2015 já começou
Vinícius Mota - FSP
SÃO PAULO - O Brasil vai
crescer menos ainda em 2014 do que se previa. Essa é a resultante,
considerados a estagnação da economia no primeiro trimestre deste ano e o
alinhamento dos astros apontando pessimismo sobre os próximos meses.
A
massa de salários e de crédito empacou. A indústria não desatola do
buraco em que se meteu há cinco anos. Exauriram-se todos os sortilégios
desenvolvimentistas, como a explosão de empréstimos estatais, o
abatimento setorial de impostos e a contenção de preços à unha.
A
economia brasileira começa a pagar uma conta que, imaginava-se, só
seria sentida na pele das pessoas, porque debitada mais fortemente, a
partir do ano que vem, depois da eleição presidencial. Em casa que falta
pão, aumenta a confusão.
Se a renda per capita para de crescer,
as disputas sociais se tornam mais escancaradas e lesivas. Para que um
grupo possa ganhar, o outro tem de perder. Acabou a fase em que todos
evoluíam, embora uns mais depressa do que os outros.
Uns querem
aumentar o subsídio dos transportes, outros não suportam mais pagar
impostos. Uns querem desapropriação de terrenos para a "reforma urbana",
outros só aceitam financiar a juros soberbos os governos
desapropriadores.
Uns querem gastar 10% do PIB no ensino das
crianças, outros não abrem mão da gratuidade nas universidades estatais
para os adultos e exigem ainda mais dinheiro do governo. Uns não aceitam
gasolina mais cara, outros precisam do reajuste para investir, empregar
e crescer.
Não há recurso para tudo isso. Nunca há, na verdade.
Mas, em tempo de produção inerte, é mais difícil esconder esse fato dos
grupos em conflito num labirinto congestionado por 200 milhões de almas.
O
longo ano de 2015 já começou. Tomara que acabe ainda nesta segunda
década do século, o que dependerá das respostas dos governantes eleitos
em outubro.
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