Ángeles Espinosa - El Paìs
BBC
Nunca foram embora
Apesar de a
intervenção americana os ter tirado do poder no final de 2001, eles
nunca aceitaram o governo apoiado pelo Ocidente e sempre combateram as
forças de segurança e seus aliados estrangeiros. Pouco a pouco se
reagruparam e estenderam sua influência e seu controle nos territórios
do norte e do noroeste do Afeganistão.
Até agora se concentraram na periferia do país, nas zonas rurais e nas regiões menos povoadas. "São mais fortes do que se admite oficialmente", afirma Thomas Ruttig, codiretor do Afghanistan Analysts Network (AAN, Rede de Analistas do Afeganistão). Esse analista, que conhece o país desde a época da ocupação soviética, estima que embora só controlem uma dezena das 400 comarcas em que se divide o país, pelo menos outras 150 são vulneráveis a seus ataques e nas demais têm algum tipo de presença.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Até agora se concentraram na periferia do país, nas zonas rurais e nas regiões menos povoadas. "São mais fortes do que se admite oficialmente", afirma Thomas Ruttig, codiretor do Afghanistan Analysts Network (AAN, Rede de Analistas do Afeganistão). Esse analista, que conhece o país desde a época da ocupação soviética, estima que embora só controlem uma dezena das 400 comarcas em que se divide o país, pelo menos outras 150 são vulneráveis a seus ataques e nas demais têm algum tipo de presença.
Kunduz
A ofensiva atual é a terceira intentona sobre essa cidade, um cruzamento estratégico entre a capital, Cabul, e o norte do país. As forças afegãs conseguiram contê-los anteriormente, mas só depois de recorrer às milícias que envenenam a vida política dessa província, uma das mais complexas por sua mistura de etnias e facções. Sem chegar às manchetes, a segurança foi flutuante desde 2009. Os talibãs sempre estiveram interessados em Kunduz. Foi o último reduto que perderam em 2001 e prova que têm apoio além de seus feudos no sul e no leste do país.Apoio local
Trinta por cento da população de Kunduz são pashtun, a etnia na qual surgiu o grupo islâmico radical. "O apoio entre eles tem muito a ver com o sofrimento dessa minoria sob o novo governo que é controlado pelos do norte", explica Ruttig, em referência à Aliança do Norte, que se opôs ao regime do Taleban. "Alguns de seus integrantes têm milícias que a população considera piores que os talibãs", acrescenta o especialista. É um terreno propício para que se desate uma espiral de vinganças.Fraqueza institucional
Saúde, educação, agricultura ou reconstrução não recebem atenção suficiente das autoridades estaduais e locais. Ao chegar ao governo no ano passado, o presidente afegão, Ashraf Ghani, identificou Kunduz como uma das cinco províncias prioritárias em seu programa de segurança, mas o governador que nomeou (um pashtun) não se dá bem com o chefe da polícia provincial (um tayico). A falta de coordenação entre as autoridades influiu para que os talibãs pudessem tomar a cidade, apesar de contarem com menos homens (apenas algumas centenas) que as forças de segurança. "Os serviços secretos afegãos não detectaram este último ataque", indica Ruttig.E o investimento ocidental?
Apesar dos esforços realizados pela coalizão de países que até o ano passado participou da missão de assistência à segurança, "a transformação do Afeganistão foi menor do que nos disseram nossos governos", afirma Ruttig. "Os projetos de desenvolvimento melhoraram as condições econômicas de muitos afegãos", admite o especialista, que entretanto duvida de sua sustentabilidade. Em todo caso, considera um fracasso que as quantias investidas não tenham conseguido melhores resultados. No terreno militar, opina que o resultado é pior, já que no caso concreto de Kunduz, onde o Exército alemão esteve à frente da Equipe de Reconstrução Provincial, "os talibãs se reagruparam e cresceram embaixo de seus narizes a partir de 2006".Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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