quarta-feira, 4 de junho de 2014

Às vésperas de encontro com Obama, Kiev aumenta ofensiva "antiterrorista" na Ucrânia
OM
Recém-eleito, Poroshenko deverá discutir com o presidente norte-americano em Varsóvia detalhes da ação militar levada a cabo no leste da Ucrânia
Às vésperas do encontro em Varsóvia entre o presidente dos EUA, Barack Obama, e seu homólogo recém-eleito, Petro Poroshenko, Kiev intensificou a operação militar "antiterrorista" levada a cabo contra os separatistas pró-russos no leste do país. Após quase dois meses de deflagrada a ofensiva, a lista de pessoas mortas sobe para 181 — entre as vítimas, 59 militares ucranianos. Também nesta terça-feira (03/06), Obama anunciou que pretende aumentar a presença militar dos EUA no leste da Europa.
Agência Efe

Em cerimônia em Varsóvia, o recém-eleito presidente ucraniano, Poroshenko (esq.), fala com o chanceler dos EUA, John Kerry

Em um comunicado emitido hoje, o Ministério da Defesa ucraniano também confirmou que fez uso de bombardeios aéreos e mísseis para atacar a sede da administração regional de Lugansk, região no sudeste do país, controlada por separatistas. Antes disso, as autoridades de Kiev sustentavam a versão de que o ocorrido fora resultado de uma explosão acidental de um projétil que os separatistas tentavam atirar contra os aviões.
"Para realizar a operação de apoio de combate aos guardas fronteiriços foram lançados mais de 150 míssesis, além de três voos com caças e cinco incursões com helicópteros", assinala o informe sobre a ofensiva que resultou em oito mortes e que também foi reconhecida pela OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa).
A imprensa local também aventa a possibilidade de que Poroshenko poderia declarar "estado de guerra" nas regiões insurgentes — ato que só poderia ser realizado após a efetivação de sua posse, no sábado (07/06), em cerimônia que contará com a presença do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, na Praça da Independência de Kiev, símbolo dos protestos que depuseram o então presidente Viktor Yanukovich. A medida tornaria mais fácil, em termos institucionais, a empreitada militar das Forças Armadas e sua tentativa de retomar o controle dos 35 edifícios públicos ocupados pelos separatistas, segundo sugerem estimativas de Kiev.
Durante esta madrugada, de segunda para terça-feira, o Exército ucraniano lançou mais uma ofensiva direcionada em Slaviansk, na região separatista de Donetsk. Foram empregados veículos blindados contra o grupo armado local, que reagiu com lança-granadas. O porta-voz militar de Kiev, Vladislav Selezniov, informou que dois soldados morreram e outros 40 ficaram feridos na operação.
Agência Efe

Homem em frente ao prédio da administração regional de Lugansk que foi bombardeado por forças ucranianas

Encontro presidencial
O presidente dos EUA chegou hoje em Varsóvia para uma visita de quatro dias ao continente europeu. O roteiro inclui um encontro nesta quarta (04/06) com recém-eleito Petro Poroshenko, candidato notadamente pró-Ocidente e favorável à integração com a União Europeia. Além de discutir a operação militar "antiterrorista" no leste da Ucrânia, o novo líder do país também abordará seus planos
Mais tarde, Barack Obama seguirá para Bruxelas, sede da reunião do G7 — que era G8 até a expulsão da Rússia do bloco, após a anexação da Crimeia.
“Nosso comprometimento com a segurança da Polônia, assim como com a segurança dos nossos aliados na Europa central e do leste é o alicerce da nossa própria segurança e é sacrossanto”, afirmou Obama ao anunciar a intenção de aumentar a presença militar dos EUA na região.. “Como amigos e aliados, nós permaneceremos unidos para sempre."

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