sábado, 6 de dezembro de 2014

A Petrobrás é deles
MIGUEL REALE JÚNIOR - O Estado de S.Paulo
O petróleo era nosso, agora a Petrobrás é deles. Diante do volume de recursos desviados passou-se a usar a expressão lacerdista mar de lama, adjetivação dada pela UDN aos fatos ocorridos no final do governo Vargas, em 1953-54. Quais foram, há 60 anos, os acontecimentos que geraram expressão tão forte?
Na biografia de Getúlio Vargas (terceiro volume) Lira Neto conta que as acusações se prendiam à importação de dois veículos Rolls Royce para a Presidência da República, livre de imposto de importação. A importadora em vez de dois veículos importou quatro, livres de impostos, destinando dois a particulares - um à importadora Santa Teresinha, da família Maluf, e outro ao magnata Peixoto de Castro. Outras irregularidades denunciadas diziam respeito à concessão de loterias federais e à compra de locomotivas para a Central do Brasil sem licitação. A oposição dizia-se estarrecida, comenta o biógrafo, e daí apodar-se o governo de mar de lama.
Outro presidente acusado de corrupção, mas afastado do cargo por impeachment foi Fernando Collor. Márcio Thomaz Bastos, recém-falecido, e eu fomos chamados pela CPI do PC Farias para ajudar na elaboração do relatório final. Detidamente analisei as provas, especialmente as relações entre a Casa da Dinda, residência do presidente, e PC Farias. Constatei, então, ter PC Farias irrigado, com parte do dinheiro arrecadado com exigências praticadas em conjunto com autoridades federais, contas fantasmas movimentadas pela secretária particular de Collor, por via das quais se pagavam gastos da Casa da Dinda.
Pouco depois, José Carlos Dias telefonou-me convidando para reunião em sua casa, na qual se discutiria o impeachment de Collor. Estavam presentes o anfitrião, Dalmo Dallari, René Dotti, Flávio Bierrenbach e Fábio Comparato. René foi incumbido de elaborar um plano geral. Coube, posteriormente, a Comparato escrever a parte relativa à quebra do decoro e a mim, que tinha cópia dos elementos essenciais da CPI do PC Farias, redigir a acusação acerca do fato de o presidente ter deixado de zelar pela probidade da administração pública, sem apurar a responsabilidade de subordinados e recebendo benefícios na conta gerenciada por sua secretária.
O grupo de advogados teve mais duas reuniões para exame do texto, em minha casa e depois na casa de Márcio Thomaz Bastos, com a presença de Evandro Lins e Silva, na qual se aprovou a versão final, submetida aos presidentes da OAB-Conselho Federal e da ABI, subscritores iniciais do pedido de impeachment, fundado no descumprimento do dever constitucional de zelar pela probidade administrativa.
Em 2005 surgiu o mensalão, comprometendo a estrutura da República pela compra de votos de inúmeros parlamentares de diversos partidos às vésperas de votações importantes com recursos obtidos com a contratação falsa de publicidade e depois entrega de envelopes recheados em hotéis de Brasília, envolvendo ministro da Casa Civil e presidentes de partidos políticos na cooptação da vontade parlamentar. O presidente Lula de início se disse traído, depois vem tergiversando. A fragilidade da oposição permitiu que o presidente passasse incólume.
Mas são do seu governo as falcatruas na Petrobrás, sendo então a atual presidente, primeiramente, ministra de Minas e Energia e depois chefe da Casa Civil, mas sempre presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, conselho ao qual, pelo estatuto, coube a nomeação dos diretores, esses mesmos agora presos e acusados de locupletamento de milhões.
Denunciado o mensalão, que garantia a "fidelidade" da base governista, instituiu-se o petrolão, nova fonte de recursos a não serem contabilizados. O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou em 2007 haver graves distorções em obras da Petrobrás, recomendando a paralisação da sempre lembrada refinaria de Abreu e Lima. O Congresso não acompanhou a recomendação do TCU e o Executivo nada fez. Em 2009 novamente o TCU recomendou e o Congresso acolheu, na Lei Orçamentária, a suspensão das obras da refinaria.
Alertadas a Presidência e a ministra Dilma, presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, resolveu Lula vetar o artigo do projeto de lei orçamentária que suspendia a obra suspeita, com argumento do prejuízo social dessa paralisação, dando livre curso às irregularidades. Limitou-se a Presidência a recomendar à Corregedoria a apuração de eventuais desvios, sem se dar o devido relevo ao TCU e ao próprio Congresso, tanto que a Corregedoria, displicentemente, três anos depois, em 2012, afirmou não ter sido possível verificar nenhuma irregularidade por falta de conhecimento dos parâmetros utilizados pelo TCU na constatação dos desvios.
Hoje está estampado em cores gritantes o tamanho do desmando, a fonte contínua de montanhas de dinheiro desviado em obras e aquisições pelas diretorias da Petrobrás na gestão de Dilma e Lula, a ponto de um só gerente, agora em delação premiada, comprometer-se a devolver R$ 250 milhões de que se apropriara.
Segundo consta, havia um diretor responsável por gerir as vantagens ilícitas de cada um dos três partidos da base: PT, PMDB e PP. Assim, os parlamentares da base, formada por esses partidos, continuavam "fiéis" ao governo, que fechava os olhos aos desmandos de toda ordem na estatal, antes considerada a pérola da República, mas que ora amarga prejuízos e descrédito incomensuráveis no Brasil e no exterior. A peso de ouro o governo manteve uma maioria parlamentar sempre pronta a fazer naufragar CPIs no Congresso.
Cabe ao leitor comparar o sucedido à época de Getúlio e com Collor em 1992 ao que ocorre hoje para avaliar o que vem a ser um mar de lama, se há ou não omissão dolosa ou culposa no devido zelo da probidade administrativa e na apuração de responsabilidade de subordinados.
Dificilmente o povo não pagará ajuste financeiro que se aproxima, diz FHC 
O sociólogo, diplomata e ex-ministro da Fazenda aponta a fragmentação política como causa dos problemas do país
A. Jiménez Barca e C. Jiménez - El País
ERBS JR./FRAME
10.set.2013 - O ex-presidente Fernadno Henrique Cardoso toma posse como imortal na Academia Brasileira de Letras (ABL) 10.set.2013 - O ex-presidente Fernadno Henrique Cardoso toma posse como imortal na Academia Brasileira de Letras (ABL)
O ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso (nascido no Rio de Janeiro em 1931) assiste como espectador privilegiado ao, segundo ele, funil histórico em que se encontra o Brasil, a um mês do início do segundo mandato de Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), sacudido pelas crescentes acusações de corrupção que minam a Petrobras, paralisado do ponto de vista econômico e com um novo ministro da Fazenda que prevê ajustes e cortes de gastos.
Cardoso foi um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que foi derrotado por pouco nas últimas eleições. Para ele, a verdadeira origem de todos esses problemas se encontra na fragmentação política, com um Congresso pulverizado em mais de 20 partidos. Ele recebeu "El País" no instituto de estudos sociais que leva seu nome.
El País: A nomeação do novo ministro da Economia, Joaquim Levy, preconiza uma virada econômica da presidente. Qual é sua opinião sobre isso?
Fernando Henrique Cardoso: É preciso entender a razão dessa mudança. A situação está muito difícil. Houve uma quase ruptura entre o governo e os setores empresariais. Agora, Rousseff tenta recompor a situação, mas os empresários não acreditam nisso. Será preciso ver se o novo ministro terá de fato voz e poder. O momento impõe algumas medidas de contenção de gastos. 
