quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Não será fácil a vida do novo presidente 
João Luiz Mauad - IL 
Se quisermos turbinar rapidamente as taxas de crescimento, será preciso desengavetar a velha agenda liberal e fazer algumas reformas o mais breve possível
Existe hoje praticamente um consenso entre economistas sensatos: um duro ajuste fiscal terá de ser feito, envolvendo o realinhamento de tarifas e a redução de gastos, para que o país retome o caminho da estabilidade e do crescimento, com juros baixos e inflação sob controle.
Esses mesmos economistas têm insistido que, independentemente de vontade política, não será possível, qualquer que seja o novo presidente eleito, reduzir substancialmente os gastos do governo central a curto prazo, tendo em vista que a grande maioria das despesas primárias refere-se a transferências de renda — Previdência Social, seguro-desemprego, Bolsa Família, pensões e salários do pessoal da União —, enquanto os gastos de custeio, alguns dos quais poderiam ser mexidos imediatamente, representam muito pouco em relação ao total.
Em outras palavras, a despeito de eventuais promessas de campanha e discursos prometendo milagres, é ilusão acreditar que, logo no primeiro ano de governo, por melhores que sejam as intenções e os níveis de gestão da equipe do novo presidente, haverá redução significativa dos gastos públicos.
A longo prazo, o ajuste nas despesas dependerá, principalmente, de duas variáveis básicas: aumento do PIB e manutenção, tanto quanto possível, das despesas com transferências, uma vez que é absolutamente inviável, tanto política quanto legalmente, reduzi-las nominalmente. O importante, portanto, não é olhar o gasto nominal, mas a sua expressão em relação ao PIB (“G/PIB”), cuja redução dependerá muito mais do aumento deste do que propriamente da diminuição daquele.
Se quisermos turbinar rapidamente as taxas de crescimento, será preciso desengavetar a velha agenda liberal e fazer algumas reformas o mais breve possível, especialmente nas áreas tributária e trabalhista, assim como retirar dos ombros do empresariado o pesado fardo burocrático. Além disso, é desejável privatizar todas as atividades que possam ser executadas pelo setor privado, não apenas para torná-las mais eficientes, mas principalmente a fim de que o governo possa se concentrar naquelas áreas onde ainda é insubstituível. São tarefas árduas, mas não impossíveis.
Por outro lado, para manter os gastos nominais em níveis perto dos atuais, serão necessárias doses de esforço e determinação tremendas, principalmente para lidar com as futuras reivindicações — algumas justas, outras nem tanto — de grupos barulhentos e bem organizados. Talvez essa seja a decisão mais difícil, a qual demandará, além de coragem, muita abnegação e desprendimento, porque extremamente impopular.
Não será fácil, por exemplo, enfrentar as indefectíveis greves de funcionários públicos por aumentos de salários. Menos ainda lidar com a fúria dos aposentados, ávidos por aumentos reais dos seus benefícios. Pior ainda será, eventualmente, ter de congelar os valores do Bolsa Família e outras transferências de renda. Menos problemático politicamente, malgrado sua dificuldade operacional, será fiscalizar com rigor as concessões de seguro-desemprego e outros subsídios temporários.
Como se vê, não será nada fácil a vida do novo presidente, especialmente se ele tiver coragem de fazer o que precisa ser feito. A alternativa é continuar empurrando os problemas com a barriga e largar a fatura para as próximas gerações. Alguém se habilita?
Ein Gutes Deutches Bier!! by Lou F. on Flickr.A Good German Beer !

Combatendo o calor e a falta de eletricidade
Além da 'antropofagia dos anões'
Luiz Sérgio Henriques - O Estado de S.Paulo
Praticamente desde o começo do ciclo petista, de modo intermitente e nem sempre por motivos razoáveis, pois, afinal, o poder está em jogo em eleições regulares, tem vindo à tona o fantasma de possíveis dificuldades para o cumprimento de um requisito mínimo da política democrática, a saber, a alternância no poder. Não propriamente que algum dirigente do partido dominante brandisse armas do arcaico arsenal da velha esquerda revolucionarista - não reformista! -, como a "ditadura do proletariado" ou as "democracias populares", as quais, uma vez instaladas, exigiriam a ruptura definitiva com o passado das respectivas sociedades e instaurariam uma realidade radicalmente nova - um modo de produção dito socialista - que não permitisse recuo ou reversão, a não ser pela via catastrófica da contrarrevolução e da guerra civil.
Evidentemente, nenhuma estratégia desse tipo era, ou é, possível na circunstância brasileira, e, ainda que o fosse, por certo não seria nem remotamente desejável. Mesmo assim, aqui e ali surgiram alusões a uma hipótese de "mexicanização", entendendo-se por isso o prolongado domínio de um partido da "revolução institucional", cujos movimentos de enquadramento oficialista da sociedade, decapitação de forças conservadoras e ocupação muitas vezes destruidora das instituições o deixassem praticamente sozinho em cena aberta, sem adversários capazes de propor o rodízio no poder, com aliados em posição subalterna e o sistema de freios e contrapesos abalado.
O partido dominante - afirmou-se em diferentes ocasiões - tinha menos um projeto de governo do que um projeto de poder; menos um programa de reformas sociais, num sentido simultâneo de mais liberdade e mais igualdade, do que a ideia de se manter por tempo indefinido à frente do Estado, valendo-se de maciços recursos do poder para "fazer amigos" e reduzir inimigos a sparrings de conveniência, marcados para perder.De fato, uma parte desse diagnóstico pôde buscar amparo em elementos da ideologia e da ação prática do petismo, ainda alimentados pela incompletude, nesse partido, da mudança imposta pela realidade às esquerdas de todo o mundo em fins do século passado: na formulação de Norbert Lechner, a transição do paradigma revolucionário, tão em voga nos anos 1960, para o democrático, que traz em si, essencialmente, a exigência de compatibilizar hegemonia e pluralismo, programação econômica e mercado, ativismo estatal esclarecido e respeito às múltiplas dimensões e a atores da sociedade civil e da sociedade política.
Outra parte do diagnóstico, porém, provém de uma segunda ordem de problemas. A anomalia "mexicana" contou, para se estabelecer e consolidar, com a fraqueza de outras forças da esquerda moderada, e mesmo da centro-esquerda, que, não compreendendo a natureza do desafio apresentado pelo principal esteio daquela anomalia, se deixaram conduzir de modo mais ou menos inerme à posição de adversários convencionais, batidos em eleições nas quais se apresentaram internamente conflagrados e destituídos de laços "orgânicos" com uma sociedade que se modificava aceleradamente, com alterações vistosas no mercado de trabalho, nos padrões de consumo, nas expectativas sobre o setor público como provedor de serviços essenciais.
Definitivamente, partidos de notáveis, com vida interna restrita às ocasiões eleitorais, não são páreo para um partido de massas (originalmente de massas), com vocação para se apossar das estruturas de poder e, ainda por cima, como ficou demonstrado no minucioso julgamento da Ação Penal 470, lançado ao jogo bruto da desestruturação do sistema partidário e da desfiguração do órgão central da democracia representativa. Atributos, deve-se repetir, não inerentes à esquerda tout court, mas à sua parte ainda hostil à centralidade da democracia como o trâmite irrecorrível de qualquer projeto de mudança social que se queira legítimo.
