a ajuda de financiamentos. Principalmente para as pessoas mais pobres, o crédito pode ser de grande valia para a realização de muitos sonhos.
Mas é preciso ter cuidado. Tomar dinheiro emprestado para financiar gastos correntes, ou seja, despesas do dia-a-dia, costuma ser muito perigoso.  É um sinal claro de que estamos vivendo acima das nossas possibilidades, o que, a longo prazo, será fatal. Pois é exatamente isso que vem acontecendo com os sucessivos governos brasileiros, já fazem muitos anos. A burocracia do Estado já gasta mais de 40% do produto interno bruto do país, enquanto arrecada 36% do mesmo, mas somente perto de 2% desse valor são investimentos.  Todo o resto são despesas de custeio e benefícios.
Depois da crise de 2008, impulsionados pela onda intervencionista que tomou conta do mundo e encheu o governo tupiniquim de incentivos para esbanjar o dinheiro alheio, esses gastos só fazem aumentar, numa tendência frenética, colocando em risco a solvência do Estado e comprometendo as futuras gerações, que serão chamadas a pagar a conta. Além disso, os governantes que hoje tomam dinheiro emprestado no mercado para bancar essa orgia não são os mesmos que terão de pagá-lo lá na frente.
Políticos e burocratas de hoje estarão aposentados amanhã, provavelmente recebendo gordas (integrais) aposentadorias, enquanto os nossos filhos e netos já iniciarão a vida com uma dívida imensa a resgatar. Como bem disse certa vez o Senador americano Ron Paul, para os governos a emissão de títulos públicos é como um cartão de crédito sem limites, cuja fatura deve ser entregue a terceiros. Ao contrário da maioria dos mortais, que precisam apertar o cinto para pagar as contas, os governos sentem-se à vontade para esbanjar cada vez mais, pois não precisam se preocupar com a conta no fim do mês.  Isso precisa acabar, ou o futuro que nos aguarda não será muito diferente do que vem acontecendo, por exemplo, na Grécia.
Dois métodos: a Lava-Jato e o chinês
A mudança brasileira foi a delação premiada. O sujeito confessa, indica a conta, e o banco dá a sequência do dinheiro
Carlos Alberto Sardenberg - O Globo
O governo chinês informou ontem: de 2012 até aqui, recuperou US$ 6,2 bilhões que haviam sido roubados por “centenas de milhares” de funcionários e membros do Partido Comunista. Isso dá pouco mais de R$ 19 bilhões, valor desviado apenas da Petrobras, segundo estimativas dos procuradores da Lava-Jato.
A campanha anticorrupção na China é uma iniciativa do presidente Xi Jinping, aplicada pela temida Comissão Central para Inspeção Disciplinar. Trata-se de uma ditadura, de modo que eles frequentemente passam por cima do que chamam lá de formalidades judiciais — isso de não poder prender sem uma consistente acusação formal ou de precisar de processo para recuperar o dinheiro roubado.
Claro que isso permite ao governo escolher seus alvos, transformando o combate à corrupção em ação política para apanhar adversários. Por aqui, a Lava-Jato segue nos termos da lei e da democracia. Não foi politizada nem instrumentalizada por grupos ou partidos. Ainda bem.
O método chinês vai mais rápido. Sabe aquela situação na qual todo mundo sabe que fulano está roubando, mas ainda não deu para dar o flagrante? Pois é, lá na China a Comissão Disciplinar pode prender e, então, sabe-se lá com quais pressões, procura as provas.
Aqui, muita gente ainda diz que a Lava-Jato frequentemente avança o sinal. É que não sabem como se faz nas ditaduras. A Lava-Jato vai muito depressa em comparação com os velhos padrões brasileiros — quando as “formalidades judiciais” garantiam a impunidade.
Era assim: o sujeito trabalha numa estatal ou no governo ou no partido do governo e está associado a uma consultoria privada; a empresa tal ganha um contrato com a estatal e faz um pagamento à consultoria privada. Diziam os envolvidos e pegava: são contratos separados, coisas diferentes, com coincidência fortuita de pagamentos. Qual é?
Vai um advogado dizer isso hoje para o juiz Moro.
Por outro lado, há uma novidade histórica que devemos ao governo americano. Na busca do dinheiro do terrorismo e do tráfico, as autoridades dos Estados Unidos simplesmente acabaram com o sigilo fiscal e bancário lá e no mundo.
Quer dizer, não acabaram propriamente. Mas se criou uma legislação, hoje universalizada, que torna mais simples e rápido quebrar sigilos quando há fundadas suspeitas, descobertas nos termos da lei.
Era praticamente impossível achar uma conta de um banco suíço. Hoje é até fácil. Os banqueiros têm pavor de serem acusados de acobertar fortunas roubadas ou do tráfico.
A mudança brasileira foi a introdução da delação premiada. O sujeito confessa, indica a conta em que recebeu e o banco dá a sequência do dinheiro.
Tudo considerado, duas observações: primeira, o método chinês vai mais rápido, mas o método Lava-Jato é mais seguro para as pessoas e as instituições; segunda, e terrível para nós, a roubalheira aqui foi maior que na China, cuja economia é quatro vezes maior.
Reparem de novo: depois de três anos de dura campanha, os chineses recuperaram o equivalente a R$ 19 bilhões. Dado o sistema deles, é provável que já tenham apanhado a maior parte da corrupção. Ora, só na Petrobras, os procuradores acreditam ter havido roubo de R$ 19 bilhões, dos quais R$ 6 bi já admitidos formalmente pela estatal, em balanço. E está começando só agora a fase do setor elétrico, o segundo da lista.
Conclusão: estamos apanhando aqui os maiores escândalos corporativos do mundo. No sistema formal, demora mais para recuperar a propina distribuída, mas a coisa está andando nessa direção.
Finalmente, há outro ponto em comum. Aqui e na China, a corrupção começa no governo e suas estatais, nas tenebrosas relações com empresas privadas.
A presidente Dilma andou dizendo que a Lava-Jato subtraiu um ponto percentual do PIB. Nada disso. A corrupção estatal/privado subtraiu muitos pontos ao gerar desperdício, perdas e ineficiências. Ou seja, o combate à corrupção precisa de um complemento: uma ampla privatização e um bom ambiente de negócios para quem quer ganhar dinheiro honestamente — um sistema impessoal que privilegie a eficiência, a competitividade, a produtividade.
Enquanto conseguir uma vantagem qualquer em Brasília for mais barato e mais fácil do que investir no negócio para ganhar produtividade, o país não vai crescer. Nem será justo.
Brasil fica mais próximo de perder selo de bom pagador
S&P vê piora do cenário político e econômico e põe nota em perspectiva negativa
Agência foi a primeira a tirar o país do chamado grau especulativo; Fitch e Moody's ainda dão rating melhor
THAIS BILENKY - FSP
A deterioração do cenário político e econômico, que tornou ainda mais difícil para o governo cumprir a sua meta fiscal, deixou o Brasil mais perto de perder o grau de investimento (selo de bom pagador) concedido pela agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P).
Na escala da agência, o Brasil está no limite do grau de investimento, com a avaliação BBB-, mas a expectativa, antes neutra, passou a ser negativa –ou seja, cresceu a chance da redução da nota.
Segundo Lisa Schineller, diretora da agência americana, não há um prazo prefixado para a reavaliação da nota brasileira, e um eventual rebaixamento dependeria de uma nova piora significativa do cenário do país. "Se houver maior deterioração, poderemos reduzir a nota", disse.
No comunicado da decisão, a S&P não determina um prazo para reavaliar a nota. É comum que as agências estabeleçam um período, muitas vezes de 12 a 18 meses.
O rebaixamento poderia levar a um aumento de juros, e o governo Dilma Rousseff teme que isso eleve a pressão pela alta do dólar.
A S&P foi a primeira agência a conceder o grau de investimento ao Brasil, em 2008, em uma decisão que coincidiu com um período de alta na Bolsa de Valores.
No caso das concorrentes Fitch e Moody's, o país está dois degraus acima do grau especulativo, em que há chance maior de calote.
Para boa parte de grandes investidores internacionais, é preciso que ao menos duas agências de classificação concedam o selo de bom pagador para que eles possam manter o investimento em ações e títulos de um país.
No caso do Brasil, os estrangeiros detêm 20% dos títulos da dívida pública e participação de 25% na Bolsa de Valores atualmente.
Quanto melhor a classificação concedida por agências de classificação de risco a empresas e países, menor tende a ser o custo de sua dívida.
Após o anúncio da S&P (no início da tarde), o dólar teve sua quinta alta seguida e chegou a subir mais de 2% em comparação com o real, mas perdeu força no final do dia.
O dólar à vista, referência no mercado financeiro, subiu 1,56%, para R$ 3,415 –maior valor nominal desde março de 2003.
Na Bolsa, porém, o impacto da decisão da S&P foi menos sentido, e o Ibovespa, principal índice do mercado, subiu 1,78%, após sete pregões consecutivos de perda.
RECUPERAÇÃO
Para a S&P, a recuperação da economia é chave para a melhora da avaliação. Ela, no entanto, revisou para baixo a expectativa de crescimento do PIB brasileiro.
A agência prevê queda de 2% do PIB em 2015 e uma economia estagnada em 2016. Em março, na sua estimativa anterior, ela estimava retração de 1% da economia brasileiro neste ano e expansão de 2% no ano que vem.
A redução da meta do superavit primário anunciada pelo governo na semana passada de 1,1% do PIB para 0,15%, é mais uma evidência do enfraquecimento da economia, ainda que "mais realista", considera a S&P.
A agência citou escândalos de corrupção que atingem empresas e pessoas importantes do setor público e privado como um dos sinais da dificuldade para implementação da política fiscal.
Para ela, a relação conturbada do Poder Executivo com o Congresso, o estremecimento da aliança entre PT e PMDB, pedidos de impeachment da presidente e a queda de sua aprovação a menos de 10% aumentam as incertezas políticas a curto prazo.
Joaquim Levy “defende” o impeachment
Dr. Paulo Moura - IL
Essa leitura da situação econômica e política do Brasil de hoje não é inédita. A afirmação de que somente a remoção de Dilma e do PT do poder pode reverter a trajetória rumo ao precipício da economia brasileira pode ser encontrada em posts de “O Antagonista” e de outros blogs independentes.
Nossa intenção não é proclamar o ineditismo do insight, mas sim, tentar explicar por que somente a remoção da Dilma da Presidência da República e do PT do poder, pela via democrática de um impeachment e/ou da cassação pela Justiça pode reverter o rumo à catástrofe que se desenha para a economia brasileira.
Ano passado, em plena campanha eleitoral, a consultoria Empíricus publicou uma análise prevendo a catástrofe da economia brasileira e sofreu processo do PT. Da mesma forma, o banco Santander foi forçado pelo governo a demitir a economista Sinara Polycarpo Figueiredo de sua equipe de analistas pelo simples fato de que ela previra o cenário de 2015, que agora se confirma, em boletim para seus clientes/investidores.
Recentemente a imprensa publicou matérias redimindo a economista do dano moral que o governo lhe causou. Recentemente, também, a consultoria Empíricus publicou novo relatório afirmando que a projeção de cenários por ela divulgada em 2014 era otimista em se considerando a situação que ora se desenha no país.
Nossa análise bebe nessas fontes, embora não tenha a pretensão de invadir o território da análise econômica. E pelo viés da análise política, coincide com as piores projeções de cenários que se podem encontrar publicadas no período recente.
Identificar quem mama (ou pretende mamar) nas tetas do Estado e/ou desse governo no âmbito da mídia ou das “consultorias” políticas e econômicas é fácil. Basta identificar quem ainda defende o enfoque de que há um “ajuste” em curso e de que, apesar dos reveses, o governo de Dilma Rousseff ainda preserva alguma condição técnica e/ou política de conduzir o país em direção à recuperação da saúde econômica e fiscal.
Dilma Rousseff não tem competência, nem condições políticas, nem condições morais de fazer valer mais nada como Presidente da República. Essa mulher é uma fraude em carne e osso. Uma fraude política patrocinada por Lula. Um estelionato que só foi possível por que Lula entorpeceu seus eleitores com a ilusão do consumo inconsequente se beneficiando de uma conjuntura internacional favorável.
Em recente editorial o jornal O Estado de São Paulo desnudou a farsa em que se constituiu a imagem da “supergerentona” Dilma Rousseff. Faltou dizer que Dilma Rousseff é criatura de outra farsa chamada Luis Inácio Lula da Silva, frequentemente enaltecido pela mídia por sua suposta “genialidade” política.
Lula/PT, teu nome é “fiação”. Dilma Rousseff, teu nome é “curto-circuito”.
Joaquim Levy acertou na mosca: “Ou mudamos a fiação ou vai dar curto-circuito”.
Para mudar os rumos da economia e recuperar condições mínimas de gestão política da nação, só removendo Dilma da Presidência da República e o PT do poder pela via democrática de um impeachment e/ou da cassação pela Justiça.
Somente um novo governo (e uma nova equipe econômica), legitimado pelo apoio popular, e, de preferência, por uma nova eleição, terá condições políticas e morais de recolocar o país nos trilhos do desenvolvimento e da modernização.
Ao contrário do que dizem os porta-vozes do PT na mídia, o impeachment não é o caos. Basta relembrar o que aconteceu após o impeachment de Collor. As forças vivas da nação (exceto o PT) uniram-se em torno de Itamar Franco e construíram as condições para a criação do Plano Real, o fim da inflação, a estabilização da economia e o ingresso da nação num período de prosperidade econômica e democracia nunca antes experimentado.
Lula e o PT se opuseram ao primeiro governo civil pós-ditadura militar. Lula e o PT de opuseram à Constituição de 1988. Lula e o PT se opuseram ao governo Itamar. Lula e o PT se opuseram ao Plano Real. Lula, Dilma e o PT destruíram as finanças públicas do Brasil. Lula, Dilma e o PT destruíram a saúde da economia brasileira.
Somente a remoção dessa gente do poder, dentro dos marcos da democracia, pode construir as condições para a retomada do desenvolvimento econômico e a reconstrução do Brasil.
Fora Dilma! Fora Lula! Fora PT!
Dia 16/8 é povo na rua contra Dilma; contra Lula; contra o PT! #Vemprarua
O significado do avanço da Lava-Jato
A ampliação das investigações de casos de corrupção para o setor elétrico comprova que, em governos lulopetistas, desvios em estatais passaram a ser sistêmicos
O Globo
Irônico e arrogante, o tesoureiro do PT Delúbio Soares profetizou que o mensalão viraria uma “piada de salão”. Não virou, e ele continua a cumprir pena de mensaleiro condenado. Há outro tesoureiro do partido, detido como já esteve Delúbio: João Vaccari Neto, preso devido ao petrolão, o assalto à Petrobras em dimensões muito maiores ao do que foi praticado no Banco do Brasil pelo mensaleiro Henrique Pizzolato, trancafiado na Itália, à espera da definição sobre sua extradição para o Brasil.
Não é coincidência que os dois golpes tenham nascido no PT, e até transcorrido de forma paralela. No petrolão, um dos beneficiários do regime de delação premiada, o gerente da estatal Pedro Barusco, corrupto confesso, disse, na CPI da Petrobras, que a diferença entre roubos na estatal no governo tucano e na Era PT é que a corrupção na empresa, depois da posse de Lula, em 2003, ganhou método, passou a ser sistêmica.
Os desdobramentos da Lava-Jato no setor elétrico confirmam o depoimento de Barusco, um especialista, pois ele roubou na Petrobras quando os tucanos estavam no Planalto e com o PT no poder. Constatou, digamos, por dentro, as diferenças.
A extensão da Lava-Jato começa a confirmar a suspeita de que, além de sistemática, a prática de desvio de dinheiro para partidos (PT, PMDB, PP e outros) e bolsos privados se generalizou em canteiros de obras de estatais. Pode-se dizer, houve um PAC da corrupção, um subterrâneo paralelo ao Programa de Aceleração do Crescimento.
Em recente entrevista à “Folha de S.Paulo”, o deputado Miro Teixeira (PROS-RJ) lembrou que, na condição de ministro das Comunicações de Lula, em 2003, no início do governo, esteve numa reunião, em companhia do também ministro Antonio Palocci, para discutir formas de se obter apoio parlamentar ao Planalto. Segundo Miro, venceu a posição “orçamentária”, ou seja, a defesa de que literalmente se comprasse o apoio. Não revelou os outros participantes da conversa.
E assim foi feito, comprovam o mensalão e o petrolão. Numa escala tal que, tudo indica, a intenção deixou de ser o azeitamento de votos no Congresso, mas a sustentação indefinida do projeto de poder do lulopetismo. Isso custa caro, constata-se hoje nas estimativas de quanto foi surrupiado da Petrobras.
Da operação policial feita na Eletronuclear resultou a prisão do presidente licenciado da estatal, vice-almirante Othon Luiz Pacheco da Silva, engenheiro responsável pelo chamado programa nuclear paralelo. Ele teria recebido propinas de empreiteiros em função das obras da usina nuclear de Angra 3.
As investigações começaram com a delação premiada do ex-presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, sobre corrupção na estatal. Esta vertente da Lava-Jato parece promissora, porque o grupo Eletrobras — também sob investigação nos EUA — é formado por 15 empresas, donas de ativos e obras bilionárias. São precondições para novas histórias escandalosas.
A Lava Jato eleva as esperanças, nosso produto interno básico para vislumbrar um país limpo dessa súcia
VALENTINA DE BOTAS - Blog do Augusto Nunes
Se a Lava Jato fosse uma pessoa e Dilma tivesse o poder bolivariano com que sonha, a presidente reeditaria os tempos de dossiês fraudulentos para enlamear nossa operação mãos limpas. Na italiana, mais de 1.200 pessoas foram condenadas entre políticos, agentes públicos e empresários. O diretor financeiro da petrolífera estatal ENI, que drenava recursos para o PSI, se suicidou quando denunciado a exemplo de Raul Gardini, o presidente do segundo conglomerado privado do país, tipo as empreiteiras daqui. Pulverizaram-se a carreira e a biografia emblemática de dois ex-primeiros ministros, Bettino Craxi e Giulio Andreotti (o líder do Democracia Cristã, por envolvimento com o crime organizado).
A magnitude de tudo fez alguns analistas afirmarem que a operação encerrou a chamada Primeira República Italiana. Faxineira de araque nas horas vagas da presidente farsante, Dilma sequer cogitou higienizar a administração que o criador lhe transferia nominalmente porque a podridão é constitutiva, inerente, intrínseca do jeito PT de governar uma vez que o objetivo é manter-se no poder, não administrar o país. Ou, por outra, administrá-lo pelas veredas da imundície para conservar o grande sertão: o poder.
Somente necrosando tudo em volta, proliferando a carne da moral morta pelos poderes republicanos e suas instituições, coagindo a sociedade a ver-se refletida na súcia – no bordão vigarista do é-tudo-igual que só não seria entoado por quem não gosta que pobre estude em faculdade de quinta categoria ou por quem não aceita que uma mulher parva seja presidente – naturalizar espantos e tomar por normalidade a canalhice institucionalizada, somente assim os farsantes garantiriam a perenidade a que se julgam predestinados. É na paisagem de um lixão político que lulopetistas, camuflados como alguns bichos na natureza, se garantem.
Sim, a Lava Jato derrubou o PIB e prejudicou a economia: somente na república da súcia com suas campanhas do diabo e que se arrumou na vida, pois azelite-empreiteira que financiava tudo com o nosso dinheiro está ocupada na cadeia. No país esbulhado também moralmente, o PIB retraído e a economia desidratada resultam do projeto frutificado na alma presa à sarjeta de um jeca que, descendo sempre mais, sobe num palanque para defender os pobres enquanto os espolia.
Resultam da continuidade do sucateamento do país garantida numa mulherzinha espertalhona com a arrogância dos parvos alheios à própria parvoíce, insensível à luta desigual dos mais vulneráveis, à asfixia das classes médias, à angústia dos trabalhadores, ao desinteresse dos investidores pela grande pátria desimportante. Na Itália, alguns entendem, o trauma da população com a classe política foi tal que Silvio Berlusconi se elegeu.
Por aqui, há quem diga que o mesmo clima de desilusão pode ensejar fenômeno parecido. Não sei. Mas nada deve impedir o cumprimento da lei e a justiça não existe para ensinar ninguém a votar ou para elevar o PIB, mas para lavar da paisagem os canalhas que o derrubaram. A Lava Jato eleva as esperanças, nosso produto interno básico para vislumbrar um país limpo dessa súcia, única chance de o outro PIB crescer.
A força devastadora das delações
Murillo de Aragão - Blog do Noblat
Delação (Foto: Arquivo Google) Mais cinco investigados no âmbito da Operação Lava-Jato resolveram se juntar aos 17 já compromissados com as delações premiadas. Seus nomes ainda não foram revelados e alguns estão sendo considerados, entre eles, Renato Duque, Nestor Cerveró e Jorge Zelada, todos ex-diretores da Petrobras. Outra delação esperada é a de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS.
O conjunto das delações representa a mais poderosa revelação sobre o capitalismo de laços no Brasil e sobre como ele domesticou os recursos públicos para fins privados. Sobre quantas empresas deixaram de poder concorrer e mostrar seus serviços. Sobre quantos empregos deixaram de ser criados se houvesse maior competição entre os fornecedores das empresas públicas.
Caso se confirmem as suspeitas de que Duque e Pinheiro, por exemplo, estarão entre os novos delatores, o clima pode piorar muito, já que ambos têm um estoque explosivo de revelações sobre o modus operandi do esquema desvendado pelas sucessivas etapas  da investigação policial.
Sem saber a real extensão do escândalo, o tempo brasileiro está completamente dominado pelo Petrolão. Nenhum ator entre os essenciais da cena institucional brasileira está livre de suas consequências. Mesmo que não sejam atingidos diretamente, os efeitos colaterais afetam projetos e planos. Penduram a existência do governo em uma espécie de frigorífico que, a qualquer momento, pode ficar sem energia.
