Rodrigo Constantino - VEJA
Uma reportagem
do jornal Valor de hoje fala da proposta de lei da comunicação
eletrônica, que pretende “regionalizar” mais o conteúdo das rádios e
televisões. O alvo são os “monopólios” e “oligopólios”, o que a
presidente Dilma chamou de “controle econômico” da mídia. Em meu
dicionário, como já disse aqui, isso é golpe que busca controlar indiretamente o conteúdo, como ocorreu na Argentina e na Venezuela.
De acordo
com Paulo Bernardo, a ênfase do governo será dada entretanto em um
aspecto que diz respeito à geração de conteúdo: haverá cotas mínimas
para produções locais e independentes na grade de programação das
emissoras, tanto para programas de caráter noticioso como de cultura e
entretenimento. “A regionalização da produção precisa ser feita, porque é
o que determina a Constituição em seu artigo 221. Isso não significa
controle do conteúdo, porque a Constituição demarca o que pode ou não
ser feito e proíbe embaraço ou restrições à plena liberdade de
informação”, disse o ministro em entrevista ao Valor Pro.
[...]
“A questão
brasileira é substancialmente diferente da realidade argentina. Lá
existe uma multiplicidade de licenças que não existe aqui”, disse
Bernardo, para quem “a questão da titularidade dos meios de comunicação é
menor que a da exigência de conteúdo regional”. O ministro citou como
um modelo a legislação adotada para a geração de conteúdo da TV por
assinatura, que estabeleceu uma cota de 25% para produção nacional e
independente. “Isso está funcionando bem e gerou um mercado ativo de
produção audiovisual”, disse. A exigência pode diminuir o espaço da
geração das emissoras que são cabeça de rede na programação das
emissoras afiliadas.
O sonho do PT desde o começo tem sido
controlar a imprensa, tratada como “oposição” por fazer críticas e
divulgar fatos incômodos. Franklin Martins dorme e acorda pensando
nisso. O controle econômico é apenas uma maneira de driblar a
resistência a uma proposta de controle direto, mas o objetivo final é
idêntico: enfraquecer os grupos independentes e tornar os veículos de
imprensa cada vez mais dependentes do próprio governo, ficando assim
reféns dele.
Como escreveu
o jornalista José Maria e Silva, “Apesar de já exercer um grande
controle ideológico sobre o conteúdo dos meios de comunicação, a
esquerda quer asfixiá-los economicamente, consolidando o sonhado
controle totalitário da imprensa”. Não basta influenciar as mentes; é
preciso meter a mão no cofre. Diz o jornalista:
Na prática, o
conteúdo já está controlado há muito. Eu não preciso assistir ao
oligofrênico noticiário de televisão para saber que o “Jornal
Nacional”, por exemplo, parece ser editado pelos espíritos de Michel
Foucault, no campo dos costumes, saúde e segurança pública, e de Paulo
Freire, no campo da educação. Prova disso é que a única voz do
noticiário em horário nobre da televisão que tentou destoar desse
pensamento marxista pós-moderno – a jornalista Rachel Sheherazade –
foi sistematicamente perseguida pelas patrulhas de esquerda até se
tornar, provavelmente, a primeira bonequinha de luxo em forma de âncora
da TV mundial.
E acrescenta um prognóstico nada tranquilizador:
Se a
presidente Dilma Rousseff for reeleita, a imprensa brasileira corre um
grande risco de passar pelo que estão passando os veículos de
comunicação da Venezuela e da Argentina. E não adianta achar – como os
ingênuos tucanos – que o Brasil é institucionalmente mais estável do que
seus vizinhos e que não corre o risco de submergir a uma ditatura
institucional nos moldes do PRI mexicano ou do bolivarianismo de Hugo
Chávez. Se o governo petista quiser quebrar a espinha dorsal dos grandes
veículos de comunicação, ele tem o amparo dos artigos 220 e 221 da
Constituição para agir assim. E não será um Supremo cada vez mais
bolivariano que conseguirá lhe dizer não. O Congresso Nacional pode até
tentar, mas com credibilidade zero, pois estará advogando em causa
própria, já que os oligarcas estaduais, presentes ou bem representados
no Senado e na Câmara, estão entre os maiores donos de concessões de
rádio e TV pelo País afora.
Quando escutamos a palavra “controle” ao
lado de “imprensa” saindo da boca de petistas, não há dúvida de que todo
cuidado é pouco. Regulamentação, combate ao monopólio, controle social,
conteúdo regional, tudo acaba sendo apenas eufemismo para o verdadeiro
objetivo, a grande obsessão do partido: o controle da imprensa. O PT
deseja ardentemente uma imprensa subserviente ao comando da cúpula
partidária, um dos últimos obstáculos ao seu projeto bolivariano.
Acorda, Brasil!
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