Crédito e credibilidade
FSP
A reticência e o
pessimismo de consumidores e empresas têm aparecido nas pesquisas de
confiança com especial intensidade neste bimestre. O desempenho do
crédito bancário em abril evidenciou sinais concretos desse desânimo.
Parou
de crescer o total de dinheiro emprestado nas modalidades chamadas de
"livres" nas estatísticas oficiais. Isto é, de empréstimos concedidos
nos termos, prazos e taxas do mercado com fundos obtidos no mercado,
aqueles que não são regulados por diretrizes estatais ou financiados de
algum modo pelo governo.
Descontada a inflação, o total do
crédito "livre" para pessoas físicas ou jurídicas era, no mês passado,
idêntico ao de abril de 2013.
O bolo como um todo ainda cresce
devido ao desempenho das modalidades "direcionadas" (financiamento
imobiliário com recursos oriundos da caderneta de poupança, empréstimos
do BNDES e crédito rural, por exemplo). São concedidos devido ao desejo
do governo de estimular uma economia apática faz mais de três anos,
estatizando em parte o mercado de crédito.
Mesmo assim, há uma
desaceleração. Em termos reais, o total de empréstimos aumentou 6,7% no
ano decorrido até abril deste 2014. Em 2013, crescia ao ritmo de mais de
9%. Em 2011, a mais de 13,6%.
A estagnação do estoque de crédito
"livre" resulta decerto da relutância dos bancos comercias, que temem o
risco de inadimplência. Mas a procura de crédito por parte dos clientes
também diminui.
É compreensível. O número de pessoas empregadas
nas grandes cidades deixou de crescer no último semestre, assim como o
total dos salários no bimestre passado. O ambiente de protestos nas ruas
não contribui para a restauração da confiança no futuro próximo.
As
estatísticas, contudo, não indicam degradação das condições
financeiras. A inadimplência diminuiu desde o ano passado e
estabilizou-se, assim como o nível de endividamento das famílias.
Embora
perca velocidade, o crédito imobiliário para pessoas físicas ainda
cresce a quase 23% ao ano. O brasileiro consome menos, como no caso de
veículos, mas ainda investe em moradia.
No conjunto, porém,
tornou-se claro que, desta vez, a concessão de empréstimos não vai
compensar o desânimo e a baixa da atividade, como ocorreu em 2008 e
2009. Crédito, renda e confiança estão em ritmo de declínio, e assim vão
marcar o passo da economia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário