O PMDB se mexe
Apresentar-se como alternativa de governo, com a elaboração do plano
"Temer 2" para a economia, para "manter e ampliar os ganhos sociais", é
apenas reafirmar o que já havia sido feito no lançamento do projeto "Uma
ponte para o futuro". As críticas ao governo refletem a posição do
partido: "A economia desanda, o dersemprego cresce sem parar e o
brasileiro empobreceu".
Quando Temer apresentou-se de maneira indireta como o homem capaz de
reunificar o país, criou uma crise com o PT. Mas agora, no programa, a
posição é reafirmada. "O PMDB nunca hesitou em assumir a
responsabilidade em tomar a dianteira e liderar um movimento para
reunificar o país e restabelecer a confiança".
Embora o tom crítico não possa ser atribuído às novidades políticas, é
certo que ele caiu bem nesse momento em que o partido está sendo
instado a aderir à campanha do impeachment pela oposição. A alternativa
seria esperar, ao lado do PT, provavelmente num abraço de afogados, que o
TSE defina a questão do mandato da presidente Dilma que, se for cassado
pelo tribunal, leva junto o vice Michel Temer.
O preocesso de impeachment ganhará mais força dentro do Congresso à
medida que as manifestações populares se impuserem aos políticos. Nesse
sentido, o panelaço de anteontem durante o programa do PT, considerado o
maior já ocorrido, reacendeu a esperança da oposição de que a
mobilização do dia 13 de março a favor do impeachment refletirá
fortemente a vontade da maioria da população.
O processo no TSE é mais demorado do que o impeachment do Congresso,
bastando neste que a vontade política da maioria se manifeste diante das
inúmeras provas que estão se acumulando.
A decisão do PSDB e demais partidos da oposição de organizar
manifestações pelo país para fortalecer a mensagem do impeachment parece
a mais importante tomada até agora, pois o movimento deixará de
depender apenas do tamanho das manifestações gerais. Será reforçado por
encontros regionais que tenderão a aumentar o apoio ao impeachment.
Já há no Congresso uma mudança de ares com relação à decisão de
impedir a presidente, e ela cada dia fica com menos força para
manobras. A comparação com os últimos meses do governo Sarney parece
equivocada aos que viveram aquele momento , pois, apesar de todas as
crises, o então presidente tinha força politica no Congresso para
garantir mínimas condições de governabilidade, até mesmo negociar a
permanência por cinco anos de mandato.
À presidente Dilma faltariam essas condições mínimas de
governabilidade, na medida em que ela não tem mais base política
majoritária e vê os partidos que teoricamente a apoiam fazendo acordos
com a oposição em questões fundamentais para o PT, como o fim do
monopólio da Petrobras na exploração do pré-sal ou a aprovação da CPMF.
Quanto mais ficar claro que o prcesso do TSE caminha para a cassação
da chapa, mais o PMDB estará se inclinando para o impeachment, e nesse
caso terá sido inútil tamanho empenho do Planalto para eleger Leonardo
Picciani para a liderança do partido.
Documento enviados pelos EUA à força-tarefa da Lava-Jato mostram nove
depósitos da conta secreta do operador de propinas Zwi Skornicki, entre
2008 e 2015, para Shellbill Finance, que seria do marqueteiro João
Santana; três repasses de US$ 500 mil cada foram feitos entre julho e
novembro de 2014, durante a disputa presidencial, o que pode desmentir a
informação da defesa de que nenhum dinheiro recebido no exterior tem a
ver com a campanha de Dilma à reeleição.
Essa história de carochinha de que a Odebrecht pagou a João Santana
propina relativa a campanhas no exterior, em países onde a empreiteira
brasileira tem negócios, deve esbarrar na própria Odebrecht e,
principalmente, no operador Zwi Skornicki, que provavelmente fará uma
delação para se livrar da condenação. Até agora, a grande maioria dos
operadores de propina apanhados na Lava-Jato não deixou de dar sua
"colaboração premiada" aos procuradores da Lava-Jato.
Nenhum comentário:
Postar um comentário