quarta-feira, 4 de junho de 2014

Briga da Hachette e Amazon mostra monopólio na distribuição de cultura
Yolanda Monge - El País 
Divulgação
Jeff Bezos, fundador da Amazon; gigante do comércio online decidiu eliminar o botão "encomenda antecipada com um clique" Jeff Bezos, fundador da Amazon; gigante do comércio online decidiu eliminar o botão "encomenda antecipada com um clique"
Ela já foi empregada em 2010, quando a Macmillan tentou mudar as regras do jogo. E tudo indica que a Amazon decidiu usar novamente a chamada "opção nuclear". Diante da oposição da menor das cinco grandes editoras dos EUA (Hachette Group Book, filial do grupo francês Hachette) a aceitar que a Amazon aumente sua margem de lucros às suas custas, a gigante do comércio online decidiu eliminar o botão "encomenda antecipada com um clique". Não só isso. Também impôs na venda de seus livros eletrônicos prazos de entrega de "três a cinco semanas".
A tradução econômica para a Hachette (ou qualquer grande editora) do comportamento abusivo da Amazon – considerado pela juíza da Suprema Corte dos EUA Sonia Sotomayor um monopsônio, que à diferença do monopólio se concentra no que o vendedor compra, e não no que vende – é catastrófica e obriga a editora da vez a planejar às cegas. Quando a Amazon oferece em sua página aos futuros compradores a opção de encomendas adiantadas, a Hachette pode adaptar sua tiragem à demanda prevista. Agora está sem bússola.
A disputa entre a Amazon e a Hachette é ainda mais infecciosa e as negociações econômicas – das quais não vazou praticamente nada, exceto que a Amazon as prevê longas – se tornam mais urgentes levando-se em conta que um dos livros da Hachette afetados é o novo volume da campeã de vendas britânica J. K. Rowling, "The silkworm" [O bicho da seda], que estará à venda no próximo dia 19, publicado sob o pseudônimo de Robert Galbraith.
O objetivo final da Amazon é forçar a mão da Hachette para que lhe dê melhores condições econômicas na venda de seus livros eletrônicos, mercado controlado em 90% pela companhia fundada por Jeff Bezos em 1994. No caso da Macmillan, a "opção nuclear" foi exercida só durante alguns dias, mas se a situação tivesse se prolongado a editora poderia ter-se arruinado.
Fontes da indústria do livro afirmam que as editoras normalmente dão às livrarias descontos entre 47 e 53% nas vendas no atacado, para que estas possam ter maior margem de lucro e atrair mais clientes. Sem comentários por parte da Amazon ou da Hachette, o que se suspeita é que a primeira esteja exigindo da segunda descontos ainda maiores.
A presidente da Associação de Representantes de Autores (AAR na sigla em inglês), Gail Hochman, afirma que seu grupo "lamenta qualquer tentativa de qualquer parte que busque prejudicar e castigar autores inocentes – e seus leitores inocentes – com o fim de ganhar posições em uma disputa de negócios". "Acreditamos que tais ações equivalem a tomar reféns para conseguir concessões, e são indefensáveis."
Na opinião de Hochman, o que a Amazon está fazendo é "uma prática brutal e manipuladora que, ironicamente, provém de uma companhia que proclama que seu objetivo é satisfazer totalmente as necessidades de leitura e os desejos de seus clientes".
A batalha que Amazon e Hachette travam hoje a portas fechadas vem de longe e remonta a alguns anos atrás, quando as cinco grandes (Harper Collins, Pearson, Simon & Schuster, Macmillan e Hachette) se aliaram para fazer contratos de agência ou varejistas para comercializar livros eletrônicos.
O momento não foi escolhido em vão, pois coincidiu com o lançamento por parte da Apple de sua loja iBooks. Então a Amazon aceitou as regras impostas por seus concorrentes, o que significou um aumento do preço desejado por editores e autores (a cota de mercado da Amazon passou de 90% para menos de 70% e os preços aumentaram cerca de 20%), e decidiu se concentrar em editar seus próprios livros a um preço muito baixo. Depois de vacilar, chegou o momento da revanche e passou a fatura à Macmillan.
Editoras do mundo todo contemplam inquietas e quase sem informação o desenvolvimento da disputa, porque consideram que "todas são Hachette agora". Na recente BookExpo America em Nova York, vários autores se queixaram da atitude da que é uma das mais poderosas corporações dos EUA. Na sua opinião, "a Amazon quer controlar a venda de livros, a compra e inclusive a publicação, o que pode se transformar em uma tragédia nacional".
Tablet da Amazon, Kindle Fire ganha versões com tela de alta definição
Amazon apresentou, nesta quinta-feira (6), novos modelos de tablets e um leitor de e-book. O tablet mais completo é o Kindle Fire HD com 8.9 polegadas de tela, armazenamento de 32 GB, suporte para Wi-Fi, 4G e sistema Android. O gadget será vendido por US$ 499 (cerca de R$ 1 mil). A versão sem 4G e com 16 GB de armazenamento custará US$ 299 (cerca de R$ 600). A pré-venda dos aparelhos no mercado americano começará no mês de setembro 
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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