Na condição de acionista forçado da Petrobras, exijo que Graça Foster diga o que esconde
Reinaldo Azevedo - VEJA
A presidente
da Petrobras, Graça Foster, participou nesta segunda do 4º Seminário
sobre Matriz e Segurança Energética Brasileira, na Fundação Getulio
Vargas. Foi indagada sobre as declarações
de Paulo Roberto Costa, segundo quem as contas feitas inicialmente para a
construção da refinaria de Abreu e Lima eram “de padeiro” — isto é,
feitas na base do achômetro. Quem já viu padeiros em ação entende a
metáfora. Parece que eles vão jogando a farinha sem critério. É uma
falsa impressão. Os pães que comemos, na média, como pães, são bem
melhores do que a Petrobras que temos, como petroleira.
Graça se
negou a responder: “Não é que eu não queira falar. Eu não posso falar”.
Pois é… Mas uma vez, sugeriu que existem mesmo mistérios bastante
sondáveis, mas ainda guardados a sete chaves, na Petrobras. Ora,
esta senhora já prestou dois depoimentos ao Congresso. Sobre o que,
exatamente, ela não quer falar? Que segredos esconde? Paulo Roberto
Costa é quem é, mas era um diretor da Petrobras. Sua fala, de algum
modo, faz sentido?
Se querem
saber, o custo inicialmente estimado — US$ 2,5 bilhões — para Abreu e
Lima, dado o tamanho do empreendimento, parece mesmo subestimado quando
se consideram os números do setor. Tanto quanto soa absurdo o dinheiro
que já se gastou ali: US$ 18,5 bilhões — A CONTA FOI MULTIPLICADA POR
7,4!!!
A
diferença é tão brutal que, muito provavelmente, as contas foram feitas
mesmo, lá atrás, de maneira irresponsável. Ademais, a Venezuela era
sócia do empreendimento e nunca pôs um centavo na refinaria. Nada! Mas
parece matéria de bom senso considerar que um custo não se multiplica
dessa forma sem uma pantagruélica roubalheira.
Pois bem…
Boa parte do país querendo saber o que aconteceu, uma declaração dada
por um ex-diretor afirmando que o cálculo foi feito no joelho, e a
presidente da Petrobras vem a público com seus enigmas??? Ora, tenham a
santa paciência! Fico com a desconfiança, então, de que Graça Foster
omitiu informações dos parlamentares quando foi convocada a falar sobre a
situação da Petrobras — e ela não foi indagada apenas sobre o imbróglio
de Pasadena.
Se é
assim, agora eu quero saber o que a presidente da Petrobras esconde.
Trata-se de uma empresa pública. Também sou dono. Na condição de
acionista forçado, exijo que ela dê os devidos esclarecimentos.
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