Por que você deve subornar seus filhos
Freakonomics
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Vamos dizer que você esteja tentando fazer um grupo de crianças comer alimentos mais nutritivos. Qual é a melhor forma de fazê-lo –educação, insistência moral ou o velho suborno? Essa foi a principal questão que buscamos responder em um episódio recente de nosso podcast "Freakonomics Radio". (O episódio se chama "Por que você deve subornar seus filhos", de modo que você provavelmente pode imaginar a que conclusão chegamos.)
Para nos ajudar a lidar com esses assuntos, nós falamos com John List, um professor de economia da Universidade de Chicago e coautor de "The Why Axis", e Anya Samek, uma economista comportamental da Universidade de Wisconsin, em Madison.
Stephen Dubner perguntou a eles sobre um experimento de campo que realizaram em Chicago para determinar qual era a melhor forma de fazer crianças comerem melhor. List e Samek ofereceram a diferentes grupos de crianças em um grande programa extracurricular uma opção simples: elas queriam um cookie (pouco açúcar, trigo integral) como lanche ou um pedaço de fruta seca? (Elas tinham que consumir aquilo que escolhessem no local). Os pesquisadores primeiro selecionaram cerca de 1.500 crianças para seu grupo de controle e lhes ofereceram a escolha sem induzir as crianças em qualquer direção. Menos de 20% delas escolheram a fruta.
Em seguida, List e Samek pegaram um grupo de crianças e passaram alguns dias as educando sobre os benefícios de comer alimentos saudáveis. "Nós chegávamos, líamos toda essa informação sobre a pirâmide alimentar", Samek disse a Dubner. "Assim, nós dizíamos às crianças, olha, vocês realmente deveriam escolher a fruta –a fruta realmente faz bem a vocês. Nós temos esta campanha chamada "Coma para Ficar Forte", então dizíamos para elas comerem para ficarem fortes. Vocês vão ficar mais fortes no playground, vocês vão aprender mais na escola, será muito bom para vocês."
Mas nada disso fez diferença. A maioria das crianças ainda escolheu o cookie.
List e Samek então escolheram outro grupo de crianças do mesmo programa extracurricular e trocaram os incentivos. Em vez de prometerem às crianças que ficariam mais saudáveis e mais fortes se comessem frutas, os pesquisadores lhes ofereceram um dentre três brinquedos não muito bacanas: uma caneta, um bracelete de borracha ou um pequeno troféu de plástico com as palavras "Eu como para ficar forte" escritas nele –cada um deles custando menos de 10 centavos.
Os brinquedos funcionaram: 8 entre 10 crianças preferiram a fruta. E List e Samek não disseram nada sobre por que era a coisa certa a se fazer.
O que é engraçado é que esse tipo de suborno também funciona com adultos –ao menos quando se trata de alimentos. Samek e outros pesquisadores realizaram um experimento envolvendo uma loja de hortifrútis sem fins lucrativos no South Side de Chicago, chamada Louie's Groceries. Para cada cinco porções de hortifrútis frescos escolhidos pelos consumidores durante uma visita à loja, Samek e sua equipe lhes davam um dólar. Os consumidores aos quais era oferecido dinheiro escolhiam hortifrútis quase na mesma proporção que as crianças às quais eram oferecidos brinquedos no programa extracurricular. E esses adultos tomavam melhores decisões de compras, de forma mais consistente, do que aqueles que foram simplesmente educados sobre os benefícios de comer de modo saudável.
Tudo isso sugere que se quisermos que as pessoas –adultos ou crianças– comam melhor, nós deveríamos pensar seriamente em subsidiar os hortifrútis.
Mas Samek e List argumentam que apenas subornar não é a melhor estratégia. A combinação de incentivos (como brinquedos ou dinheiro) com educação eficaz provavelmente terá o maior impacto de longo prazo no comportamento das pessoas. Como exemplo, List mencionou a mudança nos hábitos de fumo dos americanos: "Nós temos mensagens sobre fumo nos Estados Unidos há décadas. E agora, com uma combinação com a mudança nos preços do fumo –e o que quero dizer com isso é um aumento dos impostos sobre a venda de cigarros– juntamente com mensagens, ambos juntos formaram uma dupla muito importante para coibir o fumo nos Estados Unidos". (É claro, uma estratégia semelhante não foi tão eficaz na Europa.)
Essa lição pode se aplicar a toda uma série de comportamentos além de comer e fumar. Se quisermos que as pessoas façam trocas difíceis –fazer algo agora que as beneficiarão ou à sociedade mais à frente, como não abandonar a escola, economizar para a aposentadoria ou comprar lâmpadas mais caras e mais sustentáveis– nós temos que educá-las e suborná-las ao mesmo tempo. "Nós temos que convencer as pessoas agora a fazer a escolha certa para, em muitos casos, elas mesmas e também à sociedade", List disse para Dubner. "E eu acredito que uma forte dose de incentivos, combinada com mensagens de bom gosto, nos permitirão chegar a esse ponto, onde temos pessoas fazendo as escolhas certas agora, que produzirão os resultados certos no futuro."
Tradutor: George El Khouri Andolfato
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