O início do segundo semestre político traz manchetes bombásticas. Avalia-se, por exemplo, que Eduardo Cunha pode sair da presidência da Câmara. Outros apontam pautas-bomba e a criação de CPIs. Tudo é relativamente pequeno frente ao que pode acontecer a partir das novas delações, que, além de terem o poder de revelar novos fatos, se encaixam em outros já revelados e apontam culpas fatídicas.
As opções que se apresentam são absolutamente incertas. Uns pensam que as manifestações de rua podem deflagrar o processo de impeachment. Creio que não. O Congresso, como um todo, está estupefato com os acontecimentos. E ainda não sabe o que fazer com o problema. A reação dura de Cunha contra o Planalto pode ser mantida? Sim e não. Mas terá ele o condão de mover a maioria para a aventura do impeachment sem um fato concreto e absolutamente inquestionável? Sim e não.
A certeza que temos é a de que a força das delações aumenta, sobremaneira, o poder do que não se sabe sobre os destinos do país. O que ainda está encoberto é que determinará o rumo dos acontecimentos. 
Lula move ação contra jornalistas da 'Veja' por danos morais
Ex-presidente questiona reportagem que o associou ao esquema de desvios na Petrobras
FSP
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou nesta quarta-feira (29) na Justiça do Distrito Federal com uma ação contra jornalistas da revista "Veja" em que pede reparação por danos morais.
O petista questiona reportagem publicada pela revista nesta semana que o associou ao escândalo de corrupção na Petrobras.
Segundo o semanário, o ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro Filho, o Leo Pinheiro, está negociando um acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato e ofereceu aos investigadores informações sobre como Lula teria se beneficiado do esquema de desvios na estatal.
Após a publicação da reportagem, a defesa do executivo, que está em prisão domiciliar e é próximo de Lula, emitiu nota na qual nega as supostas tratativas em torno de um acordo de delação.
A Editora Abril, que edita a "Veja", ainda não se pronunciou sobre o caso.
Os advogados de Lula acionaram judicialmente os jornalistas Robson Bonin, Adriano Ceolin e Daniel Pereira, que assinaram a reportagem, e o diretor de Redação da revista, Eurípedes Alcântara.
"O texto é repugnante, pela forma como foi escrito e pela absoluta ausência de elementos que possam lhe dar suporte", afirmam os advogados do ex-presidente na ação.
A defesa de Lula argumenta ainda que, de acordo com jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "a liberdade de comunicação e de imprensa pressupõe a necessidade de o jornalista e/ou o veículo pautar-se pela verdade".
"A reportagem repete práticas comuns à 'Veja': mente, faz acusações infundadas e sem provas, apresenta ilações como se fossem fatos, atribui falas e atos, não tem fontes e busca atacar, de todas as formas, a honra e a imagem do ex-presidente Lula", afirmou o Instituto Lula em nota.
NEGOCIAÇÃO
De acordo com a "Veja", a negociação entre Leo Pinheiro e os investigadores da Lava Jato envolveria também o detalhamento de despesas pessoais da família de Lula pagas pela OAS e, ainda, a entrega de uma lista dos políticos que teriam recebido propina da empreiteira.
Leo Pinheiro foi preso em novembro do ano passado sob suspeita de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e associação criminosa. O executivo, em prisão domiciliar desde abril, nega as acusações.
Quatro delatores ainda são desconhecidos; PT teme que Renato Duque seja um deles
Reinaldo Azevedo - VEJA
O Ministério Público anunciou nesta quarta-feira que há seis outros acordos de delação premiada que correm em sigilo, além de uma lista de 16 nomes que foi apresentada, a saber: Paulo Roberto Costa e seus familiares (Marici da Silva Azevedo Costa, Shanni Azevedo Costa Bachmann, Arianna Azevedo Costa Bachmann, Humberto Sampaio de Mesquita e Marcio Lewkowicz); o ex-gerente da estatal Pedro Barusco; o doleiro Alberto Youssef; seu ajudante Rafael Ângulo Lopez; Dalton Avancini e Eduardo Leite, diretores da Camargo Corrêa; os lobistas Julio Camargo e Shinko Nakandakari e os empresários Augusto Ribeiro, Luccas Pace Junior e João Procópio.
Como da lista do MP não constam os nomes do Milton Pascowitch e do empresário Mauro Góes, o último a fazer acordo, então seriam apenas quatro os delatores por enquanto desconhecidos. As especulações correm soltas.
Góes, autor das mais recentes acusações, detalhou ao MP como funcionaria o esquema da Andrade Gutierrez, mantido no exterior, segundo ele, para a distribuição de propinas. Ele sustenta que, por meio da subsidiária Zagope Angola, a empresa teria repassado recursos para uma offshore na Suíça que ela própria controlaria — a Phad Corporation — , de onde migrariam para as contas do petista Renato Duque, ex-diretor de Serviços.
Segundo o MP, houve pelo menos 83 repasses de propina entre julho de 2006 e fevereiro de 2012 da conta de Góes para a de Pedro Barusco, que abrigariam também propinas para Duque, que era o chefe de Barusco. O total das operações teria chegado, aponta o MP, a US$ 6,42 milhões.
Os outros
As especulações ficam agora por conta dos quatro outros delatores anunciados pelo Ministério Público. Entre eles, pode estar um nome que leva verdadeiro pânico ao PT e que, até agora ao menos, tem-se mantido um túmulo: o petista Renato Duque.