O bloco à moda "mexicana" não se instalou só por causa da fraqueza de seus rivais da esquerda democrática ou da capacidade de cooptar, com método, a parte conservadora. Teve a seu dispor, por um bom período da primeira década do século, condições excepcionais para sua vigência e reprodução, com os recursos advindos da demanda de commodities e a correlata emergência da China, este fato espantoso, com a força dos deslocamentos tectônicos, que ainda mal conseguimos conceituar. Teve, assim, recursos para pôr em prática mecanismos clássicos de consenso passivo, como o populismo cambial ou o sistema de bolsas, considerado menos como direito da cidadania do que como dádiva do governante, ele mesmo entendido como "encarnação física da identidade metafísica da nação", para mencionar outra expressão de Lechner.
Nem o desaparecimento dessas condições favoráveis nem processos judiciais, como o da Ação Penal 470 ou o que parece avizinhar-se em torno da Petrobrás, têm por si sós o atributo de abrir o caminho da alternativa. Podem favorecer, como favoreceram, trincas no bloco antes aparentemente homogêneo, como a passagem para a área oposicionista de Marina Silva e Eduardo Campos. Podem vitaminar a oposição tradicional, se não neste, certamente em futuros embates. Podem dar fôlego a forças governistas de centro que se colocam como garantidoras das liberdades, como o PMDB histórico ou o que dele tiver restado. Mas, como está à vista de todos, não dispensam a condução sábia de diferenças e divergências entre atores e forças das oposições democráticas.
A ativação destas forças, se souberem superar o estágio grosseiramente chamado de "antropofagia de anões", será vital para a ocupação de um lugar desgraçadamente vazio na política brasileira - o de uma esquerda democrática. Será bom para a esquerda, melhor ainda para a democracia.

DÓRICAS

Outro nível é possível
Dora Kramer - OESP
Entre as várias ideias vagas que embalam esta campanha, uma delas reza que se a presidente Dilma Rousseff for reeleita o medo terá vencido a esperança. É de se perguntar medo do quê exatamente o governo estaria conseguindo incutir no eleitorado.
De perder os benefícios sociais parece pouco para explicar. Teria o PT conseguido baixar tanto o padrão, desmoralizar de tal forma a tudo e a todos, desqualificar de maneira tão insidiosa os adversários que a população teria se convencido de que não há gente mais decente e competente para governar o País? Nos últimos 12 anos teria o Brasil perdido a memória de sua história e acreditado na fábula de que era tudo uma tragédia antes do advento do Lula lá?
É uma possibilidade. Pois se a economia vai muito mal, se o governo não admite os erros e não dá sinal de que mudará o rumo, manipula informações sem a menor cerimônia, gasta, não se compromete com ajustes, dá de ombros para a inflação e ainda assim permeia o ambiente um sentimento de medo com a hipótese de fim de um ciclo, deve ser por algum tipo de condicionamento à lógica do "pior sem ele" - o PT.No campo da política existe o clamor geral pela reforma. Não há quem não condene a atual sistemática de aparelhamento da máquina do Estado, de loteamento partidário, distribuição de cargos em troca de apoio no Congresso e zero exigência de mérito para a ocupação de ministérios. O fisiologismo passou de exceção a regra e o Congresso só não chegou ao fundo do poço porque nesse fosso sempre se cava mais um pouco.
Pois muito bem. A presidente em momento algum da campanha se viu motivada a firmar compromisso algum no sentido da mudança. Ao contrário. Defendeu o latifúndio de ministérios, em troca de minutos no horário eleitoral renovou o contrato com gente que havia demitido na faxina cenográfica e deixou patente que se tiver um segundo mandato continuará tudo como está.
Não haveria uma contradição entre o repúdio às chamadas velhas práticas pelo PT corroboradas e a posição de 40% do eleitorado? Tomando como verdadeira a premissa sobre a vitória do medo, aqui tampouco se compreende de imediato a origem do temor. A não ser que a razão seja também a acomodação ao baixo padrão. A sensação de que "sempre foi assim" e que, portanto, qualquer grupo político faria o mesmo no poder.
A gigantesca e eficiente máquina de propaganda petista pode ter feito esse malefício e aqui também criado um vasto lapso de memória em relação a um tempo em que no Congresso as decisões e negociações passavam por um conjunto de líderes muito mais bem qualificados.
Na era petista o controle passou às mãos do baixo clero (real e moral), cujo padrão é o que se vê. Não foi sempre assim. O comportamento de suas excelências esteve longe de ser exemplar, mas também nunca esteve tão perto do execrável com a chancela do Poder Executivo. Os que acompanham o dia a dia do Parlamento pelo menos desde a Constituinte sabem muito bem disso.
Quanto à corrupção, o governo encontrou o álibi perfeito para aqueles que decidiram mandar às favas as relações com qualquer tipo de escrúpulos ao contar o conto de que dá combate sem trégua ao que chama de maneira amena de malfeitos. Quem está na cadeia ou sendo alvo de processos não se encontra em tal situação em decorrência da atuação do Executivo. Poder-se-ia dizer mesmo que isso ocorreu apesar de todas as críticas feitas pelo PT ao longo dos últimos anos a todos os institutos de controle quando estes contrariavam seus interesses.
Já houve época em que deputados e senadores foram cassados, um presidente sofreu impeachment e a República nem por isso se sentiu ameaçada. Pensando bem, talvez o medo de que se fale seja do mal que o PT possa causar se voltar a ser oposição. Tudo depende do crédito que ainda merecer.
Uso excessivo do cheque especial é preocupante
O Estado de S.Paulo
Um dos piores instrumentos de crédito disponíveis tanto para empresas como para pessoas físicas, o cheque especial tem sido usado excessivamente, mostrou reportagem do Estado (22/9). Segundo a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), há 103 milhões de contas correntes abertas no País e, destas, segundo o site GuiaBolso, 26% apresentam saldo negativo todo fim de mês. Ou seja, cerca de 27 milhões de clientes são devedores em operações de cheque especial, número que caracteriza uma distorção econômica, em razão do custo desses empréstimos.
Nos cálculos do Banco Central, os tomadores desses recursos pagaram, em agosto, 172,8% ao ano de juros, alta de 33,9 pontos porcentuais em relação a agosto de 2013. As pessoas jurídicas pagavam ligeiramente menos: 166% ao ano, 19,3 pontos porcentuais acima do custo de 12 meses antes. Nos levantamentos da Anefac, diferentes dos elaborados pelo Banco Central, o custo do cheque especial, em agosto, foi de 8,44% ao mês ou 164,41% ao ano, para as pessoas físicas. Mas, nos dois casos, os devedores habituais da modalidade cheque especial estão sujeitos a custo ruinoso.
A reportagem simula os custos de um empréstimo de R$ 1 mil, nas modalidades mais comuns: no crédito consignado, a dívida em dois anos vai a R$ 1.571,02; no crédito não consignado, chega a R$ 4.048,93; e no cheque especial, a R$ 7.404,73.Por que alguém tomaria empréstimo pagando tão caro? A coordenadora do Programa de Apoio ao Superendividado do Procon, Vera Remedi, acredita que quem usa o cheque especial já tem mais de 70% da renda comprometida com outros empréstimos e tem de "bancar gastos até com alimentação". Miguel de Oliveira, diretor da Anefac, destaca a facilidade de acesso propiciada pela modalidade. E Luiz Rabi, da Serasa Experian, nota que o ideal é não usar, "mas, se for mesmo necessário, que seja por curtíssimo prazo".
