segunda-feira, 2 de junho de 2014

Após eleições, Ministério do Ambiente é transformado em "faz-tudo" indiano
Julien Bouissou - Le Monde 
Os ambientalistas indianos não têm por que comemorar desde que o novo primeiro-ministro, Narendra Modi, chegou ao poder, no dia 17 de maio. Ninguém, inclusive entre os analistas políticos mais argutos, consegue entender a lógica que levou, por exemplo, à dissolução do antigo "Ministério do Meio Ambiente e do Petróleo."
De fato, Modi decidiu juntar em um único Ministério o meio ambiente, as relações com o Parlamento, a informação e as comunicações. Prakash Javadekar, titular da pasta, será encarregado também da mudança climática e das concessões públicas de TV e rádio!
Indianos fazem fila para votar em Howrah, nordeste da Índia, durante a terceira fase das eleições gerais no país, nesta quarta-feira (30). As eleições na Índia, considerada a democracia mais populosa do mundo, são realizadas em nove fases, que correm entre 7 de abril e 12 de maio - Piyal Adhikary/Efe
Em compensação, ele não terá controle sobre a "recuperação do Ganges" ou os "recursos hídricos", que são assunto para um ministério à parte. Da mesma forma, as "energias renováveis" não estão nas suas mãos: elas coabitam com o carvão em uma outra pasta.
Portanto, a tarefa desse faz-tudo promete ser delicada. Ele terá de fazer "malabarismos", muitas vezes no mesmo dia, com anúncios sobre a extinção de tigres, a volta da rádio pública e o tratamento de resíduos. Javadekar também pode ter dificuldades com questões de base, já que Narendra foi eleito com a promessa de retomar o crescimento eliminando os gargalos burocráticos.

Projetos de fábricas e minas

Os principais alvos são os 5.000 projetos de construção de fábricas, de infraestrutura e de exploração mineradora em zonas ambientais delicadas, que vêm aguardando o carimbo das autoridades do Ministério do Meio Ambiente há anos. Algumas dessas empresas, que agora esperam por um sinal verde, apoiaram e até financiaram a campanha eleitoral do primeiro-ministro indiano.
Durante sua primeira entrevista coletiva, Prakash Javadekar avisou que "o crescimento era compatível com a proteção ambiental", acrescentando em seguida que, ao conceder autorizações, seu ministério estaria "nutrindo" o meio ambiente.
Foi o suficiente para despertar a desconfiança dos ecologistas, que têm dificuldades para acreditar que o desenvolvimento industrial ou as extrações mineradoras possam "nutrir" o meio ambiente, mesmo com as melhores técnicas do mundo.
"É a pobreza que é um obstáculo à proteção ambiental", explicou Prakash Javadekar.
O novo oficial quer mostrar sua eficiência. Após sua nomeação, um de seus primeiros tweets foi uma foto sua no escritório, assinando pilhas de documentos, acompanhada da mensagem: "Liberados os arquivos do Ministério do Meio Ambiente e da Mudança Climática. A caminho do Ministério da Informação e das Comunicações".

Nenhum comentário: