quarta-feira, 4 de junho de 2014

Ruído gravado pode oferecer pistas do avião desaparecido da Malásia
Keith Bradsher - NYT
Defesa Australiana/Reuters
17.abr.2014 - O veículo submarino autônomo Bluefin-21 é içado por navio da Defesa Australiana durante as buscas pelo voo da Malaysia Airlines, desaparecido desde 8 de março 17.abr.2014 - O veículo submarino autônomo Bluefin-21 é içado por navio da Defesa Australiana durante as buscas pelo voo da Malaysia Airlines, desaparecido desde 8 de março
Cientistas planejam divulgar nesta quarta-feira (4) informação detalhada sobre um ruído estranho, possivelmente de um impacto no oceano, registrado por dois receptores submarinos no Oceano Índico, mais ou menos quando o voo 370 da Malaysian Arlines cessou as transmissões por satélite e desapareceu em 8 de março.
O ruído de baixa frequência, que estava fora da faixa normal de audição e teve que ser acelerado para se tornar audível, parece ter viajado meio Oceano Índico até chegar aos receptores além da costa da Austrália.
"Não é muito empolgante. Não é nem mesmo um som de impacto – é mais um oomph maçante", disse Alec Duncan, um pesquisador sênior de ciência marinha da Universidade Curtin, perto de Perth, que liderou o trabalho.
"Se você me perguntar qual é a probabilidade disto estar ligado ao voo, sem os dados por satélite, eu diria que é de 25% ou 30%, mas certamente vale a pena ser investigado", disse Duncan.
A área geral de onde o som emanou fica no centro do Oceano Índico, além da ponta sul da Índia e a cerca de 4.800 quilômetros a noroeste da Austrália. Mas isso não é consistente com os cálculos do arco de possíveis localizações no sudeste do Oceano Índico, onde o avião, levando 239 pessoas, pode ter ficado sem combustível. Esses cálculos foram da Inmarsat, a empresa de comunicação global por satélite, e os cientistas têm tido dificuldade para determinar a origem do ruído.
Buscas foram realizadas recentemente, sem sucesso, por submersível em um trecho muito pequeno do arco, que ficava a cerca de 950 quilômetros da costa da Austrália.
Mesmo sem os dados da Inmarsat, há outras possíveis explicações para o ruído fora um impacto de aeronave, disse Duncan. Uma poderia ser um terremoto submarino muito pequeno, que produziria um ruído semelhante audível por longas distâncias, mas não forte o bastante para ser registrado nos sismógrafos em terra mais próximos, que não registraram um tremor na ocasião.
A direção de onde veio o ruído produz alguns pequenos terremotos todo ano, apesar de não ter ocorrido um nos dias que antecederam o desaparecimento do voo 370, acrescentou Duncan.
Os dois receptores – um operado pela equipe de Duncan e o outro pela Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares, em Viena – produziram dados suficientes para estabelecimento da direção em que veio o som. Mas a distância até a fonte do ruído é menos clara. O resultado, segundo Duncan, é uma área de oceano aproximadamente do tamanho do Estado do Texas.
Mark Prior, um especialista em acústica na sede da organização do tratado, disse que o som poderia ser consistente com o impacto no oceano de algum tipo de contêiner selado, cheio de ar, que afundou até as profundezas até ceder com a pressão externa da água.
Prior disse que o som pode ter refletido em uma montanha submarina antes de viajar aos dois receptores, de modo que a origem do som poderia ser outro lugar.
O governo australiano financiou a pesquisa da Universidade Curtin, e especialistas adicionais em Canberra, a capital do país, também colaboraram. As autoridades australianas têm se mostrado céticas até o momento em ordenar uma nova busca a milhares de quilômetros de distância com base no ruído.
Martin Dolan, o comissário-chefe do Birô de Segurança nos Transportes australiano, disse na semana passada que as operações de busca continuariam concentradas no arco estreito definido pelos cálculos da Inmarsat.
Duncan e sua equipe operam um dispositivo submarino além da costa de Perth, que é usado principalmente para monitorar os gritos de baixa frequência de baleias-azuis, os maiores mamíferos do mundo e uma das espécies mais ameaçadas. O receptor da equipe, ou hidrofone, grava os ruídos em um dispositivo submarino de dados, que é trazido à superfície do oceano a cada seis meses e seu conteúdo é baixado.
A equipe fez uma visita extra para puxar o gravador e recuperar os dados depois que as buscas pelo voo 370 se deslocaram para o Oceano Índico. O ruído foi leve, mas detectável, levando Duncan a requisitar e obter os dados da Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares para 8 de março, de seu receptor além do Cabo Leeuwin, 354 quilômetros ao sul.
A equipe inicialmente não detectou nenhum ruído, disse Prior, por ter usado um limiar alto para confirmar o ruído, com base em suas experiências com explosões submarinas. Também foram checadas as gravações de outro hidrofone em operação no Oceano Índico, perto de Diego Garcia, mas o ruído não foi detectado lá. Seus receptores submarinos transmitem continuamente dados por cabo à costa, de onde é transmitido por satélite para Viena.
Os sons viajam pela água a uma velocidade de quase uma milha (1,6 km) por segundo. Isso é cinco vezes mais rápido do que viajam pelo ar, e também há menos atenuação do som por longas distâncias na água.
Prior e Duncan disseram em entrevistas separadas por telefone que o tempo que levou para o ruído chegar aos receptores foi consistente com o último ping eletrônico parcial entre o Boeing 777-200 desaparecido e o satélite da Inmarsat, mais o tempo que seria preciso para o som ter viajado milhares de quilômetros até os hidrofones.
Tradutor: George El Khouri Andolfato

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