O uso frequente do cheque especial mostra mais: dezenas de milhões de clientes têm graves deficiências em educação financeira. É a razão mais provável para que engrossem a lista dos superendividados, como sugeriu Vera Remedi.
Entre as consequências desse uso está a redução do consumo. Das famílias com renda de até 5 salários mínimos, 55,3% estão endividadas, calcula a Confederação Nacional do Comércio, e, sujeitas aos juros absurdos do cheque especial, têm reduzida sua capacidade de consumir.
Desastre nas contas públicas
O Estado de S.Paulo
O rombo das contas públicas aumentou de novo em agosto, com a gastança ainda em crescimento e a receita prejudicada pela distribuição de benefícios fiscais mal planejados. O déficit geral do setor público, em todos os níveis de governo, chegou a R$ 155,05 bilhões no ano, sugando o equivalente a 4,62% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 12 meses, o buraco chegou a R$ 203,26 bilhões, ou 4,03% do PIB. Nos dois períodos, o resultado foi pior que o da maior parte dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), embora a presidente Dilma Rousseff e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, insistam em proclamar o Brasil como exemplo de boa gestão das finanças governamentais.
Depois dos números muito ruins de agosto, o governo terá enorme dificuldade para alcançar a meta fiscal definida para o ano. A promessa, ainda mantida, é alcançar um superávit primário de R$ 99 bilhões para todo o setor público - União, Estados, municípios e estatais. Segundo o plano, o governo central deverá contribuir com um resultado primário de R$ 80,8 bilhões. O superávit primário é o dinheiro separado para o pagamento dos juros da dívida.
Em agosto, pelo quarto mês consecutivo, o governo central foi incapaz até de salvar esse dinheiro. Segundo o Ministério da Fazenda, a administração central - Tesouro, Previdência e BC - fechou o mês com um déficit primário de R$ 10,42 bilhões, o pior resultado para agosto em 18 anos. No cálculo do BC, o resultado é pior - um buraco de R$ 11,95 bilhões. A diferença é de método. Nesta segunda conta, o saldo primário corresponde à necessidade de financiamento.
O relatório do governo central, preparado pelo Tesouro, dá uma ideia clara do desastre fiscal de 2014. De janeiro a agosto foi acumulado um superávit primário de apenas R$ 4,67 bilhões, valor correspondente a apenas 0,14% do PIB estimado para o período. Falta, portanto, conseguir em quatro meses um resultado positivo de R$ 76,13 bilhões para alcançar a meta de R$ 80,8 bilhões fixada para o governo central. Segundo o secretário do Tesouro, Arno Augustin, esse resultado ainda é possível. Desde o meio do ano ele vem prometendo saldos melhores nos meses seguintes.
Mesmo o pífio resultado conseguido até agosto só foi obtido graças a receitas especiais. Em oito meses, o Tesouro contabilizou dividendos de R$ 15,89 bilhões pagos por estatais. Bônus de concessões totalizaram R$ 2,73 bilhões. Em agosto, entraram R$ 7,1 bilhões de pagamentos do novo Refis, o programa de parcelamento de dividas tributárias. Essas doses de anabolizantes foram insuficientes para compensar os grandes problemas do ano - gasto excessivo e receita prejudicada pela crise e pelas desonerações. Por isso, o superávit primário acumulado em oito meses foi 87,8% menor que o contabilizado um ano antes.
De janeiro a agosto, o governo central obteve receita líquida de R$ 661,75 bilhões, 6,4% maior que a de igual período de 2013, em termos nominais. Mas a despesa total, de R$ 657,08 bilhões, foi 12,6% superior. De um ano para outro, a diferença entre os valores gastos foi quase o dobro do aumento da arrecadação. O Tesouro ainda teve um resultado primário de R$ 38,72 bilhões, 48,2% menor que o de 2013, mas positivo. Esse valor foi quase anulado pelo déficit da Previdência, de R$ 34,02 bilhões. Os gastos com pessoal cresceram 6,9%; os desembolsos do FAT, 12,8% e as despesas de capital, 27,4%, em ritmo ainda insuficiente para compensar os atrasos nos programas federais de investimento.
Com a economia ainda muito fraca, o governo dependerá de receitas especiais. Mas até esse tipo de arrecadação poderá decepcionar. Em agosto, os pagamentos do Refis foram muito inferiores à soma esperada. O governo apostava em algo na faixa de R$ 13 bilhões a R$ 14 bilhões. O leilão de telefonia 4G, ontem, rendeu R$ 4,98 bilhões ao Tesouro. Um dia antes ainda se falava em R$ 8,2 bilhões. O malandro Zé Carioca talvez pudesse viver de expedientes e de criatividade. Tesouros nacionais dependem de políticas mais sérias.

Voto de protesto
O Estado de S.Paulo
Na segunda-feira, primeiro dia útil depois da divulgação da pesquisa do Datafolha, que não apenas consignava que a presidente Dilma Rousseff abriu vantagem de 13 pontos sobre a rival Marina Silva, mas trazia de volta a hipótese de reeleição da petista já no primeiro turno, o Ibovespa caiu 4,52%, o maior tombo em um único pregão dos últimos três anos, e o dólar fechou a R$ 2,451, a mais alta cotação desde dezembro de 2008, no auge da crise internacional. Trata-se de uma reação impressionante pela intensidade e racional pelo que a motivou. É um enfático voto de protesto da comunidade econômica, depositado na urna dos mercados financeiros, diante da perspectiva, agora mais nítida, de que os próximos quatro anos podem ser um replay destes que estão para terminar (ver, abaixo, o editorial Desastre nas contas públicas).
O cenário de mais do mesmo não resulta, como quer fazer crer a presidente, de um patológico pessimismo dos agentes econômicos nem tampouco denota uma inclinação perversa pelo quanto pior, melhor - o jogo jogado pelo PT nos anos 1990 quando o País do Plano Real mudava, aí sim, para melhor. O pessimismo com o sombrio quadro presente e com o que muito provavelmente está por vir deriva de fatos insuscetíveis de controvérsia: a coleção de desastres de um governo que, desde o seu advento, carrega a duvidosa distinção de não ter feito outra coisa a não ser meter os pés pelas mãos. E que maliciosamente transfere para a retração do nível de atividade das grandes potências econômicas a responsabilidade pelo atolamento da economia nacional. Como se o mundo exterior - e não ela própria, com a sua combinação tóxica de soberba e incompetência - a tivesse conduzido ao charco.
