segunda-feira, 2 de junho de 2014

G7 deveria se unir na batalha contra o aquecimento global
David Jolly - NYT 
Kacper Pempel/Reuters
Globo terrestre gigante é usado em protesto contra o aquecimento global do centro de Varsóvia, na PolôniaGlobo terrestre gigante é usado em protesto contra o aquecimento global do centro de Varsóvia, na Polônia 
Quando os líderes do Grupo dos 7 se reunirem nesta semana em Bruxelas, eles terão muitos assuntos a tratar, entre elas a crise na Ucrânia e as questões de segurança de energia que levanta. Se a história servir como guia, eles só mencionarão, sem fazer nada a respeito, um assunto onde a liderança internacional é necessária: a mudança climática.
A cooperação para deter a elevação global das temperaturas tem sido escassa desde o fiasco de 2009 na conferência do clima em Copenhague, e o tempo é curto para que a próxima grande reunião, no final de 2015 em Paris, tenha alguma chance de sucesso. Ban Ki-moon, o secretário-geral da ONU, está tão preocupado que pediu aos líderes mundiais uma cúpula sobre o clima em setembro deste ano.
"O G7 deveria estar na liderança", disse Christiana Figueres, a secretária-executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, o principal órgão internacional para tratar do problema.
"Eles deveriam estar se familiarizando com o desafio a longo prazo que a ciência está nos pedindo para enfrentar", acrescentou Figueres, que seria impedir que as temperaturas globais subam além da meta referencial de 2ºC.
"O fato de a conferência do clima da ONU estar obtendo tão pouco progresso sugere que faz sentido considerar outras instituições", disse Robert N. Stavins, diretor do Projeto Harvard de Acordos Climáticos.
Os países do G7 contribuem com um percentual significativo das emissões globais, notou Stavins, e seria "muito mais fácil acertar um acordo" entre um punhado de nações do que entre 180 países em uma convenção da ONU.
Medidas foram tomadas pelos países individualmente. Na segunda-feira (2), o governo Obama anunciaria que passaria por cima de um Congresso relutante para exigir cortes nas emissões de carbono por 600 usinas elétricas a carvão dos Estados Unidos. A China disse na semana passada que retiraria de circulação mais de cinco milhões de seus carros mais poluentes.
Joseph Stiglitz, o economista ganhador do Nobel, disse que a melhor coisa que os líderes poderiam fazer nesta semana seria reduzir as emissões por meio de um imposto sobre o carbono ou um sistema "cap and trade" (limites e comércio de carbono), mas que fazer isso não é politicamente viável.
"Não há nada que o G7 possa fazer para afetar os negadores do clima americanos ou o lobby da indústria intensiva em carbono", disse Stiglitz, que serviu como um dos principais autores do relatório de 1995 do Painel Intergovernamental de Mudança Climática.
O Congresso, temendo a perda da competitividade pelas empresas americanas, não está disposto a apoiar qualquer acordo que não obrigue todas as nações a fazer o mesmo, ele disse. Mas a China e muitos países em desenvolvimento argumentam que os países que produziram grande parte dos gases do efeito estufa causados pelo homem, atualmente na atmosfera, devem arcar com a maior parte do custo.
Considerando o impasse, ele disse, seria um grande passo à frente se o G7 pudesse concordar na necessidade de uma medida coerciva para que um acordo seja finalmente acertado, seja por meio de sanções comerciais contra aqueles que não atingirem os limites: "Eles diriam que se trata de um problema global e ninguém vai pegar carona de graça."
Jo Leinen, um membro alemão do comitê para o clima do Parlamento Europeu, disse que a maior prioridade para o G7 deveria ser fornecer o financiamento prometido ao Fundo Verde Climático, acertado em Copenhague, para ajudar os países pobres a adotarem energia baixa em carbono e se adaptarem ao clima mais quente. O fundo deveria ter começado rapidamente, com US$ 10 bilhões por ano para operar de 2010 a 2012. "Agora é uma caixa vazia", disse Leinen, um social-democrata. "Não há dinheiro nele."
Mohamed Adow, um consultor de política climática da Christian Aid (ajuda cristã), uma organização de desenvolvimento sem fins lucrativos, disse que o G7 poderia dar às negociações do clima "um estímulo dramático, ao manter a promessa da convenção climática".
O grupo combina a maioria dos países "com as maiores emissões e a maior riqueza", ele disse. "Se tivessem aumentado suas promessas de reduções de emissões e financiamento para ajuda aos pobres que necessitam desesperadamente dele para sobreviver, isso daria uma injeção imensa de confiança às negociações."
Jake Schmidt, o diretor de política climática internacional do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, em Washington, um grupo de defesa sem fins lucrativos, disse que o mais importante que o G7 poderia fazer seria "dar um sinal claro" de que "planejam colocar reduções sérias de emissões na mesa no ano que vem em Paris".
"Se o G7 não o fizer, como alguém poderia pedir à China, Índia, Brasil, México e Coreia do Sul para apresentarem metas na próxima rodada?" ele perguntou.
Scott Barrett, um professor de economia de recursos naturais da Universidade de Columbia, disse que outra abordagem seria agir com base em um objetivo relativamente modesto, para demonstrar que os líderes globais de fato podem cooperar na questão do aquecimento global.
Um candidato, ele disse, seria um forte apoio a uma proposta, defendida pelos Estados Unidos e outros, de adicionar um tipo de gás de refrigeração conhecido como hidrofluorocarboneto – entre os mais potentes gases do efeito estufa produzidos pelo homem – ao Protocolo de Montreal, o acordo que foi criado para encerrar o uso de gases que eliminam a camada de ozônio.
Diferente do fracassado Protocolo de Kyoto para combate à mudança climática, o tratado de Montreal inclui um mecanismo de execução, na forma de sanções comerciais, e foi usado para eliminar gradualmente quase 100 gases perigosos.
"O Protocolo de Montreal não foi criado para proteger o clima, mas foi muito bem-sucedido", disse Barrett.
Rajendra K. Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental de Mudança Climática, disse por e-mail que para o G7 ajudar a estimular uma ação, ele precisaria adotar uma mensagem positiva. "É fundamental enfatizar a esperança de agir, não o desespero de não fazer nada."
"Nós dispomos da tecnologia para uma transição para uma economia de baixo carbono", dise Pachauri, "e o caminho pelo qual devemos seguir para atingir essa meta. Nós podemos fazer essa transição sem impor um fardo inaceitável à economia global".
Tradutor: George El Khouri Andolfato

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