quarta-feira, 4 de junho de 2014

Festa na Papuda
AmarildoBarbosaHoje é festa lá no CPP. Sem Barbosa, batem outra vez com esperanças os corações dos mensaleiros de saírem da cadeia antes do prazo legal. Já vai terminando a gestão do presidente do STF que, em tal cargo, não poderia capitular ante ameaças que, segundo amigos, aceleraram sua saída. Serviram, porém, para mostrar o caráter duplo da militância que se diz “pelas minorias” e usou insultos racistas tão logo Joaquim podou asas dos bons companheiros.
As gentilezas foram de “capitão do mato” (NR: negro que caçava escravos foragidos) a “negro vadio” que “a Dilma deveria (…) meter ele numa cadeia”. Para se ter uma ideia, o Ministério Público investigou a Fifa por suposto racismo – devido a cogitar Lázaro Ramos e Camila Pitanga como apresentadores do sorteio de grupos da Copa, mas optar pelo casal FernandaLima e Rodrigo Hilbert, com os quais já havia trabalhado –, mas não moveu uma palha contra acampanha racista difamatória dos seguidores dO Partido. A Seppir – secretaria da Presidência,com status de ministério – também não fez nada, claro, tal como o movimento negro ligado aoPT. Racismo contra os inimigos pode.
RacismãoA tese mais repetida pelos fãs de corruptores, para os quais Barbosa já vai tarde do STF foi ade que ele teria condenado o deputado cassado José Dirceu (PT-SP) – por quem a galera companheira mais violenta tem verdadeira tara – baseado somente na Teoria do Domínio doFato, isto é: sabia do que ocorria, estando em posição de liderança.
É tão verdadeiro quanto a vasta cabeleira do corruptor Dirceu. Felizmente, como relator dojulgamento do mensalão, Barbosa não deixou passar que o então ministro-chefe da Casa Civil de Lula participou diretamente das negociações para a obtenção de empréstimos pelo publicitário Marcos Valério, para bancar o mensalão – compra de apoio parlamentar para ogoverno de então.
Ou, como Rogério Gentile encarnando, na “Folha”, o espírito de boi sonso de seus fanzocos,“não existem tantas provas contra Dirceu. É só uma grande coincidência, por exemplo, ele terse reunido com Valério e dirigentes do BMG num dia e o banco ter liberado recursos para o mensalão dias depois”.
A saída de Barbosa embala o decreto presidencial que impõe conselhos “populares” (de militantes) aos órgãos públicos e o anúncio do PT de que buscará regular a mídia, revogar a anistia e reformar a política, a partir de 2015. O poder “normal” não é suficiente, para quem diz que “não vale nossos governos indicarem ministros do Supremo, e eles chegarem lá e votarem contra” – o senador petista Jorge Viana (AC), deixando claro o plano de tornar o Judiciário um apêndice do partido.
Na semana passada, meu amigo Márvio dos Anjos, diretor editorial do Destak, indagou se valeria manter a Lei da Anistia, sem julgar casos como o de Rubens Paiva? Lembrando que ela perdoou crimes tão brutais quanto da esquerda que só visava a outra ditadura, sim. O contrário será submeter a lei ao triunfo da vontade de quem está no poder – vide agora o Egito.
Aí, vale tudo o que lhes favorecer, como mostra o mimo desse integrante da comissão de éticado PT-RN: “Contra Joaquim Barbosa toda violência é permitida, porque não se trata de um serhumano. Ele deve ser morto”.
(Ampliada da coluna publicada hoje, 4 de junho de 2014, no jornal Destak. Acréscimos ao original impresso em itálico).
ameaça-morte-joaquim-babosa
Servolo se escondia sob o codinome Antonio Granado.
servolo

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