El País: Não há alternativa...
Cardoso: Não. A economia começou a sair dos eixos há muito tempo. O governo deu a resposta correta durante a crise internacional. Naquela ocasião, era importante ampliar o crédito, mas isso tem um limite, o qual já foi alcançado. A maioria das pessoas já tem dívidas em demasia, portanto, o consumo não é mais suficiente como motor econômico. E o PIB não cresce. Por isso, é imperativo fazer algo.
El País: O quê, por exemplo?
Cardoso: Estamos perto de uma etapa parecida à que vivi quando era ministro das Finanças e tudo estava em desordem. Agora tudo também caminha rumo à desordem. Mas há um nó político que tem de ser desatado. Será que o governo terá força para pôr essas medidas necessárias em marcha? O imbróglio político é mais delicado que o econômico, porque se sabe como solucionar o econômico. Um país com vinte e tantos partidos no Congresso e 40 ministérios esconde a receita do fracasso. Eu governava basicamente com três partidos. Os demais não contavam. As nomeações se davam em função de uma agenda e os postos chaves não estavam nas mãos dos partidos.
El País: Há alguns anos o Brasil era visto no exterior como o país do futuro. Agora, com a economia parada e o escândalo da Petrobras, essa percepção mudou.
Cardoso: Exatamente. Os que mandaram neste país enquanto ele crescia não souberam fazer isso bem. A semente estava aí, mas o PT não agiu como devia porque não quis. O PT é uma organização burocrática que precisa de dinheiro. E muita gente obtinha dinheiro de forma escusa para o partido. Era uma espécie de visão política, um ranço de outras épocas, por assim dizer, revolucionárias: a visão de que tudo é válido porque é para a revolução. Assim, tudo vale desde que vá para o partido. Por outro lado, eu fiz ajustes, mas a renda per capita não caiu. Fiz isso sem que o povo pagasse a conta. Agora será difícil que o povo não pague esse ajuste que se aproxima. No entanto, sou otimista. O país tem instituições que funcionam. O próprio PT é importante para o país. A presidente vai atravessar um deserto e, além disso, perderá o controle da Câmara. Espero que ela não tenha uma visão sectária da vida nacional e política.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Brasil, casse a concessão da pilhagem
GUILHERME FIUZA - Época
Um deputado do PT propôs transformar as manifestações golpistas em crime hediondo. Pulemos o registro da demagogia e da desonestidade intelectual, porque isso já é intrínseco ao modus operandi do partido. O que vale registrar é a tática definida daqui para a frente contra o cerco do petrolão: construir uma narrativa de injustiça contra os defensores do oprimido. O governo popular acabou. Iniciará uma Presidência-fantasma em primeiro de janeiro, com sua credibilidade apodrecida e um único objetivo: não ser enxotado pelo impeachment. Não será fácil.
À bravata do tal deputado fica no terreno do folclore. Cultivar o fantasma do golpe é um dos truques preferidos dos companheiros. É bem verdade que eles têm o plano - e aí não é folclore - de controlar a imprensa, com o mesmo argumento de que a burguesia quer derrubar o governo popular a golpes de manchete. Se Chávez, Kirchner e sua turma conseguiram, por que não tentar no Brasil? Enquanto isso, aproveitam para dizer que os protestos contra o governo podre são atos pela volta da ditadura.
Não percamos mais tempo com isso. O grande herdeiro da ditadura militar no Brasil é o PT. Tanto Dilma quanto os mensaleiros vivem eternamente da mitologia da resistência aos milicos, um heroísmo canastrão do qual extrairão até a última gota de propaganda maniqueísta. As redes sociais do Planalto não param de espalhar releases e notinhas sobre os anos de chumbo e os valentes mocinhos da época - viraram os bandidos de hoje, mas essa parte não aparece no release. O PT ama a ditadura militar. Vive dela.
Essa é a parte mais tosca da estratégia de resistência -não mais aos militares, mas aos democratas que querem seu dinheiro roubado de volta. A parte não tão tosca do plano e a que ultrapassa a militância para contar com os inocentes úteis, uma classe em franca expansão no Brasil, para alegria dos companheiros. Entre as vozes a favor, que defendem Dilma para se sentir progressistas (não é piada, elas existem aos montes), surge o postulado central para tentar salvar o pescoço do governo e relativizar a corrupção da Petrobras.
Novamente é preciso ressalvar: não é piada. Um crescente número de pessoas que se acham sérias e não estão (ainda) a soldo do petismo deu para dizer por aí que o
petrolão é normal. Quer dizer: uma coisa bem brasileira, arraigada no Estado patrimonialista e toda aquela sociologia de beira de praia. É o mesmo recurso estilístico sacado por Lula no mensalão: caixa dois todo mundo faz. Um empresário chegou a escrever que hoje se rouba até menos na Petrobras que em outros tempos. Vamos explicar aos ignorantes ou mal-intencionados (a esta altura, dá no mesmo): o PT não ficou igual aos outros; o PT não é corrupto como os outros, nem um pouco menos, nem um pouco mais. O PT é o único, sem antecessor na história do Brasil, que montou um sistema de corrupção no Estado brasileiro de dentro do Palácio do Planalto, para enriquecer o partido e se eternizar no poder.
O ex-ministro-chefe da Casa Civil e homem forte do presidente foi preso por montar um duto entre as estatais e o caixa do partido governante. Privatizou na fonte o dinheiro do contribuinte. Não há precedente no país. Ao raiar do governo petista, foi montada uma diretoria na Petrobras para um saque bilionário em benefício do grupo político governante, como está demonstrado pela Polícia Federal a partir das investigações sobre o doleiro Alberto Youssef.
Deu para entender, queridos inocentes úteis? O roubo não é a velha esperteza de uns oportunistas com cargos na máquina. O roubo é um projeto político de poder. Que aliás, graças a seres compreensivos como vocês, dá certo há 12 anos.
E agora? O Brasil se sujeitará ao esquema por mais quatro anos? Só os inocentes inúteis podem crer que essa forma de dominação sofrerá uma metamorfose redentora em primeiro de janeiro. Eles não sabem fazer de outro jeito. Dilma já tenta legalizar o rombo fiscal, diante de um Brasil abobado. Nem o mensalão, nem a queda de sete ministros no primeiro ano de governo - nada modificou em um milímetro o esquema parasitário.
Vocês estão esperando o quê? Que um companheiro bata na sua porta informando-lhe com ternura que veio buscar suas calças?
O mágico universo das orquídeas
Augusto Nunes - VEJA
Neste fim de semana, a coluna convida os leitores a passear pelo universo mágico das orquídeas, um assombro da natureza (ampliado por cruzamentos genéticos produzidos em laboratório) que se desdobra por quase 50 mil variedades. Essa diversidade permite que a mesma espécie da flora assuma feições diferentes ─ algumas inverossímeis, outras fantásticas, todas belíssimas. A contemplação da amostra que se segue faz bem aos olhos e à alma.
Orquídea Cara de Macaco
Orquídea Cara de Macaco
Orquídea Homem Nu
Orquídea Homem Nu
Orquídea Garça Branca
Orquídea Garça Branca
Orquídea Mariposa
Orquídea Mariposa
Orquídea Menina Dançarina
Orquídea Menina Dançarina
Orquídea Pombo
Orquídea Pombo
Orquídea Drácula
Orquídea Drácula
Orquídea Fantasma
Orquídea Fantasma
Orquídea Darth Vader
Orquídea Darth Vader
Orquídea Borboleta
Orquídea Borboleta
Orquídea Alienígena
Orquídea Alienígena
Orquídea Aranha Carrossel
Orquídea Aranha Carrossel
Orquídea Bailarina
Orquídea Bailarina
Orquídea Bebê no Berço
Orquídea Bebê no Berço
Orquídea Pato Voador
Orquídea Pato Voador
Orquídea Abelha
Orquídea Abelha


The Furrows by Stephen Oachs ~ Redding, California


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 Elizabeth Ostrander
Lições de uma época em que os seres humanos reciclavam
Isabel Kershner - NYT
Rina Castelnuovo / The New York Times
Pedras de sílex, encontradas na Caverna de Qesem, em Israel, eram usadas como armas pelos primeiros habitantes da área. Hoje são alvo de estudo na Universidade de Tel Aviv Pedras de sílex, encontradas na Caverna de Qesem, em Israel, eram usadas como armas pelos primeiros habitantes da área. Hoje são alvo de estudo na Universidade de Tel Aviv
Há anos os arqueólogos vêm escavando diligentemente para chegar nas camadas pré-históricas do tempo, desenterrando os segredos da Caverna de Qesem.
Localizada nos arredores de Tel Aviv e descoberta por acaso durante a construção de uma estrada em 2.000, a caverna recentemente ofereceu insights sobre a vida de milhões de anos atrás que fornecem um contraponto sério para pelo menos um aspecto da vida moderna.
Parece que, antigamente, os primeiros habitantes da região viviam reciclando --uma lição em potencial para Israel hoje.
"Reciclar era um modo de vida", diz Ran Barkai, professor associado do Departamento de Arqueologia e Civilizações Antigas do Oriente Próximo na Universidade de Tel Aviv que, junto com Avi Gopher, seu professor, pesquisou a Caverna Qesem desde sua descoberta. "Era parte da evolução humana e da natureza humana." "Em algum ponto nos ensinaram a esquecer isso", acrescentou ele.
Após 14 anos, os arqueólogos chegaram a cerca de dez metros abaixo do que era o teto original. Ao longo do caminho, encontraram milhares de ferramentas recicladas na caverna, incluindo martelos de osso e pedras lascadas retrabalhadas. Com superfícies antigas e polidas quebradas por pontas afiadas mais duras, as ferramentas de pedra faziam parte de uma vasta coleção de facas usadas aparentemente para o abate de animais, limpar peles e cortar vegetais. Algumas das lâminas eram tão afiadas quanto um bisturi e tão pequenas quanto uma unha.
A reciclagem era natural para esses primeiros seres humanos, um hábito em grande parte negligenciado em Israel nos tempos modernos, onde uma campanha atual de conscientização na televisão mostra crianças com roupas de super heróis surrupiando garrafas de plástico para reciclar, bem debaixo do nariz dos pais.
Amir Peretz, ministro de proteção ambiental até o mês passado, estava prestes a encaminhar um projeto de lei para reduzir o uso de sacolas plásticas nos supermercados israelenses. Mas ele renunciou, citando sua oposição ao projeto de orçamento de 2015 e a falta de negociações de paz com os palestinos, e sua iniciativa foi engavetada.
No local da caverna, há evidências de que os seres humanos pré-históricos não eram sempre tão frugais, mas que este comportamento evoluiu. A vida na região data de pelo menos 1,5 milhões de anos, mas Barkai diz que uma mudança dramática ocorreu há 400 mil anos. Ele disse que por algum motivo desconhecido, os elefantes que serviam como principal fonte de alimento aparentemente sumiram, levando a uma mudança no cardápio e estilo de vida dos habitantes da Caverna Qesem, próxima à cidade de Rosh Haayin.
Na busca pela sobrevivência, os moradores da caverna começaram a caçar gamos em vez de elefantes. Ao mesmo tempo, descobriram as delícias de uma refeição caseira quente, e aparentemente inventaram o churrasco.
Esses primeiros seres humanos tinham a inteligência de retirar o máximo de cada produto. Depois de cozinhar a carne, e quebrar os ossos para extrair o tutano, "eles usavam os fragmentos de ossos para criar ferramentas para matar e abrir o próximo gamo", diz Barkai. "Eles fechavam o ciclo", diz ele.
A caverna fica a apenas 12 quilômetros do agitado centro de Tel Aviv, a metrópole dinâmica no Mediterrâneo. A caverna foi exposta por acaso quando trabalhadores que ampliavam uma estrada para o assentamento de Ariel, na Cisjordânia, explodiram um morro, derrubando o teto da caverna. Outro arqueólogo que por acaso estava por perto, cuidando de sua própria caverna, viu pedaços de rocha cheios de ossos e lascas e imediatamente percebeu que se tratava de um sítio pré-histórico.
A estrada foi desviada para evitar a caverna, mas até hoje a descoberta primitiva é testada pelos caminhões que passam ruidosamente por ali.
A caverna agora está sob uma cobertura, a alguns passos a partir de um caminho que sai da estrada de quatro pistas. Escadas e tábuas estreitas conectam os vários níveis do sítio que foram expostos. Não há escavações no inverno, e muitas das descobertas foram retiradas e levadas a laboratórios ou depósitos de universidades. Mas lascas e fragmentos de ossos continuam alojados em cada fissura da terra bege da caverna.
A caverna causou um certo alarido em 2010, quando foi divulgado, equivocadamente, que vários dentes encontrados lá forneciam provas da existência do Homo sapiens, ou dos humanos modernos, 200 mil anos antes do que na África, e antes do que em qualquer lugar do mundo.
Mas isso não nega a importância da caverna. Até agora, 13 dentes de humanos primitivos foram encontrados, e Barkai disse que os habitantes podem ter sido uma espécie de elo perdido --mais avançados que o Homo erectus e precursores do Homo sapiens e dos Neanderthals.
A última pesquisa que emergiu da caverna trouxe um vislumbre sobre a reciclagem entre os inovadores da Idade da Pedra, que viveram no local intermitentemente de 200 mil a 400 mil anos atrás.
Esse fenômeno foi recentemente documentado em uma série de artigos que professores de Tel Aviv escreveram com outros especialistas da revista acadêmica Elsevier Quaternary International, com títulos como "Reciclagem de ossos no Médio Pleistoceno: Algumas reflexões de Gran Dolina TD10-1 (Espanha), Caverna Bolomor (Espanha) e Caverna Qesem (Israel)", e "A função dos itens líticos reciclados no Baixo Paleolítico na Caverna Qesem, Israel: Uma visão geral da análise dos vestígios de uso".
Os primeiros seres humanos tiveram que se adaptar às mudanças no seu ambiente - talvez mais uma lição para o mundo moderno. Eles desenvolveram uma cultura local independente que se estendia por todo o território que hoje inclui a Jordânia, Líbano e Síria, diz Barkai.
Os caçadores precisavam ser mais ágeis, eficientes e ter bom discernimento. Em média, 80 gamos eram necessários para fornecer a mesma quantidade de alimento que um elefante. Os moradores da caverna também coletavam frutas pequenas e nozes, além de madeira para fazer fogueiras. Esta área era uma espécie de Éden, com fontes naturais e lascas de pedra em abundância.
Eles começaram a criar suas ferramentas afiadas com as lascas, de acordo com os especialistas, passando à frente de seu tempo e dos humanos contemporâneos na Europa e África.
"Esta era a alta tecnologia do homem antigo", diz Barkai.
Em um espaço que antes servia à fogueira, camadas de cinzas petrificadas datam de 300 mil anos. Nele, a terra está cheia de fragmentos de ossos, incluindo a mandíbula de um cavalo com dois dentes da frente. Embora o uso esporádico do fogo existisse muito antes, a Caverna de Qesem foi estabelecida como o local com as provas mais antigas do uso sistemático do fogo para assar carne de uma doméstica e diariamente - "como quando ligamos o fogão a gás", diz Barkai. Os ancestrais dos moradores da caverna provavelmente comiam os elefantes crus.
A caverna era organizada como uma casa, disse ele, com áreas diferentes servindo como cozinha, oficina e uma área onde as crianças pareciam praticar a confecção de suas próprias ferramentas de lascas. O fogo também parecia servir como uma espécie de espaço social.
Barkai diz que provas do mesmo comportamento, tecnologias e métodos foram encontradas em lugares tão distantes quanto a Síria, e que deve ter havido algum tipo de comunicação entre os primeiros seres humanos da região.
"Não sei como", disse o professor. "Não tinha Wi-Fi, mas eles se conheciam." 
Tradutor: Eloise de Vylder
Escoteiras dos EUA ganham fortuna com venda de biscoitos pela internet
Elizabeth Olson - TNYTNS
Escoteiras dos EUA/The New York Times
A escoteira Bria Vainqueur mostra como são feitos os pedidos pelo "Cookie Digital" A escoteira Bria Vainqueur mostra como são feitos os pedidos pelo "Cookie Digital"
