| Marlene Bergamo - 1.ago.15/Folhapress | ||
| O ex-presidente Lula no instituto que leva seu nome |
Em relatório da Operação Acarajé,
23ª fase da Lava Jato, a PF mencionou a anotação "Prédio (IL)" na
coluna "usos" associada ao ano de 2010 e ao valor de R$ 12,4 milhões.
Em nota distribuída à imprensa nesta segunda (22), logo após a deflagração da Operação Acarajé, o Instituto Lula alegou que "em 2010, ano indicado na planilha, o Instituto Lula não existia ainda" e que ele só foi criado "em agosto de 2011 na mesma casa onde antes funcionava o Instituto Cidadania, ao qual sucedeu".
A explicação da assessoria repercutiu em blogs e redes sociais como um suposto "erro" da PF.
Reportagens e notas em colunas jornalísticas divulgadas pela imprensa no segundo semestre de 2010, entretanto, confirmam que já se sabia que a nova entidade liderada por Lula deveria se chamar Instituto Lula. Essas notícias circularam ao longo de todo o segundo semestre de 2010.
Ainda em julho de 2010, por exemplo, a coluna de Mônica Bergamo na Folha anunciou: "Amigos estudam criação de instituto com nome de Lula".
Na edição de 31 de outubro do mesmo ano, a Folha confirmou: "Já é sabido que Lula deverá ter um instituto com seu nome em São Paulo. Mas, segundo amigos, continuará morando em São Bernardo".
Em 21 de novembro de 2010, a colunista Dora Kramer, de "O Estado de S. Paulo", reafirmou: "Lula cuidará do instituto que levará seu nome, mas gostaria de ocupar algum posto que lhe permitisse liderar programas de ajuda a nações mais pobres, na África, como já se diz".
Onze dias antes, o UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha, estampou em título: "Instituto Lula já tem patrocinadores e sede".
No dia 23 de novembro, "O Estado de S. Paulo" também destacou em título: "Instituto Lula vai se dedicar à África, mas não só por caridade".
NOVA SEDE
Além de confirmar que um "Instituto Lula" já era de amplo conhecimento público ainda em 2010, mesmo antes da criação propriamente dita da entidade, ocorrida em 2011, as notícias e notas da imprensa na época também explicitam que havia um plano em curso de se obter uma nova sede para a entidade.
A intenção foi reconhecida publicamente, em dezembro de 2010, pelo então secretário de Direitos Humanos da Presidência Paulo Vannuchi.
Vannuchi viria a ser, em 2011, um dos diretores do Instituto Lula. Ele disse à Folha na ocasião que o futuro instituto "não pode ser lá", em referência à sede do Instituto Cidadania, no bairro Ipiranga. Ele também afirmou que fora descartada a compra de um prédio de três andares próximo ao parque do Ibirapuera, informação que também circulava entre jornalistas.
Em novembro do mesmo ano, outra notícia da Folha corroborou a informação de que amigos de Lula buscavam recursos para uma nova sede do instituto. O esforço estaria sendo coordenado pelo fazendeiro José Carlos Bumlai, um dos presos na Operação Lava Jato.
"No front interno, emissários do presidente já conversam com empreiteiras em busca de doações para erguer a sede da ONG, em São Paulo. Parte dessas empresas pode se beneficiar dos projetos no exterior", afirma a reportagem.
OUTRO LADO
Em nova nota encaminhada à Folha nesta quarta-feira (24), o Instituto Lula afirmou que não "sugeriu" que a Polícia Federal tenha cometido algum erro de datas ao analisar a planilha que mencionava o Instituto Lula vinculado ao ano de 2010.
Indagada sobre as notícias de 2010 que já diziam que a nova entidade liderada por Lula se chamaria Instituto Lula, a assessoria disse que "a nota simplesmente aponta fatos concretos, sem cogitações, sugestões ou suposições. O Instituto Lula foi criado em agosto de 2011 e não existia em 2010, o que é um fato público e noticiado".