Quando se deu a primeira prisão de Duque, circularam com força os boatos de que ele teria dito que não cairia sozinho. Depois, obteve um habeas corpus no Supremo, e a temperatura baixou. A segunda prisão, acusado que foi de tentar esconder ativos, levou a uma nova elevação da tensão. Comenta-se nos bastidores que a família pressiona Duque a fazer o acordo de delação premiada.
Há duas semanas, seu advogado chegou a dizer que essa não era uma hipótese descartada. Nos próximos dias, saberemos. O PT está mais ansioso do que nós.
Denúncia aumenta pressão sobre ex-diretor ligado ao PT
Renato Duque, que já negociou delação, é réu em 4 ações penais da Lava Jato
Desta vez ele é acusado de receber dinheiro e quadros de empresa italiana que firmou contrato com a estatal
ESTELITA HASS CARAZZAI - FSP
O Ministério Público Federal ofereceu nesta quarta (29) mais uma denúncia contra Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro. Com isso, aumenta a pressão para que ele passe a colaborar com a Justiça e vire delator.
Preso desde março em Curitiba, Duque já é réu em quatro ações penais decorrentes da Operação Lava Jato.
Um advogado que negociou com os procuradores da Lava Jato dois acordos de delação premiada visitou Duque pelo menos duas vezes na prisão nas últimas semanas, segundo profissionais que acompanham as investigações. Ele, porém, não teve até agora nenhum contato direto com os procuradores para discutir o assunto.
Duque é tido como um ex-diretor da cota do PT na estatal. Sua indicação ao cargo é atribuída ao ex-ministro José Dirceu, que também investigado e nega a indicação.
Desta vez, Duque é acusado de receber cerca de R$ 4 milhões de propina pela construção de gasodutos submarinos pela empresa italiana Saipem, em 2011, e outros R$ 577 mil em obras de arte –133 telas de pintores como Volpi e Di Cavalcanti.
Também foram denunciados o empresário João Antônio Bernardi Filho e seu filho, Antônio Carlos Bernardi, a advogada Christina Maria da Silva Jorge e o lobista Julio Camargo, delator na Lava Jato.
O juiz Sergio Moro, responsável pelos processos, decidirá se acolhe ou não a denúncia. Só após o acolhimento é que os denunciados passarão a responder pelos crimes imputados.
Em 2011, a Petrobras fechou três contratos para a construção de gasodutos com a Saipem ""cujo representante comercial no Brasil era Bernardi Filho. As obras somavam R$ 686 milhões.
Segundo o Ministério Público, Bernardi Filho ofereceu o pagamento de vantagem indevida a Duque, a quem chamava de "Mestre", a fim de garantir o favorecimento da Saipem nas licitações.
Pelo menos US$ 1 milhão (ou cerca de R$ 3,4 milhões, em cotação atual) foram pagos a Duque por meio da empresa Hayley S/A, uma offshore sediada no Uruguai que tinha contas na Suíça. A Hayley estava em nome de Bernardi Filho. E tinha como funcionários Christina Jorge e Antônio Carlos Bernardi.
Ainda de acordo com a investigação, o dinheiro era depositado na Suíça e voltava ao Brasil por meio de contratos de câmbio que simulavam investimentos. Esses valores então eram sacados e repassados a Duque, em espécie.
Outra parte dos pagamentos, segundo a Procuradoria, se deu com o repasse de obras de arte da Hayley a Duque, no valor de R$ 577 mil: "Como evidenciado no cumprimento de mandados de busca e apreensão, Renato Duque tem grande fascinação por obras de arte, sendo apreendidos 133 quadros em sua residência, os quais continham pinturas, gravuras e fotos de diversos autores, alguns renomados", escrevem.
ROUBO
Na denúncia apresentada nesta quarta, os procuradores ainda relatam que Bernardi Filho foi assaltado no centro do Rio, quase em frente à sede da Petrobras, onde faria um pagamento a Duque. Foram roubados R$ 100 mil, às 11h30 de uma quarta-feira.
"O trajeto percorrido por Bernardi Filho deixa claro que ele se dirigia à sede da Petrobras para entregar a vantagem indevida prometida a Duque", acusam.
MPF denuncia Bené, operador de Fernando Pimentel
Empresário é acusado de participar de um esquema de fraudes em licitações que teria desviado 2,9 milhões de reais do Ministério das Cidades
Gabriel Castro - VEJA
BENEDITO OLIVEIRA NETO
OPERADOR – O empresário Benedito Oliveira Neto, o Bené, amigo do governador Fernando Pimentel (PT)(Reprodução/VEJA.com)
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o empresário Benedito Oliveira Neto, operador do governador mineiro Fernando Pimentel (PT), por peculato e fraude em licitação. Ao lado de outras oito pessoas, ele responderá também por improbidade administrativa e pode ser obrigado a devolver os 2,9 milhões de reais que, de acordo com os procuradores, foram desviados em um contrato com o Ministério das Cidades.
A atuação do grupo teria ocorrido entre 2007 e 2009, por meio da empresa Dialog Serviços de Comunicação (atual Due Promoções e Eventos). Segundo o Ministério Público, a Dialog usava uma estratégia apelidada de "jogo da planilha" para vencer as licitações. O truque envolvia a redução de preço de itens secundários e pouco utilizados e o sobrepreço em itens mais utilizados. Em uma concorrência com o valor previsto de 554.050 reais, a empresa saiu vencedora após apresentar um lance de apenas 24.862 reais.
O maior - 1,2 milhão de reais - desvio teria ocorrido na organização da 3ª Conferência Nacional das Cidades, realizada em dezembro de 2007. O sobrepreço em um dos itens chegou a 1.500%.