Olhem-se pelo ângulo que se queira os resultados da "política econômica" dilmista e o que se enxerga é um país despencando ribanceira abaixo. Praticamente a cada dia pioram os prognósticos - entre os quais do próprio Ministério do Planejamento - sobre os números do PIB deste ano. O mais recente deles, do Banco Central (BC), rebaixou de 1,6% para 0,7% a taxa de expansão da economia em 2014. Trata-se de um desempenho de envergonhar, mesmo perante os nossos vizinhos. E não periga melhorar, dado outro indicador alarmante: a taxa de investimento em bens de capital e obras de infraestrutura deverá encolher 6,5% até dezembro. E o que dizer da indústria sucateada, com um retrocesso previsto de 1,6% em comparação com 2013? Já a inflação anual, na melhor das hipóteses, ficará em 6,3% - ou 1,8 ponto porcentual acima do centro da meta, que já é alto.Não venha o governo jogar areia nos olhos do público, gabando-se do que seria o pleno-emprego obtido graças à clarividência da presidente. Os números oficiais escamoteiam que, nos últimos tempos, a taxa de ocupação não aumentou, mas, sim, o contingente de brasileiros que deixaram de procurar trabalho, excluindo-se da população economicamente ativa e, portanto, das estatísticas. Além disso, com as contratações se concentrando no setor público e no de serviços, cresce a proporção de empregos de baixa qualidade: os de alta qualidade sumiram porque o seu provedor natural, a indústria, se tornou um morto-vivo. Nenhum agente econômico que se preze pode ignorar essa realidade - e o seu prolongamento por mais quatro anos se as urnas confirmarem as últimas pesquisas. Quem se encarrega de fundamentar as piores previsões é a presidente em pessoa.
Diante do desmazelo das finanças públicas, por obra da gastança erigida em política de Estado, Dilma deixa explícito que dela não se espere, no segundo mandato, o choque fiscal imprescindível para resgatar a economia do buraco. Nesse ponto, uma comparação se impõe: em 2002, quando o favoritismo de Lula nas sondagens levava o dólar à estratosfera, bons conselheiros o induziram a acalmar os agentes econômicos garantindo numa Carta aos Brasileiros que o seu governo não faria aventuras. Lula tinha a seu lado interlocutores capazes como Antonio Palocci e Henrique Meirelles. Mas a interlocução só foi possível porque Lula era pragmático. Já Dilma é ideológica e onisciente. Diante disso, ninguém vê na anunciada demissão do titular da Fazenda, Guido Mantega, um sinal de mudança. O comportamento do mercado comprova o ceticismo.
O seu voto é uma arma.
Em outubro, atire para matar.

ROBERT PLANT - 29 PSALMS

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Valley of Ten Peaks by Sarah Marino
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Jodie Gasson (via chcbb)

Cristo Castle in Marly le Roi, France (djf224)
Países asiáticos trabalham para que século 21 seja da Ásia
Sylvie Kauffmann - Le Monde
Saurabh Das/AP - 25.set.2014
Narendra Modi é o primeiro-ministro da Índia 
Narendra Modi é o primeiro-ministro da Índia
"Persona non grata" nos EUA quando dirigia o Estado de Gujarat, tristemente famoso por suas violências inter-religiosas em 2002, Narendra Modi retorna pela porta da frente. O mínimo que podemos dizer é que o novo chefe do governo indiano aproveita a visita oficial a Nova York e Washington para recuperar o tempo perdido; nada menos que 35 reuniões em cinco dias, um discurso na ONU, um triunfo no Madison Square Garden, encontros com presidentes de empresas - Google, PepsiCo, Goldman Sachs, GE, entre outros - e um jantar com Barack Obama: um verdadeiro turbilhão.
Em poucos meses, Modi, eleito em maio para chefiar a maior democracia do mundo, tornou-se um astro na Ásia, um fenômeno. Pensávamos que fosse um reformador econômico audacioso, mas fraco na diplomacia, e ele se revela um diplomata audacioso e hesita sobre as reformas. Mas Modi não é o único no firmamento: o turbilhão que provocou nos EUA é apenas uma amostra dos que tumultuam a Ásia. Correntes poderosas atravessam o continente mais populoso e dinâmico do globo. Neste período de grande instabilidade mundial, talvez sejam os sinais precursores de uma recomposição da paisagem geopolítica.
Naquilo que voltamos a chamar de lado ocidental, como na época da Guerra Fria, e que corresponde ao das "economias avançadas" na terminologia do início da globalização, os abalos são igualmente poderosos, mas negativos. Os EUA e alguns de seus aliados europeus estão novamente envolvidos militarmente no Oriente Médio, em um combate de fôlego contra o extremismo islâmico, depois de terem se esforçado para sair dele. Na Europa, a crise ucraniana arruinou por um momento a esperança de uma convergência entre a Rússia e a UE, que colocou no gosto do dia organizações da Guerra Fria como a Otan e a Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).
As dinâmicas que agitam a Ásia são menos sombrias. A China, cuja ascensão econômica e política é uma fonte de grande preocupação para seus vizinhos, certamente não abandonou suas pretensões territoriais no mar da China, mas a tensão baixou um pouco; o presidente Xi Jinping, na chefia da segunda economia mundial, reforçada por um índice de crescimento que se mantém em 7,4%, está muito ocupado pregando a boa notícia da nova rota da seda. Essa versão chinesa do futuro radiante, lançada no ano passado, incentiva os países da Ásia Central a seguir Pequim na via do comércio e da prosperidade e a compartilhar seu gosto pelas infraestruturas. Mais recentemente, Xi acrescentou uma variante marítima à rota da seda, destinada aos países da Ásia meridional e do sudeste. Se por acaso os EUA se encontrassem tão ocupados no Oriente Médio que negligenciassem sua política de pivô em relação à Ásia, Pequim saberia ocupar o terreno.

Aproximação russo-chinesa

Xi viaja bastante. Ele fez uma visita histórica a Modi, com resultados brandos porque o conflito territorial entre a Índia e a China irrompeu no meio das promessas de investimento. Os dois gigantes dialogam, mas a desconfiança não desapareceu. O último giro regional de Xi, ao Sri Lanka e às Maldivas, no quintal da Índia, não ajudou a dissipar essa desconfiança.
A dinâmica Modi confirma outra tendência forte, que é a dinâmica Abe. O primeiro-ministro japonês e seu novo colega indiano se entendem maravilhosamente: os dois são democratas, nacionalistas e reformistas declarados, trocam conselhos sobre a gestão de suas diferenças territoriais em relação à China e se dizem, talvez, que em dois poderiam evitar que a Ásia-Pacífico se torne uma esfera de influência chinesa. Shinzo Abe se ativa ao máximo que pode. Fortalecido pela reforma constitucional deste verão, que abriu as amarras das forças armadas japonesas, ele percorre a região para reafirmar os laços com países que, como o Japão, são democráticos e aliados dos EUA.
Outra dinâmica em operação na Ásia: a aproximação russo-chinesa, por iniciativa de Vladimir Putin, que as sanções ocidentais levam a enxergar mais longe. O alcance geopolítico do espetacular contrato de gás de US$ 400 bilhões assinado em maio entre a China e a Rússia não deve ser superestimado, avisam os especialistas. Mas isso não impede que os japoneses temam um endurecimento da posição ocidental sobre a Ucrânia e leve a Rússia para os braços da China.