Por três vezes desde segunda a Folha indagou ao instituto se houve em 2010 alguma cogitação para obtenção ou construção de uma sede para o futuro Instituto Lula, mas a assessoria não respondeu.
Em nota distribuída à imprensa nesta segunda (22), logo após a deflagração da Operação Acarajé, o Instituto Lula alegou que "em 2010, ano indicado na planilha, o Instituto Lula não existia ainda" e que ele só foi criado "em agosto de 2011 na mesma casa onde antes funcionava o Instituto Cidadania, ao qual sucedeu".
A explicação da assessoria repercutiu em blogs e redes sociais como um suposto "erro" da PF.
Reportagens e notas em colunas jornalísticas divulgadas pela imprensa no segundo semestre de 2010, entretanto, confirmam que já se sabia que a nova entidade liderada por Lula deveria se chamar Instituto Lula. Essas notícias circularam ao longo de todo o segundo semestre de 2010.
Ainda em julho de 2010, por exemplo, a coluna de Mônica Bergamo na Folha anunciou: "Amigos estudam criação de instituto com nome de Lula".
Na edição de 31 de outubro do mesmo ano, a Folha confirmou: "Já é sabido que Lula deverá ter um instituto com seu nome em São Paulo. Mas, segundo amigos, continuará morando em São Bernardo".
Em 21 de novembro de 2010, a colunista Dora Kramer, de "O Estado de S. Paulo", reafirmou: "Lula cuidará do instituto que levará seu nome, mas gostaria de ocupar algum posto que lhe permitisse liderar programas de ajuda a nações mais pobres, na África, como já se diz".
Onze dias antes, o UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha, estampou em título: "Instituto Lula já tem patrocinadores e sede".
No dia 23 de novembro, "O Estado de S. Paulo" também destacou em título: "Instituto Lula vai se dedicar à África, mas não só por caridade".
NOVA SEDE
Além de confirmar que um "Instituto Lula" já era de amplo conhecimento público ainda em 2010, mesmo antes da criação propriamente dita da entidade, ocorrida em 2011, as notícias e notas da imprensa na época também explicitam que havia um plano em curso de se obter uma nova sede para a entidade.
A intenção foi reconhecida publicamente, em dezembro de 2010, pelo então secretário de Direitos Humanos da Presidência Paulo Vannuchi.
Vannuchi viria a ser, em 2011, um dos diretores do Instituto Lula. Ele disse à Folha na ocasião que o futuro instituto "não pode ser lá", em referência à sede do Instituto Cidadania, no bairro Ipiranga. Ele também afirmou que fora descartada a compra de um prédio de três andares próximo ao parque do Ibirapuera, informação que também circulava entre jornalistas.
Em novembro do mesmo ano, outra notícia da Folha corroborou a informação de que amigos de Lula buscavam recursos para uma nova sede do instituto. O esforço estaria sendo coordenado pelo fazendeiro José Carlos Bumlai, um dos presos na Operação Lava Jato.
"No front interno, emissários do presidente já conversam com empreiteiras em busca de doações para erguer a sede da ONG, em São Paulo. Parte dessas empresas pode se beneficiar dos projetos no exterior", afirma a reportagem.
OUTRO LADO
Em nova nota encaminhada à Folha nesta quarta-feira (24), o Instituto Lula afirmou que não "sugeriu" que a Polícia Federal tenha cometido algum erro de datas ao analisar a planilha que mencionava o Instituto Lula vinculado ao ano de 2010.
Indagada sobre as notícias de 2010 que já diziam que a nova entidade liderada por Lula se chamaria Instituto Lula, a assessoria disse que "a nota simplesmente aponta fatos concretos, sem cogitações, sugestões ou suposições. O Instituto Lula foi criado em agosto de 2011 e não existia em 2010, o que é um fato público e noticiado".
Por três vezes desde segunda a Folha indagou ao instituto se houve em 2010 alguma cogitação para obtenção ou construção de uma sede para o futuro Instituto Lula, mas a assessoria não respondeu.
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