“Minha filosofia, em essência, é o conceito de homem como um ser heróico, com sua própria felicidade como o propósito moral de sua vida, com a realização produtiva como sua mais nobre atividade e a razão como seu único absoluto” - Ayn Rand
Muito me espanta que este pensamento tenha resistido a ocorrências como o Mensalão, onde o PT, partido no governo, comprava votos de deputados e senadores, para que seus projetos fossem aprovados no Congresso. Sem falar em outras maracutaias, principalmente nas campanhas eleitorais, envolvendo agências publicitárias.
Por si só, imaginar que o governo é uma instituição alheia ao mercado é um equívoco. O governo é parte integrante e, nas condições atuais, protagonista atuante do mercado. O que difere o governo dos demais participantes nesse universo, é que ele possui a prerrogativa de usar a coerção como forma de obter recursos e regular a ação dos indivíduos, de acordo com o seu interesse circunstancial.
O governo, diferentemente dos demais, é o único que não precisa persuadir ninguém, através do uso da razão, para obter o que deseja. O governo ameaça com o uso da força para amealhar aquilo que as pessoas jamais lhe entregariam voluntariamente.
Quando pedimos para o governo interferir mais no mercado, estamos na realidade, clamando para que haja mais coerção, maior uso da força, em detrimento da liberdade, dificultando as relações espontâneas e voluntárias entre os indivíduos.
Finalmente, o autor daquele artigo fala em moralizar o mercado e o uso do dinheiro.
Mas a qual moral ele se refere?
No meu modo de entender, a moral deve ser objetiva e o maior valor que podemos eleger é a vida, a nossa própria vida.
Nenhum meio é mais moral e respeita mais a vida do que o dinheiro fluindo em um mercado absolutamente livre. O dinheiro, legitimamente obtido, nada mais é do que a representação do esforço individual ou coletivo, feito pelas pessoas, para servir aos demais com o propósito de buscar a própria felicidade. O livre mercado, nada mais é do que o mercado livre da coerção, do uso da força.
Tomemos alguns dos exemplos que o autor elegeu para condenar o mercado como sendo imorais, a barriga-de-aluguel e garantir lugar numa fila pagando alguém para ali ficar.
Pessoas agindo voluntária e racionalmente, para satisfazer suas mútuas necessidades, casais que não podem se reproduzir conquistando a paternidade e mulheres pobres, conseguindo sustentar-se além de sentirem o prazer da realização de propósitos que vão além do seu. Barriga-de-aluguel é o típico exemplo de uma transação ganha-ganha. O casal ganha um filho, a mulher que cede seu útero ganha seu sustento e a criança em perspectiva, ganhará vida.
Um médico contrata um desocupado para guardar seu lugar numa fila, para poder atender seus pacientes e lucrar. O desocupado aumenta sua renda. É possível até que alguém que esteja na fila, tenha um parente atendido pelo médico, naquela exata hora, por mera coincidência. Que mal há quando o jovem ganha, o médico ganha, os pacientes do médico ganham, os parentes dos pacientes ganham e na fila, ninguém perde?
A soma resultante desta combinação de vontades será sempre positiva.
O que o autor quer? Que o governo proíba que as pessoas satisfaçam suas necessidades, mesmo que não tenham agido com violência?
Precisamos nos livrar da política como meio de produzir e distribuir riqueza e felicidade, pois a política não tem como fazê-lo. As trocas promovidas com a coerção são do tipo ganha-perde. O governo satisfaz alguns, sacrificando o interesse de outros. A soma desta combinação será sempre zero.
A política é a antessala daqueles que elegem a coerção como método e o uso da força nada mais cria do que escravidão e empobrecimento.
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