Há muitas outras ramificações dessas reorientações. O Ártico e seus recursos petrolíferos, para cuja exploração russos e chineses têm necessidade de tecnologias ocidentais, é particularmente sensível aos novos ventos. A evolução das relações de força entre China, Índia e Rússia no seio dos Brics; a reunião em 11 e 12 de setembro no Tadjiquistão da Organização de Cooperação de Xangai (OCS na sigla em inglês), instituição que quer ser uma alternativa ao sistema ocidental, dominada pela China e a Rússia e pela qual a Índia tem grande interesse. Esses elementos também podem trazer os germes de uma nova ordem mundial.
Por enquanto, explica um diplomata indiano, diante de Pequim, grandes e pequenos atores asiáticos trabalham sobretudo para que o século 21 seja o "século da Ásia", mais que o "século chinês". Esse "século da Ásia", exatamente, que Narendra Modi proclamou diante de 18 mil indianos-americanos reunidos no Madison Square Garden. 
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Futuro terá carros circulando sem motoristas e até tratamento de doenças com 'robô comprimido' 
Guillermo Altares - El País
Michael Rubenstein/SCIENCE/AAAS/AFP
Kilobots (foto) trabalham de forma colaborativa no projeto da universidade de Harvard, nos EUA; robôs são inspirados em insetos sociais como formigas e abelhas Kilobots (foto) trabalham de forma colaborativa no projeto da universidade de Harvard, nos EUA; robôs são inspirados em insetos sociais como formigas e abelhas
À primeira vista é difícil imaginar que por trás de pequenos robôs que se movem toscamente para se agrupar por cores está um experimento que poderá mudar a história da medicina. O futuro não é mais o que era, porque a ficção científica se esqueceu da internet. Entretanto, descreveu uma sociedade na qual os robôs fazem parte da vida cotidiana. Em todo o mundo se multiplicam as empresas e universidades com programas de robótica, e os avanços que conseguiram são extraordinários.
O objetivo dos grupos que acabamos de descrever, chamados enxames porque seu modelo é o comportamento gregário de alguns animais, vai do maior ao menor: desde permitir que máquinas colaborem --como a circulação de milhares de carros sem motorista-- até um futuro que os cientistas situam dentro de 20 ou 30 anos, quando haverá robôs minúsculos que poderemos engolir e se unirão sozinhos dentro de nosso corpo para nos operar.
"Os humanoides capazes de fazer todo o nosso trabalho estão a muitos anos de distância. Se é que virão algum dia", explica Tony Prescot, diretor do Centro de Robótica de Sheffield, um dos institutos de ponta na Europa, que depende das duas universidades desta cidade no norte da Inglaterra. "Mas creio que os robôs são cada vez mais eficazes em pequenas tarefas muito importantes. Por exemplo, tenho certeza de que dentro de 50 anos ninguém conduzirá um carro."
No último fim de semana, dentro do encontro científico Festival of the Mind, este laboratório, no qual trabalham cerca de 150 pesquisadores, realizou duas demonstrações que permitiram entrever o incrível futuro desse campo e também seu presente.
Por trás de uma porta na qual se lê Laboratório de Interação entre Robôs e Humanos se esconde um boneco de pelúcia branco em forma de bebê foca, chamado Yoko: um robô Paro japonês que olha, responde a seu nome e a carícias. No laboratório, o objetivo é analisar as reações dos humanos ante os robôs, que vão desde o temor até a curiosidade.
"É uma pena que a ficção científica tenha oferecido uma imagem tão negativa dos robôs", explica Emily Collins, estudante de pós-graduação no centro de pesquisa e especialista nas relações entre robôs e humanos. "São como qualquer outro instrumento e têm aplicações muito importantes."
A utilidade do Paro na vida real? Como terapia para doentes de demência senil ou alzheimer, como animais de companhia sem os problemas que estes apresentam em um ambiente hospitalar. Outro robô, Zeno, com forma humana e uma grande capacidade de reproduzir gestos, parece um brinquedo sofisticado (e caro). Mas é utilizado para tratar crianças autistas.
Durante a mostra também se exibe um robô drone que, graças a um programa de reconhecimento facial, pode seguir uma pessoa. Há robôs com braços programados para segurar determinados objetos ou que aprendem sozinhos a parar diante de uma linha branca pintada a poucos metros de um muro, depois de ter-se chocado várias vezes com ele (servem para estudar os mecanismos neurais).
Em Sheffield também estão trabalhando em um robô que é uma mesa de hospital que responde à voz e que poderia atender ao chamado do paciente e lhe oferecer uma bandeja com comida. No entanto, o mais extraordinário é o aparentemente simples: os enxames. Harvard, que é quem fabrica esses aparelhos de 3 cm de largura chamados kilobots, conseguiu agrupar neste verão 1.000 robôs no maior movimento coletivo de máquinas realizado até hoje.
Sheffield é o centro que tem mais kilobots --900-- depois da universidade americana. Roderich Gross, o responsável por esse projeto, explica: "Podem-se agrupar robôs sem memória e sem computação. Com sensores e infravermelhos que lhes dizem se há um robô próximo ou não". O professor Gross explica que a ideia é imitar a natureza, as formações que criam as revoadas de pássaros ou os montículos que constroem os cupins, nas quais a soma de decisões muito simples de muitos indivíduos chega a produzir estruturas complexas.
Dentro do mesmo laboratório, o espanhol Juan A. Escalera desenvolveu alguns robôs que se unem e trocam energia, outra das chaves para esse futuro no qual engoliremos um comprimido robô para nos curarmos. O laboratório da Universidade de Sheffield parece vazio porque a maioria dos robôs foi transferida para sua exposição. Solitário, como um personagem de "Inteligência Artificial", está o Icub, um robô humanoide criado em Gênova e que faz parte de um projeto europeu no qual também trabalha a Universidade Pompeu Fabra. Atualmente há cerca de 30 Icubs no mundo e cada um custa 250 mil euros.
"Nós utilizamos o robô não como um fim em si, mas para entender como funciona a mente; como uma ferramenta para compreender a arquitetura das emoções e as percepções", explica de Barcelona Paul Verschure, diretor do Specs, o grupo de trabalho em inteligência artificial da Pompeu Fabra.
Tony Prescot afirma que o objetivo de seu grupo de trabalho é que consiga ter consciência de seu corpo, reconhecer objetos com os dedos, ter sensibilidade na pele. Também se está trabalhando na construção de uma memória autobiográfica --conseguiram-se avanços em Lyon-- e no estudo de como aprendemos uma língua. 
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Problemas nas forças armadas alemãs provocam discussão sobre mais gastos em defesa
Alison Smale - NYT 
Martin Schlicht/Reuters
Ministra da defesa alemã, Ursula von der Leyen (à esquerda) observa carregamento <br> de ajuda humanitária em avião das Forças Armadas na cidade de Hohn, na Alemanha Ministra da defesa alemã, Ursula von der Leyen (à esquerda) observa carregamento
de ajuda humanitária em avião das Forças Armadas na cidade de Hohn, na Alemanha
Em um espetáculo que um importante semanário comparou a um filme pastelão, as forças armadas alemãs, especialmente sua força aérea, se envolveram em repetidos fiascos nos últimos dias, enquanto tentavam expandir seu envolvimento internacional transportando pessoal e material para as forças que enfrentam os extremistas islâmicos no Iraque, e suprimentos de ajuda para a África, para aliviar a crise do ebola.
Na segunda-feira, quando o mais recente fracasso das capacidades aéreas limitadas da Alemanha veio à tona, os políticos passaram a exigir explicações de Ursula von der Leyen, a ministra da Defesa do país, e a se perguntarem em voz alta sobre uma possível revisão de uma política há muito tempo intocável: o aumento dos gastos militares.
Von der Leyen está entre os líderes alemães que passaram a defender nos últimos meses um papel mais ativo para o país nas crises internacionais. Um grande exemplo foi a decisão neste mês de envio de armas para as forças de segurança iraquianas e curdas, que quebrou um antigo tabu de envio pela Alemanha de armas para uma zona de conflito.
Mas as falhas começaram a aparecer na semana passada, quando um avião que levava seis soldados paraquedistas alemães ao Iraque --para ajudar a treinar as forças de segurança curdas no uso de armamentos no valor de quase US$ 900 milhões-- acabou retido na Bulgária por quase dois dias, sem autorização para entrar no Iraque.
Um dia após esse problema se tornar público, um avião que entregaria as primeiras armas da Alemanha --50 bazucas, 520 fuzis e 20 metralhadoras-- também não pôde decolar, provocando uma busca difícil por uma alternativa de transporte. Esse esforço atraiu atenção adicional para as dezenas de aviões e helicópteros militares parados para reparos ou por falta de peças sobressalentes.
Na segunda-feira, veio à tona que um avião militar alemão envolvido no transporte de ajuda humanitária para o Oeste da África precisou fazer um pouso de emergência nas Ilhas Canárias.
Com as limitações expostas, o Ministério da Defesa apresentou na semana passada um relatório sobre prontidão para combate ao Comitê de Defesa do Parlamento, onde os membros do comitê discutiam que as autoridades do ministério os enganaram sobre quão bem ou prontamente a Alemanha poderia cumprir seus compromissos da OTAN e outros.
O Ministério da Defesa tradicionalmente fica em posição difícil na Alemanha, onde a maioria das pessoas --criadas após a ditadura nazista-- evita o uso de força militar. Por décadas, a Alemanha, atualmente a maior exportadora do mundo e a quarta maior economia, esteve voltada para a reunificação de suas regiões ocidental e oriental e mais preocupada com questões domésticas que externas.
Neste ano, entretanto, os alemães sentiram um aumento da insegurança, particularmente a respeito da Ucrânia e por todo o Oriente Médio. Pela primeira vez em muitos anos, essas crises e o estado das forças armadas provocaram discussões sobre gastos militares, disse Thomas Wiegold, um especialista em defesa que apresenta relatórios sobre segurança.
Para este ano, a Alemanha conta com um orçamento militar de 32,8 bilhões de euros, que equivale a 1,3% do produto interno bruto, bem abaixo da meta de OTAN de 2%. Os Estados Unidos há muito se queixam de que muitos países europeus, notadamente a Alemanha, ficam aquém da meta.
Até recentemente, essas queixas eram ignoradas, "mas agora parece que se transformarão em um debate", disse Wiegold. "Eu venho dando muitas entrevistas para rádio, particularmente na semana passada. Agora estão me perguntando se deveríamos gastar mais dinheiro. Isso nunca aconteceu antes."
Ele e outros especialistas associaram muitos dos atuais problemas a uma reforma de 2010, que encorajou as forças armadas a manterem o máximo possível de sistemas em uso, mas reduzindo ao mesmo tempo a encomenda de peças sobressalentes. Isso deixou a força aérea, por exemplo, dependente dos aviões de transporte Transall que entraram em serviço há 50 anos. Os primeiros novos aviões de transporte deverão entrar em serviço até o final do ano.
Além disso, notou Wiegold, Von der Leyen considerou que prometer o transporte aéreo --para Mali, para a República Centro-Africana ou para a crise do ebola-- seria uma contribuição politicamente mais aceitável aos esforços internacionais do que, digamos, o envio de soldados. "Tem algo a ver com o sentimento político básico na Alemanha, de que se temos que participar internacionalmente, que seja então uma participação 'pacífica'", acrescentou Wiegold.
Von der Leyen também é criticada por alguns políticos, que dizem que ela tem avidez em divulgar as novas missões da Alemanha por meio de oportunidades para fotos –como as ocorridas na semana passada no Iraque– em vez de lidar com os problemas de seu ministério de sua mesa em Berlim. Mas a ministra da Defesa, às vezes vista como rival e possível sucessora da chanceler Angela Merkel, recebeu apoio robusto na segunda-feira do porta-voz de Merkel.
"Ela coloca as coisas na mesa e dá uma visão geral de como as coisas estão", disse o porta-voz, Steffen Seibert. "Esse é o primeiro passo para solução de problemas que se acumulam há anos." 
Tradutor: George El Khouri Andolfato
Instável coalizão jihadista
Gilles Lapouge - OESP
A cada dia que passa, percebemos melhor as dificuldades em que esbarra - e deverá esbarrar ainda mais - a "coalizão" formada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para conter e se possível erradicar os fanáticos do Estado Islâmico (EI), que instalaram um "califado" no norte do Iraque e da Síria.
Sabemos que o presidente americano, preocupado em bloquear o avanço dos terroristas, deu a seus aviões a ordem de bombardear as colunas de combatentes do "califado" e de incendiar todos os poços de petróleo sírios e iraquianos que garantem às tropas do EI recursos financeiros consideráveis, matando, enquanto isso, alguns terroristas e talvez alguns civis.Washington julga esses bombardeios eficazes, e de fato são. No entanto, tiveram também uma consequência lamentável: aproximaram duas facções terroristas islâmicas que ontem eram inimigas e hoje pretendem fazer "causa comum" contra o inimigo principal: o americano, e mais em geral o Ocidente.
A identidade do Daech agora é conhecida (sigla do EI em árabe). São terroristas bem treinados, numerosos, dotados de armamentos avançados, ricos, que anexaram, em alguns meses de batalhas, um vasto reino, ou melhor um vasto "califado", entre a Síria e o Iraque.
Em suma, os chefes e os homens do Daech tomaram para si a sucessão da Al-Qaeda, ou seja, do saudita Osama bin Laden, o homem que apavorou o mundo no dia 11 de setembro de 2001 abatendo as torres gêmeas de Nova York.
Por isso, a Al-Qaeda não desapareceu totalmente. Embora seu rival, o EI se distancie dela, ela subsiste, combate até hoje.
Em meio à guerra civil que já dura três anos na Síria, particularmente, uma organização invoca ainda Bin Laden, é a Frente Al-Nusra, que mata, saqueia e assassina seus oponentes.
Os homens do EI não gostam da concorrência da Al-Nusra no mal - podemos imaginar as sangrentas batalhas em que se opuseram, depois de 1917, os homens de Lenin e de Stalin aos de Trotski na cisão pós-Revolução Russa. Há alguns meses, a guerra se trava entre os bandos da Al-Nusra e os do Daech na Síria. Essa luta resultou, no decorrer dos últimos meses, em milhares de mortos.
Os bombardeios dos americanos tiveram esse efeito imediato: a Frente Al- Nusra os criticou. Quando os aviões americanos atacavam somente o Daech, a Al-Nusra os qualificou de "guerra que o país dos cowboys trava contra o Islã".
A Frente Al-Nusra acrescenta que recorrerá à represália no mundo inteiro contra todos os países integrantes da coalizão de Obama.
