Rodrigo Constantino - VEJA
Unidos, não separados, contra o racismo.
A segregação do miscigenado povo brasileiro em duas categorias raciais continua com toda força. A presidente Dilma sancionou lei que oficializa o Hino à Negritude, uma aberração que, em nome do combate ao racismo, divide os brasileiros em raças.
A letra é de autoria do professor Eduardo
Oliveira, ex-vereador da cidade de São Paulo, líder do movimento negro
no Brasil e um dos principais articuladores do Congresso Nacional
Afro-Brasileiro (CNAB). A proposta de oficializar tal hino é velha. Em
2007, ela voltou a ser debatida no Legislativo por meio de um projeto de
lei de autoria do deputado Vicentinho (SP), atual líder da bancada do
PT na Câmara.
A letra fala em Mãe-África e em povo
negro, um coletivismo injustificável. O pan-africanismo ignora a
existência de inúmeras tribos e povos que nada têm em comum além da
geografia. Um negro brasileiro pode ter muito mais afinidade ideológica e
cultural com um branco brasileiro do que com um negro africano. Existem
indivíduos, com suas diversas características que criam sua identidade.
A “raça” é apenas mais uma, entre tantas. Para os racialistas, é a
única que importa. Diz a letra:
Que saibamos guardar estes símbolos
De um passado de heróico labor
Todos numa só voz
Bradam nossos avós
Viver é lutar com destemor
Para frente marchemos impávidos
Que a vitória nos há de sorrir
Cidadãs, cidadãos
Somos todos irmãos
Conquistando o melhor por vir
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez
De um passado de heróico labor
Todos numa só voz
Bradam nossos avós
Viver é lutar com destemor
Para frente marchemos impávidos
Que a vitória nos há de sorrir
Cidadãs, cidadãos
Somos todos irmãos
Conquistando o melhor por vir
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez
Resta perguntar: somos todos irmãos?
Mesmo? Inclusive os irmãos brancos? Então que tal preservar o Hino
Nacional e considerar que somos todos brasileiros vivendo sobre o mesmo
solo e sob as mesmas leis, que deveriam ser igualmente válidas para
todos? E se criassem um Hino à Branquitude, seria visto como algo
desejável? Faz sentido combater o racismo destacando a “raça” e criando
dois países dentro do mesmo Brasil, um negro e outro branco?
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