Entre os denunciados, ao lado de Bené, estão sete ex-funcionários do ministério, inclusive a ex-subsecretária de Planejamento, Orçamento e Administração Magda Oliveira e o coordenador de Licitação, Francisco de Assis Rodrigues Froés.
Os procuradores afirmam que Bené agiu em parceria com os servidores. "Verifica-se que este concorreu dolosamente para a prática dos atos criminosos aqui descritos ao arquitetar ilicitamente, em conluio com funcionários públicos do Ministério das Cidades, a vitória de sua empresa no certame licitatório pregão eletrônico", diz a ação penal.
Benedito Oliveira já é investigado em outros casos de corrupção. O executivo Gerson Almada, da Engevix, apontou aos investigadores da Lava Jato que Bené era o arrecadador de propina para a campanha de Pimentel. O empresário também pertence à família dona da Gráfica Brasil, fornecedora da campanha de Pimentel e investigada na operação Acrônimo, da Polícia Federal, por indícios de lavagem de dinheiro. Bené foi preso em maio mas deixou a cadeia depois de pagar fiança.
Executivo da Andrade Gutierrez diz que propina foi pedida em nome de Lobão
Senador do PMDB é citado por Flavio Barra, preso na 16ª fase da Lava-Jato que investiga repasses no setor de energia
Germano Oliveira e Thaís Skodowski - O Globo
Flavio David Barra, executivo da Andrade Gutierrez preso na 16ª fase da Operação Lava-Jato, confirmou nesta quinta-feira que houve uma reunião sobre assuntos relacionados ao consórcio de Angra 3 e que, no final do encontro, o presidente da UTC, Ricardo Pessoa, pediu uma contribuição para o PMDB em nome do senador Edison Lobão (PMDB-MA), ex-ministro de Minas e Energia.
As informações foram dadas pelos advogados da Andrade Gutierrez Roberto Telhada e Edward Carvalho. Os dois disseram que seu cliente se negou a pagar. O mesmo já havia dito Dalton Avancini, presidente da Camargo Corrêa, que citou esta mesma reunião em sua delação premiada.
Preso na última terça-feira, Barra prestou depoimento nesta quinta-feira à Polícia Federal em Curitiba e seus advogados comentaram o teor do depoimento.
- Nessa reunião, Ricardo Pessoa disse que Edison Lobão desejava uma contribuição financeira. Meu cliente (Flávio Barra), disse que a Andrade Gutierrez não pagaria nada. Dalton Avancini disse que também a Camargo Corrêa não pagaria a propina a Lobão - disse Edward Carvalho, que participou do depoimento do executivo.
Com este depoimento, Barra confirma a realização desta reunião citada na delação de Pessoa, que apontou a existência de propinas nos negócios de Angra 3.
A reunião teria sido realizada em agosto de 2014 para que as empreiteiras Camargo Corrêa, UTC e Andrade Gutierrez discutissem detalhes do contrato de obras de Angra 3, sob responsabilidade da Eletronuclear. O empresário Dalton Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa, disse em seu termo de delação premiada que nessa reunião teria sido discutido também o pagamento de propinas de 1% do montante do contrato para o PMDB e dirigentes da Eletronuclear.
O advogado do senador Edison Lobão (PMDB-MA), Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que a defesa do ex-ministro das Minas e Energia não vai comentar o depoimento de Flávio Barra porque ele foi baseado em delações premiadas dos empresários Ricardo Pessoa e Dalton Avancini, cujo teor não foi liberado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
- Só vamos nos manifestar quando soubermos o que Pessoa e Avancini disseram - disse Kakay.
Barra está preso temporariamente na sede da PF em Curitiba desde terça-feira. Se o juiz Sérgio Moro não renovar o período de cinco dias de sua prisão, Barra deve ser solto até este sábado.

SOL GABETTA - SAINT-SAENS (CELLO CONCERTO Nº 1, A-MOLL - OP. 33)

"A desilusão com o socialismo e outras formas de coletivismo foi apenas um aspecto de uma perda de fé muito mais ampla no Estado como uma agência de benevolência.   
O Estado foi o grande ganhador do século XX: e também o seu fracasso central."
Paul Johnson
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Via dgfly
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Gentleman’s Essentials
Via imperiane
Lava jato vira-se do petróleo para a energia nuclear
Rita Siza - Público
Operação Radioactividade do inquérito em torno da petrolífera brasileira vai apurar a existência de um esquema de subornos e desvios de dinheiro da holding estatal de energia. Lula desmente ser um dos corruptos da Petrobras
Os contactos entre Lula e a Odebrecht estão na mira de investigadores de Brasília Fabrice Coffrini/AFP
Marcelo Odebrecht, o presidente da maior empresa de construção do Brasil, acaba de ser formalmente acusado dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em contratos celebrados com a petrolífera estatal Petrobras, o âmago da investigação Lava Jato que está a deixar o país (económico e político) de pernas para o ar.
Segundo o juiz federal do Paraná, Sérgio Moro, que confirmou as acusações do Ministério Público contra Odebrecht, o poderoso administrador seria o “cabecilha” de um esquema de cartelização de construtoras, que pagariam subornos para fechar negócios com a Petrobras e desviariam fundos para o financiamento ilegal do Partido dos Trabalhadores da Presidente Dilma Rousseff e outros integrantes da base aliada do Governo.
O presidente da administração da Odebrecht, detido desde 19 de Junho, ter-se-á incriminado a si próprio em anotações pessoais e mensagens telefónicas e electrónicas que foram apreendidas pela polícia. Sérgio Moro disse ainda ter recebido “documentação vinda da Suíça com a prova material do fluxo [de dinheiro] entre contas controladas pela Odebrecht e de dirigentes da Petrobras”. “É um elemento probatório muito significativo”, indicou.
