O Estado de S.Paulo
Apesar de aparentemente branda, a punição aplicada pelo partido aos dois parlamentares acusados de crimes graves é efetiva. A renúncia aos mandatos os afastaria dos trabalhos parlamentares por apenas seis meses, pois eles teriam oportunidade de disputar e quase certamente conquistar mais um mandato de quatro anos. Já a suspensão da filiação, de acordo com a legislação vigente, os retirará do próximo pleito. E também livra seus companheiros do ônus de tentar justificar o injustificável em ambos os casos em disputas eleitorais difíceis como serão as de seus candidatos à Presidência, ao governo do Paraná e também ao segundo cargo mais ambicionado pelos líderes petistas: o desejado e nunca conquistado Palácio dos Bandeirantes. A adoção da "tolerância zero" nesses casos retira do caminho de Dilma Rousseff, de Gleisi Hofmann e de Alexandre Padilha dois obstáculos de significativas dimensões a superar na campanha. De acordo com os repórteres do Estado Bruno Ribeiro, Ricardo Galhardo e Daiene Cardoso, "a decisão teve o aval de todas as correntes do partido e ocorreu após consulta ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva".
Oxalá essa nova postura seja adotada como definitiva no futuro, não sendo apenas uma decisão pragmática para aliviar o ônus de seus candidatos em eleições. Afinal, a atitude saneadora da elite petista não é coerente com a leniência que a levou a conviver com alguém com a folha corrida de seu militante. Pois foi essa mesma direção partidária que agora o condena que aceitou a filiação no PT de Luiz Moura, que assaltou supermercados no Paraná e em Santa Catarina, foi condenado, preso e não cumpriu toda a pena que deveria ter cumprido porque fugiu da cadeia. Ainda assim, teve a petulância de se declarar "ficha-limpa" em discurso de defesa ante um plenário de colegas que não ousaram contestá-lo. Durante seus três anos e meio na Assembleia, os companheiros de partido conviveram e foram coniventes não só com seu passado, mas também com as atividades que passou a desenvolver. Negligência e complacência levaram o problema que ele criou ao ponto a que chegou.
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