segunda-feira, 2 de junho de 2014

Desaceleração econômica na China preocupa empresas europeias
Harold Thibault - Le Monde
As empresas europeias estão perdendo a fé no mercado chinês, que vem passando por uma desaceleração. Elas acreditam que o fenômeno não está sendo compensado por mais abertura e estão revendo para baixo suas ambições, segundo pesquisa da Câmara de Comércio Europeia na China sobre a confiança das empresas europeias no Império do Meio, publicada na quinta-feira (29).
Um sinal dessa desconfiança é o fato de que somente 53% das empresas entrevistadas acreditam que o governo chinês aplicará de maneira significativa, no decorrer dos dois próximos anos, as reformas anunciadas em novembro de 2013, após a terceira plenária do 18º Congresso, reunião que o partido único se esforçou para apresentar como uma nova grande virada na abertura da China. Apenas 26% dessas empresas pensam em aumentar seus investimentos nesse mercado, devido a esse ambicioso cronograma teórico.Essa perda de confiança resulta, primeiramente, de uma queda no crescimento do PIB de 7,4% no primeiro trimestre deste ano. A proporção de empresas que podem se gabar de um aumento de faturamento nesse mercado passou de 78% em 2010 para 59% em 2013. A porcentagem daquelas que acumularam lucros passou de 74% para 63% nesse mesmo período. Pela primeira vez, uma maioria delas teve margens mais elevadas fora da China do que nesse mercado, por muito tempo apresentado como um eldorado.
"Devido à alta dos custos e da continuidade dos problemas de regulamentação, as empresas europeias começaram a congelar seus projetos de expansão", constata Joerg Wuttke, presidente da Câmara de Comércio Europeia.

Autoridades locais reticentes em gastar

É verdade que elas não são as únicas. Os atores econômicos chineses também têm sofrido com essa desaceleração, marcada pela incerteza sobre a capacidade do país de cumprir sua meta de crescimento de "aproximadamente 7,5%" em 2014.
Um sinal da preocupação geral é o fato de o Ministério das Finanças ter ordenado que as administrações locais "acelerem os gastos nos projetos de construção de infraestrutura e façam com que esses gastos se materializem o mais rápido possível". Pequim ameaça tomar de volta a verba que não tiver sido gasta, nesse comunicado datado de 21 de maio, mas publicado no site do ministério na quarta-feira (28).
Para Gao Xu, economista-chefe na Everbright Securities, as autoridades locais se mostraram reticentes em gastar nos últimos meses, uma vez que elas mesmas estão passando por tempos difíceis e preferem manter as verbas, pois consideram que os aportes em dinheiro não vão melhorar.
"Está claro que o crescimento se encontra sob forte pressão e que os governos locais não fizeram seu papel na recuperação econômica. Pequim quer obrigá-los a agirem mais rapidamente", diz Gao.
Essa desaceleração desbancou o aumento dos custos trabalhistas como principal preocupação dos empresários europeus na China. Ela vem acompanhada do sentimento de que as empresas estatais chinesas se fortaleceram no decorrer do ano passado.
"Retirar as restrições de acesso ao mercado convenceria mais da metade das empresas europeias a reforçarem seus projetos de investimentos na China", argumenta Joerg Wuttke.
Mas, por enquanto, apesar de um discurso progressista a respeito de abertura econômica, as empresas estrangeiras continuam sendo um alvo favorito de Pequim. Assim, a China impôs na quinta-feira (29) uma multa no total de 19 milhões de yuans (R$ 6,75 milhões) a cinco fabricantes de vidros óticos por manipulação de preços, entre elas a francesa Essilor, a alemã Carl-Zeiss, a japonesa Nikon e as norte-americanas Bausch&Lomb e Johnson&Johnson.

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