Os contratos suspeitos, referentes a obras nas refinarias da Petrobras no Paraná e em Pernambuco, e ainda no complexo petroquímico do Rio de Janeiro, poderão envolver mais de 13 mil milhões de reais (quase 3000 milhões de euros).
Além de Marcelo Odebrecht, foram acusados mais cinco administradores da construtora, três antigos dirigentes da Petrobras e vários intermediários de negócios, entre os quais o ex-director do Departamento de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, e o “doleiro” Alberto Youssef (o termo designa alguém que transfere dinheiro para o estrangeiro sem declarar ao fisco), que foram os primeiros suspeitos da investigação Lava Jato a assinar acordos de delação premiada com a Justiça brasileira.
Aproximar-se de Dilma
Entretanto, a investigação, que desde Março do ano passado já produziu mais de 25 acções criminais, acaba de iniciar um novo capítulo: esta 16ª fase, ou desdobramento, da operação inicial foi apropriadamente baptizada Radioactividade por lidar com energia nuclear. No trilho do dinheiro, os investigadores chegaram à Eletronuclear – subsidiária da Eletrobras, a holding estatal para o sector da energia –, cujo presidente, Othon Luiz Pinheiro, foi detido na terça-feira sob suspeita de ter embolsado 4,5 milhões de reais (1,2 milhões de euros) em subornos, para adjudicar obras do complexo nuclear de Angra dos Reis ao consórcio Angramon.
De acordo com a Polícia Federal, Othon Pinheiro, que saiu da Eletronuclear em Abril, foi “pago” através de transferências de empresas de fachada que negociavam com uma companhia de engenharia, Aratec, registada em seu nome. Mas nas contas da empresa entrou também dinheiro de algumas das integrantes do consórcio Angramon, nomeadamente as construtoras Camargo Corrêa, UTC, Odebrecht e Andrade Gutierrez – todas citadas na Lava Jato. Além de Othon Pinheiro, foi também detido um administrador da Andrade Gutierrez, Flávio David Barra.
As autoridades acreditam que na Eletrobras funcionaria um esquema semelhante ao do que vigorava na Petrobras. “A corrupção no Brasil é endémica e está em processo de metástase”, comentou um dos procuradores da Lava Jato, Athayde Ribeiro Costa, na sequência da nova operação Radioactividade.
A imprensa brasileira considera o Electrolão como “motivo para diversas dores de cabeça preventivas em Brasília”. Escreve Igor Gielow na Folha de São Paulo: “No meio político, o temor é evidente. O sector eléctrico tem personagens conhecidos, todos eles muito próximos de figuras graúdas do PT e PMDB. Mais ainda, era a área de excelência de Dilma Rousseff, que conduziu o ministério das Minas e Energia com-mão-de ferro até assumir a Casa Civil e ser catapultada à presidência por obra de Luiz Inácio Lula da Silva”. Se a proximidade da actual Presidente ao Petrolão já é “desconfortável”, a sua possível associação ao Electrolão poderá ter consequências políticas bem mais graves, e até precipitar a sua demissão.
Lula na berlinda
Tal como Dilma – cujo nome não foi ainda pronunciado por nenhum dos investigadores, dos delatores, dos arguidos ou dos suspeitos da Lava Jato – também o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi mantido à margem do escândalo de corrupção na Petrobras. Mas segundo a revista Veja, o antigo sindicalista e homem forte do PT poderá estar prestes a ser implicado: na última edição a sair para as bancas, a revista colocou Lula na capa e garantiu que o ex-Presidente seria denunciado em breve pelo ex-presidente da construtora OAS, Léo Pinheiro, um dos arguidos da Lava Jato.
De acordo com a reportagem da Veja, Pinheiro, que é amigo pessoal de Lula, estaria a negociar com as autoridades judiciais um acordo de delação premiada, para reduzir a pena em troca de informações e provas contra Lula e o seu filho Fábio Luís da Silva (conhecido como Lulinha). O executivo teria prometido apresentar uma lista de bens e despesas pagas pela OAS a Lula, e ainda explicar como Lulinha teria começado a construir a sua fortuna pessoal actuando na órbita de influência da construtora, escreveu a Veja.
A notícia foi desmentida pelos representantes legais de Léo Pinheiro, que disseram à Agência Estado “não haver nenhuma chance” de o arguido estar a negociar a adesão ao mecanismo da delação. “A reportagem da Veja é mentirosa e irresponsável”, declarou o advogado Edward Carvalho. Pelo seu lado, em nota à imprensa, o Instituto Lula referiu-se à notícia da Veja como “mais um dos enredos fantasiosos, mistificadores e caluniosos que têm caracterizado a publicação”, que, lembra, “tem um histórico de capas e reportagens mentirosas sobre o ex-Presidente e o PT”.
O comunicado faz referência às contribuições – “registadas e declaradas ao fisco” – que o Instituto Lula recebe de empresas privadas como a OAS, a Camargo Corrêa ou a Odebrecht, para manter a sua actividade, e que afirma “não têm relação com contratos da Petrobras” ou de qualquer outra empresa.
Os contactos entre Lula e a Odebrecht estão na mira de investigadores da Procuradoria de Brasília, que estão a avaliar se viagens do ex-Presidente ao estrangeiro, financiadas pela construtora, poderão ter servido para a promoção dos seus interesses comerciais. O que está em causa no inquérito é saber se Lula poderá ser acusado do crime de tráfico de influência internacional.