As escoteiras estão adicionando marketing digital ao seu arsenal formidável de charme, fofura e perseverança para venda de milhões de caixas de Thin Mints, Samoas e outros antigos biscoitos favoritos.
Após anos de proibição de vendas pela internet, as Escoteiras dos EUA, a organização nacional do grupo, aprovou a "Digital Cookie", uma plataforma para as escoteiras venderem e despacharem as caixas de biscoitos para amigos e parentes por todo o país.
A expansão além das estratégias de venda tradicionais, como bancas do lado de fora de supermercados, envio de formulários de encomenda para o local de trabalho de seus pais e bater de porta em porta, deverá aumentar os quase US$ 800 milhões arrecadados com as vendas anuais de biscoitos. Mais de 80% das 2 milhões de escoteiras vendem biscoitos a cada ano, por um valor em torno de US$ 4 por caixa, disse a organização nacional.
"As escoteiras do país agora podem usar ferramentas modernas para expandir o tamanho e amplitude de seu comércio de biscoitos", disse Sarah Angel-Johnson, que dirige o esforço de biscoito digital, "e aprender lições empresariais vitais em marketing online, uso de aplicativos e comércio eletrônico".
Segundo o programa, cada escoteira pode ter seu próprio site de venda de biscoitos, ao qual os clientes podem ter acesso apenas se a escoteira lhes enviar um convite por e-mail. Nenhuma informação de identificação da escoteira pode ser postada para se tornar visível publicamente. Outra opção é um aplicativo para celular que inclui processamento de cartão de crédito e envio direto.
O programa digital começa neste mês em um número limitado de áreas onde as escoteiras já iniciaram a venda de biscoitos, e começará nacionalmente em janeiro, quando a maioria dos 112 conselhos das Escoteiras dará início à temporada de vendas.
Apesar das novas ferramentas digitais, escoteiras como Bria Vainqueur, 13 anos, de Somerset, Nova Jersey, dizem que não planejam abandonar os métodos tradicionais e de valor comprovado de vendas.
"Eu adoro percorrer meu bairro, visitar o emprego dos meus pais e dos meus avós", disse Bria. "Eu vendo biscoitos desde que ingressei no escotismo aos 6 anos, inclusive montando uma banca em nossa Stop & Shop local."
"Mas a opção digital facilitará para chegarmos a um número muito maior de pessoas e anotar e manter o controle de seus pedidos", ela disse.
Ela vendeu 1.351 caixas na última temporada e disse que espera vender 2.000 nesta temporada. Sua tropa, parte da Escoteiras do Centro e Sul de Nova Jersey, planeja usar a receita para financiar projetos de serviços comunitários, incluindo fornecer alimento e serviços de babá para crianças carentes, e uma viagem no ano que vem para Savannah, Geórgia, o berço da fundadora da Escoteiras, Juliette Gordon Low.
Nos últimos anos, era pedido à organização nacional, que determina as políticas, mas não recebe receita das vendas de biscoitos, para que modernizasse as vendas, que começaram em 1917 em Muskogee, Oklahoma.
Quando Wild Freeborn, uma escoteira de 8 anos de Asheville, Carolina do Norte, postou online em 2009 um formulário de encomenda com a ajuda de seu pai, um desenvolvedor de sites de Internet, a Escoteiras dos EUA ordenou a suspensão do esforço, o declarando injusto para com as outras escoteiras, que competem para vender o maior número de caixas e, em troca, receber prêmios.
Quando a estrela de reality show Honey Boo Boo pediu aos seus fãs no Facebook para comprarem biscoitos das escoteiras por meio de uma tropa local na Geórgia, a organização nacional também fez objeção. Ela argumentou que vendas online não ensinam as meninas sobre como vender aos outros diretamente ou a aprenderem a lidar com o dinheiro e a entrega dos biscoitos –algumas das habilidades empresariais que o programa de vendas visa ensinar.
Três anos de desenvolvimento e testes ajudaram a Escoteiras a incorporar formas de aprender essas habilidades por meio de venda online, incluindo o monitoramento das encomendas digitais e a habilidade de entregar pessoalmente as caixas de biscoitos encomendadas pela Internet. Cada pai ou responsável pela escoteira participante deve aprovar tudo na página da menina, incluindo os vídeos postados. Além disso, as meninas com menos de 13 anos usam uma designação anônima, para que seus nomes e informação de contato  não se tornem públicos.
Zachary Bennett, um produtor de vídeos que é um líder de tropa em Nova York, disse que a opção digital é uma "ótima ferramenta" para vendedoras de biscoitos dedicadas como sua filha, Natalie, 9 anos.
Ela vendeu mais de 1.000 caixas na última temporada, a maioria em uma mesa armada em frente ao prédio de apartamentos da família em Chelsea, onde "após um início um tanto tímido, ela aprendeu a como olhar as pessoas nos olhos e fazê-las ficarem interessadas" nos biscoitos da Escoteiras, ele disse.
"Agora ela pode montar sua própria loja online", disse Bennett, "e produzir e postar seu próprio vídeo para contatar amigos e parentes por todo o país".
Bennett disse que sua filha espera vender 2.000 caixas. 
Tradutor: George El Khouri Andolfato
Cientistas aceleram corrida global por vacina contra o ebola
Veronika Hackenbroch, Markus Grill e Katrin Elger - Der Spiegel
AFP
7.nov.2014 - Profissionais da saúde fazem testes para aprender a transportar pacientes infectados pelo vírus ebola no hospital para doenças tropicais em Hanói, no Vietnã 7.nov.2014 - Profissionais da saúde fazem testes para aprender a transportar pacientes infectados pelo vírus ebola no hospital para doenças tropicais em Hanói, no Vietnã
Cientistas estão testando freneticamente novos medicamentos e vacinas na esperança de desacelerar a epidemia de ebola. Até agora, os resultados têm sido promissores. Pode ser apenas uma questão de semanas para que os pacientes do oeste da África comecem a ser tratados.
O professor Blaise Genton ainda está surpreso com todas as coisas positivas que aconteceram de repente. Ele não precisa mais esperar que funcionários importantes retornem seus telefonemas, em vez disso, eles ligam para ele em poucas horas. Procedimentos irritantes de aprovação são concluídos em tempo recorde. E o 1,5 milhão de euros de que ele precisa? Mesmo que o hospital tenha de pagar adiantado por alguns custos, Genton, chefe do Departamento de Doenças Infecciosas do Hospital da Universidade de Lausanne logo receberá os fundos.
"Estamos diante de uma situação extraordinária e portanto nos forneceram condições de trabalho extraordinárias", diz Genton, um dos atores mais importantes na luta mundial contra o ebola. "Mas devo observar que as pessoas esperam que consigamos entregar, dentro de meses, resultados que normalmente levariam um ou dois anos para alcançar." Usando jeans e uma camiseta colorida, Genton se apressa pelo corredor do hospital para uma reunião de equipe. Seu ritmo frenético não é algo fora do comum: desde que a Organização Mundial de Saúde (OMS) contatou ele e sua equipe de pesquisa no início de setembro, o tempo tem sido extremamente curto.
Genton, que tem seis filhos, não hesitou quando a OMS perguntou se ele estava interessado em liderar um dos maiores estudos mundiais de vacina contra o ebola. Apesar de saber que sua vida privada sofreria muito durante a fase de testes, ele concordou imediatamente. Em alguns dias, ele e a equipe têm apenas umas quatro ou cinco horas de sono, diz ele.
De acordo com números oficiais, mais de 5.400 pessoas morreram de ebola na África Ocidental, e há mais de 15 mil infectados na Libéria, Serra Leoa e Guiné. Embora uma iniciativa de ajuda internacional em larga escala finalmente tenha sido lançada, a epidemia está longe de estar sob controle. A situação em Serra Leoa e Guiné continua crítica e casos têm sido registrados no Mali agora, o vizinho politicamente instável ao leste da Guiné. O alastramento da doença só começou a diminuir na Libéria, diz a OMS.
Apesar do esforço crescente, é possível que os funcionários de ajuda no local não sejam suficientes para conter a epidemia. Consequentemente, uma esperança significativa está sobre os ombros dos cientistas como Blaise Genton em Lausanne. Ou Marylyn Addo, do Centro Alemão para Pesquisa em Infectologia em Hamburgo, cuja equipe está testando outra vacina possível.

"Extremamente difícil de controlar"

Muitos especialistas acreditam que só será possível conter a epidemia empregando novas vacinas e medicamentos melhorados. Um surto que afeta milhares e infectou pacientes em vários países simultaneamente é algo "extremamente difícil de controlar" usando uma abordagem tradicional de quarentena, diz Jeremy Farrar, diretor do Wellcome Trust, uma fundação sem fins lucrativos com cerca de 21 bilhões em bens e que financia parte dos estudos de vacinação. Assim, o prazo estabelecido pela OMS para a entrega de vacinas e remédios por toda a região é extremamente ambicioso.
Os estudos atuais envolvem relativamente poucos pacientes e têm como objetivo apenas confirmar se as vacinas candidatas são bem toleradas e qual dose deve ser administrada (fase 1). Eles devem ser seguidos por testes em grande escala em áreas afetadas para examinar se as vacinas de fato fornecem proteção contra o vírus e quais efeitos colaterais elas têm, se os tiverem (fases 2 e 3).
Em janeiro, no máximo, se possível mais cedo, a eficácia das duas vacinas mais promissoras deve ser testada em milhares de voluntários na Libéria e Serra Leoa. Se as vacinas funcionarem bem, o plano pedirá que as companhias farmacêuticas produzam centenas de milhares de doses no início de junho, que estarão então disponíveis para serem administradas.
Os experimentos para testar medicamentos devem proceder no mesmo ritmo. Em dezembro, os Médicos Sem Fronteiras estão planejando lançar estudos com três medicamentos diferentes em seus centros de tratamento.
Quase metade dos 120 voluntários no estudo de Lausanne já receberam injeções da vacina cAd3-ZEBOV. O soro é baseado em um vírus de resfriado comum que afeta os chimpanzés, mas não os seres humanos, ao qual foi acrescentada uma proteína do ebola. Espera-se que o adenovírus resultante faça o sistema imunológico humano reagir ao vírus ebola.

Voluntários

O produto está sendo desenvolvido pela gigante farmacêutica britânica GlaxoSmithKline (GSK) e é visto como uma das duas vacinas mais promissoras. Além de Lausanne, ela também está sendo testada em Oxford, no Mali, e nos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) em Bethesda, Maryland, onde os primeiros resultados bem sucedidos foram anunciados esta semana. Durante esta fase inicial de testes clínicos, as equipes vêm compartilhando dados com frequência para determinar, entre outras coisas, as dosagens corretas.
Brian Shepard, voluntário em Bethesda, disse que a pior parte foi tirar o curativo do braço, embora ele tenha tido uma febre baixa no dia seguinte à vacinação, mas que logo passou. Shepard também é cientista da NIH e se voluntariou para o teste por curiosidade, da mesma forma que a maioria das outras pessoas. Os voluntários também recebem uma pequena quantia.
Marylyn Addo também não teve problemas para encontrar voluntários para seus testes. Assim que foi anunciado que o Hospital Universitário Hamburg-Eppendorf conduziria um estudo, começaram a chegar e-mails de possíveis participantes. Ao mesmo tempo que seus colegas em Genebra, Gabão e Quênia, a equipe de Hamburgo começou a testar a segunda candidata a vacina contra o ebola, rVSV-ZEBOV, desenvolvida pela Agência de Saúde Pública do Canadá em Winnipeg. É uma vacina viva que contém um vírus encontrado em animais de fazenda, modificado geneticamente.
"Não há qualquer risco de que alguém seja infectado com ebola através da vacinação", assegura Addo, com seus cachos pretos presos para cima e um caderno branco na mesa à sua frente. A capa do caderno diz "Tudo ficará bem no final". Quanto tempo ainda será necessário para que a epidemia de ebola seja contida? Addo tem a cautela de reduzir as expectativas. "Não podemos assumir necessariamente que a vacina terá um efeito dramático no desenvolvimento futuro da atual epidemia."
Genton concorda. "É mais provável que a epidemia seja contida antes que a vacina esteja pronta para o uso", diz ele. "Entretanto, se o vírus se espalhar para outros países vizinhos, as vacinações ainda podem desempenhar um papel decisivo."
Os resultados iniciais dos testes em andamento têm sido promissores. Os Institutos Nacionais de Saúde em Maryland anunciaram esta semana que conseguiram produzir uma resposta imunológica em um teste com 20 adultos sem nenhum efeito colateral grave observado. Testes maiores estão agora em andamento.
A GlaxoSmithKline está ansiosa para começar os testes em larga escala na Libéria e Serra Leoa em meados de janeiro. Ripley Ballou, chefe do programa de ebola da companhia, disse que por causa da instabilidade nos dois países, serão feitos dois estudos. "Dados os desafios de logística e as incertezas em torno da epidemia, decidimos que precisávamos de uma segunda estratégia", disse ele. "Sentimos que seria muito frustrante chegar ao fim desta epidemia sem saber se qualquer uma dessas vacinas funciona."

