Rodrigo Constantino - VEJA
O ministro Gilberto Carvalho, aquele dos “movimentos sociais”, rebateu
críticas sobre o Decreto 8.234 alegando, talvez em ato falho, que tais
conselhos sociais existiam “até na ditadura”. O ministro disse:
Quero
lembrar de novo: os conselhos no Brasil existem desde 1937, quando foi
criado o primeiro conselho de participação. As conferências, de 1941.
Até durante a ditadura foram criados conselhos. E é próprio de qualquer
democracia madura você ter uma prática de ouvir a sociedade. O que o
decreto faz é simplesmente regulamentar, estimular a ampliação daquilo
que já existe.
Já eu quero lembrar de outra coisa: soviet, termo russo, quer dizer justamente… conselho! “Todo poder aos soviets”
era o mantra dos comunistas. Funciona mais ou menos assim: militantes
ligados ao poder se infiltram nos “conselhos” e deles tomam conta,
preservando as aparências de “opinião popular”.
O “orçamento participativo” do PT gaúcho,
colocado em prática por Olívio Dutra, partia da mesma estratégia. No
começo o “povo” participava, e um ou outro cidadão comum realmente
conseguia expor sua opinião. Com o tempo, ficou claro para todos do que
se tratava: um engodo, um embuste, um simulacro de democracia direta
controlada pelos fantoches do governo.
O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO)
comparou a proposta de criação dos conselhos à adotada na Venezuela:
“Estamos com um projeto de decreto legislativo para tentar sustar esse
decreto absurdo do governo, que cria o sistema de coletivos da Venezuela
para poder substituir o Legislativo brasileiro. Vamos para esse debate,
e todas as matérias do Executivo vamos obstruir, até que possamos
derrubar esse decreto, que é um atentado contra a democracia e o estado
democrático de direito”.
Sim, a Venezuela é um bom exemplo do que o
PT pretende copiar. Não custa lembrar que o ex-presidente Lula afirmou
que lá existia “excesso de democracia” com Hugo Chávez. A “democracia
direta” é um instrumento populista criado para driblar o Congresso, os
representantos do povo, facilitando assim o abuso de poder por meio da
demagogia. O PT não suporta contemporizar com o Congresso, tanto que
tentou comprá-lo com o mensalão.
O editorial
do GLOBO fez um alerta hoje nessa linha. É a própria democracia
brasileira que está em xeque, e toda reação é pouco contra o projeto
autoritário do PT, pois ficou claro, após o discurso de Gilberto
Carvalho, que os golpistas não vão desistir facilmente. Diz o jornal:
Não é de
hoje que frações do PT agem para contornar o Congresso. São ainda do
primeiro governo Lula conselhos para empresários e sindicalistas
decidirem a reforma sindical, bem como para empresários e governo se
entenderem. As duas instâncias formulariam propostas para o Congresso
aprovar. Terminaram dando em nada, mas denunciaram a visão de sociedade
que está por trás do PNPS. Neste universo institucional, o Legislativo
seria um carimbador de decisões tomadas em fóruns sob o controle do
partido e de “movimentos sociais” aliados. Extingue-se, então, a
democracia representativa.
O sonho do PT, e o pesadelo dos
brasileiros. Muitos incautos gostam de repetir com ar de superioridade
que a Guerra Fria acabou, dando a entender que os anticomunistas são
seres presos no tempo, reféns do passado, paranoicos que enxergam
comunistas por todo lugar. O único detalhe é que muita gente, inclusive
no poder, não abandonou o fracassado sonho comunista.
São os socialistas tupiniquins, com nova
roupagem, com o discurso bolivariano, que na prática quer dizer a mesma
coisa: todo poder aos soviets! A defesa da tirania está no
sangue dessa turma, que tem verdadeira ojeriza ao regime democrático,
visto como coisa de pequeno-burguês. Aos leitores, fica um conselho:
muito cuidado com esse papo de criação de “conselhos sociais”
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