Recrutamento. Como se explica esta reviravolta da Frente? Inicialmente, pela solidariedade entre os homens do terror. Em seguida, pelo fato de pertencer ao mundo islâmico e pelo ódio que ambas as organizações nutrem pelo Ocidente.
O porta-voz da Al-Nusra escreveu: "Os americanos e seus aliados cometeram um ato horrível que os coloca na lista dos alvos das forças jihadistas no mundo inteiro". Em resumo, a Al-Nusra explica que a causa da jihad (a guerra santa) é mais forte do que as diferenças que separam a Al-Qaeda do EI.
E isso não é tudo. A Frente Al-Nusra está perdendo rapidamente força há alguns meses, desde que surgiram o EI e seu "califado".
O "califado" acende os desejos, as paixões, as loucuras de todos os aprendizes jihadistas.
A ideia atrai muitos jovens revoltados que poderiam ter ingressado nas fileiras da Al-Qaeda ou, antes, na Frente Al-Nusra, na Síria. É por isso que a Al-Nusra acredita que atacando diretamente os americanos e seus aliados, contra os bombardeios americanos na Síria, pode recuperar sua imagem e seduzir de novo aqueles jovens que pretendem aderir à jihad ou alcançar o martírio em nome do Islã.
É nesse espírito que a Frente Al- Nusra, no mesmo comunicado, reservou suas ameaças mais violentas aos países árabes que participam dos ataques aéreos.
Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes, Jordânia e Bahrein são apresentados como "escravos do Ocidente" e acusando-os de terem se passado "para o lado da opressão e dos infiéis".
Poderá a Al-Qaeda recuperar algum prestígio prestando socorro ao seu outrora rival, o EI e o "califado"? É improvável. A magia que emana da ideia de califado é tal que poderá dominar por muito tempo ainda o campo do terror.
TRADUÇÃO DE ANA CAPOVILLA
Barack Obama viola a Constituição norte-americana, diz especialista
Marc-Olivier Bherer - Le Monde
Kevin Lamarque/Reuters - 25.set.2014
O presidente dos EUA, Barack Obama, discursa durante reunião das Nações Unidas em Nova York (EUA) O presidente dos EUA, Barack Obama, discursa durante reunião das Nações Unidas em Nova York (EUA)
De um ponto de vista americano, quando se discute a operação militar lançada por Washington para desmontar o EI (Estado Islâmico), é preciso estar atento a um fato: essa missão ainda não foi autorizada pelo Congresso.
Se o presidente Barack Obama insistir em continuar ignorando os legisladores, uma profunda violação a nossas leis será cometida e minará a capacidade de os EUA conduzirem essa intervenção até o fim.
É com efeito ao Congresso que nossa Constituição confia o poder de declarar a guerra. Mas o governo Obama estima que um voto antigo, de 13 anos atrás, o autoriza a lançar as operações no Oriente Médio sem que seja necessário renovar o procedimento.
Segundo a Casa Branca, a resolução adotada pelo Congresso depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, que dá ao presidente o poder de atacar a organização terrorista Al Qaeda, seria igualmente válida para o EI. Mas o texto a que ela se refere visava apenas os países que participaram dos atentados de 2001, o que não é o caso do EI. Trata-se, portanto, de uma profunda violação do Estado de direito.
O presidente Obama está prestes a agir bem pior que George Bush. A guerra no Iraque foi mal preparada, mas pelo menos era legal aos olhos do direito americano. Hoje estamos em uma situação realmente ubuesca: Obama, prêmio Nobel da paz, que foi eleito prometendo romper os excessos de George Bush, está preparando a guerra permanente, justificada por um estado de emergência permanente.
O assassinato dos jornalistas americanos James Foley e Steven Sotloff, assim como dos reféns britânico e francês, são verdadeiras tragédias, mas não podem justificar tudo. Não estamos diante de fatos comparáveis a um ataque em solo americano.
Os EUA dispõem hoje da maior força militar do mundo, e é preciso exercer vigilância sobre a maneira como ela é empregada. Não estamos diante de um simples desvio do poder; a situação é bem mais grave.
Washington já encontrou esse tipo de dificuldades e se dotou de instituições para superá-las. Depois do Vietnã, a guerra foi objeto de um trabalho legislativo de rara qualidade. Um equilíbrio foi encontrado para melhor enquadrar o poder presidencial, mas também se adaptar à posição de grande potência que os EUA haviam adquirido. Assim, era preciso permitir que a Casa Branca enfrentasse as situações de emergência e lançasse operações militares rapidamente.
A lei sobre os poderes de guerra de 1973 permite, assim, que o presidente empregue a força durante 60 dias sem pedir o consentimento do Congresso. Além disso, sem esse acordo, ele tem 30 dias para deter as operações militares. A campanha contra o EI começou em 8 de agosto, portanto, o prazo de que Barack Obama dispõe para consultar o Congresso termina em 8 de outubro.
Mas ele se recusa. Ele tampouco se prepara para uma operação de curta duração. O chefe do estado-maior das Forças Armadas declarou que o combate contra o EI era um envolvimento de longo prazo, de 12 a 18 meses.

Congresso irresponsável

Nesse caso, o Congresso se mostra tão irresponsável quanto o presidente. Ele poderia aproveitar a questão e realizar uma sessão especial de quatro ou cinco dias, e depois votar. Mas, como estamos a poucas semanas das eleições de meio de mandato, em 4 de novembro, os parlamentares preferem não assumir posições, temendo desagradar a alguns eleitores.
Encontramo-nos assim expostos de maneira inútil, e nossa capacidade de conduzir ao fim essa guerra é profundamente fragilizada. O Congresso acabará se rebelando e os militares poderão processar na justiça o governo para não serem obrigados a servir nessa guerra ilegal. O que decidirá então a Suprema Corte? Como reagirá a opinião pública americana? As tensões são uma coisa desejável na democracia. Há poderes e contrapoderes que permitem enquadrar o debate. Mas enfrentamos uma crise profunda que fragiliza a democracia. Barack Obama ainda tem tempo de consultar o Congresso; que o faça sem demora.
Um último comentário: os bombardeios na Síria terão uma consequência detestável: reforçar o regime de Bashar Al Assad. E mesmo que conseguíssemos desmontar o EI os sauditas continuarão financiando grupos extremistas, a violência continuará. A estratégia empregada me parece, portanto, ruim.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Considerada a "casa do povo", Casa Branca tem longa lista de convidados indesejados
Peter Baker - NYT
Susan Walsh/AP
Oficiais do Serviço Secreto caminham ao longo do gramado no lado norte da Casa Branca; no último sábado (20), um homem foi preso por não respeitar um boqueio policial Oficiais do Serviço Secreto caminham ao longo do gramado no lado norte da Casa Branca; no último sábado (20), um homem foi preso por não respeitar um boqueio policial
Como seus antecessores, o presidente Barack Obama se refere à Casa Branca como "a casa do povo", mas ao longo dos últimos dois séculos ela recebeu um número surpreendente de pessoas não convidadas.