Em busca de dinheiro

Entre as preocupações menores está o fato de que a vacina atualmente precisa ficar refrigerada a 80 graus Celsius negativos o tempo todo, o que pode ser um problema em campo. Mas, diz Ballou, "temos alguns dados de que, uma vez que a vacina é colocada nas seringas, pode ser armazenada em uma temperatura não tão baixa." A própria vacinação também apresenta alguns problemas. Pode ser difícil acompanhar de perto os participantes do estudo por várias semanas, como é exigido, principalmente se eles vivem em cidades grandes e movimentadas como Monróvia.
O financiamento futuro também precisa ser resolvido. "É claro que é uma questão importantíssima", diz Seth Berkley, CEO da Gavi, a Vaccine Alliance em Genebra. Ainda não há acordo, diz ele, sobre quem pagará pela produção em massa da vacina para que ela seja administrada na África.
O trabalho de Gavi é financiado tanto por bolsas do governo e doações privadas; seu objetivo é garantir que os países pobres sejam capazes de pagar por vacinas que salvem vidas, contra o sarampo ou a pólio, por exemplo. Agora, está estendendo seu alcance ao ebola. "Estamos no momento negociando com doadores e com a indústria farmacêutica", diz Berkley.
Um estudo controlado por placebo foi planejado para a Libéria, chamando voluntários para receberem aleatoriamente injeções uma das duas candidatas a vacina ou um placebo. Os resultados serão então comparados no final do período do estudo. Se tudo correr bem, diz Ballou, "levará apenas oito a doze semanas para provar a eficiência".
O projeto do estudo segue princípios científicos estabelecidos, mas alguns questionam se eles devem ser aplicados no caso do ebola. Para os Médicos Sem Fronteiras, que estão concentrados em testar medicamentos em vez de vacinas, é inconcebível que os pacientes nos centros de tratamento da organização recebem placebos.
"Nossos funcionários de saúde não aceitarão isso", diz Annick Antierens, que coordena os estudos de ebola para os Médicos Sem Fronteiras. "Imagine o que isso significaria: dar comprimidos de açúcar para alguém que está lutando contra a morte e com vômitos excruciantes. Eu recusaria isso."

Ganhar na loteria

As preocupações dos médicos são compreensíveis, e é por isso que a organização optou por um modelo de estudo diferente que, entretanto, tem a desvantagem de não fornecer resultados inequívocos.
"Atualmente cerca de metade dos pacientes em nossos centros de tratamento sobrevivem. Se administrarmos o medicamento, e dois entre três pacientes sobreviverem, ficaremos muito felizes, e consideraremos isso um sinal de sucesso. O medicamento então passará por mais testes em um estudo consideravelmente maior", explica Antierens. "Se quatro em cada cinco pacientes que receberem o mediamente sobreviverem, isso será como ganhar na loteria, e então expandiríamos rapidamente o estudo para outros centros."
Os Médicos Sem Fronteiras pretendem testar os medicamentos antivirais brincidofovir e favipiravir, além de tratamentos que utilizam o soro de pacientes que sobreviveram, cujo sangue contêm anticorpos ao Ebola. A organização selecionou cuidadosamente três tratamentos: "queremos usar medicamentos que tenham um efeito direto sobre o vírus e possam ser disponibilizados rapidamente em grandes quantidades", diz Antierens.
Mas não são só os especialistas renomados da medicina tradicional que estão aproveitando a oportunidade. Para os especialistas em homeopatia da Alemanha, a epidemia também é uma oportunidade para conseguir provar seus métodos ainda não comprovados. De acordo com a organização homeopática internacional, a Liga Medicorum Homoeopathica Internationalis, uma delegação de médicos homeopatas foi despachada para as regiões mais afetadas da Libéria para testar 110 remédios homeopáticos em potência tripla a quádrupla", escreveu Ortrud Lindemaann, chefe da delegação, em um e-mail direto de Monróvia. "Somos chamados para ajudar as pessoas na Libéria com remédios homeopáticos em sua luta contra o ebola."
Funcionários do governo na Libéria, contudo, não compartilharam do entusiasmo dos médicos alemães e proibiram os especialistas em homeopatia de tratar pacientes de ebola. Mas os homeopatas não se desencorajaram. Apoiadores de sua missão já estão considerando enviar outra equipe de homeopatas para a África Ocidental. 
Tradutor: Eloise de Vylder
Estado Islâmico chegou mais longe que qualquer outro grupo terrorista
Lluís Bassets - El País
Será difícil acabar com eles e sobretudo com a semente que plantaram no mundo islâmico, desde a Indonésia até a Mauritânia, assim como em subúrbios ocidentais. Nos últimos dias, porém, eles alcançaram seu momento de glória, uma vez que nenhum grupo terrorista havia conseguido motivar a convocação de uma reunião de tão alto nível, com ministros de Relações Exteriores de 60 países, presidida pelo secretário de Estado da primeira superpotência, o americano John Kerry.
Não é para menos. O chamado Estado Islâmico do Iraque e da Síria, ou Daesh na sigla em árabe, controla um território com tamanho equivalente ao da Bélgica; apoderou-se de cidades como Mossul no Iraque e Raqqa na Síria, respectivamente com 1,8 milhão e 400 mil habitantes, antes da guerra; comercializa petróleo, recolhe impostos, pratica extorsões, explora a indústria do sequestro, rouba e trafica antiguidades; mas também paga soldo aos jovens que recruta e mantém uma aparente ordem pública sob a mais estrita sharia, ou lei islâmica; e inclusive tem uma aparência de governo, no qual há responsáveis por explosivos, prisioneiros, ataques suicidas e comunicações.
Sem sua frenética atividade de comunicação, o Daesh não seria nada. Sua mensagem central atribui a seu chefe, Abu Bakr Al Bagdadi, a mais alta posição política e religiosa na tradição islâmica, a de califa sucessor do profeta Maomé. A mensagem secundária, que chega uma e outra vez com sádica insistência, é que matarão de forma violenta quem não se converter à linha sunita do islã.
As comunidades xiitas, yazidis e cristãs orientais de toda a zona sob o controle do Daesh têm sido exterminadas ou obrigadas a fugir às pressas, deixando para trás seu bens e propriedades. Sua estarrecedora produção audiovisual, com imagens de decapitações, serve de dupla propaganda para aterrorizar e convocar quem tenha vocação para assassino.
O grupo conta com cerca de 30 mil combatentes originários de 90 países, sendo 10% europeus. Eles são capazes de atuar em ações individuais, como insurgentes e também como uma infantaria ágil, segundo Charles Lister, especialista do Brookings Center de Doha (Catar). Lister considera que, graças às entradas diárias de cerca de 2 milhões de euros, "esse é o grupo terrorista mais rico da história".
Foi formada uma coalizão inusitada de 60 países para destruir o califado, a qual já realizou mil ataques aéreos. E outros países não coligados também estão bombardeando o grupo, a exemplo do Irã e do regime sírio de Bashar al-Assad, que o combate desde o início. O objetivo é cortar suas fontes de financiamento, especialmente a produção de petróleo, mas sem soldados em terra será difícil acabar com seu controle territorial.
Os EUA aumentarão para 3.000 o número de instrutores e assessores militares no Iraque, porém a sombra da guerra outrora deflagrada por Bush dificulta a situação.
Washington denomina a operação de Determinação Absoluta. Obama e seus aliados vão precisar dela, porque está claro que é fácil conter o avanço do Daesh, mas será muito mais difícil obter a vitória definitiva. 
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Adesão da Ucrânia à Otan fornece munição poderosa a Putin
Christoph Schult - Der Spiegel
O presidente da Ucrânia está defendendo a ideia de um referendo nacional para o país entrar para a Otan, uma ideia que o chefe da aliança militar vem apoiando abertamente. Mas um debate como este é perigoso --porque ele divide os estados-membro e fornece uma munição poderosa a Putin.
Apenas para ter certeza de que não há mal-entendido: Vladimir Putin é o principal responsável pela nova Guerra Fria entre o Ocidente e a Rússia. Hoje em dia, é preciso deixar isso claro antes de criticar as políticas ocidentais para não ser empurrado para o campo pró-Putin.Quando os ministros de relações exteriores da Otan se encontrarem em Bruxelas, a questão da possível adesão da Ucrânia à aliança não estará na agenda. Entretanto, ela dominará a reunião --e isso é culpa de dois políticos.
Durante uma entrevista à rede pública alemã ZDF na noite de domingo (30), o presidente ucraniano Petro Poroshenko disse que gostaria de realizar um referendo sobre a adesão à Otan em algum momento no futuro. E o novo secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, aparentemente não tinha nada melhor a fazer do que oferecer a Poroshenko seu apoio verbal e reiterar o direito de toda nação soberana da Europa pleitear a adesão à Otan. Como se isso não fosse suficiente, Stoltenberg acrescentou em comentários dirigidos a Moscou que "nenhum terceiro país de fora da Otan pode vetar" o crescimento da aliança.

Brincando com fogo

Em meio ao clima tenso atual, a especulação em aberto sobre uma possível adesão da Ucrânia à Otan é semelhante a brincar com fogo. A chanceler alemã Angela Merkel propôs o ex-primeiro-ministro norueguês como chefe da Otan porque ele é considerado um político muito mais equilibrado do que o antecessor Anders Fogh Rasmussen. Mas desde que ele assumiu o leme, tem sido difícil identificar diferenças entre os dois. Declarações agressivas feitas pelo alto comandante militar da Otan, Philip Breedlove, não fizeram muito para facilitar a situação.
Por que os funcionários da Otan têm necessidade de comentar sobre a Ucrânia com tanta frequência? Desde que a crise irrompeu no país, a aliança vem expressando a opinião de que o conflito não pode ser resolvido através de meios militares. Se isso é verdade, então não seria melhor se Stoltenberg, Breelove e companhia ficassem quietos?
Fazer qualquer coisa diferente disso é vantajoso para Putin enquanto ao mesmo tempo semeia a divisão na Europa. Torna mais fácil para o presidente russo tagarelar sobre as supostas políticas expansionistas do Ocidente. No que diz respeito à UE, é claro, Putin se contradiz. Ele disse uma vez: "se a UE aceitar a Ucrânia como membro, acho que a Rússia receberia isso bem." No ano passado, ele mudou de curso de forma surpreendente e repentina.
Mas Putin sempre viu a adesão da Ucrânia à Otan como uma linha vermelha. Mesmo que a Otan se concentre na defesa, ainda assim é uma aliança militar. Ela só pode ser poderosa, todavia, quanto dos os 28 estados-membro compartilham da mesma posição. E aí está o problema: só uma pequena minoria --formada principalmente pelos estados bálticos e a Polônia-- atualmente apoia a entrada da Ucrânia na aliança. Todos os outros aderem ao princípio de que cada entrada não deveria ser benéfica apenas para o novo membro, mas também para a comunidade como um todo. É difícil ver no momento como a Ucrânia pode beneficiar a Otan.
Nesse sentido, há apenas uma resposta correta às divagações de Poroshenko. Ela foi formulada pelo ministro de relações exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier. "Vejo uma relação de parceria entre a Ucrânia e a Otan, mas não de adesão", disse o primeiro-ministro à Spiegel Online na semana passada.
Ou, colocando de forma mais simples, a questão da adesão da Ucrânia não está nem mesmo na agenda.
Periferias entram em depressão nas cidades italianas
Beppe Severgnini - TINYT
As periferias em depressão das cidades italianas são como bombas-relógio; longe dos olhos dos turistas endinheirados que perambulam pelo Coliseu, o estopim do país está queimando e se aproximando do final.
Todo um bairro suburbano de Roma --Tor Sapienza-- recentemente tomou as ruas em protesto contra o afluxo de imigrantes, os culpando por roubos, violência e provocando um alerta público de "emergência social" iminente por parte do papa Francisco. Nos bairros de Corvetto e Giambellino de Milão, ocorreram choques devido ao despejo de moradores ilegais. Moradores revoltados da periferia de Nápoles saíram chutando viaturas da polícia, deixando claro que eles têm mais fé na Camorra, a Máfia local, do que nas autoridades. Hotéis e estacionamentos em obras em Fuorigrotta e Bagnoli estão ruindo e só servem como esconderijos.
"Qual é a novidade?" As pessoas podem se perguntar na França ou no Reino Unido. Para elas, distúrbios nos banlieues ou nos conjuntos habitacionais não são novidade. Até mesmo na Itália, distúrbios suburbanos são história batida.
Mas o que é surpreendente agora, até mesmo para os italianos, é a causa dos distúrbios. Há meio século, nossos migrantes vinham do sul do país, não do sul do planeta. Milhões cruzavam o país para as fábricas em Milão e Turim, ou buscavam trabalho em Roma e seus arredores, disputando moradias e empregos com os deslocados pela Segunda Guerra Mundial. O poeta e diretor Pier Paolo Pasolini descreveu o distrito de Prenestino, em Roma, em seu romance "Ragazzi di Vita", como cheio de "lares pequenos como cubículos ou galinheiros, brancos como as casas árabes e pretos como barracos, cheios de desleixados de Puglia, Marcas, Sardenha ou Calábria".
Hoje, centenas de pessoas da África e do Oriente Médio arriscam suas vidas no mar para desembarcar na Sicília e Calábria. Muitas delas conseguem seguir até o norte. A rapidez da chegada deles e o fato de se acumularem na periferia das cidades são motivos de preocupação, mesmo que apenas devido a quão mal os italianos estão preparados para eles. Segundo o Índice de Ignorância, uma pesquisa Ipsos MORI realizada em 14 países, os italianos são os menos informados sobre o assunto, acreditando que os imigrantes correspondem a 30% da população, quando o número real é de apenas 7%. Isso é menos do que no Reino Unido ou Alemanha (ambos com 13%), Espanha (12%) e França (10%).
Os recém-chegados encontram um lar --ou pelo menos um abrigo-- na periferia das cidades, onde entram em conflito com os antigos moradores, a maioria de classe operária. É uma mistura perigosa: cerca de 90% da população da Itália vive em cidades ou na periferia delas, e, apesar dos esforços do novo governo, a Itália é o único país da Europa ainda em recessão. Os governos locais são os principais culpados, mas eles herdaram uma situação dramática com edificações inadequadas, frequentemente ilegais, infraestrutura decrépita e serviços públicos deficientes. Mesmo no norte, cidades supostamente prósperas como Milão, que será sede da Feira Mundial (Expo) 2015, têm distritos como Sarca-Testi, onde o crime organizado dirige operações ilegais de imigração, prostituição e tráfico de drogas.
Todas as sociedades despejam seus problemas na periferia e a Itália não é exceção. E sempre, quando estoura uma guerra entre os pobres, alguém certamente tirará proveito. Após anos de tentativas fracassadas de secessão no norte da Itália, o partido Liga do Norte de extrema direita se tornou nacional e agora segue o exemplo de movimentos xenofóbicos como a Frente Nacional da França e o Partido da Independência do Reino Unido. O secretário da liga, Matteo Salvini, visitou um acampamento cigano na periferia de Bolonha, apenas para seu automóvel ser atacado por extremistas. Em poucas semanas, a liga conseguiu dobrar seus votos nas urnas.
As periferias também são os locais onde as ilusões perdidas são despejadas. Com frequência, elas são frutos da construção ilegal e da ganância. Nos últimos 50 anos, megaprojetos de moradias populares de autoria de arquitetos idealistas se deterioraram por falta de serviços e atenção. Entre os exemplos estão o Zen, em Palermo (de autoria do arquiteto Vittorio Gregotti); Librino, em Catânia (de Kenzo Tange); Corviale, em Roma (de Mario Fiorentino); e Rozzol Melara, em Trieste (de Carlo Celli). Ontem, utopias. Hoje, pesadelos.
Mas talvez nem tudo esteja perdido. As periferias das cidades italianas não estão além da redenção, mesmo que estejam desbotadas e desgastadas.
Nós podemos consertá-las, como diz o arquiteto Renzo Piano, atualmente um senador honorário vitalício. Piano tem usado seu salário de senador para contratar seis jovens arquitetos --três homens e três mulheres-- para desenvolvimento de projetos de recuperação das periferias das cidades italianas. O nome do grupo, G124, vem da sala no Senado que transformaram em seu escritório.
Os projetos são direcionados e locais --reparo de escolas, iluminação pública e transporte, ou recuperação de espaços públicos desolados.
"Não se pode esperar que os jovens demonstrem uma fagulha de cidadania se os prédios estão abandonados e decrépitos, ou os espaços de recreação e esportes não são atrativos e são inseguros", apontou Piano. "Eu estou convencido de que a beleza salvará o mundo. Talvez uma pessoa de cada vez, mas salvará o mundo."
A beleza poderia começar salvando a Itália. Afinal, este é o seu lar. 
Tradutor: George El Khouri Andolfato
Carla Bruni, um capital político de Sarkozy
Gabriela Cañas - El País
Oficialmente, Nicolas Sarkozy só obteve recentemente a vitória nas primárias de seu partido, a UMP (União por um Movimento Popular), e agora é seu presidente. Ninguém descarta, porém, que esse seja o primeiro passo para ascender novamente à Presidência da República francesa em 2017.
Diante de tal perspectiva, a capa da imprescindível revista "Paris Match" desta semana pode ser uma verdadeira declaração de intenções: Nicolas Sarkozy posa sorridente junto de sua mulher, a cantora e modelo Carla Bruni, que aparece carinhosamente sentada sobre os joelhos do marido.
Bruni, sem dúvida, é um capital da longa campanha do político para voltar ao Eliseu. No interior da revista há mais fotos: ela acaricia o rosto dele em um escada rolante, o aplaude na primeira fila em um comício ou o olha de maneira afetuosa, sentada a seu lado, em outro ato do partido. "Adoro escutá-lo", confessa a esse semanário, sábio coquetel de política e fofocas que vende quase 600 mil exemplares por semana.
Nos últimos dias, o destaque é para Nicolas Sarkozy, que desde segunda-feira está formando sua equipe dentro da UMP para se preparar solidamente para as próximas campanhas eleitorais. Mas faz tempo que as mulheres, direta ou indiretamente, têm um papel importante na política francesa.
Sarkozy acaba de nomear como número 2 do partido Nathalie Kosciusko-Morizet, que Anne Hidalgo derrotou por pouco nas eleições para a prefeitura de Paris, e conta com o apoio pessoal de duas ex-primeiras-damas de peso: a própria Carla Bruni e Bernadette Chirac. Esta última, algumas páginas adiante na mesma edição da "Paris Match", declara o seguinte: "Conheço Sarkozy há muito tempo. Ele é muito sentimental e não gosta de ver as pessoas sofrerem. Tenho confiança nele".
Carla Bruni disse que odeia política e a imagem que a imprensa faz dela, mas suas declarações apenas confirmam a aparência de um político feliz no casamento e homem sensível disposto a reconduzir a França ao bom caminho. "Nicolas gosta de resolver os problemas", assegura ela. "Eu prefiro não tê-los."
Aliás, ela preferia que o marido não voltasse à política, conforme ele prometeu em 2012 quando perdeu as eleições presidenciais para François Hollande, porém reconhece que a paixão de Sarkozy é a política e respeita sua decisão. A "Paris Match" celebra o achado da cantora: "Nicolas estava parado na via de acesso para a rodovia. A entrada na rodovia é um momento perigoso. Agora, isso acabou. Ele está ativo e fará um bom trabalho de saneamento".
Sarkozy parece consciente da valorização que pode obter graças a Carla Bruni, que certamente já prepara seu próximo disco, a ser lançado no próximo outono. Em 2 de outubro passado, em um de seus comícios, com Bruni presente na primeira fila, o político disse ao público: "A última vez que estive aqui em Troyes foi para carregar o violão de minha mulher".
Carla Bruni parece ser a melhor aluna de Bernadette Chirac, a mais atenta a seus conselhos. "É preciso estar presente e ajudar o presidente da República com discrição e 'savoir-faire'", explica Chirac, que também atua na política como membro da assembleia provincial de Sarran.
"Na verdade, nada é simples nesse palácio onde a vida gira em torno do presidente." Foi esse o conselho que ela deu a Valérie Trierweiler, então companheira de Hollande e agora milionária graças à sua vingança literária, "Obrigada por esse Momento", recém-traduzido para o inglês.
De fato, nada parece simples para as mulheres no Palácio do Eliseu. Seu atual inquilino trocou os cinco funcionários da área privativa do palácio, porque a análise da foto de François Hollande com sua namorada Julie Gayet nos jardins do palácio revelou que só pode ter sido tirada dos aposentos internos.
Por ora, Carla Bruni disse que prefere não pensar no regresso ao Eliseu, um palácio maldito também para ela. "Veremos o que acontecerá em breve", respondeu laconicamente a esse respeito.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

DARKANE - INNOCENCE GONE




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