Reinaldo Azevedo - VEJA
O PT de
São Paulo decidiu afastar o deputado estadual Luiz Moura de suas funções
partidárias e resolveu lhe dar um ultimato: ou pede desfiliação do
partido ou será expulso. A decisão foi tomada à revelia do grupo
liderado pelo deputado federal licenciado Jilmar Tatto, atual secretário
de Transportes da gestão Fernando Haddad. A crise foi deflagrada depois
que o secretário de Comunicação do governo de São Paulo, Márcio Aith,
revelou que a Polícia havia surpreendido um deputado numa reunião com
membros do PCC cujo objetivo era incendiar ônibus. Descobriu-se, mais
tarde, que esse deputado era Moura.
O político
— que é ligado a cooperativas de perueiros, bem como seu irmão, Senival
Moura, vereador do partido na capital — nega envolvimento com o crime
organizado e diz estar sendo alvo de preconceito por ter sido condenado,
no passado, a 12 anos de cadeia por vários assaltos à mão armada. Ele
fugiu da cadeia e não cumpriu a pena. Obteve perdão judicial em 2005
e conseguiu até um atestado de pobreza, em que declarava não ter
condições de arcar com o custo de sua defesa ou de ressarcir suas
vítimas. Cinco anos depois, já candidato a deputado estadual, declarou
um patrimônio superior a R$ 5 milhões.
Moura
pertence ao grupo político de Jilmar Tatto, que também tem sua base
política entre as cooperativas de perueiros. A polícia investiga a
infiltração do PCC no setor. O deputado que agora está sendo mandado
para escanteio era uma liderança em ascensão no partido. Em sua festa de
aniversário, a figura de maior destaque, com direito a discurso, foi
Alexandre Padilha, que vai disputar o governo de São Paulo pelo PT,
conforme atesta foto lá no alto. Jair Tatto, irmão de Jilmar, vereador
na capital, também estava presente.
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