Muito antes do mais recente pulador de cerca ter chamado atenção internacional, ao chegar tão longe até o Salão Leste, a história das violações de segurança da Casa Branca é vasta e variada. Um intruso trajando quimono de karatê e levando uma faca escondida em uma Bíblia; um estranho que entrou para assistir um filme com o presidente Franklin D. Roosevelt; e um piloto que jogou seu Cessna contra a mansão.
O presidente Theodore Roosevelt certa vez concordou em ver um homem que insistia que estava sendo esperado, mas quando o presidente percebeu que não o conhecia, ordenou a um funcionário: "Tire este doente daqui". No bolso traseiro do homem havia um revólver.
Ao longo de décadas, o Serviço Secreto instalou mais e mais barreiras para manter os indesejados de fora, mesmo enquanto os presidentes lutavam para preservar seu lar como acolhedor aos visitantes. As ruas foram fechadas ao trânsito, portões foram fortificados, vidros à prova de balas foram instalados e atiradores foram posicionados no telhado. Mas isso nem sempre impede os determinados, os curiosos e os mentalmente instáveis de tentarem entrar à força.
Julia Pierson, a diretora do Serviço Secreto, disse ao Congresso na terça-feira que antes do mais recente incidente, 16 pessoas pularam a cerca da Casa Branca nos últimos cinco anos, incluindo seis apenas neste ano. Muitas delas não parecem intencionadas a causar mal ao presidente, mas sim ansiosas em chamar a atenção para alguma questão ou causa. Uma das pessoas neste ano foi um bebê que passou pela cerca.
Ao longo de grande parte da história dos Estados Unidos, os jardins da Casa Branca são razoavelmente abertos ao público, resultando em invasões bem mais impressionantes do que a de 19 de setembro, quando um veterano da Guerra do Iraque, Omar J. Gonzalez, passou correndo por um agente do Serviço Secreto no Pórtico Norte e percorreu grande parte do Piso de Estado antes de ser pego.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Roosevelt tinha acabado de assistir um filme quando descobriu um estranho perto dele quando as luzes se acenderam. Seu antecessor, Herbert Hoover, desceu para jantar certa noite e se deparou com um homem no Salão Azul. Em outra ocasião, Hoover estava jantando com um produtor de cinema no Salão de Jantar de Estado quando um intruso invadiu a sala, exigindo uma nomeação. John Tyler estava caminhando no jardim sul da Casa Branca quando um pintor intoxicado atirou pedras contra ele.
Atiradores dispararam da rua contra a Casa Branca durante a presidência de Bill Clinton e de Obama. Durante a segunda posse de Ronald Reagan, um homem seguiu a banda marcial até a Casa Branca e perambulou por cerca de 15 minutos antes de ser descoberto. No Natal de 1974, um homem alegando ser o messias atravessou o portão noroeste com um Chevrolet Impala e dirigiu até o Pórtico Norte, onde saiu com sinalizadores amarrados ao seu corpo.
Com toda a proteção terrestre, vários homens tentaram penetrar no perímetro da Casa Branca pelo ar. Um soldado do Exército roubou um helicóptero do Forte Meade em 1974 e voou até a Casa Branca, onde pousou no gramado sul, decolou de novo e então voltou. Agentes do Serviço Secreto abriram fogo contra o helicóptero, o obrigando a pousar. Naquele mesmo ano, um empresário falido tentou sequestrar um jato de passageiros da Delta no Aeroporto de Baltimore-Washington, visando jogá-lo contra a Casa Branca, mas foi baleado na cabine pela polícia antes da decolagem.
Em 1994, um piloto sem licença que passou a noite bebendo e fumando crack roubou um Cessna 150L e caiu no gramado sul no meio da noite, com o avião deslizando pelo solo, batendo contra uma árvore e parando contra a parede da mansão. O piloto morreu, mas o prédio não sofreu danos sérios e Clinton não estava em casa no momento.
Apesar de tudo isso, a maioria dos presidentes considera a Casa Branca a fortaleza mais segura onde podem estar. Nenhum dos quatro presidentes que foram assassinados foi morto na Casa Branca. O mais próximo disso acontecer ocorreu quando a Casa Branca estava sendo reformada e Harry S. Truman estava vivendo do outro lado da rua, na Blair House, que foi invadida por dois nacionalistas porto-riquenhos que foram detidos pelos guardas. 
Tradutor: George El Khouri Andolfato
Estados Unidos confirmam primeiro caso de ebola no país
Paciente está internado em uma área de isolamento em um hospital em Dallas, no Texas, desde domingo
VEJA
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) confirmou nesta terça-feira o primeiro caso de ebola diagnosticado em território americano. Trata-se também da primeira vez em que esta cepa da doença é diagnosticada fora da África.
O paciente está internado em uma área de isolamento no Hospital Presbiteriano de Dallas, no Texas. De acordo com o CDC, ele viajou da Libéria — um dos países mais atingidos pelo ebola — aos Estados Unidos para visitar familiares que vivem no país. O indivíduo desembarcou no dia 20 de setembro, começou a manifestar os sintomas no dia 24, procurou ajuda médica no dia 26 e foi internado no domingo (28) com suspeita de ebola. O diagnóstico, confirmado na tarde desta terça-feira, é "altamente confiável", afirmou Thomas Frieden, diretor da entidade, em entrevista coletiva.
Contágio — Frieden enfatizou que o vírus é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais da pessoa contaminada, e apenas na fase em que os sintomas se manifestam. O CDC está identificando familiares e outras pessoas com as quais o paciente teve contato durante o período contagioso da doença. Essas pessoas serão monitoradas por 21 dias e, se manifestarem sintomas, serão colocadas em isolamento.
O diretor do CDC não forneceu informações sobre a nacionalidade do paciente, motivo da viagem à Libéria, estado de saúde e tratamento, por "respeito à sua privacidade". Ele tampouco respondeu se o indivíduo viajou em um avião comercial. "A doença não era contagiosa quando a pessoa viajou aos Estados Unidos. Por isso, o risco de transmissão aos outros passageiros é zero."
A atual epidemia de ebola na África infectou até agora mais de 6.500 pessoas, das quais pelo menos 3.000 morreram, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Guiné, Libéria e Serra Leoa são os países mais afetados. A agência alerta que o número de casos pode crescer exponencialmente, com mais de 20.000 infectados até o começo de novembro, se novas medidas não forem adotadas para conter o vírus.
Americanos — Outros três americanos infectados com ebola foram tratados — e curados — nos Estados Unidos. Os médicos Kent Brantly e Rick Sacra a missionária Nancy Writebol contraíram a doença na África e foram repatriados já contaminados. No caso anunciado hoje, no entanto, o paciente recebeu o diagnóstico nos Estados Unidos.
Vacina — Na semana passada, a OMS informou que milhares de doses de vacinas experimentais contra o ebola devem estar disponíveis nos próximos meses a profissionais da saúde e outras pessoas que tiveram contato com doentes. Nenhuma vacina ainda se mostrou segura ou eficiente em humanos, por isso, mais testes têm sido feitos para garantir que as substâncias não são prejudiciais às pessoas.
A OMS tem priorizado o uso de sangue de sobreviventes do ebola e diz que novos estudos são necessários para determinar se a medida pode ajudar pessoas infectadas pelo vírus. Essas transfusões de sangue já foram feitas em escala menor, como em um médico americano que se infectou na Libéria e foi curado.